09 outubro 2008

Helder Moura Pereira

Portugal é o país onde gregos e troianos confraternizam. É o país onde Deus e Diabo brincam de mãos dados. É o país da esquizofrenia. Algo que se nota em muitos sectores da vida portuguesa, nomeadamente na literatura.
Há uma instituição chamada PEN Clube que ensaia vezes demais a engenharia, como se assim contentasse meio mundo.
Depois do intróito, refira-se que Helder Moura Pereira é um dos vencedores do prémio de poesia dessa instituição, pelo livro "Segredos do Reino Animal". Mantém um blog chamado O sol quando nasce.

A mágoa é um vício

A mágoa é um vício, a ele volto
pelas madeiras desta casa, as memórias
são mais que os sinais pendurados
ao longo das paredes, não descrevo
o que vejo. O que sinto quase
está no silêncio, deixa de ser tempo
o tempo da noite, nos papéis
há desenhos que o matam, pontos
ganhos, contas de somar, fáceis
artimanhas evitando as palavras. Nada
difere de como ponho a mão na testa,
de como se afasta o sol para trás
dos castanheiros. Tento dizer
que sou como vós, leves amantes
de suaves lazeres, contradigo, desminto,
nada acontece. Para o dia de hoje
um pequeno esboço de tristeza, derrota
de cumprir, tarefa de vencer, antes
da noite os ombros, as rugas, terão
significado preciso. Só o recomeço
será tempo de sorrisos.

E o nobel da literatura vai para


Jean-Marie Gustave Le Clézio

Autor que tem alguns livros traduzidos para português:
"O Caçador de Tesouros", na Assírio e Alvim;
Um romance influenciado pela sua vida nas ilhas Maurícias; "Deserto" e "Estrela Errante", na D. Quixote;
"Índio Branco", na Fenda;
"Diego e Frida", na Relógio d´Água.
Grande parte não se encontra disponível nas livrarias, porque as livrarias funcionam mal. Aqui encontra uma listagem de livros em francês, em espanhol e um ou outro em português.

08 outubro 2008

O mundo é um lugar maravilhoso e perigoso: a «dúzia mortal»


Toda a gente tem medo de ladrões. Será que os ladrões também se temem uns aos outros?

Toda a gente tem medo dos terroristas. Os terroristas são gente banalíssima, cuja particularidade reside na fé: acreditam que a verdade mora nos intestinos e nos pulmões dos chefes deles.

Toda a gente tem medo de perder a propriedade, mesmo que a propriedade esteja, grosso modo, nas mãos de outrem, mormente dos bancos.

A gente é muito caguinchas. E pode juntar a todos esses medos, mais um: as mudanças climáticas. Não só por causa dos efeitos que podem ter sobre a propriedade, como também pelos riscos que pode acarretar para a saúde. (Olha, olha, a saúde, o tema preferido dos tugas).

«As alterações climáticas não se manifestam apenas nos seus efeitos mais visíveis, como é o degelo no Árctico e nos glaciares europeus, ou o prolongamento da época balnear nas praias mediterrânicas. A mudança climática causada pela concentração crescente de gases com efeito de estufa na atmosfera, terá também consequências directas na biodiversidade, com a extinção de espécies e a proliferação de outras. É no último caso que poderá haver implicações na saúde humana, com parasitas e insectos vários a expandirem os seus territórios e os seus efeitos negativos na saúde das populações humanas.

[...] Cólera, doença do sono, Ébola, tuberculose, febre amarela ou doença de Lyme, entre outras, estão à espreita, no horizonte das regiões desenvolvidas no hemisfério norte.»


Fonte: DN e Deadly Dozen

Osteoporose: o que é? Quantas pessoas afecta em Portugal?


A osteoporose afecta quase 40 por cento das mulheres com mais de 45 anos. Mas cerca de seis por cento afirma que ainda não consultou um médico para tratar da doença.

Um estudo da Associação Nacional Contra a Osteoporose (APOROS) hoje divulgado diz que “38,1 por cento das mulheres com mais de 45 anos refere ter osteoporose, o que extrapolando para a população portuguesa corresponderá a cerca de 895 mil mulheres [cerca de nove por cento da população portuguesa]".

A investigação foi promovida pela APOROS e pela Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR). No total da amostra em estudo, um quarto das mulheres com mais de 45 anos assume que nunca consultou um médico para falar sobre a osteoporose, apesar da esmagadora maioria (92,3 por cento) a considerar "uma doença incapacitante".

O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis hormonais do organismo. O estrógeneo - hormona feminina, também presente nos homens, mas em menor quantidade - ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea.
As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeneo caem bruscamente. Os ossos passam a incorporar menos cálcio, tornando-se mais frágeis. Por cada quatro mulheres, apenas um homem desenvolve essa patologia.
Embora pareçam estruturas inactivas, os ossos modificam-se ao longo da vida. O organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos. Esse processo depende de vários factores: genéticos, nutrição, prática regular de exercício físico. As células ósseas (osteócitos) são responsáveis pela formação do colagénio, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.
A densidade mineral de cálcio é reduzida de 65% para 35% quando a osteoporose aparece. O canal medular central do osso torna-se mais largo. Com a progressão da osteoporose, os ossos podem ficar esburacados e quebradiços. O colágenio e os depósitos minerais desfazem-se muito rapidamente e a formação do osso torna-se mais lenta. Com menos colágenio, surgem espaços vazios que enfraquecem o osso.

Oxalá

Palavras portuguesas de origem árabe: oxalá, que deriva de Insh’Allah (Deus queira), bochecha (que vem de mashash), o jorro (jara), o açaime (al-zimân), a febra (habra) ou o tamarindo (tamr al-hindi, tâmara do Índico).
Estas e outras palavras poderão ser consultadas em livro que Adalberto Alves está a preparar. Um dicionário de palavras portuguesas com origem árabe (toponímia, antroponímia, léxico corrente e empréstimos semânticos), a publicar em 2009.
Adalberto Alves acaba de receber o Prémio Sharjah para a Cultura Árabe, criado pela UNESCO em 1998.

Palavra e imagem: contaminações

Três poemas desenhados por Almada Negreiros em 1920 vão estar expostos pela primeira vez em "Caligrafias - Uma Realidade Inquieta", exposição com obras de trinta artistas portugueses e espenhóis.
As "contaminações" da palavra e da imagem "percorrem todo o século XX, desde o futurismo e dada, aos caligramas de Apollinaire, ao informalismo e gestualismo das décadas de 30, 40 e 50, ao movimento internacional da Poesia Visual, que em Portugal floresceu na década 60", diz Maria João Fernandes, comissária da exposição.
Essa ligação da palavra e da imagem começou mais cedo, com Almada Negreiros (1893-1970) que criou, em 1920, três "poemas desenhados".
Temos assim: Almada Negreiros como precursor.
Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ambrósio, António Sena, Carmo Pólvora, Emerenciano, Ernesto de Melo e Castro, Eurico Gonçalves, Francisco Laranjo, Gracinda Candeias, Rico Sequeira, Teresa Gonçalves Lobo, Teresa Magalhães, Alexandra Mesquita, Cristina Valadas e Inês Marcelo Curto entre os portugueses.
González Bravo, Hilario Bravo, Antonio Saura, Viola, Suárez e Alberto Reguera, pelos espanhóis.
Alechinsky e outros em representação dos estrangeiros.

07 outubro 2008

Digam lá que os portugueses não são queridos

A maioria dos portugueses, 93%, prefere comprar produtos de empresas «verdes» e 98% estão dispostos a comprar produtos amigos do ambiente, de acordo com um estudo hoje divulgado.
87% dos portugueses preocupa-se com a questão do aquecimento global e as alterações climáticas e reconhece que é um problema que tem efeitos diários.
Será que sabem que se vende muito gato por lebre e que a pretexto da "verdura" e da "amizade ao ambiente" pagam mais por um produto igual a outro mas sem o rótulo de verde?
Fonte: DD

frenesi versus quasi


Uma editora e uma salsicharia. Um programa editorial e um livro de contabilidade. A estética pessoal e o disparate.

A frenesi passou anos a editar poesia quando editar poesia era o cabo dos trabalhos. Mesmo que os critérios sejam discutíveis (quais não são?), publicou o que Paulo da Costa Domingos quis publicar, contribuindo para uma qualidade gráfica ímpar e tornando possíveis o aparecimento de vozes como as de Adília Lopes ou dando espaço a obras como as de Fátima Maldonado ou a preciosidades como Álvaro Lapa.

A Quasi desde muito cedo mostrou que a falta de critério era a sua política editorial. Algo que permitiu ao editor Reis-Sá passar da condição de semi-analfabeto à de colunável em quase tudo o que é publicação «literária». Entre o lixo que escreve e o que publica enquanto editor Reis-Sá conseguiu a proeza de mostrar que editar poesia é, de facto, um negócio social, que mexe com muitas vaidades e imensos dinheiros públicos.









Já agora, permitam-nos mais uma transcrição: «No catálogo têm nomes como Camilo Castelo Branco, Raul Brandão e outros aparentemente mais mainstream, entrecruzados com autores com outro tipo de catalogação. Quais os critérios que presidem à escolha das obras a publicar?
O programa editorial da Frenesi é uma emanação directa do desenvolvimento individual e das contingências vivenciais do seu editor (Paulo da Costa Domingos). Neste sentido, são iniludíveis os nexos a estabelecer com a obra pessoal do mesmo. Também neste sentido, nunca publicaríamos qualquer obra cujo teor nós próprios não partilhássemos. E só «aparentemente» (muito bem dito, na vossa inquirição) alguns autores passam por mainstream: porque mainstream foi a cultura seminarista, o galo de Barcelos, o marianismo, as touradas, a guerra colonial, a loiça das Caldas da Rainha, o fado, o hino nacional, a raça, a Mocidade Portuguesa, a Pide e a Legião, e, recentemente, o retorno a Fátima e ao futebol, as telenovelas... Homens como Camilo Castelo Branco, preso pelo menos duas vezes, ou Raul Brandão, um dos fundadores da Seara Nova, nunca participaram nessa procissão da "enxurrada principal".
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Picasso, toujour Picasso




Delacroix e Manet, segundo Picasso
Les femmes d'Alger, de Eugène Delacroix e
Le déjeuner sur l'herbe, de Edouard Manet


Picasso já morreu. Picasso permanece vivo. Picasso encheu o mundo de telas, desenhos, gravuras, cerâmica, escultura. Picasso continua a despertar paixões.
Amanhã abre ao público a exposição Picasso et les maîtres no Grand Palais de Paris.
Ao mesmo tempo, no Museu d'Orsay, podem ver-se telas, desenhos eesculturas que o pintor espanhol fez a partir do célebre Le déjeuner sur l'herbe, de Edouard Manet.
E como se não bastasse, o Museu do Louvre tem uma sala para as variações picassianas sobre outra pintura famosa: Les femmes d'Alger, de Eugène Delacroix.

Feco Portugal - pró cartoon pum pum


Vem aí a Feco.

O que é isso?

A Feco é a associação dos gajos.

Gajos, mas quais gajos?

Dos gajos, pá.

...

Dos cartoonistas.

Ah... E o que é que eles querem?

Dignificar a classe; reforçar os laços entre os profissionais da área; combater a solidão; revindicar, junto das classes dirigentes, os mesmos direitos que têm os músicos nos órgãos de comunicação e incluir, nos planos curriculares das licenciaturas de jornalismo, conhecimentos que permitam a um profissional da comunicação social distinguir entre um cartoon e uma caricatura, um cartoon e uma ilustração e por aí fora. Não para aprenderem a desenhar, mas para poderem administrar desenhos.

Isso tudo?

Parece-te muito?

Oh pá, força. Gosto muito dos bonecos nos jornais e parece que há cada vez menos.

Uma bola de fogo no céu, às 2h46 da madrugada


Quando forem 2 e 46 da madrugada, a Terra será invadida por um asteróide do tamanho de um automóvel (com cerca de cinco metros de diâmetro).

O asteróide que dá pelo nome de 2008 TC3 atravessará a atmosfera na zona do nordeste africano.

Quem gosta de acompanhar estes fenómenos, pode fazê-lo aqui.

Joan Margarit, poeta catalão

Arquitecto, Joan Margarit (n. 1938) é um poeta catalão cuja obra "Casa de Misericórdia" acaba de receber o Prémio Nacional de Poesia de Espanha.
Poeta tardio, a sua obra começou a encontrar eco a partir do momento em que pôs de lado o castelhano e a passou a redigir em catalão (inícios da década de 80).
Memória e sentimentos são os eixos de uma poética que tem recebido muitos prémios em Espanha.

PRIMER AMOR

Ellas no te abandonarán.
El tiempo pasará, se borrará el deseo
-esta flecha de sombra-
y los sensuales rostros, bellos e inteligentes,
se ocultarán en ti, al fondo de un espejo.
Caerán los años. Te cansarán los libros.
Descenderás aún más
e, incluso, perderás la poesía.
El ruido de ciudad en los cristales
acabará por ser tu única música,
y las cartas de amor que habrás guardado
serán tu última literatura.

Joan Margarit

Esquemas de gasolineiras postos a nu


Que chatice! Já não bastava as coisas estarem como estão ainda vêm estes chatos pôr a boca no trombone. A gente a fazer pela vidinha, a juntar uns cobres nestes momentos muito duros para toda a gente e o ACP (Automóvel Clube de Portugal) a dizer preto no branco que "O mercado ibérico apresenta todas as características de um mercado oligopolista dominado conjuntamente pelas principais empresas petrolíferas que controlam as trocas entre os dois países".

Mais, diz: "que o mercado português não tem concorrência, que o Governo não supervisiona o mercado e que a Autoridade da Concorrência não mostra qualquer intervenção nesta área ao nível das associações", referindo-se à Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) e à Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec).

Quantas mentiras mais vão os portugueses engolir, perguntam indignados os que têm automóvel.

Os portugueses têm, graças a deus, estômagos que digerem tudo. São mal servidos em quase tudo: construção civil (cheia de pequenas vigarices e de uma construção péssima); serviços de comunicações (telefones, televisão, rádios, net, jornais, livros); saúde, justiça, educação, ambiente. E por entre manguitos, encolheres de ombros e outras ginásticas manuais pagam e não bufam.

Outro esquema com impostos


Famílias monoparentais, de pais separados ou divorciados, podem descontar o valor da chamada "pensão de alimentos" no IRS. Casados ou unidos de facto não podem descontar os encargos com os filhos. Por isso, alguns, os que gostam muito um do outro, simulam um divórcio.
O que é isso de simular um divórcio? Divorciam-se, continuam a viver juntos, mas um dos conjuges arranja outra morada e passa a descontar a "pensão de alimentos". Se o casal é de posses e a pensão alta pode poupar uns cobres valentes.

O Estado há muito conhece o esquema, só não sabe quem o pratica. E o governo não mexe na lei, porque mais vale meia dúzia furar o esquema do que ter de abrir os cordões à bolsa por milhares. Está visto que o apoio à família é mais blá blá socrático.


Fonte: DN

Ó tu aí, mete isto na factura do Zeca e diz-lhe para a meter na do Quim

Se tens jeito para aldrabar e consegues enganar o Estado, roubando-lhe milhões, não te preocupes, o governo arranjar-te-á um negócio em que lucrarás ainda mais.
Já se fores um cobardolas e roubares uns trocados o teu destino será pouco ou nada sorridente. Se roubas, rouba em grande. Aprende com quem sabe e teu será o reino de Portugal.

Figuras portuguesas do século XX em livro


Que é que têm em comum Vasco Santana e Amélia Rey-Colaço, Joshua Benoliel e Pardal Monteiro, José Afonso e Amadeo de Souza-Cardoso, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues?

Sim, estão todos mortos. E...?

Farão parte de uma colecção de fotobiografias de figuras da cultura portuguesa do século XX.

A lista é um tanto ou quanto sinal dos tempos, misturando actores e músicos com fotógrafos, arquitectos e poetas. O século XX é vasto e terá certamente outros nomes, alguns talvez mais representativos. Dar-se-á o caso de as recolhas de Joaquim Vieira, que coordena o projecto para o Círculo de Leitores, terem sido mais fecundas com aqueles nomes? É bem provável.

06 outubro 2008

Gasolina

Portugal tem o terceiro preço da gasolina mais caro da Europa e o décimo no gasóleo, ambos acima da média da União Europeia, indicou o mais recente relatório semanal do Observatório europeu para o Mercado de Energia.
Fonte: JN

O diário secreto que Salazar não conhecia

A velha aliança entre Portugal e Inglaterra tem muitos meandros. Rui Araújo traz a lume alguns do tempo de Salazar. Vem tudo em «O diário secreto que Salazar não conhecia».
Alguns dados são curiosos: Diplomatas, marinheiros e caixeiros-viajantes eram os alvos principais dos recrutadores de espiões. Contudo, revelaram-se muito desajeitados esses portugueses que trabalhavam para os alemães e facilmente davam nas vistas. Os ingleses prendiam-nos, às vezes. Outras vezes, forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada.
Ora havia um radiotelegrafista do navio Gil Eanes, que fornecia informações aos alemães sobre os barcos aliados que avistava, tornando-os presas fáceis para os submarinos de Hitler. A marinha inglesa apresou o Gil Eanes e, simplesmente, raptou o radiotelegrafista, levando-o para Londres.
Outra história é a de um caixeiro-viajante apanhado em África, encarcerado nos arredores de Londres. Confessa tudo. Depois escreve uma carta à mãe e tenta cometer suicídio, espetando a caneta no escroto. Transportado para um hospital militar, fica perto da loucura. Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar.
Os espiões lusos saem um pouco mal no retrato: estavam muito mal preparados, eram medíocres, facilmente se expunham e vendiam-se por muito pouco.

Ouvir música ou apenas barulho de fundo?


Não somos estudiosos do assunto, mas quer-nos parecer que ouvir música não é bem a mesma coisa que ter um fundo musical. A isso chama-se medo do vazio ou horror vacui. Algo que se preenche com a TV acesa ou com uma aparelhagem a debitar CDs.

Veja-se como alguém que se pretende escritor, ou seja, alguém que domina o valor das palavras, fala: «Estou sempre a ouvir música. Às vezes acontece estar tão envolvido na escrita que o disco acaba e de repente faz ploc, o que significa que estou há dez minutos sem música.»

Ouve tanto que não ouve nada, não vos parece?

É apenas um exemplo. Mas que dava um óptimo tratado sobre mundaneidades, lá isso...

Sida e cancro do colo do útero dão Nobel de Medicina




De cima para baixo:
Harald zur Hausen, Luc Montagnier, Françoise Barré-Sinoussi

Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier foram distinguidos pela descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
Françoise Barré-Sinoussi (nascida a 1947) trabalha na unidade de regulação das infecções retrovirais, no departamento de virologia do Instituto Pasteur, em Paris. Luc Montagnier (nascido em 1932) trabalha para a Fundação Mundial para a Pesquisa e Prevenção da sida, em Paris.
Harald zur Hausen foi distinguido pela sua descoberta do papiloma vírus causador do cancro do colo do útero, o segundo tipo de cancro que mais atinge as mulheres.
Harald zur Hausen (nascido em 1936) trabalha no Centro Alemão de Investigação do Cancro, em Heidelberg, na Alemanha.
O prémio, no valor de dez milhões de coroas suecas (1,02 milhões de euros), será repartido entre os três investigadores. Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier dividem uma metade do prémio. A outra metade será integralmente atribuída a Harald zur Hausen.

A Arca de Noé está rota


Nas histórias de ficção científica os pequenos sinais são tudo. Quase sempre por causa do fim do mundo, pois se há tema que atraia os seres humanos é precisamente a morte.

O apocalipse, com os seus tons bíblicos, traz-nos á memória o antes, a Arca de Noé. Ora Noé está a deixar muitos animais de fora.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) os mamíferos e os anfíbios do mundo estão numa “crise de extinção”.

Os mamíferos são os mais castigados: 1141 em risco de extinção – cerca de 21 por cento das 5487 espécies conhecidas. Isto para não falarmos dos 836 mamíferos cujo estado de conservação ainda não é bem conhecido.

Quanto aos anfíbios a coisa está assim: uma em cada três espécies que existem no mundo corre o risco de se extinguir.

Que fazer? Que riscos acarretam essas extinções? Digam de vossa justiça.

05 outubro 2008

Problemas dos professores em Portugal

Quando falam da sua profissão, os professores falam de problemas:

Crescente complexidade e heterogeneidade dos públicos com que têm de lidar;

Diminuição da atractividade da profissão por força da desvalorização política e social de que têm sido alvo;

Desinvestimento na actualização da formação inicial;

Crescente carga administrativa e burocrática;

Violência com que se vêem confrontados nas escolas;

Drástica diminuição de perspectivas de progressão na carreira;

Responsabilização quase exclusiva pelo sucesso dos alunos.

Sócrates sorri e com a sua voz peculiar responde: magalhães, quadros interactivos. A solução dos problemas é, na óptica do primeiro-ministro, a informática. Que pena que os problemas económicos do país não sejam resolvidos com a mesma retórica.

04 outubro 2008

Os títulos dos chicos-espertos que tiram cursos com cartões do ministério

O governo fez o que pôde para poupar. O resto não interessa. Poupa em salários para gastar em tecnologias, pois o problema do ensino era, como todos sabemos, a falta de magalhães.
Governos medíocres actuam assim. O pior é que mal o PSD chegue ao poder se vai esquecer do que disse e vai manter as coisas como estão, porque a mediocridade é mesmo assim.
Se o governo tivesse coragem haveria também juízes titulares e juízes. Médicos titulares e médicos. Polícias titulares e polícias. Mas como só tem paleio apenas há professores titulares e professores. O rídículo tem destas coisas. Mas já está. E mudar o que está num país com uma classe política abaixo de cão é muito difícil. Só se houver muito barulho. Ora os professores não têm uma ordem e estão habituados a ser tratados abaixo de cão.

Caderninhos de Alexandra Baptista

Aula de desenho

Chama-se Caderninhos ... e «papéis digitais» e é um blogue de Alexandra Baptista. Sítios encantadores, onde o humor e as artes gráficas andam de mãos dadas.

Página de artista, portanto. Parabéns à autora. Descobrimo-la agora e já somos fãs.

Contabilistas e hortas


Assim de repente, se lhe perguntassem quem é que estaria interessado em ter uma horta, a sua resposta seria...

Nós estávamos longe de imaginar que na linha da frente das candidaturas estariam contabilistas. Pois é, eles, que lidam com dinheiros, impostos e outras quantidades, sabem dar apreço à terra. Sabem o que custa a vidinha: as cebolas, as batatas, as cenouras, as couves, os alhos, os tomates, os nabos e nabiças, a salsa, os coentros, ...

A coisa dá-se em Guimarães, tem apoio de uma cadeia de hipermercados e da Câmara Municipal. A troco de 5 euros, cada agricultor dispõe de uma boa parcela de terra para produzir alimentos biológicos (não estavam à espera que produzissem alimentos de plástico, pois não?). Mas seja por razões literárias (talvez sejam poetas disfarçados), seja por questões de marketing, o que interessa é que ter um terreno com água e poder ajudar a despensa de casa é algo que não se pode deitar fora nos tempos que correm.

Biblioteca digital da botânica


Uma notícia de fazer crescer água nos olhos: milhares de documentos únicos, alguns com mais de cem anos, estão desde esta semana 'online' aqui. Trata-se do acervo da Universidade de Coimbra na área da botânica.

Aguarelas minuciosas, com fungos e plantas da flora portuguesa desenhados a cores, e todas as distintas partes traçadas a lápis, na proporção certa.

Trabalhos do século XIX, do botânico Júlio A. Henriques (1838-1928), que durante várias décadas foi professor da Universidade de Coimbra e director do seu precioso Jardim Botânico.

Correspondência dos mais eminentes botânicos portugueses do século XIX e das primeiras décadas do século XX com os seus congéneres estrangeiros.

Um filme inédito de uma missão científica a Angola, em 1929, que oferece um olhar surpreendente sobre esse passado.

Uma parte essencial da história da botânica em Portugal está agora à distância de um clic. Por exemplo, o maior herbário do País e o segundo maior da Península Ibérica, ou a maior algoteca do mundo, com mais de cinco mil espécies de algas.

03 outubro 2008

Bennie Wallace - Body and Soul

Bennie Wallace - Thangs

IgNobel


Se é ciência ou se apenas é divertida pouco importa. Interessa sim que o campo de estudo é vasto e tudo pode servir para testar hipóteses. Algumas particularmente sugestivas, como a das pulgas de cães e gatos. Ficamos assim a saber que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos. O que seria a nossa vida sem essa descoberta, hã?

Já agora, fique a saber que os chineses são muito trabalhadores mas pouco aproveitadores, pois diz um estudo que os remédios falsificados mais caros produzem mais efeito do que os remédios falsificados mais baratos.

De resto, o apetite sexual tem algo de natural e parece estar relacionado com o período de ovulação das fêmeas. Pelo menos nos bares de strip é assim. Já que à fase de ovulação das dançarinas em bares de strip, corresponde uma maior quantidade de gorjetas.

As bujardas de Sua Santidade JS

Quando Saramago dá uma entrevista o mundo inteiro tem de parar e reagir, caso contrário Sua Santidade fica indisposto. Uma indisposição que resulta não dos actos ou das opiniões de fulano ou beltrano, mas tão-só da imensa vaidade que o cega.
A cegueira do homem é tanta que se dá ao luxo de atirar bujardas como esta: “a esquerda não pensa”. A única pessoa que pensa, supomos, é Sua Santidade José Saramago. E pensa tanto que se julga o centro do mundo. O mundo, claro, não lhe passa cartão. E ele fica piúrço e passa ao ataque. Que o fizesse lá na casa dele não havia problema. O mundo está cheio de maníacos. Mas há sempre jornalistas que, à falta de espectáculo, têm de ampliar os disparates das pessoas, mesmo que elas sejam muito idosas e já não estejam de posse de todas as suas faculdades.
Coisas do agora, está visto.

02 outubro 2008

A cultura no programa eleitoral do PSD-Açores

O PSD tem um programa de intenções ou uma lista de desejos. Haja dinheiro para os concretizar, pese embora algumas contradições entre o que supostamente combate («uma clara polarização entre a cultura de regime, subsidiada pelo Governo, e a que está fora do seu âmbito de intervenção») e o que propõe, que configura uma vincada cultura de regime (por exemplo: «Promover, no exterior, eventos culturais de reconhecida qualidade realizados nos Açores»).
É um programa muito menos articulado que o do PS, quer quanto ao preâmbulo (manifestamente pobre), quer quanto ao que entende por cultura.
Parece-nos mais um programa de uma autarquia do que o de um partido que ambiciona liderar os destinos dos açorianos. Registe-se, com agrado, a referência a «uma rede pública de leitura», de que o PS parece fugir. Embora se pedisse algo mais bem definido, de forma a mostrar aos eleitores se querem que a Região integre a rede pública nacional ou se se limitam a uma rede regional. E conviria talvez explicar o que é uma rede pública de leitura.
Uma nota muito breve quanto ao sítio: o programa eleitoral parece estar escondido, quando deveria, supomos, estar acessível mal se entrasse no sítio do PSD.

A cultura no programa eleitoral do PS-Açores

Nos Açores está-se em campanha eleitoral e nós aqui no Pisca resolvemos abordar uma área normalmente descurada pelos partidos, quer pela falta de formação dos candidatos, quer por uma visão extremamente redutora do arquipélago, seja quanto ao seu papel no contexto nacional, seja no contexto europeu e internacional.
Falamos da cultura.
Domínio no qual o governo pouco ou nada fez durante a legislatura que agora se aproxima do fim. No entanto, olhando para o programa eleitoral do PS, registe-se um imenso salto qualitativo. Finalmente, pelo menos se olharmos para o programa (um conjunto de intenções que a maior parte dos eleitores ignora), parece que a Região se prepara para ter uma política cultural.
No tempo de Luiz Fagundes Duarte, a região deu sinais de que iria haver uma dinâmica cultural, mas rapidamente a ilusão se converteu em desilusão. Vasco Pereira da Costa foi mais um administrativo do que um impulsionador. E conseguiu a proeza de desmantelar o capital cultural da ilha Terceira. Quem vive aqui percebe como a ilha está estagnada. E como aos poucos S. Miguel foi marcando posição, apropriando-se do orçamento.
Por isso, aquilo que está no programa, em jeito de preâmbulo não passa de ficção. Não houve «políticas concertadas destinadas a estimular a auto-estima dos açorianos face à sua identidade cultural, a incentivar a leitura e a actividade cultural, a motivar a fruição de bens culturais, e a apoiar a edição e divulgação de obras de autores açorianos (escritores, músicos, artistas plásticos), ou de temática ou vocação açorianas.»
Se pensarmos que a Região tem funcionários bem pagos para tratar da dinamização cultural perguntamo-nos que farão durante o horário de expediente, é que nada vimos digno de nota e aquilo que de longe a longe foi levado a cabo parecia uma brincadeira de meninas afectadas mas que de cultura nada sabem.
Concordamos que «O desenvolvimento dos Açores passa, obrigatoriamente, pela cultura, e de um modo particular pela preservação do património, para revitalização e aproveitamento, pela produção cultural, e pela fruição de produtos e bens culturais.»
E também estamos de acordo quanto a entender esse sector como tendo «uma dimensão bastante significativa nas sociedades modernas e desenvolvidas».
Lamentavelmente, o programa falha por se ficar pelas generalidades. E por não ser claro quanto ao estatuto do novo Director Regional da Cultura. Será criada uma Secretaria para a Cultura?
Nota-se que o autor do texto sabe do que fala. Resta saber se terá orçamento para levar a cabo as articulações e actividades que parece propor(referimo-nos aos objectivos 2, 3 e 4). E conviria esclarecer os açorianos quanto ao papel da cidade património mundial que tem sido tão descurada nestes dois últimos mandatos de governo PS.
Conviria ainda que se dissesse como pensa o PS, enquanto governo regional, criar novos públicos, ou seja, o que vai fazer quanto à formação / educação, pois há muito se percebeu que Álamo de Meneses gosta é de cimento.

Viva

A melhor escola da Europa (não será do mundo?) afinal tem problemas a dar com um pau. Sobrelotação, falta de funcionários, excesso de corredores.
É um elefante branco, com a assinatura indiscutível desse génio que se chama Álamo de Meneses.
Dinheiro para inglês ver torrou-se à grande. Dinheiro para manter a escola funcional não existe. Viva Portugal. Viva Carlos César. Viva Álamo de Meneses.
A megalomania faz-se com dinheiros públicos. Já o servir o interesse público faz-se com pedras na mão e desculpas esfarrapadas.
Falamos da Escola Básica e Secundária Tomás de Borba, situada na ilha Terceira, Açores.

Painho-das-tempestades-de-Monteiro


O Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e a Royal Society for the Protection of Birds descobriram nos Açores uma nova espécie de ave. Trata-se do painho-das-tempestades-de-Monteiro, assim nomeado em homenagem ao investigador Luís Monteiro, falecido no acidente com um avião da SATA, em Dezembro de 1999, na ilha de São Jorge.

Apenas existente nos ilhéus da Graciosa, esta espécie endémica apresenta ligeiras diferenças em relação à espécie painho-das-tempestades, mas suficientes, no entanto, para não se conseguirem reproduzir entre si.

Tamanhos e vocalizações são algumas das características que incompatibilizam as duas populações agora tornadas espécies, graças à certificação efectuada por análise genética.

Os trabalhos que permitiram identificar a nova espécie começaram na década de 90 e foram inicialmente conduzidos por Luís Monteiro.

Emanuel Jorge Botelho


no horizonte estão todos
os pássaros do mundo



cada pássaro é a sombra, tatuada,
de um anjo


o longe é um golpe na paisagem,
a asa do horizonte



(21 Haiku com Asas, Galeria111, 2008)

Renata Correia Botelho


tem os pés mais cansados
do mundo, dissera-lhe o homem
enquanto seguiam os três com
as hortênsias. a criança sentada


sobre o dorso olhava o burro e
a vida que se abria em cada curva
como uma fotografia a sépia
de que nunca se regressa. muito


mais tarde, na mesma estrada,
viu o homem sozinho, sem o burro
nem as flores, e reconheceu em si
o imenso cansaço do mundo.


(E Cabras, Galeria111, 2008)

01 outubro 2008

O Gato das Botas do século XXI

Antigamente havia várias histórias assim: Fulano ou Beltrano conseguiam enganar meio mundo, fazendo-se passar por ricos. A mais famosa é, certamente, a do Gato das Botas que ao serviço do Marquês de Carabás conseguiu a proeza de enganar um ogre muito mau.
O ogre chama-se Crise Internacional. O Gato das Botas, Mário Lino. Garganta é coisa que não lhe falta, talvez por querer que sejamos todos marqueses. Diz ele "Nós temos uma linha de rumo e quando as dificuldades surgem temos que ter um comportamento de enfrentar essas dificuldades". Nós é o governo. E a linha de rumo já todos sabemos qual é: ganhar menos, apertar o cinto para que eles possam passear os seus despautérios pelas televisões, rádios e jornais.
E assim faz o governo pedagogia, dizendo a cada português: Gasta sempre acima das tuas possibilidades. Mente. Endivida-te e arranja esquemas.
Dizer isso a um povo que já tem esse discurso entranhado há gerações é ouro sobre azul. O único senão é que tudo isso mostra como a retórica de Sócrates é falsa e como o governo não resolve nada, apenas adia os problemas.

We Will Rock You

Dia Mundial da Música

Lembramos o dia Mundial da Música com a Sinfonia n.º 6 in F Major (Opus 68) de Ludwig van Beethoven. Ao mesmo tempo que o convidamos a visitar este blogue e este e este. Podem ainda dar um saltinho aqui ou aqui. Se estiverem para aí virados, não deixem de visitar este e este. Por último, uma ligação à música portuguesa.

30 setembro 2008

Professor, uma profissão com futuro

Actualmente, quem sai de uma universidade habilitado para o ensino fica a ver canudos. Mas segundo a UNESCO serão necessários mais 18 milhões de docentes. Boas notícas portanto.
A escassez de professores qualificados continua a ser um problema crucial. Para se atingir a meta de universalização do ensino primário até 2015 precisa-se de professores.
A escassez é particularmente grave em África, onde são precisos mais 3,8 milhões de docentes para atingir esse objectivo, afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Os baixos salários, as salas de aulas superlotadas e a formação inadequada são alguns dos problemas que afectam os professores, diz essa instituição.
Portugueses, aprendam línguas e continuem a saga: emigrem.

As drogas que vêm da China

A falsificação de medicamentos é um negócio altamente lucrativo, estimado em 45 mil milhões de euros. Ou seja, 10% do volume mundial de medicamentos - menos de 1% nos países desenvolvidos e mais de 40% nos menos desenvolvidos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um medicamento falsificado é aquele que está etiquetado indevidamente. Pode ser de marca ou genérico, e a falsificação vai do alterar a composição até ao não conter nenhum princípio activo.
Grande parte dos falsos remédios são produzidos na China.
Em Espanha, segundo o El País, a guardia civil apreendeu perto de 2 milhões de medicamentos. Em Inglaterra foram apreendidos quase 20 mil quilos de comprimidos.

Valores éticos

A crise é lixada. E quando se descobre alguma careca as fotografias desatam a tremer como varas verdes. Não é bonito ver-se a desproporção entre o vencimento e a renda de casa. E não o é num país onde há tanto rendimento social de inserção e onde os salários são baixos.
Que a situação não cria «problemos éticos» já sabíamos. Se criasse há muito teria prescindido da casa. E mostra bem como o «serviço público» é quase sempre entendido como «venha a nós o vosso reino».
Sinopse: «A vereadora do PS responsável Acção Social da Câmara de Lisboa, que até ao final do ano passado pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre, tem uma reforma de cerca de 3350 euros. Ana Sara Brito deu ontem uma conferência de imprensa para explicar uma situação que durou 20 anos e que "nunca pôs em causa" os seus "valores éticos". É por isso que não se demite: "Continuarei, apesar de alguns não o desejarem, com a mesma determinação, a trabalhar de acordo com o programa eleitoral."»
Que determinação é essa? A gente calcula.

Uma aspirina, please


-Daqui Hubble. Não me 'tou a senti' lá muito bem... bzz... bzz...

-Daqui Terra. Já vamos mandar um cardiologista aí Hubble. E de febre como estamos?

-Bzz... Bzz...



O problema agora detectado impossibilita o Hubble de formatar ou armazenar dados dos seus instrumentos e transmitir informação para a Terra.

Tranquilidade... tranquilidade...

Seguro, mas como? se há anos que ter dinheiro no banco é a mesma coisa que descpitalizá-lo, pois entre os juros que o banco paga, os impostos que o Estado cobra e a inflacção, o dinheiro vai perdendo valor.
As poupanças dos portugueses desbarataram-se e o governo deu uma ajuda preciosa, acabando com os certificados de aforro. Estamos a falar de classe média, baixa ou remediada. Estamos a falar de quem vive do salário ou da reforma. Estamos a falar de pequenas quantias de que os mais velhos e previdentes nunca abriram mão.
Os outros sim, devem andar aflitos, pois a bolsa tão estimada dá-se mal com a montanha russa que a economia americana exporta com voracidade. Mas para esses há outras garantias e Sócrates é amigo de quem joga. Não há grande empresa que não goste de Sócrates. Portugal ainda é um paraíso para as grandes empresas. Os salários são baixíssimos, as regalias miseráveis, os direitos diminutos.

A fantasia da medicina

Gostamos muito de médicos. E gostamos muito de notícias. Às vezes dá-se o caso de serem notícias sobre saúde e de as lermos entre o espanto e a fúria. Porque já nos aconteceu ir ao médico e falar-lhe de certo tipo de doença e o médico desviar o assunto para canto.
É muito bonito vir com notícias como a de hoje no Público, sobre os pés das crianças, quando a maior parte dos médicos parece estar a milhas do assunto. Desde pediatras a médicos de clínica geral. Vai-se lá, diz-se: O meu filho tem os pés assim e assado. Veja. E ele diz: Isso não é nada, um pouco de creme gordo e passa. Claro que não passa. O creme gordo pouco mais faz do que atenuar ligeiramente o problema.
Sendo assim, antes de vir com notícias alarmistas, seria bom saber se os médicos estão alerta. Se já receberam formação sobre o assunto. E só então divulgar. Caso contrário parece banha da cobra.
Não é a primeira vez que a Associação Portuguesa de Podologia faz as suas campanhas. Mas conviria que as fizesse primeiro junto da própria classe.

29 setembro 2008

A cadeia e a magia


O Presidente dos EUA recebeu esta foto e julgou que era uma declaração de amor. Deitou-a fora. Oito dias depois o seu país morreu.

Um homem recebeu esta foto e encaminhou-a imediatamente. Surpreendentemente, ganhou a lotaria.

Alberto Martinez recebeu esta foto, entregou-a à sua secretária para que encaminhasse cópias, mas ela esqueceu-se de remetê-las, encantada com a imagem erótica que o seu namorado lhe tinha enviado e era tal e qual a do patrão. Ficou desempregada e perdeu a família.

Esta foto é milagrosa e sagrada, não se esqueça de encaminhá-la a 20 pessoas, dentro de 13 dias. Não se esqueça de encaminhá-la e terá uma grande surpresa!

Para que servem os serviços secretos?

Para fazer filmes muito giros, com gajas boas e muito muito dinheiro. (Espião e glamour são quase sinónimos no imaginário das gentes.)
Sim, mas tirando a ficção, para que serve realmente um serviço de espionagem num país democrático?
Ora, para vigiar músicos e ver se são obscenos ou não.
Que dois ou três empresários façam negócios com dinheiros públicos não incomoda ninguém. Já uns rapazes dos subúrbios incomodam muito mais. Ai se Luís XVI tivesse um serviço de espionagem... certamente teria morrido com a cabeça em cima dos ombros.
Veja-se como o sucesso estrondoso dos Beatles e a atenção mundial que conquistaram fez com que os serviços secretos se interessassem por eles. Embaixadas e diplomatas enviavam informações para Londres. Polícias recolhiam declarações para serem incluídas em relatórios secretos. Funcionários das finanças controlavam à libra todas as contas bancárias dos músicos britânicos.
O que foi do passado dá-nos pistas sobre o que fazem o espiões do agora. Nada sabem sobre crises económicas (elas caem na sopa de ricos e pobres, embora sejam estes últimos que geralmente ficam sem sopa). Mas sobre literatura, arte e música parecem saber muito. Depois das notícias sobre o modo como a CIA trabalhava com escritores ou de como os serviços secretos ingleses seduziam e arrebanhavam escritores, temos agora a informação de que gostavam muito dos Beatles.
Os Beatles eram uma ameaça para o país de S. M., hã? E por cá, em terras da banana, quem será uma ameaça? Tony Carrera? Marco Paulo? Emanuel? Lili Caneças?

Agora o que me apetecia mesmo era um chocolate

Esse desabafo é, actualmente, um perigo. Porque:
a) O chocolate tem muitas calorias.
b) O chocolate faz muito mal aos dentes.
c) Pode conter leite chinês.
Se escolheu a opção certa, saiba que uma barra de chocolate é muito saborosa, sobretudo se quem a come adora chocolate e se a empresa que o produz usa manteiga de cacau na sua confecção.

Queixinhas! Queixinhas!

Chegaram como chega um messias, com a certeza da boa nova. Chegaram, arregaçaram as mangas e desataram à bordoada: os professores assim, os professores assado. Para baixo é que era caminho.
Depois, a pouco e pouco, com a poeira no ar, deram a volta ao prego e o que era do piorio tornou-se excelente. Mais: o senhor Pinto de Sousa não hesitou em mostrar ao país que a retórica dele e do partido dele é o segredo de tudo. Mudaram em dois anos o que não se mudara em gerações.
O povo, claro, estúpido como é, só estava à espera que o senhor Pinto de Sousa falasse e revelasse segredos tão bem guardados. Agora que já os sabe e que tudo mudou em Portugal, pleno emprego, salários de nível europeu, nível de vida excelente, o país acorda para o mal-estar nas escolas. Mal-estar? Essa gente não quer é trabalhar. O ideal era ter as escolas abertas 24 horas por dia. Assim, os pais já podiam estar sossegados em suas casas e os filhos ocupados na escola. E os professores já não se queixavam. Queixinhas. Só porque se andam a vigiar uns aos outros e a prepararem-se para emigrar para a velha e burocrática URSS.

Ano da sorte ou desgraça certa?

Afinal, apesar da hora, do dia, do mês, do ano, a China não tem sorte. Milhões em propaganda olímpica e vem o leite estragar tudo. Ao leite juntam-se brinquedos e... medicamentos.
O alerta já está dado. Diz o Infarmed que há cidadãos em Portugal "a correr sérios riscos de saúde" por consumirem medicamentos contrafeitos.
Donde vêm os medicamentos, digam lá. Acertaram. Da China. E também da Índia.
Ao que parece quem tinha impotência sexual ou queria emagrecer recorria à «medicina tradicional», ou seja, às velhas histórias da magia chinesa (ou indiana). Mas a pica pelo oriente foi-se estendendo a outras áreas (por exemplo, à oncologia, cardiologia, neurologia) e agora os perigos são elevados. Os medicamentos são falsificados e os riscos grandes.
Os medicamentos contrafeitos chegam através de encomendas postais.

Outros livros, outros autores

Thomas Bernhard sempre achou os seus compatriotas um tanto ou quanto nazis. E sempre foi muito crítico relativamente ao país onde cresceu e se formou.
As eleições confirmam o que era opinião de uns poucos escritores.
A extrema-direita deu um grande salto nas legislativas antecipadas de ontem na Áustria, segundo os resultados oficiais divulgados ao início da noite.
Caso para dizer, os austríacos são teimosos.

Incendiar por causa de uma história

Quanto maior é o atraso civilizacional de um povo mais recorre à violência. Nós, portugueses, que levamos tudo muito a peito, sobretudo nas pequenas coisas, somos quase irmãos dos fundamentalistas islâmicos. Que por dá cá aquela palha partem logo para a guerra santa: queimam, apedrejam, assassinam (o menu é extenso, mas nós somos muito pudicos e não transcrevemos aqui o rol das atrocidades de que são capazes).
Lembram-se de um livro que por cá foi recusado pela Porto Editora (por questões meramente literárias, claro)?
Por causa desse livro já começou a brincadeira.
A casa do dono da editora independente Gibson Square que se propôs publicar o controverso “The Jewel of Medina”, foi alvo de uma tentativa de fogo posto no sábado de manhã, em Islington, norte de Londres.
Os donos da Porto Editora podem dormir descansados. O livro não presta e eles só publicam livros bons.

28 setembro 2008

Pão nosso de cada dia

Ele bebia e, de vez em quando, perdia a cabeça, mas sempre a encontrava. Um dia resolveu matar a mulher e não esteve com meias medidas: foram três (3) facadas.
A mulher apareceu a correr pela rua, já em chamas. "Era uma autêntica chama humana", disseram as testemunhas, com lágrimas nos olhos. Tinha 36 anos, era casada e mãe de um filho.
Com uma faca de cozinha o homem começou a esfaqueá-la no corpo e a agredi-la com violência. Acabou por violá-la. Eram amigos. Ela apenas queria desabafar com uma companhia masculina.

Médicos em Portugal

Segundo números da Ordem dos Médicos, há 4287 clínicos estrangeiros a exercer medicina no nosso país.
Dos 38.538 médicos que exercem em Portugal, 300 são oriundos da América do Sul. Do Brasil vieram 600. Mas chegam também da União Europeia (2583), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (261), da Europa não Comunitária (378), da África não PALOP (33), da Ásia (42), da Austrália (um) e da América do Norte (19).
E vêm aí mais.
Curiosamente, Portugal continua a mandar para fora centenas de estudantes de Medicina: Espanha, República Checa, Reino Unido, França, EUA. Isto para não falarmos das centenas que todos os anos ficam fora por décimas.
Portugal é um país engraçado.

Os cientistas são bruxos?

Em 2060 o Verão terá a duração de seis meses? Segundo uma notícia, sim. Mas previsões são previsões e às vezes assentam no muito que não se sabe.
Pode ser que sim, que o Verão seja assim extenso ou pode ser que não. Afinal, este ano o Verão foi mais curto do que o costume, embora as previsões dissessem o contrário.

27 setembro 2008

Álvaro Lapa (1939-2006)






Álvaro Carlos Cardoso Diniz Lapa (1939-2006)

Rui Caeiro



Os que possuem um gato pensam que possuem um gato. Que nada. Podiam ser donos do mundo que sempre os gatos ficariam de fora: calmos, desinteressados.

49 espinhas para um gato, edição do Autor, 1997

Tens direito a escrever o que ninguém diz. O que ninguém diz por ti porque só tu sabes - pensas que sabes. E tens que escrever o que já está mais que dito - mas tu não sabes onde nem como.
(Tens que escrever com o desembaraço de um rufia a cuspir fininho ou como um pombo que caga sobre a cabeça do transeunte).

O Toureiro de Deus, edição do Autor, 1998

[O que é isto?]
É a poesia dos que não descobriram a Índia, nem ficaram desempregados, nem escreveram a Ode Marítima - nem estão particularmente contentes com a poesia que lhes coube em sorte?
(E menos ainda com aquela que souberam inventar)

O que é isto?, edição do Autor, 1995

26 setembro 2008

A terra do planeta


A Terra tem 4,6 mil milhões de anos. Encontrar restos da crosta original, a maior parte da qual foi esmagada e reciclada no interior do planeta várias vezes, é um grande achado.

Ao longo do tempo, as placas continentais e oceânicas afastaram-se, embateram, foram sendo produzidas através da actividade vulcânica e desapareceram. Ao mesmo tempo produziram oceanos, montanhas, mares, esculpindo a forma do planeta.

As rochas mais antigas da Terra encontram-se ao largo da Baia de Hudson (Canadá). Têm 4,28 mil milhões de anos.

Até agora, eram apenas conhecidas rochas com 4,03 mil milhões de anos, no afloramento rochoso de Acasta Gneiss nos Territórios de Noroeste do Canadá.

A nova descoberta faz recuar em 250 milhões de anos a data da crosta mais antiga que se manteve estável.

Wario Land: Shake It (Para graúdos ou nem por isso)