07 outubro 2008

Feco Portugal - pró cartoon pum pum


Vem aí a Feco.

O que é isso?

A Feco é a associação dos gajos.

Gajos, mas quais gajos?

Dos gajos, pá.

...

Dos cartoonistas.

Ah... E o que é que eles querem?

Dignificar a classe; reforçar os laços entre os profissionais da área; combater a solidão; revindicar, junto das classes dirigentes, os mesmos direitos que têm os músicos nos órgãos de comunicação e incluir, nos planos curriculares das licenciaturas de jornalismo, conhecimentos que permitam a um profissional da comunicação social distinguir entre um cartoon e uma caricatura, um cartoon e uma ilustração e por aí fora. Não para aprenderem a desenhar, mas para poderem administrar desenhos.

Isso tudo?

Parece-te muito?

Oh pá, força. Gosto muito dos bonecos nos jornais e parece que há cada vez menos.

Uma bola de fogo no céu, às 2h46 da madrugada


Quando forem 2 e 46 da madrugada, a Terra será invadida por um asteróide do tamanho de um automóvel (com cerca de cinco metros de diâmetro).

O asteróide que dá pelo nome de 2008 TC3 atravessará a atmosfera na zona do nordeste africano.

Quem gosta de acompanhar estes fenómenos, pode fazê-lo aqui.

Joan Margarit, poeta catalão

Arquitecto, Joan Margarit (n. 1938) é um poeta catalão cuja obra "Casa de Misericórdia" acaba de receber o Prémio Nacional de Poesia de Espanha.
Poeta tardio, a sua obra começou a encontrar eco a partir do momento em que pôs de lado o castelhano e a passou a redigir em catalão (inícios da década de 80).
Memória e sentimentos são os eixos de uma poética que tem recebido muitos prémios em Espanha.

PRIMER AMOR

Ellas no te abandonarán.
El tiempo pasará, se borrará el deseo
-esta flecha de sombra-
y los sensuales rostros, bellos e inteligentes,
se ocultarán en ti, al fondo de un espejo.
Caerán los años. Te cansarán los libros.
Descenderás aún más
e, incluso, perderás la poesía.
El ruido de ciudad en los cristales
acabará por ser tu única música,
y las cartas de amor que habrás guardado
serán tu última literatura.

Joan Margarit

Esquemas de gasolineiras postos a nu


Que chatice! Já não bastava as coisas estarem como estão ainda vêm estes chatos pôr a boca no trombone. A gente a fazer pela vidinha, a juntar uns cobres nestes momentos muito duros para toda a gente e o ACP (Automóvel Clube de Portugal) a dizer preto no branco que "O mercado ibérico apresenta todas as características de um mercado oligopolista dominado conjuntamente pelas principais empresas petrolíferas que controlam as trocas entre os dois países".

Mais, diz: "que o mercado português não tem concorrência, que o Governo não supervisiona o mercado e que a Autoridade da Concorrência não mostra qualquer intervenção nesta área ao nível das associações", referindo-se à Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) e à Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec).

Quantas mentiras mais vão os portugueses engolir, perguntam indignados os que têm automóvel.

Os portugueses têm, graças a deus, estômagos que digerem tudo. São mal servidos em quase tudo: construção civil (cheia de pequenas vigarices e de uma construção péssima); serviços de comunicações (telefones, televisão, rádios, net, jornais, livros); saúde, justiça, educação, ambiente. E por entre manguitos, encolheres de ombros e outras ginásticas manuais pagam e não bufam.

Outro esquema com impostos


Famílias monoparentais, de pais separados ou divorciados, podem descontar o valor da chamada "pensão de alimentos" no IRS. Casados ou unidos de facto não podem descontar os encargos com os filhos. Por isso, alguns, os que gostam muito um do outro, simulam um divórcio.
O que é isso de simular um divórcio? Divorciam-se, continuam a viver juntos, mas um dos conjuges arranja outra morada e passa a descontar a "pensão de alimentos". Se o casal é de posses e a pensão alta pode poupar uns cobres valentes.

O Estado há muito conhece o esquema, só não sabe quem o pratica. E o governo não mexe na lei, porque mais vale meia dúzia furar o esquema do que ter de abrir os cordões à bolsa por milhares. Está visto que o apoio à família é mais blá blá socrático.


Fonte: DN

Ó tu aí, mete isto na factura do Zeca e diz-lhe para a meter na do Quim

Se tens jeito para aldrabar e consegues enganar o Estado, roubando-lhe milhões, não te preocupes, o governo arranjar-te-á um negócio em que lucrarás ainda mais.
Já se fores um cobardolas e roubares uns trocados o teu destino será pouco ou nada sorridente. Se roubas, rouba em grande. Aprende com quem sabe e teu será o reino de Portugal.

Figuras portuguesas do século XX em livro


Que é que têm em comum Vasco Santana e Amélia Rey-Colaço, Joshua Benoliel e Pardal Monteiro, José Afonso e Amadeo de Souza-Cardoso, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues?

Sim, estão todos mortos. E...?

Farão parte de uma colecção de fotobiografias de figuras da cultura portuguesa do século XX.

A lista é um tanto ou quanto sinal dos tempos, misturando actores e músicos com fotógrafos, arquitectos e poetas. O século XX é vasto e terá certamente outros nomes, alguns talvez mais representativos. Dar-se-á o caso de as recolhas de Joaquim Vieira, que coordena o projecto para o Círculo de Leitores, terem sido mais fecundas com aqueles nomes? É bem provável.

06 outubro 2008

Gasolina

Portugal tem o terceiro preço da gasolina mais caro da Europa e o décimo no gasóleo, ambos acima da média da União Europeia, indicou o mais recente relatório semanal do Observatório europeu para o Mercado de Energia.
Fonte: JN

O diário secreto que Salazar não conhecia

A velha aliança entre Portugal e Inglaterra tem muitos meandros. Rui Araújo traz a lume alguns do tempo de Salazar. Vem tudo em «O diário secreto que Salazar não conhecia».
Alguns dados são curiosos: Diplomatas, marinheiros e caixeiros-viajantes eram os alvos principais dos recrutadores de espiões. Contudo, revelaram-se muito desajeitados esses portugueses que trabalhavam para os alemães e facilmente davam nas vistas. Os ingleses prendiam-nos, às vezes. Outras vezes, forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada.
Ora havia um radiotelegrafista do navio Gil Eanes, que fornecia informações aos alemães sobre os barcos aliados que avistava, tornando-os presas fáceis para os submarinos de Hitler. A marinha inglesa apresou o Gil Eanes e, simplesmente, raptou o radiotelegrafista, levando-o para Londres.
Outra história é a de um caixeiro-viajante apanhado em África, encarcerado nos arredores de Londres. Confessa tudo. Depois escreve uma carta à mãe e tenta cometer suicídio, espetando a caneta no escroto. Transportado para um hospital militar, fica perto da loucura. Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar.
Os espiões lusos saem um pouco mal no retrato: estavam muito mal preparados, eram medíocres, facilmente se expunham e vendiam-se por muito pouco.

Ouvir música ou apenas barulho de fundo?


Não somos estudiosos do assunto, mas quer-nos parecer que ouvir música não é bem a mesma coisa que ter um fundo musical. A isso chama-se medo do vazio ou horror vacui. Algo que se preenche com a TV acesa ou com uma aparelhagem a debitar CDs.

Veja-se como alguém que se pretende escritor, ou seja, alguém que domina o valor das palavras, fala: «Estou sempre a ouvir música. Às vezes acontece estar tão envolvido na escrita que o disco acaba e de repente faz ploc, o que significa que estou há dez minutos sem música.»

Ouve tanto que não ouve nada, não vos parece?

É apenas um exemplo. Mas que dava um óptimo tratado sobre mundaneidades, lá isso...

Sida e cancro do colo do útero dão Nobel de Medicina




De cima para baixo:
Harald zur Hausen, Luc Montagnier, Françoise Barré-Sinoussi

Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier foram distinguidos pela descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
Françoise Barré-Sinoussi (nascida a 1947) trabalha na unidade de regulação das infecções retrovirais, no departamento de virologia do Instituto Pasteur, em Paris. Luc Montagnier (nascido em 1932) trabalha para a Fundação Mundial para a Pesquisa e Prevenção da sida, em Paris.
Harald zur Hausen foi distinguido pela sua descoberta do papiloma vírus causador do cancro do colo do útero, o segundo tipo de cancro que mais atinge as mulheres.
Harald zur Hausen (nascido em 1936) trabalha no Centro Alemão de Investigação do Cancro, em Heidelberg, na Alemanha.
O prémio, no valor de dez milhões de coroas suecas (1,02 milhões de euros), será repartido entre os três investigadores. Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier dividem uma metade do prémio. A outra metade será integralmente atribuída a Harald zur Hausen.

A Arca de Noé está rota


Nas histórias de ficção científica os pequenos sinais são tudo. Quase sempre por causa do fim do mundo, pois se há tema que atraia os seres humanos é precisamente a morte.

O apocalipse, com os seus tons bíblicos, traz-nos á memória o antes, a Arca de Noé. Ora Noé está a deixar muitos animais de fora.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) os mamíferos e os anfíbios do mundo estão numa “crise de extinção”.

Os mamíferos são os mais castigados: 1141 em risco de extinção – cerca de 21 por cento das 5487 espécies conhecidas. Isto para não falarmos dos 836 mamíferos cujo estado de conservação ainda não é bem conhecido.

Quanto aos anfíbios a coisa está assim: uma em cada três espécies que existem no mundo corre o risco de se extinguir.

Que fazer? Que riscos acarretam essas extinções? Digam de vossa justiça.

05 outubro 2008

Problemas dos professores em Portugal

Quando falam da sua profissão, os professores falam de problemas:

Crescente complexidade e heterogeneidade dos públicos com que têm de lidar;

Diminuição da atractividade da profissão por força da desvalorização política e social de que têm sido alvo;

Desinvestimento na actualização da formação inicial;

Crescente carga administrativa e burocrática;

Violência com que se vêem confrontados nas escolas;

Drástica diminuição de perspectivas de progressão na carreira;

Responsabilização quase exclusiva pelo sucesso dos alunos.

Sócrates sorri e com a sua voz peculiar responde: magalhães, quadros interactivos. A solução dos problemas é, na óptica do primeiro-ministro, a informática. Que pena que os problemas económicos do país não sejam resolvidos com a mesma retórica.

04 outubro 2008

Os títulos dos chicos-espertos que tiram cursos com cartões do ministério

O governo fez o que pôde para poupar. O resto não interessa. Poupa em salários para gastar em tecnologias, pois o problema do ensino era, como todos sabemos, a falta de magalhães.
Governos medíocres actuam assim. O pior é que mal o PSD chegue ao poder se vai esquecer do que disse e vai manter as coisas como estão, porque a mediocridade é mesmo assim.
Se o governo tivesse coragem haveria também juízes titulares e juízes. Médicos titulares e médicos. Polícias titulares e polícias. Mas como só tem paleio apenas há professores titulares e professores. O rídículo tem destas coisas. Mas já está. E mudar o que está num país com uma classe política abaixo de cão é muito difícil. Só se houver muito barulho. Ora os professores não têm uma ordem e estão habituados a ser tratados abaixo de cão.

Caderninhos de Alexandra Baptista

Aula de desenho

Chama-se Caderninhos ... e «papéis digitais» e é um blogue de Alexandra Baptista. Sítios encantadores, onde o humor e as artes gráficas andam de mãos dadas.

Página de artista, portanto. Parabéns à autora. Descobrimo-la agora e já somos fãs.

Contabilistas e hortas


Assim de repente, se lhe perguntassem quem é que estaria interessado em ter uma horta, a sua resposta seria...

Nós estávamos longe de imaginar que na linha da frente das candidaturas estariam contabilistas. Pois é, eles, que lidam com dinheiros, impostos e outras quantidades, sabem dar apreço à terra. Sabem o que custa a vidinha: as cebolas, as batatas, as cenouras, as couves, os alhos, os tomates, os nabos e nabiças, a salsa, os coentros, ...

A coisa dá-se em Guimarães, tem apoio de uma cadeia de hipermercados e da Câmara Municipal. A troco de 5 euros, cada agricultor dispõe de uma boa parcela de terra para produzir alimentos biológicos (não estavam à espera que produzissem alimentos de plástico, pois não?). Mas seja por razões literárias (talvez sejam poetas disfarçados), seja por questões de marketing, o que interessa é que ter um terreno com água e poder ajudar a despensa de casa é algo que não se pode deitar fora nos tempos que correm.

Biblioteca digital da botânica


Uma notícia de fazer crescer água nos olhos: milhares de documentos únicos, alguns com mais de cem anos, estão desde esta semana 'online' aqui. Trata-se do acervo da Universidade de Coimbra na área da botânica.

Aguarelas minuciosas, com fungos e plantas da flora portuguesa desenhados a cores, e todas as distintas partes traçadas a lápis, na proporção certa.

Trabalhos do século XIX, do botânico Júlio A. Henriques (1838-1928), que durante várias décadas foi professor da Universidade de Coimbra e director do seu precioso Jardim Botânico.

Correspondência dos mais eminentes botânicos portugueses do século XIX e das primeiras décadas do século XX com os seus congéneres estrangeiros.

Um filme inédito de uma missão científica a Angola, em 1929, que oferece um olhar surpreendente sobre esse passado.

Uma parte essencial da história da botânica em Portugal está agora à distância de um clic. Por exemplo, o maior herbário do País e o segundo maior da Península Ibérica, ou a maior algoteca do mundo, com mais de cinco mil espécies de algas.

03 outubro 2008

Bennie Wallace - Body and Soul

Bennie Wallace - Thangs

IgNobel


Se é ciência ou se apenas é divertida pouco importa. Interessa sim que o campo de estudo é vasto e tudo pode servir para testar hipóteses. Algumas particularmente sugestivas, como a das pulgas de cães e gatos. Ficamos assim a saber que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos. O que seria a nossa vida sem essa descoberta, hã?

Já agora, fique a saber que os chineses são muito trabalhadores mas pouco aproveitadores, pois diz um estudo que os remédios falsificados mais caros produzem mais efeito do que os remédios falsificados mais baratos.

De resto, o apetite sexual tem algo de natural e parece estar relacionado com o período de ovulação das fêmeas. Pelo menos nos bares de strip é assim. Já que à fase de ovulação das dançarinas em bares de strip, corresponde uma maior quantidade de gorjetas.

As bujardas de Sua Santidade JS

Quando Saramago dá uma entrevista o mundo inteiro tem de parar e reagir, caso contrário Sua Santidade fica indisposto. Uma indisposição que resulta não dos actos ou das opiniões de fulano ou beltrano, mas tão-só da imensa vaidade que o cega.
A cegueira do homem é tanta que se dá ao luxo de atirar bujardas como esta: “a esquerda não pensa”. A única pessoa que pensa, supomos, é Sua Santidade José Saramago. E pensa tanto que se julga o centro do mundo. O mundo, claro, não lhe passa cartão. E ele fica piúrço e passa ao ataque. Que o fizesse lá na casa dele não havia problema. O mundo está cheio de maníacos. Mas há sempre jornalistas que, à falta de espectáculo, têm de ampliar os disparates das pessoas, mesmo que elas sejam muito idosas e já não estejam de posse de todas as suas faculdades.
Coisas do agora, está visto.

02 outubro 2008

A cultura no programa eleitoral do PSD-Açores

O PSD tem um programa de intenções ou uma lista de desejos. Haja dinheiro para os concretizar, pese embora algumas contradições entre o que supostamente combate («uma clara polarização entre a cultura de regime, subsidiada pelo Governo, e a que está fora do seu âmbito de intervenção») e o que propõe, que configura uma vincada cultura de regime (por exemplo: «Promover, no exterior, eventos culturais de reconhecida qualidade realizados nos Açores»).
É um programa muito menos articulado que o do PS, quer quanto ao preâmbulo (manifestamente pobre), quer quanto ao que entende por cultura.
Parece-nos mais um programa de uma autarquia do que o de um partido que ambiciona liderar os destinos dos açorianos. Registe-se, com agrado, a referência a «uma rede pública de leitura», de que o PS parece fugir. Embora se pedisse algo mais bem definido, de forma a mostrar aos eleitores se querem que a Região integre a rede pública nacional ou se se limitam a uma rede regional. E conviria talvez explicar o que é uma rede pública de leitura.
Uma nota muito breve quanto ao sítio: o programa eleitoral parece estar escondido, quando deveria, supomos, estar acessível mal se entrasse no sítio do PSD.

A cultura no programa eleitoral do PS-Açores

Nos Açores está-se em campanha eleitoral e nós aqui no Pisca resolvemos abordar uma área normalmente descurada pelos partidos, quer pela falta de formação dos candidatos, quer por uma visão extremamente redutora do arquipélago, seja quanto ao seu papel no contexto nacional, seja no contexto europeu e internacional.
Falamos da cultura.
Domínio no qual o governo pouco ou nada fez durante a legislatura que agora se aproxima do fim. No entanto, olhando para o programa eleitoral do PS, registe-se um imenso salto qualitativo. Finalmente, pelo menos se olharmos para o programa (um conjunto de intenções que a maior parte dos eleitores ignora), parece que a Região se prepara para ter uma política cultural.
No tempo de Luiz Fagundes Duarte, a região deu sinais de que iria haver uma dinâmica cultural, mas rapidamente a ilusão se converteu em desilusão. Vasco Pereira da Costa foi mais um administrativo do que um impulsionador. E conseguiu a proeza de desmantelar o capital cultural da ilha Terceira. Quem vive aqui percebe como a ilha está estagnada. E como aos poucos S. Miguel foi marcando posição, apropriando-se do orçamento.
Por isso, aquilo que está no programa, em jeito de preâmbulo não passa de ficção. Não houve «políticas concertadas destinadas a estimular a auto-estima dos açorianos face à sua identidade cultural, a incentivar a leitura e a actividade cultural, a motivar a fruição de bens culturais, e a apoiar a edição e divulgação de obras de autores açorianos (escritores, músicos, artistas plásticos), ou de temática ou vocação açorianas.»
Se pensarmos que a Região tem funcionários bem pagos para tratar da dinamização cultural perguntamo-nos que farão durante o horário de expediente, é que nada vimos digno de nota e aquilo que de longe a longe foi levado a cabo parecia uma brincadeira de meninas afectadas mas que de cultura nada sabem.
Concordamos que «O desenvolvimento dos Açores passa, obrigatoriamente, pela cultura, e de um modo particular pela preservação do património, para revitalização e aproveitamento, pela produção cultural, e pela fruição de produtos e bens culturais.»
E também estamos de acordo quanto a entender esse sector como tendo «uma dimensão bastante significativa nas sociedades modernas e desenvolvidas».
Lamentavelmente, o programa falha por se ficar pelas generalidades. E por não ser claro quanto ao estatuto do novo Director Regional da Cultura. Será criada uma Secretaria para a Cultura?
Nota-se que o autor do texto sabe do que fala. Resta saber se terá orçamento para levar a cabo as articulações e actividades que parece propor(referimo-nos aos objectivos 2, 3 e 4). E conviria esclarecer os açorianos quanto ao papel da cidade património mundial que tem sido tão descurada nestes dois últimos mandatos de governo PS.
Conviria ainda que se dissesse como pensa o PS, enquanto governo regional, criar novos públicos, ou seja, o que vai fazer quanto à formação / educação, pois há muito se percebeu que Álamo de Meneses gosta é de cimento.

Viva

A melhor escola da Europa (não será do mundo?) afinal tem problemas a dar com um pau. Sobrelotação, falta de funcionários, excesso de corredores.
É um elefante branco, com a assinatura indiscutível desse génio que se chama Álamo de Meneses.
Dinheiro para inglês ver torrou-se à grande. Dinheiro para manter a escola funcional não existe. Viva Portugal. Viva Carlos César. Viva Álamo de Meneses.
A megalomania faz-se com dinheiros públicos. Já o servir o interesse público faz-se com pedras na mão e desculpas esfarrapadas.
Falamos da Escola Básica e Secundária Tomás de Borba, situada na ilha Terceira, Açores.

Painho-das-tempestades-de-Monteiro


O Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e a Royal Society for the Protection of Birds descobriram nos Açores uma nova espécie de ave. Trata-se do painho-das-tempestades-de-Monteiro, assim nomeado em homenagem ao investigador Luís Monteiro, falecido no acidente com um avião da SATA, em Dezembro de 1999, na ilha de São Jorge.

Apenas existente nos ilhéus da Graciosa, esta espécie endémica apresenta ligeiras diferenças em relação à espécie painho-das-tempestades, mas suficientes, no entanto, para não se conseguirem reproduzir entre si.

Tamanhos e vocalizações são algumas das características que incompatibilizam as duas populações agora tornadas espécies, graças à certificação efectuada por análise genética.

Os trabalhos que permitiram identificar a nova espécie começaram na década de 90 e foram inicialmente conduzidos por Luís Monteiro.

Emanuel Jorge Botelho


no horizonte estão todos
os pássaros do mundo



cada pássaro é a sombra, tatuada,
de um anjo


o longe é um golpe na paisagem,
a asa do horizonte



(21 Haiku com Asas, Galeria111, 2008)

Renata Correia Botelho


tem os pés mais cansados
do mundo, dissera-lhe o homem
enquanto seguiam os três com
as hortênsias. a criança sentada


sobre o dorso olhava o burro e
a vida que se abria em cada curva
como uma fotografia a sépia
de que nunca se regressa. muito


mais tarde, na mesma estrada,
viu o homem sozinho, sem o burro
nem as flores, e reconheceu em si
o imenso cansaço do mundo.


(E Cabras, Galeria111, 2008)

01 outubro 2008

O Gato das Botas do século XXI

Antigamente havia várias histórias assim: Fulano ou Beltrano conseguiam enganar meio mundo, fazendo-se passar por ricos. A mais famosa é, certamente, a do Gato das Botas que ao serviço do Marquês de Carabás conseguiu a proeza de enganar um ogre muito mau.
O ogre chama-se Crise Internacional. O Gato das Botas, Mário Lino. Garganta é coisa que não lhe falta, talvez por querer que sejamos todos marqueses. Diz ele "Nós temos uma linha de rumo e quando as dificuldades surgem temos que ter um comportamento de enfrentar essas dificuldades". Nós é o governo. E a linha de rumo já todos sabemos qual é: ganhar menos, apertar o cinto para que eles possam passear os seus despautérios pelas televisões, rádios e jornais.
E assim faz o governo pedagogia, dizendo a cada português: Gasta sempre acima das tuas possibilidades. Mente. Endivida-te e arranja esquemas.
Dizer isso a um povo que já tem esse discurso entranhado há gerações é ouro sobre azul. O único senão é que tudo isso mostra como a retórica de Sócrates é falsa e como o governo não resolve nada, apenas adia os problemas.

We Will Rock You

Dia Mundial da Música

Lembramos o dia Mundial da Música com a Sinfonia n.º 6 in F Major (Opus 68) de Ludwig van Beethoven. Ao mesmo tempo que o convidamos a visitar este blogue e este e este. Podem ainda dar um saltinho aqui ou aqui. Se estiverem para aí virados, não deixem de visitar este e este. Por último, uma ligação à música portuguesa.

30 setembro 2008

Professor, uma profissão com futuro

Actualmente, quem sai de uma universidade habilitado para o ensino fica a ver canudos. Mas segundo a UNESCO serão necessários mais 18 milhões de docentes. Boas notícas portanto.
A escassez de professores qualificados continua a ser um problema crucial. Para se atingir a meta de universalização do ensino primário até 2015 precisa-se de professores.
A escassez é particularmente grave em África, onde são precisos mais 3,8 milhões de docentes para atingir esse objectivo, afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Os baixos salários, as salas de aulas superlotadas e a formação inadequada são alguns dos problemas que afectam os professores, diz essa instituição.
Portugueses, aprendam línguas e continuem a saga: emigrem.

As drogas que vêm da China

A falsificação de medicamentos é um negócio altamente lucrativo, estimado em 45 mil milhões de euros. Ou seja, 10% do volume mundial de medicamentos - menos de 1% nos países desenvolvidos e mais de 40% nos menos desenvolvidos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um medicamento falsificado é aquele que está etiquetado indevidamente. Pode ser de marca ou genérico, e a falsificação vai do alterar a composição até ao não conter nenhum princípio activo.
Grande parte dos falsos remédios são produzidos na China.
Em Espanha, segundo o El País, a guardia civil apreendeu perto de 2 milhões de medicamentos. Em Inglaterra foram apreendidos quase 20 mil quilos de comprimidos.

Valores éticos

A crise é lixada. E quando se descobre alguma careca as fotografias desatam a tremer como varas verdes. Não é bonito ver-se a desproporção entre o vencimento e a renda de casa. E não o é num país onde há tanto rendimento social de inserção e onde os salários são baixos.
Que a situação não cria «problemos éticos» já sabíamos. Se criasse há muito teria prescindido da casa. E mostra bem como o «serviço público» é quase sempre entendido como «venha a nós o vosso reino».
Sinopse: «A vereadora do PS responsável Acção Social da Câmara de Lisboa, que até ao final do ano passado pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre, tem uma reforma de cerca de 3350 euros. Ana Sara Brito deu ontem uma conferência de imprensa para explicar uma situação que durou 20 anos e que "nunca pôs em causa" os seus "valores éticos". É por isso que não se demite: "Continuarei, apesar de alguns não o desejarem, com a mesma determinação, a trabalhar de acordo com o programa eleitoral."»
Que determinação é essa? A gente calcula.

Uma aspirina, please


-Daqui Hubble. Não me 'tou a senti' lá muito bem... bzz... bzz...

-Daqui Terra. Já vamos mandar um cardiologista aí Hubble. E de febre como estamos?

-Bzz... Bzz...



O problema agora detectado impossibilita o Hubble de formatar ou armazenar dados dos seus instrumentos e transmitir informação para a Terra.

Tranquilidade... tranquilidade...

Seguro, mas como? se há anos que ter dinheiro no banco é a mesma coisa que descpitalizá-lo, pois entre os juros que o banco paga, os impostos que o Estado cobra e a inflacção, o dinheiro vai perdendo valor.
As poupanças dos portugueses desbarataram-se e o governo deu uma ajuda preciosa, acabando com os certificados de aforro. Estamos a falar de classe média, baixa ou remediada. Estamos a falar de quem vive do salário ou da reforma. Estamos a falar de pequenas quantias de que os mais velhos e previdentes nunca abriram mão.
Os outros sim, devem andar aflitos, pois a bolsa tão estimada dá-se mal com a montanha russa que a economia americana exporta com voracidade. Mas para esses há outras garantias e Sócrates é amigo de quem joga. Não há grande empresa que não goste de Sócrates. Portugal ainda é um paraíso para as grandes empresas. Os salários são baixíssimos, as regalias miseráveis, os direitos diminutos.

A fantasia da medicina

Gostamos muito de médicos. E gostamos muito de notícias. Às vezes dá-se o caso de serem notícias sobre saúde e de as lermos entre o espanto e a fúria. Porque já nos aconteceu ir ao médico e falar-lhe de certo tipo de doença e o médico desviar o assunto para canto.
É muito bonito vir com notícias como a de hoje no Público, sobre os pés das crianças, quando a maior parte dos médicos parece estar a milhas do assunto. Desde pediatras a médicos de clínica geral. Vai-se lá, diz-se: O meu filho tem os pés assim e assado. Veja. E ele diz: Isso não é nada, um pouco de creme gordo e passa. Claro que não passa. O creme gordo pouco mais faz do que atenuar ligeiramente o problema.
Sendo assim, antes de vir com notícias alarmistas, seria bom saber se os médicos estão alerta. Se já receberam formação sobre o assunto. E só então divulgar. Caso contrário parece banha da cobra.
Não é a primeira vez que a Associação Portuguesa de Podologia faz as suas campanhas. Mas conviria que as fizesse primeiro junto da própria classe.

29 setembro 2008

A cadeia e a magia


O Presidente dos EUA recebeu esta foto e julgou que era uma declaração de amor. Deitou-a fora. Oito dias depois o seu país morreu.

Um homem recebeu esta foto e encaminhou-a imediatamente. Surpreendentemente, ganhou a lotaria.

Alberto Martinez recebeu esta foto, entregou-a à sua secretária para que encaminhasse cópias, mas ela esqueceu-se de remetê-las, encantada com a imagem erótica que o seu namorado lhe tinha enviado e era tal e qual a do patrão. Ficou desempregada e perdeu a família.

Esta foto é milagrosa e sagrada, não se esqueça de encaminhá-la a 20 pessoas, dentro de 13 dias. Não se esqueça de encaminhá-la e terá uma grande surpresa!

Para que servem os serviços secretos?

Para fazer filmes muito giros, com gajas boas e muito muito dinheiro. (Espião e glamour são quase sinónimos no imaginário das gentes.)
Sim, mas tirando a ficção, para que serve realmente um serviço de espionagem num país democrático?
Ora, para vigiar músicos e ver se são obscenos ou não.
Que dois ou três empresários façam negócios com dinheiros públicos não incomoda ninguém. Já uns rapazes dos subúrbios incomodam muito mais. Ai se Luís XVI tivesse um serviço de espionagem... certamente teria morrido com a cabeça em cima dos ombros.
Veja-se como o sucesso estrondoso dos Beatles e a atenção mundial que conquistaram fez com que os serviços secretos se interessassem por eles. Embaixadas e diplomatas enviavam informações para Londres. Polícias recolhiam declarações para serem incluídas em relatórios secretos. Funcionários das finanças controlavam à libra todas as contas bancárias dos músicos britânicos.
O que foi do passado dá-nos pistas sobre o que fazem o espiões do agora. Nada sabem sobre crises económicas (elas caem na sopa de ricos e pobres, embora sejam estes últimos que geralmente ficam sem sopa). Mas sobre literatura, arte e música parecem saber muito. Depois das notícias sobre o modo como a CIA trabalhava com escritores ou de como os serviços secretos ingleses seduziam e arrebanhavam escritores, temos agora a informação de que gostavam muito dos Beatles.
Os Beatles eram uma ameaça para o país de S. M., hã? E por cá, em terras da banana, quem será uma ameaça? Tony Carrera? Marco Paulo? Emanuel? Lili Caneças?

Agora o que me apetecia mesmo era um chocolate

Esse desabafo é, actualmente, um perigo. Porque:
a) O chocolate tem muitas calorias.
b) O chocolate faz muito mal aos dentes.
c) Pode conter leite chinês.
Se escolheu a opção certa, saiba que uma barra de chocolate é muito saborosa, sobretudo se quem a come adora chocolate e se a empresa que o produz usa manteiga de cacau na sua confecção.

Queixinhas! Queixinhas!

Chegaram como chega um messias, com a certeza da boa nova. Chegaram, arregaçaram as mangas e desataram à bordoada: os professores assim, os professores assado. Para baixo é que era caminho.
Depois, a pouco e pouco, com a poeira no ar, deram a volta ao prego e o que era do piorio tornou-se excelente. Mais: o senhor Pinto de Sousa não hesitou em mostrar ao país que a retórica dele e do partido dele é o segredo de tudo. Mudaram em dois anos o que não se mudara em gerações.
O povo, claro, estúpido como é, só estava à espera que o senhor Pinto de Sousa falasse e revelasse segredos tão bem guardados. Agora que já os sabe e que tudo mudou em Portugal, pleno emprego, salários de nível europeu, nível de vida excelente, o país acorda para o mal-estar nas escolas. Mal-estar? Essa gente não quer é trabalhar. O ideal era ter as escolas abertas 24 horas por dia. Assim, os pais já podiam estar sossegados em suas casas e os filhos ocupados na escola. E os professores já não se queixavam. Queixinhas. Só porque se andam a vigiar uns aos outros e a prepararem-se para emigrar para a velha e burocrática URSS.

Ano da sorte ou desgraça certa?

Afinal, apesar da hora, do dia, do mês, do ano, a China não tem sorte. Milhões em propaganda olímpica e vem o leite estragar tudo. Ao leite juntam-se brinquedos e... medicamentos.
O alerta já está dado. Diz o Infarmed que há cidadãos em Portugal "a correr sérios riscos de saúde" por consumirem medicamentos contrafeitos.
Donde vêm os medicamentos, digam lá. Acertaram. Da China. E também da Índia.
Ao que parece quem tinha impotência sexual ou queria emagrecer recorria à «medicina tradicional», ou seja, às velhas histórias da magia chinesa (ou indiana). Mas a pica pelo oriente foi-se estendendo a outras áreas (por exemplo, à oncologia, cardiologia, neurologia) e agora os perigos são elevados. Os medicamentos são falsificados e os riscos grandes.
Os medicamentos contrafeitos chegam através de encomendas postais.

Outros livros, outros autores

Thomas Bernhard sempre achou os seus compatriotas um tanto ou quanto nazis. E sempre foi muito crítico relativamente ao país onde cresceu e se formou.
As eleições confirmam o que era opinião de uns poucos escritores.
A extrema-direita deu um grande salto nas legislativas antecipadas de ontem na Áustria, segundo os resultados oficiais divulgados ao início da noite.
Caso para dizer, os austríacos são teimosos.

Incendiar por causa de uma história

Quanto maior é o atraso civilizacional de um povo mais recorre à violência. Nós, portugueses, que levamos tudo muito a peito, sobretudo nas pequenas coisas, somos quase irmãos dos fundamentalistas islâmicos. Que por dá cá aquela palha partem logo para a guerra santa: queimam, apedrejam, assassinam (o menu é extenso, mas nós somos muito pudicos e não transcrevemos aqui o rol das atrocidades de que são capazes).
Lembram-se de um livro que por cá foi recusado pela Porto Editora (por questões meramente literárias, claro)?
Por causa desse livro já começou a brincadeira.
A casa do dono da editora independente Gibson Square que se propôs publicar o controverso “The Jewel of Medina”, foi alvo de uma tentativa de fogo posto no sábado de manhã, em Islington, norte de Londres.
Os donos da Porto Editora podem dormir descansados. O livro não presta e eles só publicam livros bons.

28 setembro 2008

Pão nosso de cada dia

Ele bebia e, de vez em quando, perdia a cabeça, mas sempre a encontrava. Um dia resolveu matar a mulher e não esteve com meias medidas: foram três (3) facadas.
A mulher apareceu a correr pela rua, já em chamas. "Era uma autêntica chama humana", disseram as testemunhas, com lágrimas nos olhos. Tinha 36 anos, era casada e mãe de um filho.
Com uma faca de cozinha o homem começou a esfaqueá-la no corpo e a agredi-la com violência. Acabou por violá-la. Eram amigos. Ela apenas queria desabafar com uma companhia masculina.

Médicos em Portugal

Segundo números da Ordem dos Médicos, há 4287 clínicos estrangeiros a exercer medicina no nosso país.
Dos 38.538 médicos que exercem em Portugal, 300 são oriundos da América do Sul. Do Brasil vieram 600. Mas chegam também da União Europeia (2583), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (261), da Europa não Comunitária (378), da África não PALOP (33), da Ásia (42), da Austrália (um) e da América do Norte (19).
E vêm aí mais.
Curiosamente, Portugal continua a mandar para fora centenas de estudantes de Medicina: Espanha, República Checa, Reino Unido, França, EUA. Isto para não falarmos das centenas que todos os anos ficam fora por décimas.
Portugal é um país engraçado.

Os cientistas são bruxos?

Em 2060 o Verão terá a duração de seis meses? Segundo uma notícia, sim. Mas previsões são previsões e às vezes assentam no muito que não se sabe.
Pode ser que sim, que o Verão seja assim extenso ou pode ser que não. Afinal, este ano o Verão foi mais curto do que o costume, embora as previsões dissessem o contrário.

27 setembro 2008

Álvaro Lapa (1939-2006)






Álvaro Carlos Cardoso Diniz Lapa (1939-2006)

Rui Caeiro



Os que possuem um gato pensam que possuem um gato. Que nada. Podiam ser donos do mundo que sempre os gatos ficariam de fora: calmos, desinteressados.

49 espinhas para um gato, edição do Autor, 1997

Tens direito a escrever o que ninguém diz. O que ninguém diz por ti porque só tu sabes - pensas que sabes. E tens que escrever o que já está mais que dito - mas tu não sabes onde nem como.
(Tens que escrever com o desembaraço de um rufia a cuspir fininho ou como um pombo que caga sobre a cabeça do transeunte).

O Toureiro de Deus, edição do Autor, 1998

[O que é isto?]
É a poesia dos que não descobriram a Índia, nem ficaram desempregados, nem escreveram a Ode Marítima - nem estão particularmente contentes com a poesia que lhes coube em sorte?
(E menos ainda com aquela que souberam inventar)

O que é isto?, edição do Autor, 1995

26 setembro 2008

A terra do planeta


A Terra tem 4,6 mil milhões de anos. Encontrar restos da crosta original, a maior parte da qual foi esmagada e reciclada no interior do planeta várias vezes, é um grande achado.

Ao longo do tempo, as placas continentais e oceânicas afastaram-se, embateram, foram sendo produzidas através da actividade vulcânica e desapareceram. Ao mesmo tempo produziram oceanos, montanhas, mares, esculpindo a forma do planeta.

As rochas mais antigas da Terra encontram-se ao largo da Baia de Hudson (Canadá). Têm 4,28 mil milhões de anos.

Até agora, eram apenas conhecidas rochas com 4,03 mil milhões de anos, no afloramento rochoso de Acasta Gneiss nos Territórios de Noroeste do Canadá.

A nova descoberta faz recuar em 250 milhões de anos a data da crosta mais antiga que se manteve estável.

Wario Land: Shake It (Para graúdos ou nem por isso)

25 setembro 2008

Menino azul: novos episódios

Uma empresa ajudou financeiramente uma mulher. Por causa de uma criança. E aquilo que parecia uma banal história de solidariedade transformou-se numa macacada de série B. Porque a mulher acabou acusada pela empresa de vigarice. Ao que consta depois dessa mesma empresa ter subordado alguém da confiança da mulher para lhe roubar os documentos que comprovavam que o dinheiro recebido tinha sido aplicado no tratamento dos problemas da criança (Síndrome de Alagille e Tetratologia de Fallot), que ficou conhecida como Menino Azul.
A tal pessoa de confiança, que lhe roubou a documentação, diz ter recebido 25 mil euros da empresa de limpezas. Quanto dinheiro a empresa deu à senhora não sabemos, nem interessa. Mas importa saber que a empresa a meteu em tribunal e exigiu o reembolso dos montantes oferecidos (acrescido de juros? é bem provável que sim).
Os desatinos da mulher não se ficaram por aí. Diz ela “O povo tentou matar-me. Cuspiram-me na cara. Rasgaram-me os cheques do correio e fiquei sem dinheiro para comer. O Emanuel só comeu com a ajuda de vizinhos. Ninguém se preocupou com o meu filho, que ia tendo um ataque do coração, quando fui perseguida e pensei que me matavam”.
O comportamento do povo português sai mal no retrato, mesmo que o depoimento revele contradições. Pior ainda sai o homem que, cheio de remorsos, veio agora dizer que aquilo que disse era mentira.
Depois de cumprir pena de prisão por ter passado um cheque sem cobertura, diz que foi “fraco” e que agiu “por dinheiro”. Além dos documentos que tirou à mãe do “menino azul” para esta não os poder apresentar e defender-se das acusações, roubou-lhe ainda o passaporte, pois era a única prova de que tinha estado nos EUA. Afirma-se “arrependido” e diz que prefere ir novamente preso do que viver com “o peso na consciência” de ter estragado a vida “à melhor mãe que Portugal tem”. “Pensei várias vezes em suicidar-me. Prefiro morrer a ter de viver com o remorso de fazer isto ao Emanuel”.
Qualquer semelhança entre isto e uma telenovela é pura coincidência.

Dias de Melo no Fiat Lux


Dias de Melo e Manuel Franciso Costa


Gostávamos de ter sido nós a fazer o que fez o Fiat Lux. Uma bela homenagem a Dias de Melo.
O Pico e as suas gentes. Um pouco da alma dos Açores. E que alma.

Humor negro

Gordura é formosura


Os eurodeputados não têm mais nada que fazer? Será que com tanto dinheiro não há ninguém que lhes diga que não é pelo que comem na escola que as crianças engordam? Será que não percebem que o sal dá sabor aos alimentos e que o açúcar é importante na confecção de alguns? Quanto às gorduras, porque é que têm tanto medo delas? Por alguma razão os seres humanos são omnívoros.

Esta mania de querer meter o bedelho na vida privada das pessoas já cheira mal. Se querem tanto que as pessoas sejam elegantes, que digam a verdade. A verdade dos estudos que indicam que o bem-estar é indissociável de bons salários. Que são os bons salários que permitem uma alimentação saudável e a frequência de ginásios e o turismo e outras tantas coisas.

Em vez de se preocuparem com a alimentação das escolas, preocupem-se em elevar o nível de vida das populações dos países da comunidade europeia.

Os anjos não consomem, logo não fumam

Almas cândidas tendem a pensar que a indústria se rege pelo angelismo. Senão veja-se o tom da notícia.
Qual é o espanto? Porque não investigam quanto pagam as marcas de refrigerantes, as grandes cadeias de fastfood, as marcas de automóveis and so on?
O cinema influi nas almas cândidas e se calhar há excesso de almas cândidas. Mas isso só mostra o poder encantatório do cinema.
Saber que se gastavam fortunas a promover cigarros nos anos de 1930 a 1950 é interessante. Mas o que nós todos gostaríamos de saber é quanto ganha uma estação televisiva por 20 minutos de spot publicitário que introduz a cada 15 minutos de um filme (que já pode estar cheio de mais publicidade). É que se há poluição que irrita o cidadão comum é essa.

24 setembro 2008

Wolfgang Mitterer pelo Pierrot Lunaire Ensemble Wien

Problemas da crítica

Porque será que as pessoas que dirigem instituições reagem sempre muito mal às críticas? Porque temos uma cultura de elites pobres? Porque durante séculos a censura reprimiu a crítica?
Quando alguém critica fá-lo porque não tem mais nada que fazer ou porque deseja que aquilo que critica seja rersolvido?
E porque será que os dirigentes são capazes de criticar serviços como o dos telemóveis, da internet, dos telefones, da televisão por cabo, da gasolina e quando se trata das instituições onde estão se tornam agressivos senão mesmo vingativos?
Será que a escola educa para a cidadania e para a responsabilidade ou apenas está a criar uma massa acrítica, indolente e incapaz de perceber a finalidade da educação?
Alguns dos alunos medíocres de agora chegarão a dirigentes. Tal como alguns de agora foram e são medíocres, incapazes de ver para além do próprio ego.
A mediocridade é muito democrática. E cada vez mais premiada. Porquê?
Para que pessoas como Maria de Lurdes Rodrigues possam fazer propaganda abertamente? Para que Sócrates possa entender a educação como a entrega de máquinas?

Gato escondido com rabo de fora?

Estamos tão habituados a sentir que as coisas são tortuosas que perante bombas deste calibre a comichão atrás da orelha se torna insistente.
Talvez seja mesmo vontade de cobrar os montantes em dívida... ou talvez seja sobretudo um modo de pressionar o governo a parar diplomas legais.
A notícia fala em 744 milhões de euros de dívida. Quantos hospitais devem e que quantias não se sabe. Sabe-se tão-só que apenas acontece com hospitais públicos. Os privados pagam tudo. Mas por que tem tudo isso o sabor a nada, quando se lê, em jeito de quem não quer a coisa, que o presidente da Apifarma voltou a levantar a questão dos medicamentos em unidose, alertando para o risco da contrafacção e da manipulação das embalagens originais. "Com a unidose vamos pôr a raposa no galinheiro".
A mim cheira-me a pressão. Do tipo: ai querem guerra, então tomem lá. Os próximos tempos nos dirão se o governo recua ou não quanto às unidoses. Então saberemos se a bomba largada pela Apifarma teve o resultado pretendido.

Dias de Melo, escritor açoriano


Nasceu no dia 8 de Abril de 1925. Morreu no dia 24 de Setembro de 2008. Talvez por gostar dos meses com trinta dias. Talvez por ter vivido sempre entre o mar e a terra, apurando uma obra redonda, onde a emigração, a baleação e a Ilha do Pico eram recorrentes.

Dias de Melo escreveu muito. Realce-se o modo terno como falou sobre os socialmente desprotegidos e as vítimas dos diversos poderes. Ou refira-se a importância que têm nos seus livros o mar, o clima e a natureza sísmica do arquipélago.

Nasceu no Pico. Morreu em S. Miguel. Pedras Negras, Mar Rubro, Mar pela Proa, Vida Vivida em Terra de Baleeiros, Memória das Gentes são alguns dos títulos da sua vasta obra. Romance, conto, poesia, crónica.

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23 setembro 2008

Este Metano quer tratar-nos da saúde

Era uma vez um planeta onde o CO2 era rei e senhor. Um dia, o primo Metano fartou-se de ser relegado para segundo plano e pôs-se a cuspir perdigotos no oceano. Os cientistas, pff, pff, enjoados com o cheiro, ficaram alarmados:
-Metano à vista!
O metano é 20 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono, enquanto gás de estufa, e muitos cientistas temem que esta libertação possa acelerar o aquecimento global numa reacção em cadeia gigante. O metano atmosférico causa um aumento das temperaturas que, por seu lado, aceleram o descongelamento da capa de "permafrost" que, em consequência, liberta mais metano para o ar.
O "permafrost" é o tipo de solo do Ártico, composto por terra, gelo e rochas congeladas.
Os depósitos de metano sub-aquáticos estão a ser libertados para a superfície sob a forma de bolhas de ar na região do Ártico, há medida que a região aquece e o gelo recua.
A Sibéria ainda corre o risco de se vir a tornar um paraíso de férias. E lá estará a imagem desse barbudo em frente ao pelotão de fuzilamento, que julgou que morria e acabou por se tornar um dos grandes prescrutadores do barro humano.

A mania - Rastro de Madrid (cenário recorrente do Salón)

Trapiello enquanto crítico de arte e fumador

Publicidade a La Manía, de Andrés Trapiello

A literatura portuguesa de agora por onde anda?

Com algum atraso Portugal chegou à modernidade. Com algum atraso a geração de 70 falou dessa modernidade. Com algum a atraso o crime entrou no nosso quotidiano. Com muito espanto a nossa literatura continua a viver num tempo que não se sabe muito bem onde fica.
Um bom naco de prosa, susceptível de inspirar um humorista:
«Estava evadido da cadeia. Actuava sozinho e com rapidez. Como disfarce usava um capacete com riscas e para fugir um motociclo. Durante meses assaltou farmácias, tendo ficado conhecido como o "solitário das farmácias". Foi detido na sexta-feira, pela Polícia Judiciária (PJ), num hotel de Santo Tirso, e reencaminhado para o estabelecimento prisional de Paços de Ferreira.»
A sinopse de um conto. De um romance.
Aos 27 anos, já sabia tudo de posse ilegal de arma, condução sem habilitação legal e tráfico de estupefacientes. Quando foi preso, preparava-se para acender mais um charro. Era um bom rapaz. Nunca matou ninguém e o horário dos assaltos coincidia sempre com períodos mortos. Mas era um esteta. Para além do uso do capacete com riscas que o caracterizava, ficou conhecido por levar apenas notas das caixas registadoras e por actuar sem fazer alarde, com grande rapidez e eficácia.
Fosse ele menos dado às belas letras e belas artes e ainda agora podia estar no hotel a ver televisão, enquanto destapava o porro.

Mãe porca amamenta tigres bebés

O insólito foi registado num zoo privado no sul da Ucrânia: uma porca amamenta crias de tigre.

Portugal e Finlândia: modelos e festas

Sabemos, depois de Sócrates, que a Finlândia é o país em que Portugal se revê. Tudo nos aproxima, o clima, a proximidade geográfica, a história, a cultura, a classe política.
Agora surgem notícias animadoras: um rapaz matou nove pessoas num liceu. Já no ano passado, 7 de Novembro, outro estudante mandara oito para os anjinhos, no liceu finlandês de Tuusula, em Jokela (norte de Helsínquia), antes de se suicidar. Uma festa, portanto.

22 setembro 2008

Damien Hirst, dias depois

Nacido en 1965 en Bristol y criado en Leeds en un ambiente difícil, Damien Hirst demostró pronto su facilidad para aprovecharse económicamente del arte. Su amor por el dinero le ha colocado a menudo en el centro de la polémica (....)
Sunday Times revelaba ayer que los 140 millones de euros recaudados no fueron exclusivamente fruto de las pujas espontáneas de ávidos coleccionistas. Amigos y socios del artista contribuyeron con sus considerables ofertas a elevar las cotizaciones de las piezas en el transcurso de la subasta, según sostiene el Sunday Times citando a fuentes anónimas del mundo del arte.

Fonte: El País

Dois livros




E ainda há quem pense que o valor de um livro está na encadernação.


Cesário Verde - O LIVRO DE CESARIO VERDE. 1873-1886. Lisboa. Typographia Elzeviriana. 1887. In-8º de XIX-I-103-I-IV págs. B.Primeira edição, valiosíssima e de extrema rara do «Livro de Cesário Verde», “poeta sincero, verdadeiro e original”, altíssimo nome da literatura portuguesa de todos os tempos. A edição, primorosamente executada sobre papel de linho, foi feita por iniciativa de Silva Pinto, grande amigo do poeta. Dela se fez uma reduzida tiragem única de 200 exemplares numerados. Com um retrato de Cesário Verde por Columbano. Exemplar em excelente estado de conservação. Encadernação inteira de pele gravada com ferros a seco e a ouro na lombada e pastas. Apresenta as capas de brochura zincogravadas a partir das originais. Preço: 3.000,00 €


Vitorino Nemésio - NAVE ETÉREA. (Em memória do descobrimento do caminho celeste para o Brasil.). Imprensa Acadèmica. Coimbra. 1922. 14,5x23 cm. 36-II págs. B.Primeira edição. Rara. Capa da brochura com algumas manchas. Preço: 200,00 €

Pontos de vista

«Andámos durante estes anos a aturar os consultores da Merryl Linch, os gestores da Lehman Brothers, os génios financeiros da Goldman Sachs - para vermos, numa só semana, que nem da casa deles sabem cuidar. Quantas vezes os ouvimos dizer que tínhamos de "desregular", ou que havia controlos demasiado "rígidos" sobre o mercado, ou que não tínhamos dinheiro para pagar saúde aos cidadãos, ou a universidade aos estudantes, ou que os privados fariam melhor com as nossas pensões de reforma? Pois bem, o contribuinte americano deve estar bem lixado, neste momento, ao ver que o dinheiro que não havia para reparar pontes e diques já terá que aparecer para safar todo o sistema financeiro desregulado.»
Rui Tavares no Público de hoje.

CIA - Com imperativo acrático (a demo fica para depois)

Bem me queria parecer. A democracia que temos é obra da CIA. Dela e de Carlucci. Com um nome desses, não se espantem que ainda venhamos a ter por cá um clone daquele senhor de Itália, que era patrão de televisões e afins e agora é ministro.
O pior que há no mundo é o comunismo. Credo, cruzes, canhoto. A democracia é muito melhor. Mais desemprego, mais milhões de milhões para apoiar a banca e cortar ao máximo na segurança social (porque fazem sempre falta mais polícias).
Mas não fujamos ao assunto. As forças democráticas trabalharam para a CIA. Ou terá sido com a CIA? Se calhar fizeram o que a CIA queria, julgando estar a servir o país. Bem, seja como for, não saem muito bem no retrato.
Já a CIA não se percebe. Afinal qual é o papel dessa gente, obedecer aos secretários ou aos diplomatas?