21 setembro 2008

A Verdade com v de TV

Peço desculpa. Vejo pouca TV. Uma ou outra série e pedaços de telejornais. O resto entedia-me. Ou seja, estou muito longe de ser um bom português. Tenho pena. Gostava de ser um português exemplar.
Soube há pouco que «milhões de milhões de portugueses assistiram à estreia de um programa televisivo que, basicamente, confronta as verdades íntimas de um qualquer sujeito com as verdades sociais.»
O tal programa parece despertar a gula nacional. Diz um sociológo "Vivemos numa sociedade que promove a superficialidade, a preocupação excessiva em aparecer, a necessidade de se ser alguém. E é muito fácil montar uma teia como esta para pessoas com uma certa vacuidade interna."
Fala um psicólogo: "A Psicologia explica isso com uma coisa que se denomina processo vicariante, isto é, o sujeito resolve através dos outros as suas próprias angústias psicológicas". Por palavras mais simples, o ser humano não quer estar sozinho na desgraça e gosta de ver o Outro passar ridículos maiores do que os seus, até porque "um dos traços mais característicos dos humanos é a sua atracção pelo ridículo, pelo disparate".
Diz o sociólogo: "É o mesmo mecanismo que faz as pessoas pararem nas estradas para verem o acidente dos outros".
Em resumo: o canal que tem o tal programa no ar faz dinheiro (e muito dinheiro) à custa dos tansos que vão lá por meia dúzia de euros. São tão tontos que nem sabem pedir couro e cabelo à produção. Sim, sim, eu digo que sou um escroque mas quero a Impresa em meu nome. Algo desse género.
Cada segundo de publicidade é ouro a correr para os cofres de Balsemão, Francisco Pinto. Um homem que já foi primeiro-ministro de Portugal.
O nosso país é mucho west, mucho macho, mucho lindo. I love Portugal. E só tenho pena de não ser um português digno desse nome. Que faço? Emigro? Mato-me? Que tal abrir um leilão?

Salvia divinorum

1,8 milhões de americamos já experimentaram. Dados governamentais. A coisa está a agitar o país, por causa de vídeos no Youtube.
A Salvia divinorum, cujo princípio psicoactivo é a Salvinorin A, revela-se o alucinogénio mais potente que existe na natureza. Estimula apenas um receptor do cérebro, o kappa opioide, enquanto o LSD estimula 50.
A planta, que era mascada pelos índios mexicanos maztecas (aborígenes de Oaxaca), tem-se espalhado entre a juventude abonada dos EUA (doutorados, empresários e afins). Por enquanto não se conhecem os perigos dos efeitos secundários, embora haja universidades a realizar estudos sobre essa e outras plantas psicotrópicas.
Fonte: El País

20 setembro 2008

Melania Mazzucco e a Berluscolândia

Enquanto por cá a literatura se passeia pelo nada, entediada, cordata, fotogénica, reinos há onde olha à sua volta e se diverte a dizer que o rei vai nu.
Assim com o romance Um dia perfeito, de Melania Mazzucco, de que hoje se fala no Babelia. Um romance sobre a Itália de agora. Um retrato sobre a Berluscolândia:
«Berluscolândia: a família como núcleo podre e cenário dos delitos mais abjectos; o machismo e a homofobia como valores supremos; o crescente desespero dos jovens. E, como panos de fundo, a corrupção e o racismo, a opressiva hipocrisia católica, o poder paralisador da política e da televisão.»
Esperemos que o sucesso comercial do livro e o filme que foi realizado a partir dele o traga até Portugal.

O emprego, meu deus, o emprego


Quem já foi rico e deixou de o ser ou quem tinha na mão o poder de eleger presidentes da República vê-se agora na necessidade de fazer pela vidinha, como milhares. Uma chatice. Apesar da gravata, o emprego é simples: dar graxa.
Dar graxa a quem tem a faca, a tábua, o pão, o queijo e muitos outros produtos e ingredientes. O problema é que neste mundo global as graxas já não são feitas como antigamente. Agora recorrem à manteiga rançosa e a graxa não dá aquele brilho de outrora. Cheira mal.

O post só ficará claro para quem der um saltinho até uma das prosas de ER, soit disant jornalista.

Rais parta a imprensa

Amaryllis belladonna ou Brunsvigia rosea


A Amaryllis belladonna ou Brunsvigia rosea (Lam.) Hannibal, também conhecida como Menina vai à escola é uma flor originária da África do Sul que floresce nas bordas dos caminhos, em canteiros e jardins, entre os finais do Verão e os princípios do Outono.

Pode ser vista em quase todas as ilhas dos Açores, excepto no Corvo.

Família: Amaryllidaceae
Espécie/Subespécie: Amaryllis belladona L.

Nomes vulgares: Belas-donas; Beladona; Despedidas-de-verão; Açucena-da-serra; Beladona-bastarda; Bordões-de-são-josé.

Descrição: Herbácea, vivaz e bolbosa. Folhas até 35 cm, aparecendo depois das flores. Flores branco-rosadas, em hastes robustas, púrpureas.

Homem com mais de 316 quilos


Chamava-se Carlos Marroquín, tinha 47 anos e pesava quase 317 quilos. Em Dezembro de 2007 estava em casa e sentiu-se mal. Os bombeiros que foram chamados ao local tiveram de usar uma grua hidráulica para o retirar do segundo andar. Esteve internado desde então num hospital da Guatemala.

Há dias, os médicos resolveram operá-lo, para lhe retirarem grande quantidade de gordura. A operação, que demorou mais de seis horas, foi bem sucedida. Mas Carlos Marroquín não aguentou as várias paragens cardíacas e morreu.

Trópico de Câncer, de Henry Miller


Já está nas livrarias uma nova versão de Trópico de Câncer, de Henry Miller, traduzido por Jorge Freire. A reedição pela Bertrand desta narrativa autobiográfica, passada na Paris dos anos 30, inaugura a colecção 'Obras Literárias Escolhidas' lançada por esta editora.
Esse livro tardou em ser publicado nos Estados Unidos. Veio a público em Paris no ano de 1934 e só em 1961 chegaria às estantes americanas.
Jorge Freire considera "a criação, o tempo e a morte, a abolição da diferença entre o mundo das ideias e a experiência vivida e a quebra voluntária dos tabus" temas centrais de Trópico de Câncer.
De acordo com o tradutor, o prazer e o desejo, a que o escritor chama "milagres da personalidade", são "afirmação da verdade, da literatura, da vida e do individualismo".
Relato autobiográfico, Trópico de Câncer leva-nos pela Paris de entre-guerras vista e vivida por um Henry emigrado que deixara para trás Nova Iorque e fora para Paris em busca de um sonho: escrever. A fome, o sexo, o álcool, os biscates, a loucura, o delírio atravessam as páginas desse romance sobre o qual caiu o libelo de pornográfico e obsceno.

Henry Miller


«Suponhamos que amanhã, como consequência de terem lido Henry Miller, todas as pessoas começavam a usar uma linguagem livre, uma linguagem de sarjeta, se quiserem, e a agir de acordo com as suas crenças e convicções. E então ? A minha resposta é que, acontecesse o que acontecesse, seria como nada tivesse ocorrido, nada, insisto, se o compararmos com os efeitos da explosão de uma única bomba atómica. E isto é, confesso, a coisa mais triste que um indivíduo criador como eu pode admitir.
É minha convicção que estamos hoje a atravessar um período a que se poderia chamar de "insensibilidade cósmica", um período em que Deus parece, mais do que nunca, ausente do mundo, e o homem se vê condenado a enfrentar o destino que para si próprio criou. Num momento como este, a questão de saber se um homem é ou não culpado de usar de uma linguagem obscena em livros impressos parece-me perfeitamente inconsequente. É quase como se eu, ao atravessar um prado, descobrisse uma erva coberta de esterco e, curvando-me para a ervilha obscura, lhe dissesse em tom de admoestação: "Que vergonha!"»

19 setembro 2008

Bons sinais na demografia portuguesa

Portugal está a entrar nos eixos. As pessoas casam-se mais tarde, têm menos filhos e vivem mais tempo. Os empregos escasseiam, os preços estão muito altos, a vida está pela hora da morte. Por isso, não espanta que morra mais gente do que a que nasce. O saldo é pela primeira vez em décadas negativo. Mas significa isso que há menos gente em Portugal? Não. Vejamos o que nos diz o documento "Estatísticas Demográficas" do Instituto Nacional de Estatística.
A taxa de crescimento natural, que há muito manifesta uma tendência de redução, apresenta em 2007, pela primeira vez na história demográfica portuguesa recente, um valor negativo (-0,01%).
Desde o início do século XX, apenas em 1918 se havia registado um saldo natural negativo, associado à epidemia de gripe pneumónica que atingiu o país nesse ano.
A situação verificada em 2007 não é única no conjunto dos 27 países da União Europeia.
Para além de Portugal, também a Itália, Estónia, Alemanha, Roménia, Hungria, Lituânia, Letónia e Bulgária apresentaram, em 2007, taxas de crescimento natural de valor negativo.
O saldo migratório mantém um valor positivo.
A população residente em Portugal tem vindo a denotar um continuado envelhecimento demográfico, como resultado do declínio da fecundidade e do aumento da longevidade.
Em 31 de Dezembro de 2007 a população residente em Portugal foi estimada em 10 617 575 indivíduos, o que representa um acréscimo populacional de 18 480, face ao valor estimado no ano anterior.
Em 2007, o mês de Fevereiro foi o de maior intensidade da mortalidade. Dos óbitos ocorridos em Portugal, em 2007, resultaram 13 294 viúvos e 32 746 viúvas. Ou seja, morrem muito mais homens do que mulheres.

Estudo científico? Ou bluff populista?

Há alguém que diga, ao ver um filme, que os actores mentem? Pode acontecer sim que a personagem que o actor encarna faça da mentira um modo de vida. Mas ninguém, ao ver um filme, o avalia pela veracidade. Pela verosimilhança, talvez.
Ora, o suposto estudo científico levado a cabo pela equipa de investigadores canadianos soa a banho da cobra. Porque os políticos são actores. Representam um determinado papel, no qual, além das suas ideias e vontade, intervêm os acessores de imagem e outras pessoas. Tudo para que não só o discurso alcance mais eleitores, como também para que o papel representado seja convincente.
O populismo do estudo e sobretudo aquilo que se pode ler na notícia é confrangedor. Tem muito de opinião (ou seja, de particular) e pouco de científico (ou seja, de geral). Isto para não falarmos do abuso de senso comum. E chega a ser hilariante. Vejamos um excerto: «o que passou despercebido ao comum dos mortais, foi facilmente detectado por Paul Ekman, que estuda as expressões faciais e a maneira como actuam os políticos, em relação ao que pensam, há 40 anos. “Tendo em conta que [Bill] Clinton provavelmente sentiu rejeição por a sua mulher não ter conseguido a nomeação, eu diria que todo o discurso foi na verdade dado de uma maneira muito graciosa”». Sublinhamos o advérbio porque nele reside a falácia. Se isto é ciência, Alberto João Jardim, José Sócrates, Cavaco Silva e tantos outros são cientistas de ponta.

Quanto custa a campanha eleitoral nos Açores?

Mais de três milhões de euros.
Donde vem o bago? De vários sítios: do erário público, de ajudas dos partidos continentais, de doações (empresa, querida empresa, abre lá os cordões à bolsa se queres ver os teus projectos aprovados).
A democracia tem custos e as eleições fazem parte deles.
Vejamos quanto vão gastar os partidos políticos na campanha (dados públicos, claro. Por baixo da mesa, os que puderem gastarão mais):
O PPM vai gastar 4.500 euros.
O PDA três mil euros.
O Bloco de Esquerda ronda os 50 mil euros.
O Movimento Partido da Terra precisa de 11 mil euros.
A CDU tem um orçamento de 180 mil euros.
O CDS/PP 135 mil euros.
O PSD/Açores, mesmo em crise, dispõe de 887 mil euros e o PS do resto. É só pegar na calculadora e fazer as continhas. Gastará, só ele, quase 2/3 do bolo. 460 mil euros vêm do erário público. O resto vem de bens cedidos a título de empréstimo (100 mil), da angariação de fundos - 215 mil euros - e o partido de Sócrates (coitadinho coitadinho) dá 1 milhão. Ao todo são 1,8 milhões de euros. Uma linda soma só para César e os demais representantes rosa do povo açoriano mostrarem como é lindo poder ter um kit autonómico.

O preço dos combustíveis

Manuel António Pina punha ontem o dedo na ferida da Galp. Transcrevemos um excerto: «o vice-presidente da Galp (...) justificava os aumentos dos combustíveis com o aumento do crude e, agora que o crude está em queda livre, explica que não descem (desde Julho, o preço do crude caiu 38%, mas o da gasolina só desceu 4%; em Portugal, pois nos mercados internacionais desceu 23%...) porque tem uma "fórmula" para calcular os preços onde não entra só o preço do crude. Poderia querer referir-se a factores como a refinação e os impostos. Mas esses mantêm-se inalterados e, ainda por cima, a Galp tem o monopólio da refinação. Na "fórmula" deve entrar, pois, outro factor. Eu aposto na ganância.»

18 setembro 2008

Casas espanholas


Casas espanholas onde podemos entrar e saborear um bom prato. Ou uma sobremesa requintada. Ou umas tapas à maneira. Isto sem esquecer umas parrilhadas.

Há, ainda, muitas baiucas. Esta, com laivos de aventura de papel, que oferece água del cano. Esta, que à tequilha mistura muito sal. Ou esta, para quem faz de conta que é míope. Uf.

Chamam-lhe bitácoras e divertem-se exactamente da mesma maneira que nós. Alguns com o nível a pender para norte, outros para oeste ou até para oriente. Há de tudo, que nisto de pedreiros ou albañiles uns estão a sério e outros deixam os queixos doridos de tanta carcajada.


Que remédio!

Há muito muito tempo, ou seja há dias, Portugal assistiu, sentado, ao susto dos fabricantes de medicamentos. Um ex-ministro da saúde vem agora dar o nome à coisa. Chama-se Correia de Campos e como foi corrido, pôs a boca no trombone. E a música já se faz ouvir.
"Por força de um agressivo marketing farmacêutico e por falta de informação própria e dos pacientes, nos serviços públicos de saúde prescrevem-se em excesso medicamentos e meios de diagnóstico, levando a um crescimento excessivamente rápido destas rubricas de despesa. Foi assim que Portugal se transformou no paraíso dos operadores na área farmacêutica."
“A evolução legislativa em saúde plasma a pressão das forças económicas e sociais que actuam no sector — profissionais, indústria, distribuição, instituições e função pública — e apenas em pequena parte os cidadãos destinatários.”
A saúde, em Portugal, é coisa para a população em geral, não para quem pode. O senhor ex-ministro di-lo clarmente: «Pessoas com notoriedade, conhecimentos, cultura, meios e amigos não são comparáveis à população em geral.» Essas, se tiverem posses vão ao estrangeiro.

Segredos de um candidato a candidato


Um bocadinho de saliva. Adorar a imagem de si próprio no espelho. Cara abonecada e maquilhada q.b. Usar golas altas, fazer um uso meticuloso de todos os botões (seja camisa, blusa, casaco ou sobretudo), pelo menos em momentos solenes. Ter família numerosa, mas sem raízes italianas (nesse caso escondê-las muito bem, por exemplo por detrás do pin da bandeira do país). Gostar muito da lei (igual para todos, menos quando se tiram os óculos). Dar empregos a amigos de infância. Poupar os segredos ao futuro, tornando-os acessíveis a hackers. Ter as namoradas dos filhos ao lado. Chamar-se Pràli, Pracoli, Akistá ou algo parecido. E bater palmas, muitas palmas. Ou mostrar que se tem um bom dentista.

Partitura inédita de Mozart

Uma partitura inédita, assinada por Amadeus Wolfgang Mozart, foi descoberta por investigadores alemães numa mediateca em Nantes, França.
O achado só merece referência pela curiosidade. Entre os indefectíveis do compositor pode haver frenesi q.b. e entre coleccionadores algum nervosismo, mas não é caso para muito. A partitura pertence a uma mediateca.
A pequena partitura, do tamanho de uma folha de caderno A4, está dividida em duas partes: uma peça em compasso de quatro tempos em ré maior, e uma segunda parte, que seria um rascunho, a espaços ilegível. Trata-se do rascunho preliminar de uma composição musical, com diversas anotações do compositor.
Aqui fica a partitura interpretada por Laure, antiga aluna de Daniel Cuiller, do Ensemble Baroque Stradivaria.

Casamento homossexual

Em Portugal ainda não é permitido. E assim vai continuar. Na próxima legislatura se verá. Por ora, Sócrates tem medo e o PS também. Garganta não lhes falta, mas em chegando a hora da verdade a coisa exige mão de ferro e há tolerância zero para os deputados.
Na América, Brad Pitt doou 100 mil dólares (70.091 euros) a uma campanha para acabar con a Proposition 8, que proíbe os casamentos homossexuais no Estado da Califórnia.
O actor justifica essa doação nos seguintes termos: "Porque ninguém tem o direito de negar a outra pessoa a sua própria vida, mesmo que não se esteja de acordo com ela; porque todo o mundo tem o direito de viver a vida que deseja sem prejudicar os outros e porque a discriminação não deve ter lugar nos EUA."

Leiloar a virgindade

O mundo é um lugar estranho. Onde aquilo que podia ser tomado por uma brincadeira ou por um filme de gosto duvidoso facilmente se torna realidade.
Duas mocinhas, uma americana, outra italiana, estão em leilão na net. Sim, leram bem. Leiloam a sua virgindade.
Natalie Dylan e Raffaela Fico fazem-no por "bons princípios". Uma quer pagar os estudos. Outra quer pagar um curso e comprar uma casa.
Ao que se diz, a americana valoriza a inteligência. Por isso não irá para a cama com alguém com baixo Q.I. Não, isso não. Além do milhão de euros o macho (?) terá de demonstrar que não foi um idiota em gastar esse dinheiro. E a ironia não se fica por aí, a menina ambiciona tornar-se... conselheira matrimonial.
Já a italiana, não está com tanto paleio. Diz preto no branco: "Se não gostar do homem com quem tiver sexo, bebo um copo de vinho e esqueço o assunto". O irmão e o resto da família tratam dos detalhes, para convencer os potenciais interessados. Garantem que, apesar do ar sensual e das poses sexy com que vai preenchendo os sonhos de muitos homens, Raffaela é pura e casta, em respeito pelos mandamentos da fé católica, românica e apostólica. "Ela nunca teve um namorado. Juro pela alma da minha mãe", afiança o mano. "Ela é uma católica devota que reza todos os dias ao padre Pio".
A coisa não é inédita. Em 2005, uma modelo peruana, de 18 anos, também leiloou a virgindade. Pretendia angariar dinheiro para pagar as despesas médicas da família, mas acabou por mudar de ideias, quando já tinha uma proposta de 1,5 milhões de dólares (1,05 milhões de euros).
Fonte: JN

Plástico mortal


Uma garrafa de 0,33 cl é vendida entre 0,60 a 1 euro. Um garrafão de cinco litros custa os olhos da cara se for adquirido no Arquipélago dos Açores. Ou seja, o negócio da água é altamente lucrativo. A água é muito mais cara do que a gasolina e ninguém faz barulho por causa disso. Pelos vistos, não é preciso.
E as notícias que já há algum tempo circulavam por correio electrónico chegam agora aos jornais. São preocupantes. O plástico mata. Mata lentamente. Grande parte do vasilhame usado pelas diferentes marcas de água usa plástico, pois sai-lhes mais barato do que o vidro. O problema é, pois, não só a carteira, como a saúde, a própria vida.

O bisfenol A (BPA), um químico usado no fabrico de muitas embalagens, garrafas de plástico e latas de comida, pode estar ligado ao aumento da prevalência de problemas cardíacos, de diabetes e de anormalidades nas enzimas hepáticas. Esta é a conclusão de um estudo publicado esta semana no Journal of the American Medical Association.

O BPA é utilizado na produção de plástico policarbonato, um material transparente e resistente ao impacto. Mais de dois milhões de toneladas métricas deste químico, que imita a forma como o estrogéneo actua no corpo humano, foram fabricadas em 2003, havendo anualmente um aumento de seis a dez por cento na procura.

Estudos feitos em animais mostram que este químico, mesmo em doses reduzidas, pode provocar alterações no cérebro dos fetos e recém-nascidos, na próstata, nas glândulas mamárias e modificar a idade de puberdade das fêmeas.

17 setembro 2008

Contraceptivo dum aristocrata francês


O Museu de Farmácia adquiriu um preservativo do Marquês de Sade. Como é que sabem que pertenceu ao divino marquês? Pela assinatura? Por algum sinal particularmente repugnante?
O contraceptivo é feito em tripa de animal. E talvez não passe de uma estratégia para inglês ver. Ou, melhor dizendo, para japoneses e alemães. Mas que soa bem, lá isso.

A propósito, aqui têm uma lista de alguns dos livros de Donatien Alphonse François de Sade.

16 setembro 2008

Hector Zazou - Cardiovascular Demise

Hector Zazou e Bjork - Songs from the cold seas

Cancro do pulmão


Daqui a cinco anos pode haver um teste ao sangue capaz de detectar a presença de cancro do pulmão, antes dele se manifestar.

O Centro de Investigação de Cancro Fred Hutchinson detectou, em amostras de sangue de fumadores, a presença de três proteínas ou antigenes em mais de metade das pessoas que mais tarde viriam a desenvolver cancro do pulmão. Os cientistas procuraram dois antigenes tumorais já identificados, annexin 1 e 14-3-3-theta, e também um antigene tumoral recentemente descoberto, LAMR1.

O próximo passo do grupo de investigação é tentar perceber se os testes sanguíneos usados em conjunto com a tomografia computorizada, meio actualmente utilizado na detecção do cancro do pulmão, podem ajudar a um diagnóstico mais precoce da doença ou a detectar casos em que a tomografia não tenha encontrado nada.

Martialis heureka




A Martialis heureka tem características suficientes para ser considerada uma formiga, mas é tão diferente de tudo o que já se viu que os cientistas criaram uma nova sub-família, Martialinae, só para ela.


Martialis heureka porquê? Martialis, por causa de Marte, e Heureka, de eureka, “descobri!”


Há 85 anos, desde 1923, que não se criava uma nova sub-família de uma espécie de formiga viva, as que se têm sido criadas foram a partir de formigas fósseis.


A descoberta aconteceu na Amazónia. A formiga era tão diferente do que se conhece que poderia ter vindo de Marte. O que obrigou a equipa da Universidade do Texas, em Austin, a criar essa nova sub-família.


A espécie tem dois ou três milímetros de comprimento, não tem olhos, tem duas grandes mandíbulas, as patas dianteiras são finas e mais compridas que o normal. Todas estas características indicam que habita no solo, raramente vê a luz do dia e alimenta-se de outros animais como insectos, artrópodes ou anelídeos.


A nova espécie de formiga está escondida no solo, num ambiente tropical estável, que é potencialmente menos competitivo. Esta espécie pode ser uma relíquia que reteve características morfológicas ancestrais.


A análise genética confirmou que estava na base da árvore evolutiva das formigas. Segundo um dos cientistas "Esta descoberta suporta a ideia de que as formigas cegas dos subterrâneos que são predadoras, apareceram no início da evolução das formigas".


As formigas apareceram há 120 milhões de anos a partir dos antepassados das vespas. A evolução foi rápida e deu lugar a muitas linhagens, com as espécies a adaptarem-se a vários ambientes.




Fonte: Público

Agá-cinco-éne-um pum pum

O mundo vai acabar. Um dia. E assim apocalipticamente e cheios de medo trazemos aqui as palavras do horror do especialista belga Geert Leroux-Roels que gosta muito de filmes de terror. Diz ele que a taxa de mortalidade de uma pessoa infectada pelo vírus H5N1 da "gripe das aves" é, actualmente, de 60 por cento e se tal se mativer e a pandemia acontecesse «seria o fim da humanidade». Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhh, já as mãos me tremem e a voz se me embarga.
Mas, salvação, nem tudo está perdido. A vacina e outros medicamentos antivirais podem salvar a humanidade e a nação portuguesa. O problema é que depois do sururu de há dois anos, a coisa caiu no esquecimento e só há 400 mil vacinas em stock. Portugal tem muito mais gente.
Os serviços de saúde da nação adquiriram tratamentos contra uma hipotética pandemia de vírus da gripe das aves, um investimento nas ordem dos 25 milhões euros, mas até ao momento não foi necessário administrá-lo e corre o risco de, dentro de três anos, estar fora da validade.
E agora, que fazer?

Crise? Falem com Damien Hirst


Damien Hirst (onde é que eu já ouvi este nome?), colocou parte substancial das suas obras à venda e só no primeiro dia do leilão arrecadou 70 milhões de libras, superando as expectativas.

Um tubarão tigre conservado em formol (na imagem) chegou aos 9,6 milhões de libras e um bezerro embalsamado com cascos e cornos de ouro foi para quem abriu mão de 10,3 milhões de libras.

Hirst, em vez de optar por expor numa galeria, decidiu colocar à venda 223 peças do novo trabalho (a que deu o sugestivo nome de “Mini-retrospectiva”) na leiloeira Sotheby’s House. Com a venda de menos de metade das obras, o chupista ganhou 88 milhões de euros e quebrou o recorde detido por Pablo Picasso.

O leilão ainda vai a meio. Digam lá que a morte não é um bom negócio? A morte é o tema central da obra deste Young British Artist.

Para quem gosta de livros





branco sujo

Blogues, como poetas, há-os aos pontapés. Alguns caem-nos na sopa no momento em que estamos sôfregos e, porra, babamo-nos todos. Dá dá dá (as onomatopeias piscas saem-nos assim defeituosas, que havemos de fazer?).
Já não sei como foi com branco sujo, «Um blog racista que odeia o branco e suja-o de de caracteres, ruídos e alguns bonecos.» Sei que foi por estes dias. E a minha avó, que faz as limpezas, cortou-me a mesada. Babar a roupa e a tolha, ainda vá que não vá, agora conspurcar mesa, toalha, roupa, chão e outras coisas, ah não, isso não. Estou de castigo, portanto. Escrevo isto às escondidas, muito triste. Mais triste ainda porque o costume diz que linkas para te linkarem (fica bonito o acordo ortográfico aqui, oram digam lá que não...) e o raio do José Quintas não linka ninguém. E se ele não linka eu não recupero a mesada (publicidade, caros amigos, publicidade). Mas que fazer se lê-lo me faz melhor do que tomar dois ou três antidepressivos?

Encher os bolsos e...

A frase é atribuída a Karl Marx: "Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o carácter desses limites."
Ora a investigação não se faz, como se bastassem constatações do tipo: há crise. E nós, que não somos economistas, muito menos gente com traquejo na alta finança, ouvimos que há crise e encolhemos os ombros, como se não fosse nada connosco.
Se não fosse nada connosco que levaria os barões da alta finança a deixar cair as suas apreensões? Por exemplo, a do director-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, que descreveu a actual crise financeira mundial como «nunca vista», uma vez que está a afectar os EUA, o «coração do sistema» e não a sua «periferia», algo que vai afectar todo o mundo, pois «toda a economia mundial vai desacelerar entre meio ponto e dois pontos», incluindo a China e os países europeus.
O que se passa com os grandes bancos e as grandes seguradoras dos EUA para estarem tão mal?
Será que se distraíram e deram demasiado dinheiro aos pobres? Ou será que a gula foi excessiva e agora já não conseguem vomitar?

Aos diabéticos, camomila, chá de camomila

Quem o diz? Os ratos, excelentíssimas senhoras. Os ratos, esses roedores tão amigos dos investigadores, sobretudo se forem japoneses e britâncos.
É que eles alimentaram ratos diabéticos com extracto de camomila. Os resultados foram animadores.
O chá de camomila não trata a doença mas poderá ajudar a prevenir as complicações que por vezes surgem na sequência de diabetes do tipo 2 como, por exemplo, a perda de visão ou os danos causados nos rins.
Os investigadores da Universidade de Toyama alimentaram os ratos doentes durante 21 dias e compararam os resultados com um grupo de controlo de animais diabéticos com uma dieta normal. Os registos mostram que os níveis de glicose no sangue eram significativamente mais baixos nos ratos alimentados com o extracto que aparentemente inibiu a produção de açúcar no fígado.

E ainda dizem que o tabaco faz mal

Pesquisa desenvolvida no centro biotecnológico de Halle, na Alemanha, usa planta do tabaco para uma possível vacina contra o Linfoma Não Hodgkin.
O LNH é o quinto tipo de cancro mais comum, com uma incidência de 70 mil novos casos/ano na União Europeia. Em Portugal registam-se anualmente cerca de dois mil novos casos de LNH e estima-se um aumento anual da taxa de incidência de cerca de 10 por cento.

Aos estudantes de medicina

Pá (convém usar este tratamento com os futuros doutores), se estás ou acabas de entrar em Medicina, põe-te a pau e não sejas morcão. Olha lá prò que está a dar: anestesiologia, ginecologia/obstetrícia, pediatria e otorrinolaringologia. Urologia também não está mal.
Se tiveres dúvidas, pensa bem: 2500 euros por urgência (24 horas).
O resto são cantigas. E t não escolheste canto nem conservatório. Por isso, vê lá se te pões fino e tratas da vidinha. Da tua e dos que forem parar às mãos. Eu, por mim, se pudesse emigrava.

Maria Keil e as ofertas culturais


Maria Keil nasceu na cidade de Silves, em 1914. Ilustradora, ceramista e artista plástica, destacou-se no azulejo. Vários dos seus painéis podem (ou podiam) ser vistos nas estações de metro de Lisboa. Que decorara nas décadas de 50 e 60. Dezanove estações, ao todo.

A ela se deve a recuperação, em espaços públicos, do azulejo que muitos consideravam arte menor. Além do Metropolitano de Lisboa, deixou painéis na TAP de Paris e de Nova Iorque, na União Eléctrica Portuguesa, no Casino de Vilamoura, no Aeroporto de Luanda, entre outros espaços.

Pelos azulejos realizados para o Metropolitano nada recebeu. À boa maneira cultural fez aquilo de borla.

Recentemente, a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar várias das estações mais antigas e não foram de modas, avançaram para as paredes e picaram-nas sem se dar ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos. À autora também nada disseram.

Ao contrário de arquitectos, engenheiros, escultores, pintores, ou quem quer que seja que veja uma obra pública sua alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização. Pela simples razão de que não podem indemnizar a autora, já que ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra.

Quem quiser saber mais, dê um passeio até aqui.

Juan Roget e o telescópio

Quem foi Juan Roget? Nick Pelling diz que foi o inventor do aparelho óptico. Um aparelho em forma de tubo que combinava um par de lentes gémeas e permitia ver com nitidez pessoas e coisas situadas a várias centenas de metros de distância.
A história reza doutra maneira. E atribui aos holandeses a patente da invenção. Hans Lipperhey, Jacob Metius e Zacharias Janssen (todos em 1608). Ora, ao que parece, o invento fora afinal comprado em Barcelona. E ainda tardou em chegar à Holanda.
Segundo Pelling, foi na capital da região da Catalunha que um homem comprou o telescópio. Daí partiu para a Alemanha, para tentar vender o objecto na feira de Frankfurt, onde anualmente eram apresentados os mais recentes livros e descobertas científicas. Ao que parece, foi esse homem que entregou o telescópio do catalão Juan Roget a Zacharias Janssen, para que este último vendesse o artefacto e dividisse os lucros. Mas Janssen ficou abismado com a maravilha que tinha em mãos e não conseguiu desfazer-se do objecto. Ao invés, partiu para a terra natal com a intenção de tentar construir algo semelhante. O problema é que Janssen não tinha conhecimentos que permitissem desenvolver relíquia idêntica. Por isso, encontrou-se com Hans Lipperhey e Jacob Metius para lhes pedir auxílio e duas lentes ópticas – que, na altura, não tinha em seu poder. Zacharias Janssen só mais tarde percebeu o erro que estava a cometer: tanto Metius como Lipperhey copiaram o objecto e registaram a patente.
Juan Roget morreu entre 1617 e 1624, provavelmente sem nunca ter compreendido a real dimensão da sua invenção. Ao longo dos séculos, o telescópio foi utilizado em diferentes áreas e ciências.
No início, era sobretudo útil em cenários de guerra. Mas não tardou muito até Galileu Galilei (o astrónomo italiano que descobriu que o planeta Terra tem formas arredondadas) usar o artefacto nas suas investigações.
Galileu construiu, ao longo da vida, diversas versões do telescópio, e foi, possivelmente, o principal motor da evolução do objecto. O telescópio é hoje um instrumento de precisão muito elevada, servindo diferentes ramos da ciência.
Fonte: Público

15 setembro 2008

Outras trancendências

Sócrates: aposta na educação é um "esforço que transcende o Governo".

Aleluia


Ele é um homem de fé. Crê. Aleluia. Acredita. Aleluia. Tlim tlim. E tem tanta fé, tlim tlim, que nós, ó deus, sentimos um peso nos joelhos e - aleluia aleluia - choramos diante da revelação.

Tensões e injecções

Estamos de parabéns, declaramos falência

Porque o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers se declarou em falência, para proteger os seus activos e maximizar o seu valor, o Banco Central Europeu anunciou que injectou no mercado monetário 30 mil milhões de euros, com o objectivo de evitar tensões.

Se o pobre Zé tiver problemas de tensão, o que é que lhe injectam?

Dinheiro dinheirinho dinheirento

Dinheiro não é problema quando se tem e em grande quantidade. Quando não se tem, é não só problema, como fonte de muitos problemas.
Depois dos sucessos e paraísos asiáticos, os problemas querem mostrar aos craques da bola económica que a globalidade é muito fotogénica e não olha a meios para aparecer no retrato (seja ele estático, como nas velhas fotos, seja animado e pixelizado para caber num telemóvel, num computador ou noutro suporte qualquer).
Os problemas adoram capturar tubarões, sejam eles economias florescentes ou grandes bancos. A chatice está em que quando o tubarão é apanhado, os peixinhos vão com ele e a coisa dói em muitos lados. Uma dor que os peixinhos não sentem logo, mas que começa a moer aos poucos, até se tornar insuportável como a dor de dentes.
O pescador pode fazer um sorriso que encha o écrã. E os peixinhos podem ficar sossegados, como estivesse tudo sobre controlo. Mas num mundo de especulações as notícias, mesmo que aparentemente inócuas, têm efeitos devastadores. Já pensaram que as vossas poupanças - se as têm - podem ir pelo cano abaixo? Ou que o valor do dinheiro pode disparar e acertar-nos em cheio nas pernas?
Ora digam lá que não é bom acreditar em milagres. Ou acreditar que a economia funciona por si só. O lucro, como todos sabemos, cai do céu. E hoje até é dia santo.

Saramago chega aos blogues

O escritor José Saramago iniciou hoje no blogue da Fundação com o seu nome uma secção pessoal em que se propõe «comentar acontecimentos, expressar opiniões, reflectir em voz alta».

O prédio mais estreito da Europa




Com 1,60 metros de largura de fachada, o prédio número 16 da Rua Aquiles Monteverde, em Lisboa, tem os dias contados. Tudo por causa de obras num prédio ao lado que lhe provocaram danos irreversíveis. A Câmara Municipal impôs a demolição, por segurança.


Em Julho de 2000, escavações feitas sem escoramento num terreno contíguo, para construir um novo imóvel (onde hoje existe o número 12), provocou a queda parcial do número 14 e danos muito consideráveis no 16.


Por cada chuvada mais forte, cai um pedaço do prédio mais estreito da Europa e do edifício do lado. O perímetro das fachadas está vedado com grades da Polícia Municipal, mas segundo a vizinhança, quando o estacionamento escasseia, as grades desaparecem, para dar lugar aos automóveis. As entradas estão vedadas, as janelas tapadas e a demolição parece ser a única solução para um prédio que um dia o IGESPAR (antigo Instituto Português do Património Arquitectónico- IPPAR) quis classificar.




Fonte: JN

Hospedaria Camões


Um lugar onde se pode dar descanso aos olhos.

Arrastão


Era uma vez um blogue chamado Arrastão. Daniel Oliveira fazia de manager e de secretário. Agora conta com Pedro Sales e Pedro Vieira para arrumar a casa e pôr a escrita em dia.

Se o Arrastão já se lia com agrado, espera-se, a partir de agora, que a parada suba e seja ainda mais agradável.

13 setembro 2008

Vera Bettencourt


Nasceu na ilha Graciosa há 30 anos e brevemente (dia 3 de Outubro) mostra trabalhos seus no Museu de Angra do Heroísmo.

O Nobel da literatura para Sócrates. Aquilo é que é um escritor

O primeiro ministro fala de uma maneira esquisita. Enreda-se nos assuntos e aquilo que diz fica tão embrulhado que não se chega a perceber se está a falar ou a chupar alguma pastilha para a azia.
Errata: Onde está primeiro ministro devia estar secretário geral do partido socialista.
Vejamos as frases de JSPS (Sócrates, para abreviar).
Frase 1 - "As mudanças que fizemos na educação foram orientadas por um desejo honesto de um Governo honesto que quis apenas aplicar um programa para servir o interesse geral."
Frase 2 - "Nenhum programa político pode ter sucesso na economia global sem uma aposta na educação".
Frase 3 - "O nosso programa político visa um país mais competitivo, mas também um país mais justo, onde ninguém fique para trás. O nosso país tem desigualdades, que são verdadeiramente causadas por desigualdades na educação".
Frase 4 - "As mudanças introduzidas nos últimos três anos criaram um verdadeiro movimento nas escolas públicas. Quem honestamente e objectivamente olhar para a escola de hoje e a comparar com a realidade de há três anos atrás, não pode deixar de concluir que está melhor".
1 - O que éum desejo honesto? Há desejos que não são honestos?
O que é o interesse geral? O que está na cabeça de Sócrates?
2 - Madames e méssiôres fétes vôs jâ: apostai na educação. Talvez seja um complemento que Sócrates criou para os apostadores portugueses do euromilhões.
3 - Visa, Mastercard, and so one. Com viseira e sem viseira, durante o reinado socrático o fosso entre pobres e ricos cavou-se ainda mais e os pobres vão ficando cada vez mais pobres. Deve ser a isso que se refere quando fala em ninguém ficar para trás. E de quem é a culpa? Ora, da educação, claro. Se não fossem os ranhosos dos professores ia tudo para Medicina, ganhava tudo muito bem e Sócrates estava em casa a fazer tricot ou projectos engenheiros.
4 - As escolas antes de Sócrates estavam coladas ao chão. Com as suas inovadoras técnicas de engenharia, as escolas voam, planam, mergulham. São helicópteros, aviões, submarinos. De facto, as escolas assim são muitos melhores. Palmas para o engenheiro e o Nobel da literatura para quem inventa tanto. Portugal até já parece a Colômbia ou outro país do mágico realismo socialista.

Arte e Francis Bacon


"A arte tenta sempre ser sobre o agora ou não será relevante no futuro. Toda a grande arte tem que ser sobre o mundo hoje."


"[Bacon] tem tomates para foder no inferno. Antes dele a pintura parece morta... completamente morta."


"O processo criativo é um bocadinho como fazer amor. Pode ser tão violento como foder, como um orgasmo ou a ejaculação. O resultado é frequentemente desapontante, mas o processo é altamente excitante."


Damien Hirst, eterno enfant terrible da Young British Art


Fonte: Público [papel]

12 setembro 2008

Baixar as calças aos cientistas ou o cagaço

Sim, hoje é sexta-feira, mas não dia 13. No entanto parece que o dia decidiu abrir manhoso e que as desgraças se juntaram todas para fazer uma grande festarola. Os cientistas do CERN foram apanhados por umas gracinhas e tiveram medo que fosse o dia do Juízo Final. Um castigo não divino, mas informático.
«As primeiras partículas estavam a circular no Grande Acelerador de Hadrões, perto de Genebra, onde nasceu a World Wide Web, quando um grupo de “hackers” grego invadiu o sistema com o único objectivo de mostrar a sua fragilidade. Ao que parece, se o regresso ao “Big Bang” foi um sucesso, os piratas informáticos também foram bem sucedidos no seu objectivo: mostrar aos cientistas que estes não passavam de “um bando de miúdos da escola”, segundo noticia o jornal britânico “Daily Telegraph”. A “Equipa de Segurança Grega”, como se auto-intitularam os intrusos, entrou quarta-feira no sistema informático do LHC (como é conhecido em inglês) simplesmente para deixar a mensagem referida e provar a vulnerabilidade dos técnicos que estavam à frente daquela que foi considerada uma das maiores experiências do mundo. O objectivo foi simplesmente provar que era possível violar o sistema, mas nunca criar problemas, ainda de acordo com o jornal inglês.“Estamos a baixar-vos as calças por não vos querermos ver a correr nus enquanto se tentam esconder quando o pânico chegar”, lê-se também na mensagem que os “piratas” deixaram no sistema informático do acelerador. E, ao que parece, a intrusão foi mais do que suficiente para alertar os cientistas, que impediram entretanto os cibernautas de aceder ao site www.cmsmon.cern.ch.
Os cientistas envolvidos no projecto receberam também, ao longo dos dias, várias mensagens electrónicas e telefonemas do público em geral que se mostrou preocupado com os objectivos das experiências e com as potencialidades da máquina – produzir um buraco negro para engolir a terra, terramotos ou tsunamis foram apenas algumas das hipóteses colocadas.
Os responsáveis explicaram que o acto só teria sido verdadeiramente perigoso se o grupo tivesse conseguido entrar numa outra rede onde, aí sim, teriam conseguido desligar algumas partes do sistema. Felizmente, apenas um ficheiro foi afectado, mas o incidente foi assustador para a comunidade. A grande preocupação dos cientistas da organização europeia era de que os “hackers” entrassem em um dos maiores detectores da máquina, que pesa 12.500 toneladas e mede 21 metros de comprimento e 15 de altura. Entretanto, a área atacada pelos invasores foi o "Compact Muon Solenoid Experiment", um dos quatro detectores que analisam o choque das partículas.»
Afinal, a sexta-feira foi um dia normal. Como tantas outras sextas-feiras.

A polícia do gosto poético (PGP) em Portugal

Há pessoas curiosas. Quiçá por defeito profissional, acreditam que mais do que os factos ou a natureza dos objectos, importam as opiniões. O modo como as redacções dos jornais funcionam, as centrais noticiosas e de propaganda tem esse efeito nas cândidas almas dos jornalistas. Veja-se o que diz um deles, Luís Miguel Queirós, autor da piada mais interessante da rentrée, publicada num suplemento do jornal onde trabalha, o Público. Diz ele: «Olhando para trás, ocorre mesmo perguntar se a discutível imagem que hoje se tem dos anos 80 como a de uma década um tanto falhada, ou incaracterística, na poesia portuguesa, não ficará a dever-se bastante ao facto de os seus poetas não terem tido críticos que separassem águas e fossem verdadeiros formadores de gosto.»

Depois, diz o douto LMQ que as recensões críticas a livros de poesia são cada vez mais raras, mesmo em se tratando de «poetas francamente importantes». Curiosa asserção a dele que trabalhando no Público e podendo dar notícia desses importantes poetas não o faz.

LMQ, que parece gostar muito de ambientes claustrofóbicos e de descrições cruas do horror e da bestialidade, tem o condão, tão recorrente em Portugal (e noutros países) de precisar de alguém que lhe oriente o gosto, mostrando-se por isso mais uma caixinha de eco de Joaquim Manuel Magalhães, crítico aguerrido, que deixou sulcos fundos em muitos dos que cresceram para a poesia lendo as suas recensões.

O problema de LMQ, como de resto o de tantos da sua idade e até mais novos, é que se ficaram pelo JMM e se esqueceram de ler outros autores que não apenas os lusos. Porque a poesia portuguesa sempre foi aberta ao mundo, mesmo em momentos de crise como a da Santa Inquisição ou a da PIDE. O fulgor de JMM vem de ter sabido ler sinais que lhe chegavam em inglês e em espanhol. Ainda que, com o tempo, pareça ter cristalizado e as últimas opiniões publicadas revelem um arrazoado exegético que só almas cândidas como LMQ deglutem como se fosse um pastel de nata. Afinal, a crítica em Portugal sempre foi assunto de igrejas, dando-se sentidas cabeçadas de amem à opinião dos que sabem dissertar.

E se a candura de LMQ não se assemelha à de outros, para quem poesia é tudo o que editam ou tudo o que aparece impresso ou publicado na net, não anda muito longe, confundindo literatura com marketing e relações sociais e dando mostras de certa afectação com isso de «não perder nenhum novo autor relevante», como se lhe marcassem falta de mau comportamento ou como fosse castigado pelo futuro – Tu aí, que deixaste passar o livro X de um autor relevante. Se as editoras fossem o garante de alguma coisa, as ironias do seu tão amado Herberto Hélder ou o sarcasmo de Joaquim Manuel Magalhães não fariam o mínimo sentido ou seriam puro ressentimento.

Nota: o título deste post pede emprestado a Andrés Trapiello (mormente ao autor do Salón de Pasos Perdidos) o gosto pelas siglas.

César. As preocupações de CC


Carlos César está muito preocupado com... o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.
Podia preocupar-se com o custo das passagens aéreas, com o isolamento, a inflação ou o custo de vida na região. Mas isso são trocos. Dinheiro a sério, está visto, só com o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma.
Doze anos no governo faz mal às pessoas, não faz?
Quem puder que veja o que preocupava César há 12 ou 8 anos e o que o preocupa agora. Mais uns anos e ainda o víamos nas marchas populares de S. João (ou nas do S. João da Vila, que essas sim são dos Açores, as outras são das ilhas de baixo e as ilhas de baixo estão mortas) a fazer de conta que já chegamos à Madeira.

Viagens aéreas 2


A TAP faz o que fazem as congéneres europeias: enfrenta a concorrência. Na guerra dos preços, os grandes vencedores são os clientes. Apesar de muitos voos estarem dependentes da disponibilidade de lugares e terem restrições, como a impossibilidade de reembolso, vêem os preços reduzir-se.
A massificação do acto de viajar de avião deu às empresas duas opções: subir ao segmento premium, fornecendo dispendiosos serviços de luxo, ou reduzir custos para baixar o preço dos bilhetes. Em altura de crise, poucas parecem decididas a seguir a primeira via.
A TAP como tem concorrência nos outros voos baixa preços. MAS PARA OS AÇORES NÃO BAIXA, POIS NÃO TEM CONCORRÊNCIA.
A TAP, como a Cabo TV Açoriana, como a PT e outras empresas alimentam-se dos monopólios enquanto podem: desprezando os clientes, prestando maus serviços e tomando-os por idiotas. Às vezes acordam, mas quase sempre a incúria faz demasiado parte da rotina e nem se lembram de fidelizar clientes. E eles fogem para onde pagam menos e são melhor servidos.
Mas quem pode fugir da TAP? (A SATA é a irmã gémea anã da TAP nas ligações para o continente, não é? Se não é, parece.)

A TAP despreza mais uma vez os açorianos

A TAP despreza os açorianos. A campanha dos 64 euros para vários destinos exclui os Açores. Quem é açoriano não paga impostos? Paga. E paga a dobrar, porque a suposta benesse do preço de residente é paga por todos. A TAP além dos preços exorbitantes que cobra pelas ligações aéreas com Lisboa e Porto, ainda recebe subvenções estatais e não tem concorrência.
Carlos César quando chegou ao poder usou como bandeira as ligações aéreas que, dizia, o incomodavam, pois eram uma injustiça. Doze anos volvidos está calado. O silêncio deve ter algum significado. Mas como são poucos os que viajam de borla (leia-se, à custa do erário público), não se percebe donde vem esse silêncio. Como estamos em pré-campanha deveria dizer aos açorianos porque é que temos de desembolsar o triplo do que pagam continentais e outros europeus por viagens com as mesmas milhas.
O governo da República também devia explicar porque é que a TAP tem de continuar a receber as ajudas que recebe e pode fazer campanhas como a que anunciou ontem, com ligações para vários destinos europeus a 64 euros. Pode e fá-lo porque espera com isso encaixar 12 milhões de euros. Ou seja, fá-lo por LUCRO.
«Ao contrário de campanhas realizadas anteriormente pela TAP como por companhias low cost, esta promoção caracteriza-se pelo facto de garantir, no essencial, o mesmo serviço dos voos regulares, disse ao DN o director de comunicação, António Monteiro. Ou seja, há sempre direito a bagagem de porão até 20 quilos, uma refeição que será de pequeno-almoço, almoço ou jantar em função do horário do voo, e sem que seja necessário pagar uma taxa para reserva de lugar. Por outro lado, a promoção "TAP Discount" permite viajar ao longo de um período anormalmente longo, de oito meses, ou seja, entre 1 de Outubro e 31 de Maio, o que não é frequente neste tipo de promoções.
Por último, a companhia garante o acesso a aeroportos centrais e não aos secundários, situados a largas dezenas de quilómetros das cidades, como acontece frequentemente em algumas das companhias low cost mais agressivas.
»
A TAP pode fazer isso para outros mas não pode para os açorianos porquê? Porque os açorianos não contam? Ou porque a coutada e o monopólio são sempre sinónimo de abusos?
Gostávamos de ouvir o governo regional pronunciar-se sobre o assunto.


11 setembro 2008

Atirei-me para o chão às gargalhadas

Dá vontade de rir. «A TAP promete apresentar uma campanha com "preços imbatíveis".» Claro que sim. Quem voa daqui desta ilha para Lisboa ou Porto desembolsa "pequenas fortunas" (o segredo das campanhas deve estar nas aspas, por isso fazemos uso delas). Viajar de avião, mesmo sendo uma necessidade continua a ser um luxo. Sobretudo para quem vive nos Açores.
E ironia das ironias, vejam como andam os preços noutras companhias. A companhia aérea low cost irlandesa Ryanair anunciou, no Porto, o lançamento de uma megapromoção para a venda de três milhões de lugares a um euro, com todas as taxas incluídas.
Um euro? Um euro!
A culpa das fortunas que a TAP cobra aos açorianos é - vejam se o chão é confortável - «suportar despesas com transfers, porque as tripulações dormem em hotéis».

Doze quadros

"La Femme en Rouge", de Soutine


O que é que têm em comum "Les Paysans" (de Marc Chagall) "Mexican Peasant" (de Diego Rivera), "Cubist still life"(de Arshile Gorky), "Sem título" (de Hans Hofmann), "La Vieille Dame au Chien" e "La Femme en Rouge"(de Chaim Soutine ), "Figur mit Hund"(de Emil Nolde), "Fin de Séance"(de Lyonel Feininger) e "Alicia Alanova"(de Kess Van Dongen)?


São quadros, sim. E...?


Está bem, nós desvendamos o segredo: pertenciam a um casal milionário de Los Angeles. Pertenciam e pertencem, se conseguirem descobrir quem lhes entrou casa dentro, com eles lá, e os roubou.


Fontes policiais descreveram o roubo como um dos maiores já ocorridos na história de LA. Ainda vamos ver o inenarrável inspector chefe CSI a pôr os seus óculos de sol manhosos, depois de ter capturado o ladrão, um gato que gostava muito de pintura do século XX.


Não acham que está na hora de voltar a escrever um livro com o título de A Arte de Furtar?

A pátria é madrasta

A pátria está cheia de passadeiras. Mas os peões que nelas passam nunca sabem se passam para o outro lado da estrada se para o outro lado da vida. Que o diga o senhor Salgado, que aos 72 anos foi atropelado na mesma passadeira onde, dois anos antes, a sua mulher encontrara a morte. Tudo na Rua Heróis da Pátria.
Ah, pátria maldita, cujos heróis não passam de um corja: atropelam e fogem.

Salazar nem pintado, diz Jesus, Maria de Jesus

Chama-se Maria de Jesus e tem 115 anos. E ainda não perdoou a Salazar o sofrimento que ele causou ao povo.
Quando se diz que o povo gosta de Salazar mente-se. O povo é muito indivíduo. E à meia dúzia que diz ter saudades dele respondem as centenas que o detestam. Maria de Jesus é uma dessas pessoas que não pode com o estadista português nem pintado.
(Nota para a redacção do DN: o século XVIII começa em 1700 e acaba em 1800. Maria de Jesus nasceu no fim do século XIX e viveu todo o século XX, encontrando-se agora no início do vigésimo primeiro.)

A ver vamos, João. Vamos ver se vamos à Corte do Norte


Há artistas e autores que, ou por clubismo ou por outra irracionalidade qualquer, desbaratam o capital de simpatia acumulado com obras anteriores. João Botelho é um desses autores. Admiravamo-lo pelo seu trabalho gráfico (Cotovia, Regra do Jogo) e sobretudo pela cinematografia, «Tempos Difíceis» (1988), «Tráfico» (1998) ou «O Fatalista» (2005), entre outros. Mas, um dia deixou-se levar pelo SLB e fez «Corrupção», um desses dejectos cinematográficos que, a pretexto de querer comentar a realidade, nem um esgar consegue, tal a trapalhada e o cúmulo de clichés.

Por isso, é com apreensão que pensamos no novo filme de Botelho, «Corte do Norte» (2008). O romance é excelente - mérito de Agustina Bessa-Luís. E o filme, como será? Teremos alguma caricatura, algum boneco deslavado como em «Corrupção»?

O filme, apresentado como "a história de uma paixão incumprida e de uma energia emocional transmitida de geração para geração de mulheres", estreia em Portugal no dia 13 de Novembro, no âmbito de uma homenagem a Agustina. E está por ora a caminho do Festival de Cinema de Nova Iorque, onde será exibido no fim deste mês.

«A Corte do Norte» conta a história, passada na Madeira, de cinco gerações de mulheres. Tem como figura central Emília de Sousa, inspirada na actriz Emília das Neves, a primeira vedeta feminina da representação dramática em Portugal. A actriz Ana Moreira protagoniza o filme, interpretando sete personagens diferentes em épocas distintas, entre 1860 e 1960.
No elenco estão também os actores Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Laura Soveral, João Ricardo Custódia Gallego, Margarida Vila-Nova, Rita Blanco e Virgílio Castelo.
Produzido por António da Cunha Telles, Pandora da Cunha Telles e FF Filmes Fundo, com o apoio do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e da RTP, e inteiramente rodado em digital, «A Corte do Norte» será o primeiro filme português a ser projectado em 2k no circuito comercial.
A estreia nas salas de cinema portuguesas está prevista para a primeira quinzena de Novembro, com o apoio da Guimarães Editora, que reeditará o romance «Corte do Norte», publicado em 1987, e lançará ainda um álbum com fotografias e diálogos do filme.

Dez mil já espreitaram e você?

Dez mil já se sentaram a ver "Aquele querido mês de Agosto", a segunda longa-metragem do realizador português Miguel Gomes. E você?

Boas notícias vêm da Alemanha

Um xamã compondo as suas previsões astrológicas

Quando pensamos em cerveja, pensamos em alemães. Pançudos e a enfrascar copos de litro. A coisa bate tanto que um biólogo e historiador natural alemão de nome Josef H. Reichholf acaba de defender a tese de que a agricultura foi inventada para... fazer cerveja. Olha, olha. Se a coisa pega, os franceses vão dizer que era para fazer cognac, os russos dirão que era vodka e os japoneses saké.

Josef H. Reichholf parte do pressuposto que “quando os caçadores recolectores abandonaram a sua forma de vida e alimentação tradicional teria que ter uma vantagem inicial”. No princípio, sublinha, “o cultivo de plantas não trouxe nenhuma vantagem visível para a sobrevivência”. Por esse motivo, o cientista alemão considera que a teoria até hoje defendida, a de que a humanidade começou a cultivar plantas, abandonou a vida nómada e se estabeleceu de maneira permanente num sítio para se alimentar melhor, está totalmente errada.

Segundo o seu livro “Por que é que os homens se tornaram sedentários?”, as colheitas iniciais eram demasiado reduzidas e o cultivo da terra muito trabalhoso, o que implica que a sobrevivência não podia ser garantida em exclusivo através da agricultura. Reichholf defende que o homem do período neolítico continuou a caçar e a ser recolector para subsistir.

Diz ele que “a agricultura surgiu de uma situação de abundância” e assegura que “a humanidade experimentou o cultivo dos cereais e usou os grãos como complemento alimentar. A intenção incial não era fazer pão, mas antes fabricar cerveja através da fermentação”. Até porque a humanidade sempre sentiu necessidade de alcançar estados de embriaguez com drogas naturais que lhe “transmitem a sensação de transcendência, de abandono do próprio corpo”.

Na teoria agora apresentada, os xamãs, espécie de líderes espirituais que entram em transe e manifestam poderes sobrenaturais e invocam espíritos da natureza, teriam tido um papel de destaque na revolução neolítica. Seriam eles que conheceriam os feitos e as dosagens das drogas, ou seja, do álcool, cogumelos e plantas, tomados durante as cerimónias de carácter religioso.

O cientista destaca a importância que a cerveja e o vinho terão tido no fomento do sentido de unidade de um povo ou de uma tribo. Da mesma maneira, defende que o pão só começou a produzir-se quando se conseguiu cultivar cereais em abundância. O cientista sublinhou que a fermentação é um processo mais antigo, “a capacidade de fermentar cerveja não foi algo espontâneo. A humanidade já conhecia antes o processo fermentação da fruta”.
Fonte: Público

Que sono

Nada mais estimulante que a rentrée editorial. Eu não penso noutra coisa. Passo o mês e Agosto a suspirar pela rentrée. E chega a rentrée e é o que se vê: livros de Saramago e Lobo Antunes. Extraordinário! Saramago já não publica há anos. Lobo Antunes idem. Por isso, um livro novo deles é do mais estimulante que se possa imaginar.
Resta, Maria Velho da Costa e Herberto Helder. Os títulos são pouco interessantes, respectivamente, "Myra" e "A Faca não Corta o Fogo - súmula & inédita" . Talvez os livros não o sejam.
Ou Ana Teresa Pereira, com o romance "O Verão Selvagem dos Teus Olhos".

10 setembro 2008

A Origem do Homem

Universos paralelos

A Teoria das Cordas e o Big Bang

Treze mil e setecentos milhões de anos depois, o LHC

A 100 metros de profundidade, num túnel situado na fronteira entre a Suíça e a França, decorre uma experiência que pode ser tão importante como a chegada do homem à Lua: o Grande Acelerador de Hadrões (mais conhecido pela sigla em inglês, LHC) acelera partículas subatómicas até velocidades que ficam apenas a um fio de cabelo da da luz.
E para que é que serve tudo isto?
Para tentar compreender a natureza fundamental da matéria.
É um projecto ciclópico, em vários sentidos. Em termos de engenharia, para começar: é a maior máquina do mundo, tão grande e sofisticada que não poderia nunca ser fabricada por uma única empresa, ou um único país.
Envolve 6000 cientistas, levou uma década a construir e custou dez mil milhões de dólares - mas isso "é apenas 0,005 por cento do Produto Interno Bruto mundial durante esse período", escreveu o físico Stephen Hawking na revista americana Newsweek.
"Será que não podemos gastar dois centésimos de um por cento para tentar compreender o Universo?", interroga.
Esta catedral subterrânea (onde caberiam várias Notre Dame de Paris) impressiona pelos números. São usados ali 9600 ímanes para forçar os feixes de protões e iões de chumbo a dobrarem as curvas deste túnel circular de 27 quilómetros de circunferência. Estes ímanes estão arrefecidos com 60 toneladas de hélio superfluido até uma temperatura ainda mais baixa do que a do espaço profundo: 271,25 graus negativos, perto do zero absoluto. É o maior frigorífico do mundo (na verdade, bastaria um oitavo da sua capacidade de refrigeração para ter esse título), mas no seu interior atingir-se-ão temperaturas 100.000 vezes superiores às do coração do Sol - embora concentradas num espaço minúsculo, inferior ao de um átomo.
É também o local mais vazio do sistema solar, diz o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), onde está alojado: as partículas subatómicas aceleradas viajam dentro de um tubo tão vazio como o espaço interplanetário: a pressão interna é dez vezes menor que na superfície da Lua, onde os astronautas saltam como cangurus quando tentam andar.
O físico austríaco naturalizado americano Victor Weisskopf descrevia os grandes aceleradores de partículas que começaram a ser construídos nas décadas de 1950 e 60 como 'as catedrais góticas do século XX'", recordou o físico Lawrence Krauss, da Universidade Case Western (Ohio, EUA), num texto no jornal The Guardian. "É uma boa comparação", continuava Krauss. "As catedrais medievais empurraram os limites da tecnologia de então, absorveram o trabalho de milhares de artesãos e levaram gerações (por vezes séculos) a construir. Os modernos aceleradores de partículas envolvem milhares de cientistas de muitos países, que falam dezenas de línguas, e cujo trabalho individual tem de se combinar na perfeição com o dos outros, com uma margem de erro de milésimos de milímetros.
"Mas o LHC não é apenas uma colecção de números impressionante. Os seus objectivos são absolutamente esmagadores. O que se poderia dizer de uma máquina que pretende reproduzir as condições do Universo um bilionésimo de segundo após o Big Bang, o momento em que as sementes da matéria começaram a existir?
A matéria então ainda não era tal como hoje a conhecemos. Ainda não havia átomos, era tudo uma sopa de partículas fundamentais, hoje identificadas como quarks e gluões - um plasma extremamente quente, que preenchia tudo o que tinha começado a existir. Só quando o Universo começou a arrefecer se formaram átomos, primeiro de hidrogénio e hélio, e progressivamente outros mais pesados, à medida que iam sendo fundidos nas fornalhas das estrelas, pela fusão nuclear.
Passados 13.700 milhões de anos, aqui estamos nós, a tentar compreender o que deu origem a tudo - e a fazê-lo com uma máquina, tentando reproduzir em laboratório as condições que se seguiram ao Big Bang.
Com o LHC, os cientistas procuram obter resposta para questões que continuam a vexar a humanidade. Por exemplo, como é que as coisas têm massa? Para terem essa resposta, procuram o muito falado mas nunca detectado bosão de Higgs, que já foi apelidado "a partícula de Deus."
Fonte: Público

Big bang, a música

Pensar que o universo é como uma lengalenga, um crescendo em ritmo cada vez mais endiabrado dá vontade de rir.
Ou talvez não. Bem, o LCH (Large Hadron Collider) é um projecto faraónico que juntou milhares de cientistas do mundo durante 20 anos. Procura simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, há cerca de 13,7 mil milhões de anos atrás, e é considerado a experiência científica do século.
Desde 1996, o CERN construiu, 100 metros debaixo da terra, perto de Genebra, na Suíça, um anel de 27 quilómetros, arrefecido durante dois anos para atingir 271,3 graus negativos. À volta deste anel estão instalados quatro grandes detectores, no interior dos quais vão produzir-se colisões de protões numa velocidade próxima da da luz. Em plena força, 600 milhões de colisões por segundo irão gerar uma floração de partículas tal como aconteceu no início do mundo, algumas das quais nunca puderam ser observadas. No entanto, só daqui a alguns meses, quando se comprovar a evolução do funcionamento, é que haverá colisões de partículas e estarão criadas as condições para o estudo de novos fenómenos, através da recriação das condições que se produziram instantes depois do Big Bang.
O objectivo final desta grande experiência é poder dar resposta a muitas perguntas sobre a origem do Universo, entender por que a matéria é muito mais abundante no Universo do que a anti-matéria, e chegar a descobertas que "mudarão profundamente a nossa visão do Universo", segundo o director do CERN, Robert Aymar. Uma das aspirações dos cientistas é encontrar o hipotético bosão de Higgs, uma partícula que nunca foi detectada com os aceleradores existentes, muito menos potentes que o LHC.
Para já, deliciem-se com a explicação do que é o LHC através de uma canção composta por uma das cientistas do projecto. O videoclip explica, em simples rimas, no que consite a experiência com o LHC e o que se pretende descobrir com ela.

09 setembro 2008

O morto regressa e aparece na TV


Podia ser um livro de Agatha Christie.

Podia ser uma piada de mau gosto.

Podia ser um filme de série B.

Podia ser ficção, mas aconteceu em terras de Sua Majestade.

Um homem, idoso, estava a ver televisão e deu de caras com o pai.

O meu pai?! Mas ainda há pouco foi cremado. Não pode ser.

Depois do choque inicial foi ver e, afinal, era o pai.

Cinco anos depois de cremar o corpo do pai, ele aparece-lhe via TV. Chama-se John Delaney e desapareceu em 2000.

Três anos mais tarde, a polícia descobriu um corpo com características semelhantes, desde as roupas a sinais de nascença. Embora o estado de decomposição do cadáver tenha dificultado o processo de identificação, mesmo assim as autoridades confirmaram que se tratava de Delaney. A família procedeu à cerimónia fúnebre e cremação do corpo.

Com amnésia provocada por uma queda em Abril de 2000, quando foi dado como desaparecido, John Delaney estava a viver numa instituição desde essa data, sem se conseguir lembrar de nenhum pormenor sobre a sua identidade. Depois de ter visto o programa, o filho contactou as autoridades que, após o teste de ADN, confirmaram tratar-se da mesma pessoa.

E se o filho morria de ataque cardíaco ao ver TV?

A polícia de Manchester desculpa-se com a época. Como? Então a polícia das terras de SM engana-se assim? E ainda falam da PJ.


Fonte: Expresso

Alô?... Tá lá?... É do aquecimento global?...

Tá lá? É do aquecimento global? Aqui é do Carbonífero. Sim, sim... É pra dizer que o aquecimento global não está apenas relacionado com as emissões de CO2 produzidas pela indústria e pelo tráfico automóvel. Sim, claro, o melhor é falarem com o Falcon, esse rapaz que estuda a coisa e anda por aqui a meter o nariz.
As florestas fossilizadas que se encontram nas minas de carvão na região do Illinois, Indiana e Kentucky podem ser um testemunho de como as florestas reagem ao aquecimento global. Pelo menos essa é a ideia do cientista inglês Howard Falcon-Lang.
As camadas de florestas fossilizadas que ali se encontram estão separadas temporalmente por poucos milhões de anos. Uma das conclusões mais interessantes é que algumas das camadas são imediatamente anteriores a um período de aquecimento da Terra e outras são imediatamente posteriores. A floresta sofreu uma mudança abrupta nesta passagem.

O papa prémios


Eu não sei quem é, mas que ganha prémios uns atrás dos outros, lá isso... Dizem que escreveu livros cheios de palavrões e que várias vezes ameaçou emigrar, mas que nunca saiu do país. Dizem que é um eterno candidato ao Nobel. Ele diz-se tanta coisa.

este ano foi uma meia dúzia. Aquilo é quase como o euromilhões. O problema é que o plim dá jeito e faz imensa falta quando se é novo. E quando um escritor é novo fica a chuchar no dedo. Ele preferia cigarros. Parecia uma chaminé. Agora diz que é cada vez mais difícil escrever. Então não, cada ano que passa lá sai mais um romance. Nem as árvores de fruto.

Aumentar os medicamentos por embalagem, já!


Em vários países é assim: unidose. Em países bem mais ricos do que nós. Em países onde os salários são bem mais elevados do que os que se praticam por cá. Mas isso para o sector farmacêutico constitui um ultraje e, claro, um perigo. As margens de lucro reduzir-se-ão um pouco. Dizem os desse sector que comprar apenas a dose certa de medicamento prescrita pelo médico não trará benefícios para os doentes. Vejam só a latosa dessa gente.

Como é do domínio público, a indústria farmacêutica não visa o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, as farmácias também não querem nada com o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, os delegados de propaganda médica são muito mal pagos. São, sim senhor.

Como é do domínio público, entre os médicos e a indústria farmacêutica não há nem nunca houve a mínima relação de proximidade - cada macaco no seu galho - pelo que as deslocações a congressos e outras prebendas pagas por laboratórios farmacêuticos é ficção e da mais pura.

Quem faz medicamentos, fá-los pro bono, ou seja, sem esperar gratificação em troca. E se há indústria com problemas em todo o mundo, é a indústria farmacêutica.

Por tudo isso, pobres de nós que apenas teremos de pagar os medicamentos prescritos pelos médicos. E quão perigoso é isso para a nossa saúde. É que os portugueses gostam de ter uma pequena farmácia em casa, composta com os restos (às vezes, restos bem numerosos) das embalagens adquiridas (sempre baratinhas, pois se há quem pense no povo sofredor é precisamente a indústria farmacêutica). E os portugueses também gostam muito de brincar aos médicos e de receitarem a familiares, amigos e vizinhos os medicamentos da farmácia lá de casa. Ora isso, com o sistema da unidose, tem os dias contados e os farmacêuticos sabem como os portugueses vão ficar deprimidos com a retirada dessa brincadeira. Vai daí avisam: Cuidado, tugas. Olhem que assim vão ficar mal servidos.

Devia fazer-se o contrário: aumentar as doses por embalagem, isso sim, é que ia deixar o povo feliz. De resto, a indústria farmacêutica tem na calha uma proposta irrecusável: distribuir os medicamentos de graça.

A noite das facas rombas

Há uns anos, um realizador cujo nome não digo deu brado por ter apresentado um filme todo a preto. Exigiram-lhe que devolvesse os dinheiros que recebera do Estado. E foram poucos, muito poucos os que o defenderam. O realizador morreu.
Agora, temos um primeiro-ministro cuja acção é nula, pelo menos no que respeita à Educação, mas que não perde uma oportunidade de propagandear o nada da sua actuação. E como não podia deixar de ser, usa as estatísticas e as percentagens para mostrar ao país como ele é bom. Mais: os que ontem eram maus hoje já são bons (pelo menos até ás eleições).
O homem tudo diz e tudo faz como se fôssemos cegos e estivéssemos dentro do filme do outro José. Mas onde anda o coro estridente que outrora se levantou?
E quem será que diz sempre ámem?