14 novembro 2008

A Verdade


José Sócrates afirmou hoje que a economia nacional vai continuar a resistir aos efeitos da crise internacional, sublinhando que Portugal está fora da lista de países europeus em recessão.

“A nossa economia resiste e continuará a resistir”, afirmou o primeiro-ministro.

Se afirmou é porque é verdade. Tudo o que Sócrates diz é verdade. Disse que não ia subir impostos e não subiu. Disse que ia criar 150 mil empregos e criou. Por isso se diz que vai resistir é porque vai. Até porque Portugal, como todos sabem, é o que é porque Sócrates quer que seja assim.

Sócrates não é só adivinho, é a encarnação do divino. É Deus em pessoa. Alá esteja convosco, José Pinto de Sousa.

Me-me-me



Foto superior: O agente do me infiltrado
Foto inferior: Os alunos à espera de instruções


Os alunos manifestam-se contra as faltas. Porque, claro está, querem agradar aos professores. Aquela ovelha esquisita é um membro do governo, que não obedece às instruções dos professores. Pertence ao me -éé (leia-se ministério da educação ouié).

Telenovela - Ovos podres - Episódio 5

Os professores reunidos antes de pegarem nos fios com que magicamente conduzem os alunos

Para o governo, alunos e professores é tudo a mesma coisa. Nem os alunos têm opinião, nem são gente. Isso de terem associações, de poderem eleger representantes para os órgãos colegiais das escolas não passa de fachada.

Os professores, segundo a douta opinião do governo, também não percebem nada de nada. Devem é estar caladinhos e dizer mée e fazer o que o governo manda.

As opiniões, o sentido crítico são coisas do passado. O vinte e cinco de Abril já foi há muito tempo e este governo socialista parece apostado em recuperar o tempo perdido desde a queda do antigo regime.

Se o governo acha o que acha é porque tem razão. Se os alunos acham o que acham é porque são títeres manobrados pelos professores (há muita maneira de dizer como o governo trabalha, esta é, sem dúvida, uma daquelas que Freud explicaria com um sorriso nos lábios). Se os professores estão contra o modelo de avaliação é porque são comunas, ou seja, maus, irresponsáveis (será que ainda comem criancinhas?).

13 novembro 2008

Sismos: prevenção




A América prepara-se para um grande sismo. Sobretudo a Califórnia. Nos Açores nada. A última vez que a terra tremeu o susto foi grande. Foi em S. Miguel. Nesta ilha o silêncio tem sido a regra. Quando houver algo sério virão os ais e uis da praxe, mas secretarias regionais, protecção civil e escolas que andam a fazer?

O que é o Troop Tube?


É um sítio para militares. Ou, se preferirem, é um sítio criado para que os militares americanos possam mostrar os seus filmes sem embaraçar o governo dos EUA e sem revelar segredos. Porque no Youtube qualquer espião pode meter a unha.

Troop Tube é controlado pelo... Pentágono e fechado a quem não seja americano, militar ou afim do departamento de defesa dos EUA.

A 25 anos luz da Terra


Na constelação de Piscus Austrinus, a dois passos estelares da Terra (25 anos luz), mora o Fomalhaut B, um exoplaneta cujo movimento de translação à volta da sua estrela solar demora 872 anos dos nossos.

Fomalhaut b, como se pode ver na imagem captada pelo telescópio espacial Hubble, possui um imenso anel de pó e escombros. Segundo os cientistas, tem a mesma massa de Júpiter. O nome, de origem árabe (Fom al-Haut), significa boca de peixe.

Até os bispos, meu deus, pedem diálogo

Os bispos apelaram, esta quarta-feira, ao "diálogo" entre os vários parceiros do sector da Educação por forma a serem ultrapassadas as divergências existentes. A contestação à ministra foi um dos assuntos abordados.
De acordo com o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), os bispos "não ficaram alheios" aos últimos acontecimentos, apesar de terem falado "marginalmente" da contestação a Maria de Lurdes Rodrigues.
Relativamente à nota pastoral - que estava a ser preparada há mais de um ano -, o porta-voz da CEP explica que o documento assenta em questões "prementes", admitindo "algumas coincidências" com as problemáticas em discussão. No essencial, a carta transmite uma preocupação quanto ao papel das instituições para um ensino de qualidade. É que "nem sempre as instituições do Estado facilitam o exercício que têm as escolas de educar bem", refere o padre Morujão, dando como exemplos "os sucessivos programas, mal implementados, não convenientemente avaliados".
Fonte: JN

Em que dá o quero, posso e mando


Os secretários de Estado da Educação Valter Lemos e Jorge Pedreira foram recebidos esta tarde com uma chuva de tomates e ovos quando se preparavam para entrar na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, Lisboa.

Segundo diz o Público, agentes do Corpo de Intervenção da PSP foram chamados ao local e o pátio foi evacuado.

É triste ver que estamos a caminhar para um endurecimento de atitudes que mostra à saciedade o quanto a educação é necessária.

O papel de vítima que alguns quererão representar depois do sucedido será a cereja em cima do bolo fétido que se tem cozinhado nos corredores governamentais.

O 'study case' Maria de Lurdes Rodrigues

Diz Manuel António Pina na sua crónica do JN: «Um responsável do SINDEP revelou ao DN, ilustrando o modelo de avaliação da ministra Lurdes Rodrigues, o caso concreto de uma professora com 9 turmas e 193 alunos que vai ter que introduzir manualmente no computador 17 377 registos e fazer 1456 fotocópias, além de participar em algo como 91 reuniões. Contas feitas, a 1 minuto por registo, e visto que a professora é um Usain Bolt informático, e não dorme nem come, nem se coça, nem se assoa, inteiramente entregue à avaliação, são 290 horas, isto é, 12 dias (noites incluídas).
Já 1456 fotocópias a 1 minuto cada (tirar o papel do monte, pô-lo na bandeja da fotocopiadora topo de gama da escola, esperar que saia fotocopiado e colocá-lo noutro monte), levam-lhe mais um 1 dia (noite incluída). E 91 reuniões, também de 1 minuto, mais 91 escassos minutos. Ao todo, a professora fará a coisa em pouco mais de 13 dias (noites incluídas). Qual "pesadelo burocrático" qual quê! No fim ainda lhe sobrarão, se alguém a conseguir trazer do cemitério ou do manicómio, 152 dias para dar aulas, aprovar os 193 alunos e contribuir para as estatísticas da ministra.»

O folhetim do parente pobre


A cultura em Portugal sempre foi vista como coisa de élites, logo como algo excrescente. O Estado, gerido por muitos adeptos dessa visão, sempre teve um papel ambíguo. Por um lado, quis ser europeu (leia-se francês) e criou um ministério para a coisa. Por outro, sempre achou que, àparte entreter uma clientela luxuosa, a cultura não servia para nada. No entanto, de quando em quando, o escândalo cai-lhe no colo e encontra-o de pantufas. O Estado faz de conta que tem dificuldade em descalçar a bota, mas como está de pantufas a retórica sai-he baça e o povo percebe logo que é só fogo de vista.

Fernando Pessoa, como Camões, confunde-se com a pátria. E a pátria, como é tradição, cospe-lhes em cima. Mas quando o assunto money money salta para as parangonas não há bicho careta que não se ponha em bicos de pés a apontar o dedo. O problema é que são dedos de pobre...

A arca, meu deus, a arca... Esse símbolo, esse pedaço heteronímico de Pessoa que oscila entre os 50 e os 100 mil euros (diz a leiloeira). Os símbolos são assim, caros. Ou baratos (depende do lado donde se olha).

Fotografias, manuscritos, correspondência e outros papéis de Fernando Pessoa vão hoje a leilão (21.00, Centro Cultural de Belém) podendo ser comprados por qualquer pessoa. Porém, o comprador chegará ao final da noite sem ter a certeza de que os bens que licitou irão de facto ser seus. Terminada a venda, a leiloeira deverá informar o Estado de todos os bens vendidos, valores envolvidos e identificação dos compradores. E o Estado terá, então, oito dias para exercer o direito de preferência.

O leilão tem sido criticado por vários investigadores. José Barreto, do Instituto de Ciências Sociais, defende que o Estado há muito tinha obrigação legal de inventariar tudo o que estava nas mãos da família e que a leiloeira incorre em ilegalidade ao vender estes materiais sem prévia inventariação. Barreto, que escreveu duas cartas a alertar o ministro da Cultura, acha que os herdeiros de Pessoa "eximiram uma parte importante do espólio ao arrolamento ordenado pelo ministro José Hermano Saraiva". Dado que decorreram 40 anos desde o despacho de Saraiva, a questão tornou-se juridicamente irrelevante. E acresce um detalhe misterioso: é que ninguém sabe onde pára o despacho do então ministro da Educação. A Biblioteca Nacional chegou a pedi-lo ao próprio Saraiva, mas nem este o encontrou.

Mais um alerta, mais uma voz ponderada

O presidente do Conselho das Escolas (órgão consultivo do Ministério da Educação) alertou hoje para o mal-estar que se vive no ensino, em consequência do processo de avaliação de desempenho, sublinhando não ter memória de alguma vez se ter registado um tal "ambiente de tensão".
A situação é preocupante, segundo Álvaro Almeida dos Santos, pois "Um dos factores promotores da aprendizagem é o clima que se vive e quando o clima é fortemente perturbado e boa parte do trabalho e das discussões se esgota na questão da avaliação é porque algo não está bem".
"Sou professor há 25 anos e estou há dez como presidente do conselho executivo. Lembro-me de, há 17 ou 18 anos, ter havido um clima de muita tensão que teve a ver com questões ligadas à carreira docente, mas não com a dimensão actual. Com esta dimensão pública, não me lembro", alertou.

Deitar água na fervura... de Sócrates

Sócrates, já se percebeu, ferve em pouca água. Lida mal com as contrariedades e como não tem argumentos socorre-se do autoritarismo.
Felizmente, o partido dele tem gente melhor formada e capaz de dizer: “Para a esquerda, como nós a entendemos, o diálogo não pode ser encarado como um instrumento ou um obstáculo da governação ou para a governação. O diálogo e a discussão fazem parte do nosso código genético. Governar à esquerda não é só fazer sem discutir, é discutir primeiro para depois fazer bem”.
António José Seguro diz o que diz para recordar o óbvio: “O papel dos professores tem de ser valorizado, deve ser valorizado, porque eles são indispensáveis à concretização de qualquer projecto educativo”.
Que Sócrates ou Maria de Lurdes Rodrigues, inábeis, se tenham dirigido para um beco e de lá urrem e gritem, só mostra como avaliaram mal os sinais que há muito lhes tinham sido fornecidos. São maus governantes e merecem chumbar (reprovar).

12 novembro 2008

Roma Antiga

Passear pelas ruas empedradas do Foro romano, visitar o circo Máximo ou o Coliseu em todo o seu esplendor, tal como eram no ano 320: eis algumas das potencialidades de uma funcionalidade que o Google Earth passa a oferecer.
O modelo utilizado serve-se da gigantesca maqueta (que se encontra no museu da Civiltà Romana) do arquitecto italiano Italo Gismondi (1887-1974). Gismondi reconstruiu, com grande detalhe, a Roma Antiga.
Essa nova funcionalidade do Google Earth permite visualizar 6700 edifícios, onze deles a partir do interior, como é o caso do Tabularium ou do Templo de Vesta.
A visita, como em qualquer museu, é visual e literária. Assim, o visitante dispõe de 250 textos explicativos.

Palas ponham-nas aos teimosos...

Argumentação - Zero.
Retórica - Mais do mesmo.
Autoritarismo - Muito.
Cegueira política - Bastante.
Teimosia (o busílis da questão) - Imensa.
Disponibilidade para negociar - Nenhuma.
E o momento hilariante do disurso: "Eu não estou disponível para esperar mais 30 anos para avaliar os professores."

11 novembro 2008

Seis décadas mais tarde




O beijo de 1945 e o sem beijo de 2008 (agora com 90 primaveras)

E é para ir com pistola ou basta a espada?

Alguém se lembra do que é que este SS fez enquanto ministro da educação? Ele é sempre tão sábio, tão arguto. Cá para mim merece o Nobel da Física, pois vê e explica fenómenos que doutra forma nos passariam despercebidos.

A anedota

Dantes contava-se uma anedota que era mais ou menos assim: O filho chegava à beira do pai e dizia:
- Pai, pai, dá-me vinte escudos.
- Para que queres tu dez escudos? Toma lá dois e meio e dá-me o troco.
O ministério da educação, sempre muito bem intencionado e sempre à procura da melhor solução para o problema que criou vem agora chorar sobre a linda proposta que trazia para a reunião a que faltaram os sindicatos. A proposta do ME fez-me recordar a anedota. Até porque o ME apenas dá um centavo e ainda quer o troco.

Che Guevara e outros ícones pops em livro


«Che foi pouco mais que um aventureiro, um líder egocêntrico que foi elevado à categoria de mito impoluto depois da sua morte.» Quem o afirma é Juan José Sebreli (Buenos Aires, 1930), no livro Comediantes y mártires (Debate), obra em que analisa como quatro destacadas personalidades do século passado foram transformadas em mitos: o cantor de tangos Carlos Gardel, a actriz e política Evita Perón, o futebolista Diego Armando Maradona e Ernesto Che Guevara.

A análise mais contundente é a que dedica a Che, qualificando-o de "idiota político", algo que «não pretende ser um insulto, apenas a descrição objectiva de um determinado comportamento».

«Pode dizer-se que ele foi, à vez, um aventureiro, um santo e um herói, mas não um político».

O ensaio deste «pretigiado intelectual argentino», como o classifica o El País assenta em documentos e na interpretação que deles faz, juntamente com ses. «Se Che não tivesse conhecido Fidel Castro no México, provavelmente teria ido como bolseiro para Paris para estudar medicina, que era o que ele queria.»

Se o livro estiver todo ele assente em argumentos deste tipo, está bom de ver que se dão prémios a livros que só podem ser classificados de idiotas. Mas como os juízos críticos exigem a análise dos documentos, aguardemos para ver realmente do que se trata.

Para já está lançado o isco. Será que a propaganda vai surtir o efeito esperado?

A origem do cabelo


Vamos imaginar um lagarto (Anolis carolinensis) com melena ou um galo (Gallus gallus) com bigodes. Parece algo absurdo, não é? No entanto, um e outro dispõem da estrutura genética necessária para formar a estrutura de proteínas que origina o pêlo.

A descoberta é mais ou menos recente, pois até há pouco julgava-se que apenas os mamíferos possuíam as queratinas necessárias à formação de pêlo.

As queratinas são proteínas fibrosas que fornecem protecção à camada externa da pele, pêlos e unhas (preservam a temperatura do corpo e protegem-no). A queratina representa cerca de 90% da constituição dos fios de cabelo e forma-se a partir de aminoácidos, entre eles a tirosina (responsável por atrair e reter pigmentos) e a cistina(que liga as estruturas que dão forma ao fio). É uma proteína insolúvel, principal constituinte da epiderme, unhas, pêlos, tecidos córneos e esmalte dos dentes. Pode ser obtida nos chifres, cascos, penas e pêlo de vários animais. Por exemplo, do ser humano, que dispõe de 54 genes que permitem a formação das queratinas do pêlo.

Ora investigadores da Universidade Médica de Viena e das universidades italianas de Pádua e Bolonha encontraram esse tipo de proteínas e os genes que contêm a informação para as fabricar tanto em répteis como nas aves.

Há já 330 milhões de anos havia proteínas do pêlo no antepassado comum a mamíferos, répteis e aves. Os dinossauros tinham queratinas duras, que deviam usar para a formação das garras. As queratinas duras apareceram precisamente para isso, formar garras, escamas, unhas e só mais tarde, durante a evolução, deram origem ao pêlo.


Fonte: El Mundo

Tomás Pereira na China


Quem tivesse o privilégio de entrar na Cidade Proibida entre 1673 e 1708 poderia ver Tomás Pereira a confundir-se, nos trajes e na língua, com um chinês. Ele e outros padres jesuítas.
Tomás Pereira (1645-1708) era dos poucos, dos muito poucos, que tinha o privilégio de se aproximar de Kangxi, um dos imperadores mais populares da história chinesa. E porquê? Por causa da música.
A música tinha um papel fundamental na comunicação entre os missionários e as autoridades chinesas. Pereira acabou por escrever o primeiro tratado em chinês sobre música europeia, e ensinava a arte aos filhos do imperador.

E foi com a música que captou a atenção de Kangxi, a quem ensinou também álgebra e aritmética.

O mesmo homem que ensinava matemática ao imperador, construía relógios, redigia tratados sobre budismo, concebia um órgão de proporções descomunais que mandou instalar numa igreja de Pequim, e um carrilhão que, dizia o padre Ferdinand Verbiest (então Administrador do Calendário), atraía as atenções dos populares "que ficavam sobretudo admirados com o prelúdio musical que precedia o bater das horas".

Atraía certamente mais multidões do que qualquer calendário rigoroso ou tratado de geometria, chegando a camadas da população que não eram instruídas para entender as capacidades científicas dos jesuítas.

O padre Tomás Pereira viveu mais de três décadas (1673-1708) perto do imperador, e só a morte os separou. Nunca fez evangelização. Não era um homem do terreno. Concentrava-se a fazer pressão junto de mandarins que depois interviriam a favor dos jesuítas junto do imperador. Sabia a que portas bater para discutir pequenas coisas, pequenos gestos que constroem uma relação pessoal com o imperador, que era difícil de conseguir para um chinês, quanto mais para um ocidental.

O imperador Kangxi é uma figura referencial, um dos melhores imperadores do ponto de vista militar, de carácter. Unificou a China, abriu ao exterior, inovou administrativamente, anulou inimigos externos. Quando se procura o que há de glorioso na China, o seu reinado é extremamente importante. E Tomás Pereira é fundamental para compreender o imperador. Acompanhou-o algumas vezes em expedições. E teve um papel importante no tratado sino-russo de Nerchinsk, de delineamento de fronteiras.

Estima-se que o imperador tenha agradecido a Pereira o seu papel no tratado de Nerchinsk assinando o "Édito da Tolerância", em 1692.
Tomás Pereira morreu na China. Há 300 anos.