15 outubro 2008

Dia mundial da alimentação




O Dia Mundial da Alimentação que se celebra no dia 16 de Outubro de cada ano, foi criado em 1981 para comemorar a criação em 1945 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Com esse dia pretende-se consciencializar a humanidade para a difícil situação que enfrentam as pessoas que passam fome e estão desnutridas, bem como promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome.
Todos os anos, mais de 150 países celebram o evento.
Em países como Portugal, onde as pessoas vivem muito melhor do que aquilo que lhes parece, esse dia é aproveitado para falar… de obesidade. Sobretudo aquela que está relacionada com o excesso de comida e com excesso de sedentariedade.
Não se fala do que se deveria falar, mas daquilo que tranquiliza as consciências. A fome é demasiado inquietante. O excesso de comida é um assunto divertido.

Adivinhações e lixeiras


Depois das profecias de Nostradamus ou das trovas do Bandarra, temos os editores que querem preparar o terreno para um novo e lucrativo negócio, o do livro digital. Que já existe e tem pouca saída.

Segundo alguns editores daqui a uma década tudo será diferente. Em vez de se gastar papel a embrulhar o lixo que editam passarão a embalá-lo digitalmente.

O spam é um problema medonho. Intoxica e polui as caixas de correio. Os livros poluem bibliotecas, isto para não falar do mau cheiro que se sente nesses espaços que os vendem e que, cada vez mais se assemelham, a prolongamentos concretos de velhos quadros abstractos cheios de cores, de riscos, de manchas.

E os livros digitais?

O cliente não quis pagar. O taxista disparou


Como nas noites anteriores, estava eu à espera do táxi que me iria levar a casa. O taxista parecia mal disposto, mas não liguei. A noite já me trouxe muitos rostos intoxicados pelo odor da morte. O que eu não sabia era que este me queria mostrar a passagem para o outro mundo.

Saí do emprego pelas cinco da manhã. Trabalho num hotel. A vida não é fácil para ninguém, eu sei. Mas que raio, aquele queria ganhá-la às minhas custas.

Faço aquele percurso diariamente e sempre o taxímetro marca o mesmo. Naquela noite não. A soma pretendida era exorbitante. Neguei-me a pagar e reclamei. O fulano, nem ai nem ui, saca de uma pistola, abre a porta, tira-me do carro com maus modos e dispara dois tiros. Devia estar bêbado ou narcotizado com outra substância, pois falhou. Consegui desenvencilhar-me e fugi. Alertei de imediato a polícia.

Dias depois, lia-se num periódico: «Lisboa. Um taxista, de 44 anos, disparou dois tiros contra um cliente que não aceitou o valor marcado no taxímetro, já que era bem superior ao que pagava diariamente pelo mesmo percurso. A vítima apresentou queixa à Polícia Judiciária, que viria depois a identificar e a deter o indivíduo. Foi ouvido em tribunal e saiu com a medida mais leve, termo de identidade e residência com apresentações periódicas na esquadra mais próxima da residência. A empresa que o contratou foi informada pela PJ do crime, mas nada há que impeça o arguido de continuar a exercer.»

Operado ao cérebro o homem deu música

Durante uma operação ao cérebro, o homem deu música. Tocou para os médicos e demais equipa. O mais incrível é que estava a ser operado de crânio aberto. Até parece uma cena do Dr. House.
Eddie Adcock, virtuoso do banjo, temia não poder continuar a tocar, devido às tremuras que sentia nas mãos. Os médicos do Hospital Universitário de Nashville deram-lhe uma anestesia local, para perceberem o efeito da cirurgia, enquanto lhe mexiam no cérebro.
Agora, Eddie Adcock tem um "pacemaker" implantado no peito. O aparelho liberta um choque eléctrico que interfere com a parte do cérebro afectada, controlando as tremuras.


14 outubro 2008

Ah, então é por isso que há maus resultados a Matemática

Começo a perceber porque há tantos problemas com a Matemática no nosso país. O povo vê os ministros das finanças a fazer contas e diz: se esses gajos aldrabam dessa maneira e nos querem impingir à viva força que 2+2 são 3, para que hei-de eu contrariá-los?
Os funcionários públicos há mais de uma década que perdem poder de compra. Ora há mais de uma década que os sucessivos governos garantem precisamente o contrário.
Que tal umas explicações grátis para estes ministros?

Problemas de visão


Nós e Carlos César devemos viver em arquipélagos diferentes. Aquilo que a ele o deixa muito feliz, a nós inquieta-nos. Olhamos à nossa volta e vemos o quê?

A região mudou muito nestes últimos anos? Mudou alguma coisa. Parte por acção do governo? Sim, se pensarmos em S. Miguel. De resto, cimento não é sinal de nada. Ou é sinal de bom negócio para poucos. Tal como o alcatrão (porque se gasta tanto com pisos que ao fim de dois mandatos estão desfeitos?)

Se há imensa gente a depender do rendimento social de inserção (ex-rendimento mínimo) é porque a região continua a não criar emprego, é porque o tecido empresarial é reduzido. Já o funcionalismo público e a subsídio-dependência continuam prósperos.

Ao nível do turismo, o governo tem enterrado fortunas a pensar não nos Açores mas em S. Miguel. O preço das passagens aéreas permanece exagerado e se já foi bandeira do PS (há 12 anos), agora ninguém toca no assunto.

Números e estatísticas há-as para todos os gostos. Dizer que foram criadas mais empresas é dizer o quê? Que apesar de tudo há algum dinamismo na sociedade açoriana. Mas os grandes problemas mantêm-se: custos de transportes; pouca atractividade dos mercados regionais; excessiva dependência dos dinheiros públicos.

Quanto a salários, recordemo-nos de que ainda há não muito os Açores estavam entre as regiões com mais baixo poder de compra do país. Porque será?

Se, como diz César, houvesse mais emprego isso já teria mudado, ou não? Será que ele se esquece do número de pessoas que todos os anos têm de abandonar as ilhas porque não têm trabalho?

O problema da prestação mensal


As famílias com dificuldades em cumprir os encargos com o crédito à habitação vão poder substituir, a partir de 2009 e durante um determinado prazo temporal, a prestação mensal da casa por uma renda de valor mais baixo, diz o Correio da Manhã.
Com a criação do Fundo de Investimento Imobiliário em Arrendamento Habitacional (FIIAH), prevista no Orçamento do Estado para 2009, o Governo cria condições para as famílias reduzirem os gastos com habitação, dando-lhe a hipótese de recomprar a mesma casa, e permitindo à banca diminuir o crédito malparado.

O meu querido automóvel 2


A Direcção-geral dos Impostos (DGCI) não brinca em serviço. Pode fazer ranço quando somos nós que vamos tratar de alguma coisa. Já quando se trata de onerar com juros ou de sacar a pretexto de que... não hesita.

Agora, prepara-se para enviar e-mails a cerca de 28 mil contribuintes com dívidas fiscais, ameaçando-os de que, caso não regularizem a sua situação, os irá notificar para que entreguem os documentos das suas viaturas.

De que é que os portugueses gostam mais? Do seu popó. Vamos ver como decorre a coisa e o que vai fazer a DGCI com o parque automóvel apreendido.

Meu querido automóvel


Se eu comprar um popó eléctrico posso deduzir até 796 euros no IRS. Aliciante, não é? Vou já trocar de automóvel.

Dizem que é uma medida de «incentivo à aquisição de veículos não poluentes». Sim, quem é que podendo gastar 16 mil euros, não quer poupar 796?

Doce propaganda.

13 outubro 2008

Para que serve o e-mail?


94,54% do número total de mensagens de correio electrónico é spam.

Os EUA são o país de onde é proveniente a maior percentagem de correio não solicitado.

Portugal apenas é responsável por 2,57% desse lixo.

Diz-se que Spam provém de Spiced ham, que significa presunto condimentado. Algum (pouco) desse presunto vem acompanho de vírus.

Quentin Massys - Uma Mulher Velha


Quentin Massys (Lovaina, 1465 - Antuérpia, 1530), um dos grandes mestres da pintura flamenga, pintou este quadro entre 1525-30.

Um professor de Cirurgia da University College London (Michael Baum) e um seu aluno (Christopher Cook) julgam ter descoberto o que aconteceu à misteriosa mulher que Massys retratou: terá sido vítima, no final da vida, de uma forma rara e já muito avançada da doença óssea de Paget ou osteitis deformans.

Descrita pela primeira vez em 1876, pelo cirurgião britânico James Paget, esta desordem metabólica grave, que alarga e deforma os ossos, costuma afectar a parte inferior do corpo, embora possa atingir qualquer osso. Assintomática na fase inicial, a doença tem sobretudo prevalência após a meia-idade, sendo frequentemente hereditária.

"Estamos a falar de uma mulher tremendamente infeliz, uma mulher que possivelmente foi bela na sua juventude", disse Michael Baum a um jornal britânico.

Os advérbios

Ou nós não sabemos o siginificado de "acentuadamente" ou quem redigiu a nota informativa estava com sono e trocou ligeiramente por acentuadamente.
«A Euribor a seis meses, a mais utilizada na concessão de empréstimos à habitação, caiu para 5,367 por cento.» Estava nos 5,438 por cento.

12 outubro 2008

Gastar à tripa forra ou nem por isso?

As compras feitas por organismos do Estado, nomeadamente por empresas públicas, autarquias e ministérios, sejam empreitadas de valor inferior a 150 mil euros, a aquisição de bens e serviços abaixo dos 75 mil euros ou "outros contratos" abaixo dos 100 mil euros, podem ser feitas imediatamente, dando lugar à sua publicitação num portal do Governo na Internet.
Assim, ficamos a saber que a Câmara Municipal da Praia da Vitória gastou 8.646,50 € na aquisição de serviços de deslocação do Presidente aos EUA ou que a Câmara Municipal das Velas gastou 55.350,99 € com o fornecimento e montagem da rede de Iluminação Doméstica e Telefones, a que se juntam 77.471,32 € com o fornecimento e montagem da rede de Iluminação Pública. E depois?
Este espiolhar das contas públicas trará alguma coisa de útil? Talvez. No caso das entidades que optem por empresas cujos serviços ou produtos sejam mais elevados do que os dos concorrentes. Ou, como faz o Público, trazendo a lume gastos exagerados.
Por exemplo, ao sabermos que em tempos de crise um coronel do Exército gastou 7300 euros a decorar um gabinete em Itália ou que a Assembleia da República gasta 12.825,75 € na edição de 750 exemplares de uma brochura, a gente pergunta: Como?
E que a Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores gaste 33.250,00 € com serviços jurídicos em acção administrativa especial, interposta no Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada, também se nos afigura exagerado.
E que dizer dos serviços de consultadoria que Mega Ferreira cobra ao Instituto Camões: 11.520,00 €?

11 outubro 2008

Olhando para a Natureza aprende-se


Cientistas americanos pegaram no conhecimento que tinham das patas das osgas e criaram um adesivo extremamente poderoso. Como? Reproduzindo os milhões de pêlos microscópicos elásticos, chamados sétulas, dispostos numa determinada ordem que as osgas possuem, através do alinhamento vertical de nanotubos de carbono rígidos cobertos por uma camada de nanotubos entrecruzados.

Essa combinação de nanotubos produziu uma força de compressão capaz de aderir a uma superfície lisa vertical. A força do sistema é quase dez vezes superior ao das patas das osgas.

O fenómeno é explicado em física quântica pela teoria das forças de van der Waals, o físico holandês Johannes Diderick van der Waals, laureado com o Prémio Nobel da Física de 1910. Essas forças consistem numa interacção eléctrica de fraca intensidade entre átomos, moléculas, ou entre uma molécula e um cristal. A resistência da força de compressão manteve o adesivo de nanotubos agarrado com grande força a uma superfície vertical, mas foi possível despegá-lo facilmente ao ser puxado numa certa direcção.
Fonte: Público

Tem a palavra Manuel António Pina

«Afinal o fim do mundo não começou no buraco negro que o Grande Colisor de Hadrões ia gerar algures na Suíça, começou no buraco negro gerado na Wall Street pela colisão das expectativas dos especuladores financeiros com a realidade, que está a engolir bancos e países, boas intenções e intenções nem por isso, teorias económicas e terceiras vias políticas.
Já se sabia desde "Il Giudizio Universal", de Sica, que as pessoas reagem de diferentes modos ao Dilúvio: há quem compre a alma, quem compre galochas, quem venda guarda-chuvas e quem aproveite os últimos minutos em orgias apocalípticas nos andares altos. Os executivos da AIG são deste tipo. Mal receberam 85 mil milhões dos contribuintes para manter a empresa (a quem milhares de americanos confiaram os seus fundos de pensões) à tona, juntaram-se num fim-de-semana num "resort" de luxo da Califórnia onde investiram 440 mil dólares em jantaradas e spa. Segundo a ABC News, boa parte do investimento foi aplicado em manicures e pedicures.»

Novo turismo


Bora lá a Wall Street ver o pessoal assustado com a crise.

Bora!


(Centenas de turistas e de televisões de todo o Mundo foram até Wall Street para assistir em directo ao carnaval criado pelo grande pânico que se manifestava entre os corretores.)

Os portugueses e a corrupção


O livro "A Corrupção e os Portugueses. Atitudes, práticas e valores", de Luís de Sousa e João Triães, editado pelas RCP Edições, mostra alguns dados interessantes. Por exemplo, o de que os portugueses toleram bem o tráfico de influências e vêem nele a única forma de ultrapassar um Estado lento e desatento aos seus direitos e necessidades.

Nas zonas onde existe um maior grau de iliteracia (interior ou grandes zonas suburbanas), a tolerância à corrupção é maior, mas de um modo geral, este trabalho revela (ou confirma) que Portugal é um país propenso a um tipo de corrupção que não assenta necessariamente no suborno e na troca directa dinheiro/decisões, mas que é construída socialmente ao longo do tempo, através da troca de favores, de simpatia, de prendas e hospitalidade.

Se a maioria dos portugueses garante que denunciaria crimes de corrupção, "na realidade, os portugueses recolhem-se ao silêncio e à indiferença". As queixas de cidadãos junto das autoridades são praticamente nulas.


Fonte: JN

A senhora que vai mudar Washington


Há quem tenha fé. Há quem se julgue iluminado. E há quem acredite que se disser o que as pessoas gostam de ouvir pode ir mais longe.

Não sei se Sarah Palin é mulher de fé, embora já a tenha visto em cerimónias com algo de bruxaria. Não sei se se vê como iluminada, talvez sim, talvez não. Sei que confunde uma campanha eleitoral com propaganda a um produto. O produto é ela própria. O que vai mudar na capital se ela para lá for.

O que irá mudar? A ver pelas notícias: todos os que não obecerem a ordens suas, mesmo que sejam arbitrárias e ilegais, serão despedidos.

Para Sarah Palin a lei é como uma moeda. Uma face para ela e para a sua família, outra face para quem não é da família. A família pode arrebentar com todos os "valores" que ela diz defender. E se for alguma amiga de infância, cúmplice dos mesmos princípios republicanos, sempre se arranja um lugar altamente remunerado na função pública.

Já os opositores, sejam eles quais forem, terão sempre à perna uma mulher de sorriso de plástico, a berrar, a berrar, muito cheia de si.

Eu não consigo perceber que raio de "valores" defendem os republicanos. Cheira-me que defendem apenas os das mais-valias e os do poder, que traz benesses financeiras e sociais.

10 outubro 2008

Quando a realidade imita a ficção


Quando a realidade imita a ficção ocorre o déjà vu e o bocejo é o ponto final. A realidade é imensa. A leitura que dela fazemos é que pode ser ou não enfadonha.
Assim, ao ler este naco de prosa - «Um longo beijo de namorados dentro da carruagem do metro antecedia o ataque que o casal fazia às suas vítimas. Era assim que escolhiam os alvos - mulheres e jovens de preferência. As imagens de cenas amorosas encenadas ficaram gravadas nas câmaras de videovigilância e servirão de prova em tribunal.» - logo nos vêm à memória vários filmes americanos e o efeito irónico da cena (beijam-se para assaltar) dilui-se e nada mais podemos dar do que um fraco encolher de ombros. Bah, já vi muitas vezes o filme.
Mas se fôssemos nós as vítimas o caso mudaria de figura.
Trabalho de casa para as duas ou três leitoras mais assíduas cá da casa: imaginem que o rapaz do vosso coração vos propunha resolver a crise assaltando velhinhas. Que fariam?
Escrevam-nos em braile, se faz favor. Obrigado.

Rita Redshoes - Once I found you

Crise?! Mas qual crise?

Arregalei os olhos. Esfregei-os com os indicadores. Pus algumas gotas de descongestionante, não fosse estar a ver mal. Não estava. Crise, diz ele. Mas qual crise? Já tínhamos saído da crise? Ou chegou alguma crise nova?
Talvez o senhor João Salgueiro não saiba, mas a esmagadora maioria da população não é dona de nenhum banco e, portanto, há muito sente a crise. A crise dos preços que não param de subir, embora os salários se mantenham sempre na mesma. A crise da classe dirigente portuguesa que continua a entregar-se a grandes negociatas à custa do erário público (num tempo de crise). A crise mental, que encontra termos como pântano, charco e afins para a designar.
Segundo a Wikipedia (fonte nem sempre de confiança, quiçá por causa da crise) o termo crise tem a mesma equivalência da palavra vento. Indica um estágio de alternância.
Será que a pouco e pouco assistiremos à substituição de uma velha e enfatuada burguesia por uma nova classe, oriunda das letras C e inferiores? Ou será que a crise é apenas o medo dessa velha e enfatuada burguesia fruto de uma má formação literária?

O corpo humano visto por dentro



De que somos feitos?
Como funciona o nosso interior mais profundo?
Já é possível responder a estas e outras questões, basta fazer o download de um software interactivo: o Visible Body.
Terá de fazer o registo e pode depois observar o interior do corpo humano.
O único senão é só funcionar com o internet explorer. Outros browsers como o firefox ou o chrome não interagem.

A verdade de CC



Via In Concreto chegamos aqui.

Rir é o melhor antídoto

Todos nós temos vírus latentes, como se estivessem adormecidos no corpo. Por vezes, em determinado contexto, eles despertam e atacam-nos o sistema imunológico. Sobretudo, quando este se encontra deprimido ou em situações de fragilidade. Mas cada pessoa parece reagir de maneira diferente.
Assim, quando for atacado pelo vírus da chatice ou da pobreza ou apenas do governo, o melhor é tomar um antidepressivo e ler Albert Cossery. Porque rir é o melhor antídoto.
Quem quiser saber mais, passa por aqui ou lê a revista PLoS Pathogens, onde investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina de Lisboa respondem a algumas das questões.

09 outubro 2008

Sítios encantadores


Calacalles subcarinatus (Israelson, 1984)

Buraka Som Sistema - Sound of Kuduro

Alberto Korda











Uma gentileza do El País.
Quem é Alberto Korda? Respostas: a), b), c).

Publicidade




A associação de defesa dos parasitas garante que o uso da publicidade faz bem à carteira.


A publicidade garante que as associações disto e daquilo recomendam o uso do produto X, Y, Z.


Nós recomendamos que passem os olhos por dois cartazes dos inícios do século passado.

Helder Moura Pereira

Portugal é o país onde gregos e troianos confraternizam. É o país onde Deus e Diabo brincam de mãos dados. É o país da esquizofrenia. Algo que se nota em muitos sectores da vida portuguesa, nomeadamente na literatura.
Há uma instituição chamada PEN Clube que ensaia vezes demais a engenharia, como se assim contentasse meio mundo.
Depois do intróito, refira-se que Helder Moura Pereira é um dos vencedores do prémio de poesia dessa instituição, pelo livro "Segredos do Reino Animal". Mantém um blog chamado O sol quando nasce.

A mágoa é um vício

A mágoa é um vício, a ele volto
pelas madeiras desta casa, as memórias
são mais que os sinais pendurados
ao longo das paredes, não descrevo
o que vejo. O que sinto quase
está no silêncio, deixa de ser tempo
o tempo da noite, nos papéis
há desenhos que o matam, pontos
ganhos, contas de somar, fáceis
artimanhas evitando as palavras. Nada
difere de como ponho a mão na testa,
de como se afasta o sol para trás
dos castanheiros. Tento dizer
que sou como vós, leves amantes
de suaves lazeres, contradigo, desminto,
nada acontece. Para o dia de hoje
um pequeno esboço de tristeza, derrota
de cumprir, tarefa de vencer, antes
da noite os ombros, as rugas, terão
significado preciso. Só o recomeço
será tempo de sorrisos.

E o nobel da literatura vai para


Jean-Marie Gustave Le Clézio

Autor que tem alguns livros traduzidos para português:
"O Caçador de Tesouros", na Assírio e Alvim;
Um romance influenciado pela sua vida nas ilhas Maurícias; "Deserto" e "Estrela Errante", na D. Quixote;
"Índio Branco", na Fenda;
"Diego e Frida", na Relógio d´Água.
Grande parte não se encontra disponível nas livrarias, porque as livrarias funcionam mal. Aqui encontra uma listagem de livros em francês, em espanhol e um ou outro em português.

08 outubro 2008

O mundo é um lugar maravilhoso e perigoso: a «dúzia mortal»


Toda a gente tem medo de ladrões. Será que os ladrões também se temem uns aos outros?

Toda a gente tem medo dos terroristas. Os terroristas são gente banalíssima, cuja particularidade reside na fé: acreditam que a verdade mora nos intestinos e nos pulmões dos chefes deles.

Toda a gente tem medo de perder a propriedade, mesmo que a propriedade esteja, grosso modo, nas mãos de outrem, mormente dos bancos.

A gente é muito caguinchas. E pode juntar a todos esses medos, mais um: as mudanças climáticas. Não só por causa dos efeitos que podem ter sobre a propriedade, como também pelos riscos que pode acarretar para a saúde. (Olha, olha, a saúde, o tema preferido dos tugas).

«As alterações climáticas não se manifestam apenas nos seus efeitos mais visíveis, como é o degelo no Árctico e nos glaciares europeus, ou o prolongamento da época balnear nas praias mediterrânicas. A mudança climática causada pela concentração crescente de gases com efeito de estufa na atmosfera, terá também consequências directas na biodiversidade, com a extinção de espécies e a proliferação de outras. É no último caso que poderá haver implicações na saúde humana, com parasitas e insectos vários a expandirem os seus territórios e os seus efeitos negativos na saúde das populações humanas.

[...] Cólera, doença do sono, Ébola, tuberculose, febre amarela ou doença de Lyme, entre outras, estão à espreita, no horizonte das regiões desenvolvidas no hemisfério norte.»


Fonte: DN e Deadly Dozen

Osteoporose: o que é? Quantas pessoas afecta em Portugal?


A osteoporose afecta quase 40 por cento das mulheres com mais de 45 anos. Mas cerca de seis por cento afirma que ainda não consultou um médico para tratar da doença.

Um estudo da Associação Nacional Contra a Osteoporose (APOROS) hoje divulgado diz que “38,1 por cento das mulheres com mais de 45 anos refere ter osteoporose, o que extrapolando para a população portuguesa corresponderá a cerca de 895 mil mulheres [cerca de nove por cento da população portuguesa]".

A investigação foi promovida pela APOROS e pela Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR). No total da amostra em estudo, um quarto das mulheres com mais de 45 anos assume que nunca consultou um médico para falar sobre a osteoporose, apesar da esmagadora maioria (92,3 por cento) a considerar "uma doença incapacitante".

O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis hormonais do organismo. O estrógeneo - hormona feminina, também presente nos homens, mas em menor quantidade - ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea.
As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeneo caem bruscamente. Os ossos passam a incorporar menos cálcio, tornando-se mais frágeis. Por cada quatro mulheres, apenas um homem desenvolve essa patologia.
Embora pareçam estruturas inactivas, os ossos modificam-se ao longo da vida. O organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos. Esse processo depende de vários factores: genéticos, nutrição, prática regular de exercício físico. As células ósseas (osteócitos) são responsáveis pela formação do colagénio, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.
A densidade mineral de cálcio é reduzida de 65% para 35% quando a osteoporose aparece. O canal medular central do osso torna-se mais largo. Com a progressão da osteoporose, os ossos podem ficar esburacados e quebradiços. O colágenio e os depósitos minerais desfazem-se muito rapidamente e a formação do osso torna-se mais lenta. Com menos colágenio, surgem espaços vazios que enfraquecem o osso.

Oxalá

Palavras portuguesas de origem árabe: oxalá, que deriva de Insh’Allah (Deus queira), bochecha (que vem de mashash), o jorro (jara), o açaime (al-zimân), a febra (habra) ou o tamarindo (tamr al-hindi, tâmara do Índico).
Estas e outras palavras poderão ser consultadas em livro que Adalberto Alves está a preparar. Um dicionário de palavras portuguesas com origem árabe (toponímia, antroponímia, léxico corrente e empréstimos semânticos), a publicar em 2009.
Adalberto Alves acaba de receber o Prémio Sharjah para a Cultura Árabe, criado pela UNESCO em 1998.

Palavra e imagem: contaminações

Três poemas desenhados por Almada Negreiros em 1920 vão estar expostos pela primeira vez em "Caligrafias - Uma Realidade Inquieta", exposição com obras de trinta artistas portugueses e espenhóis.
As "contaminações" da palavra e da imagem "percorrem todo o século XX, desde o futurismo e dada, aos caligramas de Apollinaire, ao informalismo e gestualismo das décadas de 30, 40 e 50, ao movimento internacional da Poesia Visual, que em Portugal floresceu na década 60", diz Maria João Fernandes, comissária da exposição.
Essa ligação da palavra e da imagem começou mais cedo, com Almada Negreiros (1893-1970) que criou, em 1920, três "poemas desenhados".
Temos assim: Almada Negreiros como precursor.
Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ambrósio, António Sena, Carmo Pólvora, Emerenciano, Ernesto de Melo e Castro, Eurico Gonçalves, Francisco Laranjo, Gracinda Candeias, Rico Sequeira, Teresa Gonçalves Lobo, Teresa Magalhães, Alexandra Mesquita, Cristina Valadas e Inês Marcelo Curto entre os portugueses.
González Bravo, Hilario Bravo, Antonio Saura, Viola, Suárez e Alberto Reguera, pelos espanhóis.
Alechinsky e outros em representação dos estrangeiros.

07 outubro 2008

Digam lá que os portugueses não são queridos

A maioria dos portugueses, 93%, prefere comprar produtos de empresas «verdes» e 98% estão dispostos a comprar produtos amigos do ambiente, de acordo com um estudo hoje divulgado.
87% dos portugueses preocupa-se com a questão do aquecimento global e as alterações climáticas e reconhece que é um problema que tem efeitos diários.
Será que sabem que se vende muito gato por lebre e que a pretexto da "verdura" e da "amizade ao ambiente" pagam mais por um produto igual a outro mas sem o rótulo de verde?
Fonte: DD

frenesi versus quasi


Uma editora e uma salsicharia. Um programa editorial e um livro de contabilidade. A estética pessoal e o disparate.

A frenesi passou anos a editar poesia quando editar poesia era o cabo dos trabalhos. Mesmo que os critérios sejam discutíveis (quais não são?), publicou o que Paulo da Costa Domingos quis publicar, contribuindo para uma qualidade gráfica ímpar e tornando possíveis o aparecimento de vozes como as de Adília Lopes ou dando espaço a obras como as de Fátima Maldonado ou a preciosidades como Álvaro Lapa.

A Quasi desde muito cedo mostrou que a falta de critério era a sua política editorial. Algo que permitiu ao editor Reis-Sá passar da condição de semi-analfabeto à de colunável em quase tudo o que é publicação «literária». Entre o lixo que escreve e o que publica enquanto editor Reis-Sá conseguiu a proeza de mostrar que editar poesia é, de facto, um negócio social, que mexe com muitas vaidades e imensos dinheiros públicos.









Já agora, permitam-nos mais uma transcrição: «No catálogo têm nomes como Camilo Castelo Branco, Raul Brandão e outros aparentemente mais mainstream, entrecruzados com autores com outro tipo de catalogação. Quais os critérios que presidem à escolha das obras a publicar?
O programa editorial da Frenesi é uma emanação directa do desenvolvimento individual e das contingências vivenciais do seu editor (Paulo da Costa Domingos). Neste sentido, são iniludíveis os nexos a estabelecer com a obra pessoal do mesmo. Também neste sentido, nunca publicaríamos qualquer obra cujo teor nós próprios não partilhássemos. E só «aparentemente» (muito bem dito, na vossa inquirição) alguns autores passam por mainstream: porque mainstream foi a cultura seminarista, o galo de Barcelos, o marianismo, as touradas, a guerra colonial, a loiça das Caldas da Rainha, o fado, o hino nacional, a raça, a Mocidade Portuguesa, a Pide e a Legião, e, recentemente, o retorno a Fátima e ao futebol, as telenovelas... Homens como Camilo Castelo Branco, preso pelo menos duas vezes, ou Raul Brandão, um dos fundadores da Seara Nova, nunca participaram nessa procissão da "enxurrada principal".
»

Picasso, toujour Picasso




Delacroix e Manet, segundo Picasso
Les femmes d'Alger, de Eugène Delacroix e
Le déjeuner sur l'herbe, de Edouard Manet


Picasso já morreu. Picasso permanece vivo. Picasso encheu o mundo de telas, desenhos, gravuras, cerâmica, escultura. Picasso continua a despertar paixões.
Amanhã abre ao público a exposição Picasso et les maîtres no Grand Palais de Paris.
Ao mesmo tempo, no Museu d'Orsay, podem ver-se telas, desenhos eesculturas que o pintor espanhol fez a partir do célebre Le déjeuner sur l'herbe, de Edouard Manet.
E como se não bastasse, o Museu do Louvre tem uma sala para as variações picassianas sobre outra pintura famosa: Les femmes d'Alger, de Eugène Delacroix.

Feco Portugal - pró cartoon pum pum


Vem aí a Feco.

O que é isso?

A Feco é a associação dos gajos.

Gajos, mas quais gajos?

Dos gajos, pá.

...

Dos cartoonistas.

Ah... E o que é que eles querem?

Dignificar a classe; reforçar os laços entre os profissionais da área; combater a solidão; revindicar, junto das classes dirigentes, os mesmos direitos que têm os músicos nos órgãos de comunicação e incluir, nos planos curriculares das licenciaturas de jornalismo, conhecimentos que permitam a um profissional da comunicação social distinguir entre um cartoon e uma caricatura, um cartoon e uma ilustração e por aí fora. Não para aprenderem a desenhar, mas para poderem administrar desenhos.

Isso tudo?

Parece-te muito?

Oh pá, força. Gosto muito dos bonecos nos jornais e parece que há cada vez menos.

Uma bola de fogo no céu, às 2h46 da madrugada


Quando forem 2 e 46 da madrugada, a Terra será invadida por um asteróide do tamanho de um automóvel (com cerca de cinco metros de diâmetro).

O asteróide que dá pelo nome de 2008 TC3 atravessará a atmosfera na zona do nordeste africano.

Quem gosta de acompanhar estes fenómenos, pode fazê-lo aqui.

Joan Margarit, poeta catalão

Arquitecto, Joan Margarit (n. 1938) é um poeta catalão cuja obra "Casa de Misericórdia" acaba de receber o Prémio Nacional de Poesia de Espanha.
Poeta tardio, a sua obra começou a encontrar eco a partir do momento em que pôs de lado o castelhano e a passou a redigir em catalão (inícios da década de 80).
Memória e sentimentos são os eixos de uma poética que tem recebido muitos prémios em Espanha.

PRIMER AMOR

Ellas no te abandonarán.
El tiempo pasará, se borrará el deseo
-esta flecha de sombra-
y los sensuales rostros, bellos e inteligentes,
se ocultarán en ti, al fondo de un espejo.
Caerán los años. Te cansarán los libros.
Descenderás aún más
e, incluso, perderás la poesía.
El ruido de ciudad en los cristales
acabará por ser tu única música,
y las cartas de amor que habrás guardado
serán tu última literatura.

Joan Margarit

Esquemas de gasolineiras postos a nu


Que chatice! Já não bastava as coisas estarem como estão ainda vêm estes chatos pôr a boca no trombone. A gente a fazer pela vidinha, a juntar uns cobres nestes momentos muito duros para toda a gente e o ACP (Automóvel Clube de Portugal) a dizer preto no branco que "O mercado ibérico apresenta todas as características de um mercado oligopolista dominado conjuntamente pelas principais empresas petrolíferas que controlam as trocas entre os dois países".

Mais, diz: "que o mercado português não tem concorrência, que o Governo não supervisiona o mercado e que a Autoridade da Concorrência não mostra qualquer intervenção nesta área ao nível das associações", referindo-se à Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) e à Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec).

Quantas mentiras mais vão os portugueses engolir, perguntam indignados os que têm automóvel.

Os portugueses têm, graças a deus, estômagos que digerem tudo. São mal servidos em quase tudo: construção civil (cheia de pequenas vigarices e de uma construção péssima); serviços de comunicações (telefones, televisão, rádios, net, jornais, livros); saúde, justiça, educação, ambiente. E por entre manguitos, encolheres de ombros e outras ginásticas manuais pagam e não bufam.

Outro esquema com impostos


Famílias monoparentais, de pais separados ou divorciados, podem descontar o valor da chamada "pensão de alimentos" no IRS. Casados ou unidos de facto não podem descontar os encargos com os filhos. Por isso, alguns, os que gostam muito um do outro, simulam um divórcio.
O que é isso de simular um divórcio? Divorciam-se, continuam a viver juntos, mas um dos conjuges arranja outra morada e passa a descontar a "pensão de alimentos". Se o casal é de posses e a pensão alta pode poupar uns cobres valentes.

O Estado há muito conhece o esquema, só não sabe quem o pratica. E o governo não mexe na lei, porque mais vale meia dúzia furar o esquema do que ter de abrir os cordões à bolsa por milhares. Está visto que o apoio à família é mais blá blá socrático.


Fonte: DN

Ó tu aí, mete isto na factura do Zeca e diz-lhe para a meter na do Quim

Se tens jeito para aldrabar e consegues enganar o Estado, roubando-lhe milhões, não te preocupes, o governo arranjar-te-á um negócio em que lucrarás ainda mais.
Já se fores um cobardolas e roubares uns trocados o teu destino será pouco ou nada sorridente. Se roubas, rouba em grande. Aprende com quem sabe e teu será o reino de Portugal.

Figuras portuguesas do século XX em livro


Que é que têm em comum Vasco Santana e Amélia Rey-Colaço, Joshua Benoliel e Pardal Monteiro, José Afonso e Amadeo de Souza-Cardoso, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues?

Sim, estão todos mortos. E...?

Farão parte de uma colecção de fotobiografias de figuras da cultura portuguesa do século XX.

A lista é um tanto ou quanto sinal dos tempos, misturando actores e músicos com fotógrafos, arquitectos e poetas. O século XX é vasto e terá certamente outros nomes, alguns talvez mais representativos. Dar-se-á o caso de as recolhas de Joaquim Vieira, que coordena o projecto para o Círculo de Leitores, terem sido mais fecundas com aqueles nomes? É bem provável.

06 outubro 2008

Gasolina

Portugal tem o terceiro preço da gasolina mais caro da Europa e o décimo no gasóleo, ambos acima da média da União Europeia, indicou o mais recente relatório semanal do Observatório europeu para o Mercado de Energia.
Fonte: JN

O diário secreto que Salazar não conhecia

A velha aliança entre Portugal e Inglaterra tem muitos meandros. Rui Araújo traz a lume alguns do tempo de Salazar. Vem tudo em «O diário secreto que Salazar não conhecia».
Alguns dados são curiosos: Diplomatas, marinheiros e caixeiros-viajantes eram os alvos principais dos recrutadores de espiões. Contudo, revelaram-se muito desajeitados esses portugueses que trabalhavam para os alemães e facilmente davam nas vistas. Os ingleses prendiam-nos, às vezes. Outras vezes, forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada.
Ora havia um radiotelegrafista do navio Gil Eanes, que fornecia informações aos alemães sobre os barcos aliados que avistava, tornando-os presas fáceis para os submarinos de Hitler. A marinha inglesa apresou o Gil Eanes e, simplesmente, raptou o radiotelegrafista, levando-o para Londres.
Outra história é a de um caixeiro-viajante apanhado em África, encarcerado nos arredores de Londres. Confessa tudo. Depois escreve uma carta à mãe e tenta cometer suicídio, espetando a caneta no escroto. Transportado para um hospital militar, fica perto da loucura. Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar.
Os espiões lusos saem um pouco mal no retrato: estavam muito mal preparados, eram medíocres, facilmente se expunham e vendiam-se por muito pouco.

Ouvir música ou apenas barulho de fundo?


Não somos estudiosos do assunto, mas quer-nos parecer que ouvir música não é bem a mesma coisa que ter um fundo musical. A isso chama-se medo do vazio ou horror vacui. Algo que se preenche com a TV acesa ou com uma aparelhagem a debitar CDs.

Veja-se como alguém que se pretende escritor, ou seja, alguém que domina o valor das palavras, fala: «Estou sempre a ouvir música. Às vezes acontece estar tão envolvido na escrita que o disco acaba e de repente faz ploc, o que significa que estou há dez minutos sem música.»

Ouve tanto que não ouve nada, não vos parece?

É apenas um exemplo. Mas que dava um óptimo tratado sobre mundaneidades, lá isso...

Sida e cancro do colo do útero dão Nobel de Medicina




De cima para baixo:
Harald zur Hausen, Luc Montagnier, Françoise Barré-Sinoussi

Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier foram distinguidos pela descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
Françoise Barré-Sinoussi (nascida a 1947) trabalha na unidade de regulação das infecções retrovirais, no departamento de virologia do Instituto Pasteur, em Paris. Luc Montagnier (nascido em 1932) trabalha para a Fundação Mundial para a Pesquisa e Prevenção da sida, em Paris.
Harald zur Hausen foi distinguido pela sua descoberta do papiloma vírus causador do cancro do colo do útero, o segundo tipo de cancro que mais atinge as mulheres.
Harald zur Hausen (nascido em 1936) trabalha no Centro Alemão de Investigação do Cancro, em Heidelberg, na Alemanha.
O prémio, no valor de dez milhões de coroas suecas (1,02 milhões de euros), será repartido entre os três investigadores. Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier dividem uma metade do prémio. A outra metade será integralmente atribuída a Harald zur Hausen.

A Arca de Noé está rota


Nas histórias de ficção científica os pequenos sinais são tudo. Quase sempre por causa do fim do mundo, pois se há tema que atraia os seres humanos é precisamente a morte.

O apocalipse, com os seus tons bíblicos, traz-nos á memória o antes, a Arca de Noé. Ora Noé está a deixar muitos animais de fora.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) os mamíferos e os anfíbios do mundo estão numa “crise de extinção”.

Os mamíferos são os mais castigados: 1141 em risco de extinção – cerca de 21 por cento das 5487 espécies conhecidas. Isto para não falarmos dos 836 mamíferos cujo estado de conservação ainda não é bem conhecido.

Quanto aos anfíbios a coisa está assim: uma em cada três espécies que existem no mundo corre o risco de se extinguir.

Que fazer? Que riscos acarretam essas extinções? Digam de vossa justiça.

05 outubro 2008

Problemas dos professores em Portugal

Quando falam da sua profissão, os professores falam de problemas:

Crescente complexidade e heterogeneidade dos públicos com que têm de lidar;

Diminuição da atractividade da profissão por força da desvalorização política e social de que têm sido alvo;

Desinvestimento na actualização da formação inicial;

Crescente carga administrativa e burocrática;

Violência com que se vêem confrontados nas escolas;

Drástica diminuição de perspectivas de progressão na carreira;

Responsabilização quase exclusiva pelo sucesso dos alunos.

Sócrates sorri e com a sua voz peculiar responde: magalhães, quadros interactivos. A solução dos problemas é, na óptica do primeiro-ministro, a informática. Que pena que os problemas económicos do país não sejam resolvidos com a mesma retórica.

04 outubro 2008

Os títulos dos chicos-espertos que tiram cursos com cartões do ministério

O governo fez o que pôde para poupar. O resto não interessa. Poupa em salários para gastar em tecnologias, pois o problema do ensino era, como todos sabemos, a falta de magalhães.
Governos medíocres actuam assim. O pior é que mal o PSD chegue ao poder se vai esquecer do que disse e vai manter as coisas como estão, porque a mediocridade é mesmo assim.
Se o governo tivesse coragem haveria também juízes titulares e juízes. Médicos titulares e médicos. Polícias titulares e polícias. Mas como só tem paleio apenas há professores titulares e professores. O rídículo tem destas coisas. Mas já está. E mudar o que está num país com uma classe política abaixo de cão é muito difícil. Só se houver muito barulho. Ora os professores não têm uma ordem e estão habituados a ser tratados abaixo de cão.

Caderninhos de Alexandra Baptista

Aula de desenho

Chama-se Caderninhos ... e «papéis digitais» e é um blogue de Alexandra Baptista. Sítios encantadores, onde o humor e as artes gráficas andam de mãos dadas.

Página de artista, portanto. Parabéns à autora. Descobrimo-la agora e já somos fãs.

Contabilistas e hortas


Assim de repente, se lhe perguntassem quem é que estaria interessado em ter uma horta, a sua resposta seria...

Nós estávamos longe de imaginar que na linha da frente das candidaturas estariam contabilistas. Pois é, eles, que lidam com dinheiros, impostos e outras quantidades, sabem dar apreço à terra. Sabem o que custa a vidinha: as cebolas, as batatas, as cenouras, as couves, os alhos, os tomates, os nabos e nabiças, a salsa, os coentros, ...

A coisa dá-se em Guimarães, tem apoio de uma cadeia de hipermercados e da Câmara Municipal. A troco de 5 euros, cada agricultor dispõe de uma boa parcela de terra para produzir alimentos biológicos (não estavam à espera que produzissem alimentos de plástico, pois não?). Mas seja por razões literárias (talvez sejam poetas disfarçados), seja por questões de marketing, o que interessa é que ter um terreno com água e poder ajudar a despensa de casa é algo que não se pode deitar fora nos tempos que correm.

Biblioteca digital da botânica


Uma notícia de fazer crescer água nos olhos: milhares de documentos únicos, alguns com mais de cem anos, estão desde esta semana 'online' aqui. Trata-se do acervo da Universidade de Coimbra na área da botânica.

Aguarelas minuciosas, com fungos e plantas da flora portuguesa desenhados a cores, e todas as distintas partes traçadas a lápis, na proporção certa.

Trabalhos do século XIX, do botânico Júlio A. Henriques (1838-1928), que durante várias décadas foi professor da Universidade de Coimbra e director do seu precioso Jardim Botânico.

Correspondência dos mais eminentes botânicos portugueses do século XIX e das primeiras décadas do século XX com os seus congéneres estrangeiros.

Um filme inédito de uma missão científica a Angola, em 1929, que oferece um olhar surpreendente sobre esse passado.

Uma parte essencial da história da botânica em Portugal está agora à distância de um clic. Por exemplo, o maior herbário do País e o segundo maior da Península Ibérica, ou a maior algoteca do mundo, com mais de cinco mil espécies de algas.

03 outubro 2008

Bennie Wallace - Body and Soul

Bennie Wallace - Thangs

IgNobel


Se é ciência ou se apenas é divertida pouco importa. Interessa sim que o campo de estudo é vasto e tudo pode servir para testar hipóteses. Algumas particularmente sugestivas, como a das pulgas de cães e gatos. Ficamos assim a saber que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos. O que seria a nossa vida sem essa descoberta, hã?

Já agora, fique a saber que os chineses são muito trabalhadores mas pouco aproveitadores, pois diz um estudo que os remédios falsificados mais caros produzem mais efeito do que os remédios falsificados mais baratos.

De resto, o apetite sexual tem algo de natural e parece estar relacionado com o período de ovulação das fêmeas. Pelo menos nos bares de strip é assim. Já que à fase de ovulação das dançarinas em bares de strip, corresponde uma maior quantidade de gorjetas.

As bujardas de Sua Santidade JS

Quando Saramago dá uma entrevista o mundo inteiro tem de parar e reagir, caso contrário Sua Santidade fica indisposto. Uma indisposição que resulta não dos actos ou das opiniões de fulano ou beltrano, mas tão-só da imensa vaidade que o cega.
A cegueira do homem é tanta que se dá ao luxo de atirar bujardas como esta: “a esquerda não pensa”. A única pessoa que pensa, supomos, é Sua Santidade José Saramago. E pensa tanto que se julga o centro do mundo. O mundo, claro, não lhe passa cartão. E ele fica piúrço e passa ao ataque. Que o fizesse lá na casa dele não havia problema. O mundo está cheio de maníacos. Mas há sempre jornalistas que, à falta de espectáculo, têm de ampliar os disparates das pessoas, mesmo que elas sejam muito idosas e já não estejam de posse de todas as suas faculdades.
Coisas do agora, está visto.

02 outubro 2008

A cultura no programa eleitoral do PSD-Açores

O PSD tem um programa de intenções ou uma lista de desejos. Haja dinheiro para os concretizar, pese embora algumas contradições entre o que supostamente combate («uma clara polarização entre a cultura de regime, subsidiada pelo Governo, e a que está fora do seu âmbito de intervenção») e o que propõe, que configura uma vincada cultura de regime (por exemplo: «Promover, no exterior, eventos culturais de reconhecida qualidade realizados nos Açores»).
É um programa muito menos articulado que o do PS, quer quanto ao preâmbulo (manifestamente pobre), quer quanto ao que entende por cultura.
Parece-nos mais um programa de uma autarquia do que o de um partido que ambiciona liderar os destinos dos açorianos. Registe-se, com agrado, a referência a «uma rede pública de leitura», de que o PS parece fugir. Embora se pedisse algo mais bem definido, de forma a mostrar aos eleitores se querem que a Região integre a rede pública nacional ou se se limitam a uma rede regional. E conviria talvez explicar o que é uma rede pública de leitura.
Uma nota muito breve quanto ao sítio: o programa eleitoral parece estar escondido, quando deveria, supomos, estar acessível mal se entrasse no sítio do PSD.