23 outubro 2008

O poder retórico de Maria de Lurdes Rodrigues

Como se sabe, são milhares de milhares as escolas. Só professores são milhões (no mundo todo, claro está.) Mas vejamos como fala a sra. ministra:
Um prémio para MLR já. O prémio da ênfase e do faz de conta. Faz de conta que é verdade. Faz de conta que são milhares, milhares, milhares.

Oh pá se queres suor, sua e limpa-te

Qué isso de pedir o suor do adversário? Não podes, pá. Prà próxima vais disfarçado de caçador de autógrafos e sacas isso sem ninguém ver. Assim, tás a ver?, lá se vai o emprego.
O Atlético perdera com o Real por 1-2.

A profissão do dois em um

Os professores serviram que nem uma luva para a campanha do défice. Agora que chegou a crise e o défice foi quase esquecido, os professores continuam a braços com uma profissão que, para lá do desgaste psicológico, os coloca perante uma duplicação de tarefas. Além das aulas têm de ser secretários e preencher quilos de papelada, tudo para fazer de conta, pois nada disso vai mudar uma vírgula no ensino.
As consequências são de outro calibre: as pessoas sentem-se usadas. Os abusos sucedem-se. A mediocridade ganha foros de cidadania e a humilhação aumenta.
E vamos direitinhos ao que importa: à educação. Que com as medidas suçalistas piora e vai provocar vários descalabros na vida dos cidadãos portugueses. Será preciso lembrar que o emprego é aberto a 25?
Os pais que andam a dormir vão ver os seus filhos postos de lado (desempregados). Os alunos medianos vão-se deparar com o mesmo. Ou adquiriram competências noutro lado. Se se limitaram às da escola, ao cabo de 12 anos de escola, nem para caixas de supermercado servem.
Sócrates e Maria de Lurdes estarão longe e, quais Pilatos, farão de conta que não é nada com eles, pois eles tudo fizeram para as coisas melhorarem.
Os professores que ainda não estiverem avariados do juízo perguntar-se-ão se valeu a pena.
Claro que alguns, no terreno, começam já a verificar o ridículo desta dita "avaliação" que não avalia nada e apenas serve para poupar dinheiro, ao mesmo tempo que fragamenta ainda mais um grupo profissional já de si muito dividido.
Para a sra. ministra não «tem sentido» protestar. Claro que não (se fôssemos chineses éramos todos rotulados de terroristas). O povo serve apenas para dizer mée.

Scanner que despe os passageiros

Ia eu com minha avó e puseram-nos dentro do scanner. Ouvimos risinhos e depois percebemos do que era. A minha avó trazia o retrato do meu avô num colar e o retrato, no scanner surgia com aspecto fálico.
O Parlamento europeu está contra a medida.

O problema da existência de Deus


“There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”. Sim, "provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a sua vida."
O slogan pertence a uma campanha publicitária, da responsabilidade da British Humanist Association (BHA). Durante quatro semanas, em autocarros londrinos, surgirão esses dizeres com o fim de “promover o ateísmo na Grã-Bretanha, encorajar mais ateístas a assumirem publicamente a sua posição e elevar o moral das pessoas a caminho do trabalho”.
"Nós vemos tantos cartazes que divulgam a salvação através de Jesus ou que ameaçam com condenação eterna, que eu tenho certeza que essa campanha será vista como um sopro de ar fresco", disse Hanne Stinson, presidente da BHA. "Se fizer com que as pessoas sorriam, além de pensar, melhor".
A BHA estuda a possibilidade de estender a campanha a outras cidades, incluindo Birmingham e Manchester, na Inglaterra, e Edimburgo, na Escócia.

22 outubro 2008

Monstros? Ilusões? Não. Dinossauros. Ou o Epidexipteryx


O Epidexipteryx não era maior do que um pombo, tinha penas, era carnívoro, mas provavelmente não conseguia voar.

Os fósseis do Epidexipteryx (o que tem penas de exibição, em grego) foram encontrados em Ningcheng, no norte da China. Os fósseis são do Jurássico médio e tardio. Estima-se que o predador tenha vivido entre há 168 e 152 milhões de anos, um pouco antes da famosa Archaeopteryx, a primeira ave, com um aspecto próximo do dos dinossauros.

O Epidexipteryx era um carnívoro bípede (um terópode) pequeno, com o corpo coberto de penas que não eram apropriadas para voar. A sua característica mais distinta são as quatro longas penas, que saiam da cauda e ficaram bem preservadas.

Deveria pesar menos de 200 gramas e possuia um esqueleto similar ao das aves. Os paleontólogos colocaram a espécie ao lado das primeiras linhas evolutivas dos dinossauros voadores. O Epidexipteryx é o mais antigo dinossauro terópode conhecido que tem penas ornamentais.
Fonte: Público

É tão duro ser candidato, sobretudo se se chamar Palin


Nunca dê o nome de Palin à sua filha. Vai custar-lhe uma fortuna. E pra meninas vaidosas, convencidas e com tendência para abusar, já basta o comum dos mortais.

Não acredita, então ponha os olhos nos números. Em pouco mais de mês e meio Palin já custou mais de 150 mil dólares aos cofres Republicanos. Já pensou? Isso num país como o nosso dava para pagar um apartamento. Exactamente, isso que lhe a si lhe devora grande parte do salário durante grande parte da vida. E que a senhora gastou... em mês e meio.
Isto de ser candidato dá muito trabalho a costureiros, cabeleireiros e... será que alguns dos velhos tecelões do rei trabalha para Sarah?
Nua ela ainda não apareceu.

O calvário de um cliente


A publicidade é sempre maravilhosa. Tudo são facilidades. Tudo funciona às mil maravilhas. Na prática, nada é assim. Os serviços são, de um modo geral, fracos, a qualidade deixa muito a desejar e o preço é demasiado alto para o serviço prestado.

Vejamos o caso da PT, empresa que, qual polvo, se subdivide em diversos tentáculos: PT, Sapo, TMN e meo. Se por acaso temos que ter um relacionamento telefónico com essa empresa, andamos a saltar de pessoa em pessoa, gastando tempo e dinheiro (as facilidades, recorde-se, são apenas na publicidade). As dúvidas não são esclarecidas, porque os/as pobres que nos atendem nunca podem esclarecer ou resolver as nossas dúvidas. Para isso têm que reencaminhar chamadas e lá recebemos um pouco de música.

Dar música é prática corrente. Mas quem a paga (e bem!) somos nós. Pagamos, somos mal servidos e ainda nos requerem conhecimentos técnicos avançados, pois temos de dominar o jargão de que fazem gala - com o óbvio propósito de empatar, reter a chamada e exasperar a paciência do cliente.

O pior é que a concorrência aprendeu pela mesma cartilha. Ou seja, usa exactamente os mesmos métodos.

E nós, espantados, perguntamos: dentro da mesma empresa não deveria ser tudo mais célere e funcional? Deveria. Se fosse para bem servir. Só que o propósito é mais vasto: lucrar. E lucrar num país como o nosso é fácil, basta ter uma espécie de monopólio e subdividir serviços por "empresas". Assim, enquanto nos dão música, também nos dão baile e nós, habituados a ser pacientes, porque queremos resolver as coisas, dançamos, assobiamos, arrancamos os cabelos, sopramos. E vamos abrindo os cordões à bolsa.

Os lucros são altos? Ah pois são.

Os abusos são recorrentes? Pudera!

E alternativas? Onde estão os tão propalados empresários?

Gastam milhares em publicidade para enganar a populaça e conseguir milhões.

Tomem lá Alberto Pimenta

Discurso do filho da puta



O pequeno filho da puta
é sempre
um pequeno filho da puta;
mas não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho da puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho da puta.
de resto,
os filhos da puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho da puta.

o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho da puta.

no entanto,
o pequeno filho da puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho da puta.
todos os grandes
filhos da puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

dentro do
pequeno filho da puta
estão em ideia
todos os grandes filhos da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

o pequeno filho da puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho da puta.


é o pequeno filho da puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
de resto,
o pequeno filho da puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho da puta:
o pequeno filho da puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho da puta.


II


o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.


no entanto,
há filhos da puta
que já nascem grandes
e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho da puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho da puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho da puta.

por isso
o grande filho da puta
tem orgulho em ser
o grande filho da puta.

todos
os pequenos filhos da puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.
dentro do
grande filho da puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos da puta,
diz o
grande filho da puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos da puta,
diz
o grande filho da puta.

o grande filho da puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho da puta.


é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta,
diz o
grande filho da puta.
de resto,
o grande filho da puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho da puta:
o grande filho da puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho da puta.


Alberto Pimenta

Com algum atraso chegamos lá


dos filhos da puta

texto de Fernanda Câncio


«sempre me fez muita confusão que para chamar um nome a alguém — no caso, para dizer que alguém não presta — se optasse por qualificar a respectiva mãe. ora não só me parece de manifesto mau gosto partir do princípio de que uma pessoa é má rês por alguma coisa que a mãe fez ou deixou de fazer, como não me é minimamente óbvio que o trabalho sexual deva ser associado à geração de más índoles. mas o mais curioso de tudo será a espécie de desculpabilização do facínora implícita na designação. como quem diz que o problema não é bem dele, é da mãe.
se me estivesse a dar um acesso de feminismo diria que é a velha mania, pelo menos tão velha quanto o livro do génesis, de atribuir a culpa de tudo às mulheres. como, pensando bem, se calhar não há momento nenhum em que não tenha acessos de feminismo, vou mais longe: fazer coincidir o epíteto ‘filho da puta’ com uma pessoa sem princípios é também dizer (entrando no subtexto da coisa, naturalmente) que é alguém sem pai conhecido, ou seja, fazendo um pouco de arqueologia cultural (sem grande esforço, basta mergulhar nas caixas de comentários deste blogue), alguém ’sem figura da autoridade’, assim a modos que sem ninguém que lhe explicasse o certo e o errado (coisa para a qual, como é sabido, as mulheres em geral não servem e as putas ainda menos).
aqui temos pois o filho da puta como vítima do destino, como mau por afinidade: tadinho, não podia fazer diferente, não podia ser diferente. never had a chance.
ora parece-me tal coisa uma insuportável afronta ao verdadeiro filho da puta, o escroque de primeira, que não se esconde atrás de ninguém nem pede desculpa de nada. o gajo que faz mal por gosto, por desfastio. um gajo que se pode respeitar, até. o contrário do sonso — ai, o que eu odeio sonsos e sonsices.
está pois na hora de arranjar umas palavras velhas para substituir esta desprimorosa, inexacta e facilitadora expressão. sobretudo porque estamos sempre a precisar dela, quando e onde menos se espera.
nos próximos capítulos da série, debruçar-me-ei sobre as expressões ‘vai para o caralho’, ‘vai-te foder’ e quejandas, numa aprofundada reflexão sobre o paradoxo de a linguagem venal fazer coincidir o que parece ser o desejo de (quase) toda a gente (ter sexo/foder) com o pior dos impropérios.
isto, claro, se amanhã quando acordar ainda me apetecer.»


Dias felizes


Diário de Bernfried Järvi


13 de Outubro de 1977

Manhã cedo. Levanto-me e dirijo-me à casa-de-banho. Fito o meu rosto no espelho. Olhos nos olhos. Faço um minuto de silêncio em memória de mim mesmo. Dura aproximadamente trinta e cinco anos. Pronto, está feito. Fecho os olhos e sigo para o trabalho.


Nausea-Creators den to Supermarket Shelf, de N. S. Harsha


[Detalhe]
Fonte: El País

Alfred Cheney, fotógrafo das belezas do jazz




Alfred Cheney (1885-1971)
Mais fotos podem ver vistas aqui.

Anos 20 por Alfred Cheney


A arte

“A arte teve sempre um papel de liderança no mundo, transformando-o e transformando-se, mas neste momento parece que não está a ter uma resposta para os acontecimentos”. (Carlos Cabral Nunes)

Amazónia: de floresta a savana


As florestas tropicais precisam de muita chuva para sobreviver. A subida das temperaturas provenientes do aquecimento global, juntamente com os incêndios florestais, a diminuição de chuvas, a mortalidade e o abate de árvores causam-lhes danos que podem transformá-las em savanas.

A Amazónia corre esse risco, segundo opinião de Carlos Nobre, considerado um dos maiores especialistas no Brasil em mudanças ambientais globais.

Diz ele que há o perigo de quase metade da Amazónia desaparecer até ao final do século. Para que isso aconteça, basta a subida da temperatura em quatro graus centígrados ou mais até o final do século.

Para o investigador, a perda de florestas tropicais "potencia a erosão da biodiversidade" e pode ter consequências para o resto do mundo. Ainda não se sabe o alcance dos resultados, mas admitiu que "pode haver a perda de um terço das espécies do planeta". E avançou que já há espécies de animais e vegetais que desapareceram nos últimos 15 anos devido da subida da temperatura nas regiões tropicais.

21 outubro 2008

Sócrates amigo as famílias não estão contigo

Também não é preciso esse fado todo

Diz ele: “Neste momento todas as famílias precisam da ajuda do Estado”.
Sócrates é amigo.
Sócrates é um pai.
Sócrates é o mundo.
Se não fosse Sócrates que seria de nós?

É tão bom termos um primeiro-ministro que se preocupa realmente em fazer propaganda e que atira areia para os olhos dos eleitores como se fosse um medíocre escritor português.

O verniz já começa a estalar

É impressão minha ou o verniz começa a estalar entre os suçalistas?
Quando o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, se dá ao luxo de advertir os deputados socialistas isso quer dizer que:
a) está preocupado com o seu lugar;
b) está preocupado com os resultados eleitorais do PS;
c) quer que os deputados façam o trabalho de casa com o partido e com os seus eleitores.
Os deputados enfiaram a carapuça? Ou puseram-se a assobiar?
Alguns parece que afinaram e quais divas vieram gritar aqui d'el-rei.
Veja-se o que disse o açoriano vice-presidente da bancada socialista, Ricardo Rodrigues: que o presidente da Assembleia da República "usou humor britânico". "Seguramente que o dr. Jaime Gama não ignora que, se quiser ser reeleito presidente da Assembleia da República na próxima legislatura, tem como primeira condição ser eleito deputado". Ou seja, segundo Ricardo Rodrigues, as palavras que Gama dirigiu aos deputados "também se aplicam a ele, porque ele também é deputado".

Património da humanidade


O diário da viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1497, atribuído a Álvaro Velho do Barreiro, mora na cidade do Porto. Na Biblioteca Municipal. É um tesouro precioso e pode ser visto numa exposição que foi inaugurada há pouco.

O diário, que andou em digressão por vários países europeus, raramente pode ser visto pelo público. Mas nos últimos tempos quis arejar um pouco e depois desse périplo lá está ele no Porto, juntamente com a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, de 1614; o Foral da Cidade do Porto, datado de 1517; edições antigas de Os Lusíadas e manuscritos religiosos, militares e musicais, autógrafos e exemplares de cartografia.

Contra o frio

O frio é uma chatice. Mas não se pode coçar. Por isso, Daniel Rodan, um estilista alemão, resolveu propor couro e látex.
Chamou à sua colecção Noite Negra II - Segredos de Couro. Soutiens, cuecas, suspensórios e outras coisas mais.
Aqui fica uma amostra.

20 outubro 2008

Mau tempo no canal


Via Arrastão, por Pedro Vieira

OVNIs


OVNI ou UFO é um objecto que voa e cuja origem se desconhece. Se é ou não extra-terrestre é coisa que pouco importa.

Ou se calhar é tudo o que interessa. Bem, no dia 20 de Maio de 1957, em plena Guerra Fria, Milton Torres, um piloto americano de combate recebeu ordens para abater um OVNI que se movia erraticamente e, segundo o radar, tinha o tamanho de um porta-aviões. O estranho objecto pôs-se em fuga a uma velocidade de 12 mil km/h.

Segundo testemunha, mal se preparava para descarregar os mísseis, o OVNI desapareceu.

Tudo se terá passado em espaço aéreo britânico.

Biblioteca José Cardoso Pires


Dantes os poetas e escritores portugueses acabavam com uma placa nalgum beco ou rua manhosa. Agora, alguns dos melhores dão o nome a bibliotecas, aviões e escolas.

Em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, vai ser inaugurada a Biblioteca Municipal José Cardoso Pires.

A biblioteca conta com algum espólio do autor, cedido pela família. Por exemplo, obras oferecidas (com dedicatória) por escritores como Alves Redol, Ferreira de Castro, Carlos de Oliveira, António Lobo Antunes, Eugénio de Andrade, António Alçada Baptista, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Luísa Dacosta ou Jacinto Prado Coelho.

José Cardoso Pires tinha alma de conservador, pois guardava muita tralha. Mas não será esse o espólio que poderá ser visto em Vila de Rei. Haverá sim uma sala com mais de 3 mil volumes, um quadro original de Victor Palla representando o escritor e a máquina de escrever que o acompanhou até quase ao final da sua vida.

A inauguração está agendada para 26 de Outubro, dia em que se assinala 10 anos sobre a morte do escritor nascido em Vila de Rei.

Problemas da História de Portugal


Todos os que passaram pela escola recordarão as crises políticas de 1383-85, a da União Ibérica, a das lutas liberais, a da implantação da República. Mais recente, temos o 25 de Abril de 1974.

Sobre este último ponto, alguns dos protagonistas do depois ainda estão vivos e querem deixar registo das suas opiniões e do modo como o viveram.

António Pires Veloso, general do Exército na reforma, é um deles. Decidiu escrever um livro de memórias que sairá em breve. Aí afirma que o 25 de Novembro de 1975 foi uma espécie de renovação do 25 de Abril. Porque o Partido Comunista Português estava apostado em conquistar o poder pela força das armas. Ou seja, através de um golpe.

Mais: a guerra civil só não aconteceu porque o general Costa Gomes chamou Álvaro Cunhal e conseguiu influenciá-lo a desistir. Esta atitude, arrancada a Cunhal com muito esforço de Costa Gomes, surtiu um efeito muito negativo junto de alguns militantes comunistas que estavam no interior das sedes à espera das armas.

De resto, podemos ver que Pires Veloso tem alguns ódios de estimação: Ramalho Eanes e Melo Antunes. Sobre o primeiro diz «Sei que é uma pessoa sem carácter, que deixou Portugal à beira da guerra civil. Acreditei nele, ajudei-o no primeiro mandato de presidente e ele traiu-me, enganou todos, principalmente a região Norte. Quem controlava, ou seja, quem mandava no Eanes, era o Melo Antunes, que fazia o jogo do PCP.»

Sobre o segundo não é menos dócil: «a sua obsessão pelo comunismo era uma coisa doentia, era de um esquerdismo total e, para ele, quem fosse amigo do Sá Carneiro, já era fascista.»

O livro faz referência a muita outra gente que interveio na História: Mário Soares, Sá Carneiro, Cunhal, Vasco Lourenço e muitos outros.


Fonte: JN

19 outubro 2008

Ave Caesar, morituri te salutant


E pronto


Agora que já se sabe tudo, ainda não se sabe nada. Depois da nova Assembleia entrar em funções e de se conhecerem as novas caras do governo veremos se há surpresas.

Para já uma dúvida: a Cultura fica na Terceira ou vai de vez para S. Miguel?

Fala-vos o vidente

Camaradas e amigos é com grande infelicidade que assistimos a mais uma maioria absoluta de Carlos César e legionários. Serão certamente os piores quatro anos que vamos viver em termos de governação. Porque vai começar a caça ao lugar de Carlos César. Porque vamos assistir à prepotência e abuso em vários sectores dependentes do governo regional. Porque o PSD se vai entregar a uma luta intestina à procura do novo líder e vai continuar a esquecer-se de fazer oposição. Porque a crise vai dar azo a muita mendicidade e consequentes abusos. Porque o resto da oposição deixa de contar com os holofotes e se vai limitar a fazer barulhos pontuais.
O fosso entre S. Miguel e Terceira vai alargar-se mais e mais. As outras ilhas assistirão impotentes à partida dos seus filhos que não poderão regressar senão em férias, já que emprego será uma miragem. Embora subsistam os lugares de esmola e as subsidio-dependências.
Fala-vos o vidente, aquele que lê nas folhas de chá.

Dormir pouco faz mal à saúde


Os portugueses estão a dormir cada vez menos. Nas últimas décadas, o sono passou para segundo plano, estando confinado às horas que restam de dias cada vez mais agitados. Paradoxalmente, quanto mais se corta no sono, menos se produz. Estudos sobre a causa-efeito desta nova realidade demonstram resultados ainda mais preocupantes: a redução crónica do sono é um factor de risco para o aumento dos casos de hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, depressão e de mortes ao volante.

"Dormir é mais importante que comer", alerta Teresa Paiva, neurologista e investigadora responsável pelo laboratório do sono do Hospital de Santa Maria em Lisboa. "A privação crónica do sono tem consequências graves para a saúde física, para o equilíbrio emocional e para as capacidades cognitivas", sublinha.

Um estudo da Universidade de Chicago demonstrou que dormir pouco durante alguns dias interfere de tal forma no metabolismo do açúcar que o corpo deixa de processar a glucose no sangue e aumenta a produção de insulina.

A falta de sono dificulta a execução de tarefas, a concentração, o processo decisional e leva a comportamentos de risco para a segurança pessoal e dos outros.

Finalmente, a classe médica encontra cada vez mais ligações entre a privação do sono e a irritação, agressividade, ansiedade e depressão. Assim, mesmo com falta de tempo, o sono deve ser colocado no topo das nossas prioridades.


Fonte: DN

A política das seguradoras ameaça a saúde pública


Há anos não havia bicho careta que não espumasse de alegria com a iniciativa privada. Todos queriam que fossem as leis do mercado a regular tudo. A saúde não fugia à voragem.

Assim conseguiram as seguradoras uma boa parte do seu negócio. Mas...

Já começam a vir a lume as vantagens do negócio: "qualidade duvidosa" dos tratamentos; "materiais de menor qualidade e sobretratamento"; constrangimento dos médicos.

O alerta vem do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva: com montantes que não chegam para cobrir todos os custos de uma consulta, há dentistas que começam a recorrer "a expedientes inaceitáveis em termos éticos, deontológicos e, sobretudo, em termos de qualidade", com elevados riscos para a saúde pública, nomeadamente no que diz respeito à transmissão de doenças.

A crise dá muito jeito

Quando se trata de propaganda, as promessas brotam como fungos. Mas assim que se passa da situação de candidato à de eleito, rapidamente o que era para ser fica esquecido.
Muito longe da promessa de 150 mil novos empregos e não tendo maneira de lá chegar, o governo encontra na crise o bode expiatório que precisava.
Não teria sido mais fácil reconhecer que a proposta era tão-só mais uma mentirinha?
No próximo ano contamos ainda andar por aqui a acompanhar as promessas da socrática comitiva.

Viver nos Açores

Sabemos quem vai ganhar. E sabemos qual tem sido o discurso do líder desse partido. Vejamos como olham para nós do continente. Os sublinhados são nossos.
«Os Açores - com 243 mil habitantes dispersos pelas nove ilhas do arquipélago, algumas distantes entre si cerca de 600 quilómetros, (...) apresentam uma situação de periferia extrema, uma das razões habitualmente avançadas para justificar o seu atraso, a par do seu disperso mercado interno muito pequeno e do baixo nível de qualificação dos seus trabalhadores (cerca de 80 por cento tem apenas o mais baixo nível de escolaridade), que se traduz numa produtividade baixa e na falta de iniciativa empresarial.
Com 2,88 mil milhões de euros de Produto Interno Bruto (PIB), a pequena economia açoriana representa apenas 2 por cento do total do PIB nacional. Por habitante representa 83 por cento da média nacional e 56 por cento da europeia, colocando-se no lote das regiões mais atrasadas da UE.
De 1996 (ano em que o PSD deixou o governo regional) a 2006, o PIB dos Açores quase duplicou o seu valor, ao crescer 89 por cento, enquanto a nível nacional foi de 71 por cento. No período de 2002 a 2006, os últimos quatro anos divulgados, a economia açoriana foi, entre as sete regiões portuguesas, a que registou melhor desempenho (taxa nominal de 20,3 por cento), enquanto a média nacional se situou nos 14,8 por cento, a mesma da Madeira. Desde 2001, os Açores conseguem um ritmo de crescimento médio anual (2,5 por cento) cinco vezes superior ao nacional (0,5 por cento).
Apesar da significativa convergência para a média nacional, a pobreza continua a ser um flagelo neste arquipélago

18 outubro 2008

Meia tonelada atirada para o espaço


A Terra vai atirar 462 quilos para os confins do nosso sistema solar. Para aquele ponto lá muito longe onde começa o espaço interstelar.

O objecto em causa tem um nome pouco abonatório: IBEX (Interstellar Boundary Explorer). Leva instrumentos para captar imagens e criar a primeira cartografia daquela vasta zona de turbulências e de campos magnéticos.

Para que serve o dicionário


Diz o Dicionário Houaiss, Tomo V, p. 2868: pindérico adj. P 1 joc. que tem altíssima qualidade; magnífico, perfeito.

Luís Filipe Menezes considerou “pindéricas” as críticas feitas pela direcção do PSD à proposta de Orçamento de Estado para 2009.

Vem aí a caça à multa


O Governo prevê um crescimento de 28,6% das receitas da rubrica " Taxas, multas e outras penalidades". Qualquer coisa como 780,8 milhões de euros.

Não se espantem se virem a polícia muito activa na caça à multa: ordens do governo.

A tal rubrica inclui taxas de justiça, florestais, vinícolas e moderadoras; taxas sobre licenciamentos, adjudicações e operações em bolsa, portagens e propinas, taxas de autarquias e taxas diversas (ao todo são 24). Além de multas e outras penalidades: juros de mora, juros compensatórios, multas por infracções ao Código da Estrada, coimas por contra-ordenações e multas e penalidades diversas.

De acordo com o último Boletim Informativo de Execução Orçamental, do Ministério das Finanças, só as multas relativas ao Código da Estrada geraram 53,8 milhões de euros, de Janeiro a Agosto deste ano.

17 outubro 2008

Ora diz lá o que é isso da crise

Nota: vimos estas imagens há dias num jornal espanhol (talvez o ABC). Descobrimo-las agora disponíveis via frenesi. Vejam, ouçam e não se preocupem, rir ainda é tax free.



The Last Laugh - George Parr - Subprime

Depois de tanto fogo, um pouco mais de fogo


Uma bola gigante a escaldar e a alta velocidade.

2250 graus Celsius.

É um planeta. E já bateu os recordes de temperatura e velocidade.

Chama-se o WASP-12b. Talvez por isso, ter um nome tão politicamente correcto, a sua órbita demora apenas um dia. Embora WASP seja o acrónimo de Wide Angle Search for Planets.

O “novo” exoplaneta tem uma massa 1,8 vezes maior do que a de Júpiter e está a uma distância bastante curta da sua estrela, o que explica a razão pela qual é tão quente. No entanto, este mesmo facto foi uma surpresa para a equipa de cientistas que descobriu o “novo” corpo, porque desafia os modelos de cálculo da proximidade dos planetas às suas “estrelas-mãe”.

Até aparecer o WASP-12b, o recorde do planeta mais quente pertencia ao HD149026b, que tem uma superfície completamente negra e que tem temperaturas da ordem dos 2040 graus Celsius.

Mudar o bico ao prego

Diz Vasco Pulido Valente do púlpito: «Sabem os peritos o que é a crise? Depois de milhares de explicações parece que não. Os mais fracos confessam. Um ou outro admite que ninguém sabe verdadeiramente o que se passa.» (...)
«A crise acabou por se tornar a salvação dos políticos falhados. Correndo gravemente de Paris para Bruxelas, de Bruxelas para Londres ou de Londres para Washington, falam e voltam a falar e a plebe, apavorada, que sempre os detestou, acredita neles.
Pior do que isso, a gente do poder e a que mandou na economia e nas finanças durante 30 anos pede "confiança". É preciso "confiança"; a "confiança" é essencial; a "confiança" é, garantidamente, a redenção. Mas "confiança" em quê e em quem? Não com certeza num sistema que se derreteu e numa ordem global insustentável e absurda. Não num sistema "regulamentado", na essência, por quem dirigiu este. E em quem? Nas virtudes de entidades como o "povo", a nação - e o contribuinte? Também não. A "confiança" que se pede é precisamente entre os mesmos beneméritos da política e das finanças, que organizarem e provocaram o desastre. Para os "negócios" recomeçarem, tranquilamente, como dantes.»

Fala Günter Grass


O prémio Nobel da Literatura disse hoje na Feira do Livro de Frankfurt: "Tem que se passar a factura [da crise actual] aos banqueiros. Os cidadãos comuns, que pagam os seus impostos, não têm que assumir o peso da crise."

Günter Grass não se esqueceu de referir a hipocrisia dos políticos e dos meios de comunicação, que durante anos andaram a propalar o credo neoliberal e que agora andam a pedir a salvação do Estado.

Do absurdo

Diz Jorge Leite, um dos mais ouvidos especialistas em direito de trabalho, «argumento (...)absurdo (...) o daqueles que alegam que ter um emprego, sobretudo um emprego digno, é um privilégio. É uma subversão total de valores. O emprego deveria ser o status normal de quem o procura e a falta dele um drama humano e social.»
Pode ler-se no mesmo jornal, «Uma parte importante dos custos da actual crise vai recair sobre centenas de milhões de pessoas que não beneficiaram do crescimento económico dos últimos anos, prevê um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ontem divulgado.
O estudo mostra de maneira clara que o fosso entre ricos e pobres aumentou desde o início dos anos 90.»

78 milhões de pobres só na Europa

"A Europa é uma das zonas mais ricas do mundo e, mesmo assim, tem 78 milhões de pessoas a viver no limiar da pobreza." Quem o diz é Vladimir Spidla, comissário europeu do Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades.

Filhos e enteados


Quem trabalha que aperte o cinto. De resto, sosseguem, quem pode pode:

«Em estudos, projectos e pareceres encomendados a gabinetes de advogados, de engenharia e consultores privados, o Governo vai gastar 167,7 milhões de euros em 2009, de acordo com o Orçamento do Estado ontem divulgado.

No total, o Executivo vai gastar com compras de serviços aos privados mais de 1,257 mil milhões de euros, (...) um acréscimo de 4,8%, bem acima do crescimento nominal da economia.»

Mais pobreza


«Para a CGTP, o Orçamento de Estado apresentado não contempla medidas capazes de contribuir para o crescimento económico e criação de emprego, correndo-se desta forma o risco de aumentar a desigualdade no país e de aumentar os níveis de pobreza.» in Público
"Se um milionário perde meio milhão tem outro meio milhão. Sente-se mal, mas tem ainda muito dinheiro de sobra. Se um pobre perde o emprego perde tudo, até a roupa que traz no corpo. Perde a ração diária de comida. Os pobres perdem tudo" - diz Muhammad Yunus, economista e prémio Nobel da Paz.

A pobreza em números


Quase dois milhões de portugueses vivem em risco de pobreza.

Desemprego, velhice, doença e os baixos salários são as principais causas que ditam o infortúnio de quem tem apenas 366 euros, ou menos, para sobreviver.

Entre 1995 e 2000, 46% dos portugueses passaram pela pobreza, em pelo menos um dos anos, refere Alfredo Bruto da Costa, no livro "Um olhar sobre a Pobreza, vulnerabilidade e exclusão social no Portugal Contemporâneo". "Quer isto dizer que uma elevada parte da população portuguesa é vulnerável à pobreza, mesmo que, em dado momento, não seja pobre".

A maioria dos pobres são trabalhadores por conta de outrem (30,8%) ou por conta própria (18%), reformados (21,6%) e domésticas (11%).

Os baixos salários, o fraco nível educativo e a falta de qualificações explicam este cenário. A actual crise financeira dá uma ajuda, com a subida das taxas de juro para o crédito à habitação e o consequente aumento das prestações mensais. Algo que tem feito chegar às bolsas de pobreza gente, até hoje, imune a privações.

Poupar uns tostões para fazer boa figura ministerial


Em Itália, a Ministra da Educação [na foto] conseguiu uma proeza: fazer com que os italianos protestem em bloco contra as suas medidas.

Lá, como cá, o governo acha que se gasta muito em educação. Logo, é preciso cortar. Mas para os cortes não parecerem tão duros ensaiam-se medidas avulso e mais ou menos populistas - pois lá, como cá, atirar areia para os olhos das pessoas é entendido como governar.

Com as medidas de Mariastella Gelmini, não só vão perder o emprego 87 mil professores e 44 mil auxiliares e administrativos como milhares de pais vão ver as suas vidas complicadas. Isto imeditamente. A médio prazo é o país a pagar a factura, pois algumas das medidas abrem as portas ao abandono escolar e aos esquemas das escolas privadas.