11 setembro 2008

Boas notícias vêm da Alemanha

Um xamã compondo as suas previsões astrológicas

Quando pensamos em cerveja, pensamos em alemães. Pançudos e a enfrascar copos de litro. A coisa bate tanto que um biólogo e historiador natural alemão de nome Josef H. Reichholf acaba de defender a tese de que a agricultura foi inventada para... fazer cerveja. Olha, olha. Se a coisa pega, os franceses vão dizer que era para fazer cognac, os russos dirão que era vodka e os japoneses saké.

Josef H. Reichholf parte do pressuposto que “quando os caçadores recolectores abandonaram a sua forma de vida e alimentação tradicional teria que ter uma vantagem inicial”. No princípio, sublinha, “o cultivo de plantas não trouxe nenhuma vantagem visível para a sobrevivência”. Por esse motivo, o cientista alemão considera que a teoria até hoje defendida, a de que a humanidade começou a cultivar plantas, abandonou a vida nómada e se estabeleceu de maneira permanente num sítio para se alimentar melhor, está totalmente errada.

Segundo o seu livro “Por que é que os homens se tornaram sedentários?”, as colheitas iniciais eram demasiado reduzidas e o cultivo da terra muito trabalhoso, o que implica que a sobrevivência não podia ser garantida em exclusivo através da agricultura. Reichholf defende que o homem do período neolítico continuou a caçar e a ser recolector para subsistir.

Diz ele que “a agricultura surgiu de uma situação de abundância” e assegura que “a humanidade experimentou o cultivo dos cereais e usou os grãos como complemento alimentar. A intenção incial não era fazer pão, mas antes fabricar cerveja através da fermentação”. Até porque a humanidade sempre sentiu necessidade de alcançar estados de embriaguez com drogas naturais que lhe “transmitem a sensação de transcendência, de abandono do próprio corpo”.

Na teoria agora apresentada, os xamãs, espécie de líderes espirituais que entram em transe e manifestam poderes sobrenaturais e invocam espíritos da natureza, teriam tido um papel de destaque na revolução neolítica. Seriam eles que conheceriam os feitos e as dosagens das drogas, ou seja, do álcool, cogumelos e plantas, tomados durante as cerimónias de carácter religioso.

O cientista destaca a importância que a cerveja e o vinho terão tido no fomento do sentido de unidade de um povo ou de uma tribo. Da mesma maneira, defende que o pão só começou a produzir-se quando se conseguiu cultivar cereais em abundância. O cientista sublinhou que a fermentação é um processo mais antigo, “a capacidade de fermentar cerveja não foi algo espontâneo. A humanidade já conhecia antes o processo fermentação da fruta”.
Fonte: Público

Que sono

Nada mais estimulante que a rentrée editorial. Eu não penso noutra coisa. Passo o mês e Agosto a suspirar pela rentrée. E chega a rentrée e é o que se vê: livros de Saramago e Lobo Antunes. Extraordinário! Saramago já não publica há anos. Lobo Antunes idem. Por isso, um livro novo deles é do mais estimulante que se possa imaginar.
Resta, Maria Velho da Costa e Herberto Helder. Os títulos são pouco interessantes, respectivamente, "Myra" e "A Faca não Corta o Fogo - súmula & inédita" . Talvez os livros não o sejam.
Ou Ana Teresa Pereira, com o romance "O Verão Selvagem dos Teus Olhos".

10 setembro 2008

A Origem do Homem

Universos paralelos

A Teoria das Cordas e o Big Bang

Treze mil e setecentos milhões de anos depois, o LHC

A 100 metros de profundidade, num túnel situado na fronteira entre a Suíça e a França, decorre uma experiência que pode ser tão importante como a chegada do homem à Lua: o Grande Acelerador de Hadrões (mais conhecido pela sigla em inglês, LHC) acelera partículas subatómicas até velocidades que ficam apenas a um fio de cabelo da da luz.
E para que é que serve tudo isto?
Para tentar compreender a natureza fundamental da matéria.
É um projecto ciclópico, em vários sentidos. Em termos de engenharia, para começar: é a maior máquina do mundo, tão grande e sofisticada que não poderia nunca ser fabricada por uma única empresa, ou um único país.
Envolve 6000 cientistas, levou uma década a construir e custou dez mil milhões de dólares - mas isso "é apenas 0,005 por cento do Produto Interno Bruto mundial durante esse período", escreveu o físico Stephen Hawking na revista americana Newsweek.
"Será que não podemos gastar dois centésimos de um por cento para tentar compreender o Universo?", interroga.
Esta catedral subterrânea (onde caberiam várias Notre Dame de Paris) impressiona pelos números. São usados ali 9600 ímanes para forçar os feixes de protões e iões de chumbo a dobrarem as curvas deste túnel circular de 27 quilómetros de circunferência. Estes ímanes estão arrefecidos com 60 toneladas de hélio superfluido até uma temperatura ainda mais baixa do que a do espaço profundo: 271,25 graus negativos, perto do zero absoluto. É o maior frigorífico do mundo (na verdade, bastaria um oitavo da sua capacidade de refrigeração para ter esse título), mas no seu interior atingir-se-ão temperaturas 100.000 vezes superiores às do coração do Sol - embora concentradas num espaço minúsculo, inferior ao de um átomo.
É também o local mais vazio do sistema solar, diz o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), onde está alojado: as partículas subatómicas aceleradas viajam dentro de um tubo tão vazio como o espaço interplanetário: a pressão interna é dez vezes menor que na superfície da Lua, onde os astronautas saltam como cangurus quando tentam andar.
O físico austríaco naturalizado americano Victor Weisskopf descrevia os grandes aceleradores de partículas que começaram a ser construídos nas décadas de 1950 e 60 como 'as catedrais góticas do século XX'", recordou o físico Lawrence Krauss, da Universidade Case Western (Ohio, EUA), num texto no jornal The Guardian. "É uma boa comparação", continuava Krauss. "As catedrais medievais empurraram os limites da tecnologia de então, absorveram o trabalho de milhares de artesãos e levaram gerações (por vezes séculos) a construir. Os modernos aceleradores de partículas envolvem milhares de cientistas de muitos países, que falam dezenas de línguas, e cujo trabalho individual tem de se combinar na perfeição com o dos outros, com uma margem de erro de milésimos de milímetros.
"Mas o LHC não é apenas uma colecção de números impressionante. Os seus objectivos são absolutamente esmagadores. O que se poderia dizer de uma máquina que pretende reproduzir as condições do Universo um bilionésimo de segundo após o Big Bang, o momento em que as sementes da matéria começaram a existir?
A matéria então ainda não era tal como hoje a conhecemos. Ainda não havia átomos, era tudo uma sopa de partículas fundamentais, hoje identificadas como quarks e gluões - um plasma extremamente quente, que preenchia tudo o que tinha começado a existir. Só quando o Universo começou a arrefecer se formaram átomos, primeiro de hidrogénio e hélio, e progressivamente outros mais pesados, à medida que iam sendo fundidos nas fornalhas das estrelas, pela fusão nuclear.
Passados 13.700 milhões de anos, aqui estamos nós, a tentar compreender o que deu origem a tudo - e a fazê-lo com uma máquina, tentando reproduzir em laboratório as condições que se seguiram ao Big Bang.
Com o LHC, os cientistas procuram obter resposta para questões que continuam a vexar a humanidade. Por exemplo, como é que as coisas têm massa? Para terem essa resposta, procuram o muito falado mas nunca detectado bosão de Higgs, que já foi apelidado "a partícula de Deus."
Fonte: Público

Big bang, a música

Pensar que o universo é como uma lengalenga, um crescendo em ritmo cada vez mais endiabrado dá vontade de rir.
Ou talvez não. Bem, o LCH (Large Hadron Collider) é um projecto faraónico que juntou milhares de cientistas do mundo durante 20 anos. Procura simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, há cerca de 13,7 mil milhões de anos atrás, e é considerado a experiência científica do século.
Desde 1996, o CERN construiu, 100 metros debaixo da terra, perto de Genebra, na Suíça, um anel de 27 quilómetros, arrefecido durante dois anos para atingir 271,3 graus negativos. À volta deste anel estão instalados quatro grandes detectores, no interior dos quais vão produzir-se colisões de protões numa velocidade próxima da da luz. Em plena força, 600 milhões de colisões por segundo irão gerar uma floração de partículas tal como aconteceu no início do mundo, algumas das quais nunca puderam ser observadas. No entanto, só daqui a alguns meses, quando se comprovar a evolução do funcionamento, é que haverá colisões de partículas e estarão criadas as condições para o estudo de novos fenómenos, através da recriação das condições que se produziram instantes depois do Big Bang.
O objectivo final desta grande experiência é poder dar resposta a muitas perguntas sobre a origem do Universo, entender por que a matéria é muito mais abundante no Universo do que a anti-matéria, e chegar a descobertas que "mudarão profundamente a nossa visão do Universo", segundo o director do CERN, Robert Aymar. Uma das aspirações dos cientistas é encontrar o hipotético bosão de Higgs, uma partícula que nunca foi detectada com os aceleradores existentes, muito menos potentes que o LHC.
Para já, deliciem-se com a explicação do que é o LHC através de uma canção composta por uma das cientistas do projecto. O videoclip explica, em simples rimas, no que consite a experiência com o LHC e o que se pretende descobrir com ela.

09 setembro 2008

O morto regressa e aparece na TV


Podia ser um livro de Agatha Christie.

Podia ser uma piada de mau gosto.

Podia ser um filme de série B.

Podia ser ficção, mas aconteceu em terras de Sua Majestade.

Um homem, idoso, estava a ver televisão e deu de caras com o pai.

O meu pai?! Mas ainda há pouco foi cremado. Não pode ser.

Depois do choque inicial foi ver e, afinal, era o pai.

Cinco anos depois de cremar o corpo do pai, ele aparece-lhe via TV. Chama-se John Delaney e desapareceu em 2000.

Três anos mais tarde, a polícia descobriu um corpo com características semelhantes, desde as roupas a sinais de nascença. Embora o estado de decomposição do cadáver tenha dificultado o processo de identificação, mesmo assim as autoridades confirmaram que se tratava de Delaney. A família procedeu à cerimónia fúnebre e cremação do corpo.

Com amnésia provocada por uma queda em Abril de 2000, quando foi dado como desaparecido, John Delaney estava a viver numa instituição desde essa data, sem se conseguir lembrar de nenhum pormenor sobre a sua identidade. Depois de ter visto o programa, o filho contactou as autoridades que, após o teste de ADN, confirmaram tratar-se da mesma pessoa.

E se o filho morria de ataque cardíaco ao ver TV?

A polícia de Manchester desculpa-se com a época. Como? Então a polícia das terras de SM engana-se assim? E ainda falam da PJ.


Fonte: Expresso

Alô?... Tá lá?... É do aquecimento global?...

Tá lá? É do aquecimento global? Aqui é do Carbonífero. Sim, sim... É pra dizer que o aquecimento global não está apenas relacionado com as emissões de CO2 produzidas pela indústria e pelo tráfico automóvel. Sim, claro, o melhor é falarem com o Falcon, esse rapaz que estuda a coisa e anda por aqui a meter o nariz.
As florestas fossilizadas que se encontram nas minas de carvão na região do Illinois, Indiana e Kentucky podem ser um testemunho de como as florestas reagem ao aquecimento global. Pelo menos essa é a ideia do cientista inglês Howard Falcon-Lang.
As camadas de florestas fossilizadas que ali se encontram estão separadas temporalmente por poucos milhões de anos. Uma das conclusões mais interessantes é que algumas das camadas são imediatamente anteriores a um período de aquecimento da Terra e outras são imediatamente posteriores. A floresta sofreu uma mudança abrupta nesta passagem.

O papa prémios


Eu não sei quem é, mas que ganha prémios uns atrás dos outros, lá isso... Dizem que escreveu livros cheios de palavrões e que várias vezes ameaçou emigrar, mas que nunca saiu do país. Dizem que é um eterno candidato ao Nobel. Ele diz-se tanta coisa.

este ano foi uma meia dúzia. Aquilo é quase como o euromilhões. O problema é que o plim dá jeito e faz imensa falta quando se é novo. E quando um escritor é novo fica a chuchar no dedo. Ele preferia cigarros. Parecia uma chaminé. Agora diz que é cada vez mais difícil escrever. Então não, cada ano que passa lá sai mais um romance. Nem as árvores de fruto.

Aumentar os medicamentos por embalagem, já!


Em vários países é assim: unidose. Em países bem mais ricos do que nós. Em países onde os salários são bem mais elevados do que os que se praticam por cá. Mas isso para o sector farmacêutico constitui um ultraje e, claro, um perigo. As margens de lucro reduzir-se-ão um pouco. Dizem os desse sector que comprar apenas a dose certa de medicamento prescrita pelo médico não trará benefícios para os doentes. Vejam só a latosa dessa gente.

Como é do domínio público, a indústria farmacêutica não visa o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, as farmácias também não querem nada com o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, os delegados de propaganda médica são muito mal pagos. São, sim senhor.

Como é do domínio público, entre os médicos e a indústria farmacêutica não há nem nunca houve a mínima relação de proximidade - cada macaco no seu galho - pelo que as deslocações a congressos e outras prebendas pagas por laboratórios farmacêuticos é ficção e da mais pura.

Quem faz medicamentos, fá-los pro bono, ou seja, sem esperar gratificação em troca. E se há indústria com problemas em todo o mundo, é a indústria farmacêutica.

Por tudo isso, pobres de nós que apenas teremos de pagar os medicamentos prescritos pelos médicos. E quão perigoso é isso para a nossa saúde. É que os portugueses gostam de ter uma pequena farmácia em casa, composta com os restos (às vezes, restos bem numerosos) das embalagens adquiridas (sempre baratinhas, pois se há quem pense no povo sofredor é precisamente a indústria farmacêutica). E os portugueses também gostam muito de brincar aos médicos e de receitarem a familiares, amigos e vizinhos os medicamentos da farmácia lá de casa. Ora isso, com o sistema da unidose, tem os dias contados e os farmacêuticos sabem como os portugueses vão ficar deprimidos com a retirada dessa brincadeira. Vai daí avisam: Cuidado, tugas. Olhem que assim vão ficar mal servidos.

Devia fazer-se o contrário: aumentar as doses por embalagem, isso sim, é que ia deixar o povo feliz. De resto, a indústria farmacêutica tem na calha uma proposta irrecusável: distribuir os medicamentos de graça.

A noite das facas rombas

Há uns anos, um realizador cujo nome não digo deu brado por ter apresentado um filme todo a preto. Exigiram-lhe que devolvesse os dinheiros que recebera do Estado. E foram poucos, muito poucos os que o defenderam. O realizador morreu.
Agora, temos um primeiro-ministro cuja acção é nula, pelo menos no que respeita à Educação, mas que não perde uma oportunidade de propagandear o nada da sua actuação. E como não podia deixar de ser, usa as estatísticas e as percentagens para mostrar ao país como ele é bom. Mais: os que ontem eram maus hoje já são bons (pelo menos até ás eleições).
O homem tudo diz e tudo faz como se fôssemos cegos e estivéssemos dentro do filme do outro José. Mas onde anda o coro estridente que outrora se levantou?
E quem será que diz sempre ámem?

Será que vivemos na Lua?

Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues conseguiram um milagre: inverteram a taxa de insucesso escolar. Uau! Bué da fixe, meu. Isso é que foi trabalhar. Os alunos sabem o mesmo ou menos, mas o sucesso é cada vez maior. Os alunos (muitos deles) estão cada vez mais baldas, mas no final do ano obtêm sucesso.
Esse tipo de trabalho pode e deve ser seguido por todas as famílias portuguesas no momento de pagar ao fisco. Têm que arranjar uma fórmula que lhes permita inverter os resultados dos seus vencimentos, mostrando ao Estado que vivem abaixo do limiar de pobreza. O que os isentará de contribuir para um governo que mente e deturpa a realidade descaradamente.
Uma nota para as associações do sector: nenhuma comenta a falácia dos resultados. Defendem interesses sugerindo aspectos que devem ser melhorados. Isso é que é falar, hã?
Bem, uma dessas associações coloca o dedo na ferida. "É preciso atacar os problemas que estão na base das retenções. Uns são de carácter social, exteriores à escola, mas outros são internos, como os desajustamentos curriculares e os sistemas de avaliação dos alunos. É aqui que se tem de actuar", diz Mário Nogueira. Quem? O chato de serviço. O mau da fita.

08 setembro 2008

Problemas com o ordenamento do território português 2

Uma das causas do mau ordenamento do território deve-se talvez ao êxodo rural. Grande parte da população da grande Lisboa é migrante (políticos incluídos). E como fugiram à miséria, querem esquecê-la e votam o interior ao abandono. A política não existe para mudar as coisas, mas para uns poucos se governarem, como diz o Zé Povinho, que sabe muito de aldeias, migrações e vergonhas.
O resto do maralhal olha para o umbigo e para o seu quintal e como o interior fica muito longe, encolhe os ombros, puxa um escarro (ou uma larada, como preferirem) e segue adiante. Em comum, o mesmo ódio ao verde e às árvores e o mesmo gosto pelas frases lambidas e pelo betão.

Problemas com o ordenamento do território português

Já sabemos que a política portuguesa é, de um modo geral, má. A política de ordenamento do território não podia ser excepção.
Mais uns anos e o país vai acordar para uma realidade dramática: o deserto. O deserto terá consequências terríveis no erário público. As migalhas que agora se poupam converter-se-ão em milhões gastos para que haja algum equilíbrio. Equilíbrio que é mantido por enquanto pela população idosa que habita o interior do país.
Enquanto o litoral, sobretudo a grande Lisboa, cresce desmesuradamente, o interior despovoa-se e tudo o que é serviço público é desmantelado (quando existe, pois em muitas situações apenas havia escola). Os governantes, que gostam muito do Algarve e desconhecem o país onde vivem, batem palmas pelos trocos que poupam (e que são televisivamente eficazes para efeitos de propaganda).
Repare-se: desde 2000, foram encerradas cerca de um terço das escolas públicas portuguesas. As escolas, que deviam ser pensados como pólos de interacção social, contra a desertificação rural, são fechadas em nome da saúde financeira de um ministério que, diz-se, gasta muito dinheiro (lá fora a realidade é bem diferente, em termos de ordenamento de território) e ainda se vão fechar mais. A política do governo de encerramento de escolas com poucos alunos vai continuar. Há dois anos, o Ministério da Educação anunciou, em relação ao primeiro ciclo, que "no reordenamento da rede escolar, a lista de escolas a encerrar inclui 1418 estabelecimentos, sendo assegurada a transferência dos alunos para 800 novas escolas mais bem apetrechadas ".
Ganda país, hã? Dêem um saltinho à raia espanhola para ver como é. E vejam como há gente, médicos, escolas, delegações bancárias e mais.

Assalto ao Santa Maria - imagens do filme




O autor do guião, João Nunes, disponibiliza algumas fotos de rodagem na sua página.

Assalto ao Santa Maria, novo filme de Francisco Manso

Aos poucos, acontecimentos mais ou menos recentes da História de Portugal são ficcionados e transformados em filme. Não temos a indústria cinematográfica de países como o Reino Unido ou os EUA, pródigos em reflectir esteticamente sobre o quotidiano e a História, mas a pouco e pouco vamos produzindo algum material.
O mais recente é o "Assalto ao Santa Maria", um projecto conjunto de portugueses e galegos, realizado por Francisco Manso. O fime retrata a tomada do paquete Santa Maria por um grupo de revolucionários portugueses e galegos, em 1961, para denunciar os regimes de Salazar e Franco.
As filmagens de "Assalto ao Santa Maria" decorreram entre Cacilhas, Montijo, Barreiro, Lisboa e Viana do Castelo, mas tiveram como principal cenário o interior do navio-hospital Gil Eannes. A embarcação, recorde-se, deu apoio à frota portuguesa de pesca do bacalhau (nos anos 50 e 60), saiu de serviço em meados dos anos 70 e é agora um navio-museu acostado em Viana do Castelo.
A produção é de José Mazeda e a realização de Francisco Manso, que se basearam naquele episódio histórico para apresentar uma história fictícia que suporta o relato histórico dum jovem emigrante português que, em 1960, passa por um período difícil na Venezuela. O acaso coloca no seu caminho o capitão Henrique Galvão, um dos mais proeminentes opositores do regime do ditador Salazar. Fascinado por Galvão, Zé junta-se a um grupo de exilados políticos portugueses e galegos quando estes, sob o comando do militar português, preparam a mais sensacional acção de protesto jamais levada a cabo: o assalto e ocupação do luxuoso e então ultramoderno paquete "Santa Maria", jóia da coroa da marinha mercante nacional, então no seu período de máxima pujança.
O assalto, que começou a 21 de Janeiro de 1961, no porto venezuelano de La Guaira, leva Henrique Galvão e os seus homens a navegar pelo Atlântico Sul durante onze dias inesquecíveis. A acção do filme desenrola-se neste período, durante o qual, perseguidos pela esquadra norte-americana e escrutinados pela imprensa internacional, os assaltantes do "Santa Maria" enfrentaram tensões internas, tentativas de sabotagem e o descontentamento dos passageiros, enquanto tentavam passar ao mundo uma mensagem de liberdade e esperança contra as ditaduras da Península Ibérica.
O filme, que conta com um orçamento de um milhão de euros, tem o apoio, entre outros, do Instituto do Cinema e do Audiovisual, do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual, da RTP, da Televisão da Galiza e da autarquia vianense.
Fonte: JN e SIC

07 setembro 2008

Clean Feed, uma editora de jazz com sede em Portugal


Criada em 2001, a Clean Feed foi eleita em 2007 pela publicação All About Jazz uma das cinco melhores editoras de jazz em todo o mundo. É uma editora portuguesa.
De 19 e 24 de Setembro, ocupará o Living Theatre (em Nova Iorque) para um festival que se destina a promover o seu catálogo e a mostrar um pouco da cultura portuguesa, com mostras de vinho do Porto e de queijos.
O cartaz dos concertos apresenta artistas que gravaram recentemente para Clean Feed, entre os quais os guitarristas Elliot Sharp e Scott Fields, que editaram «Scharfefelder», Michael Dressen Trio, que gravou «Between Shadow and Space», e os músicos Mark Whitecage, Adam Lane e Lou Grassi, que se juntaram para o álbum «Drunk Butterfly».
A Clean Feed dispõe também de um blog. Tudo em inglês. Quiçá por o mercado nacional ser very small.
Em Novembro estarão em Espanha (Barcelona e Madrid) e para o ano deslocam-se a outras paragens. A internacionalização faz parte da sua estrutura, dado que distribui discos para todo o mundo, do Japão aos States, da Polónia à Belgica, passando pelo Reino Unido, Itália, Espanha, Suíça e Alemanha.
Clean Feed detém a Trem Azul, etiqueta de projectos especiais.

A Floresta Unida escreveu-nos

A propósito deste post recebemos um comunicado do departamento de comunicação da Floresta Unida. Ficamos felizes pelo profissionalismo da equipa. Que nos convida a passear pelo sítio. Aqui fica o contacto e os votos de um bom trabalho. O ícone dos objectivos está inacessível, mas no final do mês já deve estar operacional.
O nosso mail encontra-se alojado no perfil. Chega-se lá clicando no canto superior direito.

06 setembro 2008

Chapa C - Llorabas por mi

The Gaslight Anthem - The '59 Sound

The Gaslight Anthem - Drive

Se uma mosca incomoda muita gente...

Os filmes para crianças, quais defensores e amigos da natureza, vendem a ideia de que ratos, formigas, abelhas e outros animais são nossos amigos. Mas não são. São até uns verdadeiros estupores.
Senão veja-se o raio da mosca. Zumbe. Pousa e dejecta onde não deve. Embaraça. Estraga a fruta. No Algarve foram 6 mil (uau!) toneladas de citrinos prò galheiro. Tudo por causa da mosca. Assim, quando alguém te perguntar. Estás com a mosca? O melhor é dizer que não. Evita o recurso ao insecticida ou desparasitante e não se sente culpado pelo preço a que chegarão laranjas, clementinas e limões ao mercado.
O presidente da União de Produtores Hortofrutícolas do Algarve (Uniprofrutal) nem dorme sossegado por causa da mosca. Diz ele que «Se não conseguirmos conter a mosca da fruta, as populações destas pragas vão crescer de forma geométrica e matar as culturas frutícolas de todo o país». Estão a ver como é? A mosca chateia-nos em casa e a gente, para exigir um subsídio, um apoio, solidariedade, enche logo a boca com Portugal inteiro.
Arre, mosca, vai chatear outro.

05 setembro 2008

Mais polícias pra quê?

Os Ladrões de Bicicletas dão algumas pistas. Os Zero de Conduta também. Nem toda a gente pensa que mais polícias é sinónimo de mais segurança. Há quem tema que seja precisamente o contrário.
São duas amostras muito significativas. Transcrevesmos algumas linhas de ambos, para poupar o trabalho aos mais cansados.
In Zero de Conduta:
«Não é aceitável suspender a presunção de inocência de todos os moradores de um bairro pelo simples facto de que, vivendo num bairro social, encaixam na percepção pública sobre a origem da criminalidade e marginalidade. Mas foi isso que aconteceu. Para sossegar a consciência de quem está a ver o noticiário da noite, milhares de pessoas têm sido impedidas de entrar ou sair do seu bairro, são revistadas, interrogadas, casas são reviradas do avesso e temos helicópteros a rasar os tectos ia a madrugada bem alta. Bairros inteiros foram conotados, perante o país, como sendo os responsáveis pelo crime violento que tem assaltados as televisões nos últimos dias. A PSP diz que escolhe os locais das suas acções com “base cientifica”. Estranha ciência que começa e acaba nos bairros sociais, onde as pessoas não têm acesso privilegiado à comunicação social, a advogados ou aos meios de defesa que abundam em qualquer condomínio ou bairro da classe média. Mas, no que é que tem dado esta ímpar mobilização dos recursos do Estado e a convocação científica da polícia? De acordo com os números fornecidos pela própria PSP, a mobilização de mais de 1100 agentes, durante vários dias na zona de Lisboa e Porto, conduziu à apreensão de 8 armas e fogo e 3 armas brancas...»
In Ladrões de Bicicletas:
«Portugal tem um polícia para cada 227 habitantes, quando a média europeia é de um para 350. E o governo, num contexto de suposta contenção orçamental, prometeu formar mais dois mil polícias nos próximos tempos, assinalando assim a sua aposta num reforço muito selectivo da provisão pública. A segurança privada, por sua vez, é um dos poucos sectores económicos a registar um crescimento assinalável nos últimos anos de estagnação económica, expandindo-se com apoio do Estado, já que o sector público tem um peso de 30% na facturação do sector.»

O amanhã será sempre verde. Hoje está um pouco cinza

Há palavras cujo valor simbólico é muito forte. Embora aquilo que designam seja extenso e, portanto, ambíguo. Livro e árvore são dois exemplos de palavras fortes. Diz-se livro e toda a gente dá uma cabeçada religiosa, como se livro fosse o nome de algum deus. Diz-se árvore e a cabeçada é do mesmo quilate.
A iniciativa de que agora tomamos conhecimento é simbolicamente poderosa: que ideia feliz, pensamos. Mesmo sem saber a que tipo de árvores nos referimos. Algumas há, como os eucaliptos, que são nocivas para os solos.
Ranhosos, chatos serão alguns dos adjectivos pouco abonatórios que nos atirarão. E nós só podemos dizer, parafraseando o mentor dos avantes: Olhem que não, olhem que não. A alegria é muita: plantar 100 milhões de árvores até 2030 é fantástico. E até 2050, quantas?
O melhor de tudo é a internacionalização da ideia: Chile, Espanha, Itália, Grécia e Moçambique. Fantástico!
Tudo ideia de um português que pretende plantar 400 milhões de árvores em todo o mundo. Daqui a 22 anos, teremos o mundo cheio de árvores plantadas segundo uma ideia portuguesa. Caso para o livro de recordes com nome de cerveja.
A notícia, de si tão apelativa, revela-se pouco esclarecedora. O plantio destina-se a quê? Árvores de abate? Pasta de papel? Faltam dados, meninas e meninos. Faltam dados.
Quanto ao nome, soa bem: "Floresta Unida". Parece um partido político que mistura interesses de centro-direita com centro-esquerda.
Bem, agora a sério, os números também são simbolicamente poderosos. Não seria melhor proporem 500 milhões até 2050? Estão a ver, 500 - 50? Ficava mais bonito, do que 400 -30. É apenas uma sugestão.

O asteróide 2008 KV42


Os astrónomos detectaram um asteróide curioso, que anda à volta do Sol no sentido inverso aos dos restantes corpos do Sistema Solar. A descoberta pode ajudar a explicar a origem da família de cometas como o Halley e ser o elo perdido que há muito se procurava.O ‘novo’ asteróide, baptizado com a designação de 2008 KV42, encontra-se na cintura de Kuiper, um anel de corpos gelados além de Neptuno, a descrever uma órbita que é quase perpendicular às órbitas dos planetas, com uma inclinação de 104 graus. A descoberta data de 31 Maio, dia em que os investigadores do grupo de Investigação Franco-Canadiana do Plano Eliptíco (IFPE) detectaram, pela primeira vez, o corpo ‘rebelde’, enquanto procuravam corpos trans-neptunianos em órbita com inclinação elevada, usando, para o efeito, o telescópio Canadá-França-Havai.
As primeiras observações permitiram concluir que possuía 50 quilómetros de diâmetro e que descrevia uma órbita invulgar, mas será necessário recorrer a outros telescópios para confirmar se é ou não o elo que faltava entre a Nuvem de Oort e os cometas do tipo do Halley.
Continua a não ser claro de onde vêm os cometas desse tipo. Os modelos de computador sugerem que há duas hipóteses para os locais de origem: a cintura de Kuiper (onde o 2008 KV42 foi agora descoberto) ou a distante Nuvem de Oort, uma região de corpos gelados a uma distância entre 20 mil UA e 200 mil UA do Sol (uma UA - Unidade Astronómica equivalente à distância média entre a Terra e o Sol).
A órbita do 2008 KV 42 parece estar estável há centenas de milhares de anos, mas os astrónomos acreditam que as suas características particulares podem indicar que foi trazido para o Sistema Solar a partir da Nuvem de Oort. Caso fosse esta realmente a origem do 2008 KV42, seria finalmente possível mostrar como ocorre a transição de corpos celestes até que se tornem em cometas como os do tipo do Halley.
Para Brett Gladman, um dos investigadores do IFPE o ‘novo’ corpo apresenta grandes semelhanças com este tipo de cometas, que também viajam “ao contrário” e apresentam órbitas de inclinação acentuada.
Até agora as órbitas dos asteróides na região para lá da órbita de Neptuno têm fornecido importantes pistas sobre como o exterior do Sistema Solar tomou forma e evoluiu. Os corpos celestes descobertos são novas pistas para traçar a história do início do Sistema Solar e desafiam até algumas teorias já aceites.
O 2008 KV42 promete fazer isso mesmo. Um dos investigadores do projecto, JJ Kavelars, reforça a importância deste achado “apesar de estarmos especificamente à procura de corpos trans-neptunianos já há algum tempo, nunca esperámos encontrar um que descrevesse uma órbita ao contrário.” Até agora este é o primeiro corpo celeste na região para lá de Neptuno a ‘seguir naquela direcção’. A equipa que o descobriu já o apelidou de Drac, diminutivo de Drácula, pois a órbita ‘lateral’ deste corpo celeste dá a impressão que pode andar pelas paredes e que, além de um carácter ‘rebelde’, tem poderes mágicos tal como os vampiros.
Fonte: Público

“Slacker Uprising”, de Michael Moore

“Slacker Uprising” é o nome do documentário de Michael Moore. Aborda o tema da abstenção dos jovens nas eleições presidenciais nos EUA, em 2004.
Dia 23 estará disponível na Internet para download, antes de chegar ao mercado dos DVD. Mas pode fazer o dito cujo quem estiver a residir nos EUA ou no Canadá. O people dos outros países terá de se contentar com o trailer no youtube.

Um negócio de milhões com produtos de fraca qualidade

A generalidade dos manuais do ensino básico é má. Excesso de imagem, estruturação confusa das páginas, numa linguagem nem sempre clara. São, além disso, livros pesados, caros, muito coloridos. Que constituem, indubitavelmente, um dos maiores negócios editoriais do país. O número é significativo (80 milhões), mas deixa de fora cadernos e livros auxiliares que o fariam crescer ainda mais. É muito dinheiro, para tão fracos resultados (a qualidade das sebentas que milhares de alunoscarregam diariamente nas mochilas).
Com excepção de uma ou outra editora entretanto desaparecida, os professores limitam-se a optar (no momento da selecção) pelos manuais das editoras do costume. E apesar de se falar de material electrónico, o que há é ainda incipiente. Os cd-rom que algumas editoras oferecem são bem o espelho do atraso.
Os alunos e os professores dispõem hoje de uma preciosa fonte de informação: a net. Mas, para os conteúdos específicos das diferentes disciplinas, a net revela-se pobre em material redigido em português de Portugal. Além de que a garantia científica da informação que a net disponibiliza deixa muito a desejar.
No entanto, uma ou outra escola, tem entre o corpo docente quem esteja a dar cartas na elaboração de materiais didácticos atractivos e eficientes. Material que aindanão foi aproveitado pelas velhas editoras. Espera-se que apareça quem veja aí um negócio e avance. Todos teriam a ganhar: alunos, professores, pais.

04 setembro 2008

O casamento de Maomé com uma rapariga de 6 anos


O romance da escritora Sherry Jones sobre o casamento do profeta Maomé com uma menina de seis anos sairá no Reino Unido em Outubro por uma nova editora (a Gibson Square), depois de a publicação ter sido adiada por receio de represálias.
A Random House recusou-se em Agosto a editar "The Jewel of Medina", romance de estreia da jornalista e escritora norte-americana Sherry Jones, alegando que podia incitar à violência entre grupos radicais islâmicos.
A escritora, de 46 anos, disse que o livro será publicado ainda em Espanha, Alemanha, Itália, Brasil e Hungria.
"The Jewel of Medina" conta a história de Aisha, desde o seu casamento com Maomé – quando tinha apenas seis anos – até à morte do profeta.
O editor Martin Rynja, da Gibson Square, afirmou em comunicado que a obra de Sherry Jones se tornou num "importante barómetro do nosso tempo". "Esta história de amor é conhecida no mundo muçulmano, mas completamente desconhecida entre os leitores do Ocidente", disse.
Sherry Jones também já concluiu uma sequela do romance, relatando a vida da sua personagem após a morte do marido.
Gibson Square é conhecida por ter publicado, por exemplo, o livro "Blowing up Russia", do agente russo Alexander Litvinenko, assassinado por envenenamento, e prepara-se para lançar "Hard Call", do senador republicano e veterano de guerra John McCain, candidato às presidenciais nos Estados Unidos.

The Verve - Drugs Don't Work

The Verve - Bittersweet Symphony

The Verve- Lucky Man

The Verve - Love Is Noise

O marasmo da Terceira espelhado nos candidatos do PS

A História, os livros, os filmes mostram como é: a troco de uns centavos, milhares vendem a alma ao diabo. A subsidio-dependência é um dos lados da coisa. E aqui, nesta ilha de Jesus Cristo, devem ser muitos os que dependem do governo regional. Senão, veja-se: Carlos César esteve ontem aos gritos na Praia da Vitória, a demonstrar o quanto o seu governo tem feito pela Terceira. Eu, que vivo cá, mas também vou a S. Miguel, vejo como a Terceira é uma pálida amostra do que foi. Vejo como as obras do governo cegaram o maralhal. Vejo. E ou sou completamente cego ou a Terceira está agonizante. E durante a próxima legislatura assim deve continuar. O mínimo que se pode dizer da lista de candidatos que o PS apresentou é que dá logo vontade de bocejar. Que miséria. Ou a prova provada do marasmo que se vive na ilha.

O fim do mundo, parte 2

O mundo, oh!...oh!... O mundo está a desfazer-se aos bocados. Vejam, incrédulos, vejam como é. E preparem-se! A minha fúria é devastadora. (O actor, com as suas barbas ensopadas em ketchup, cospe perdigotos a uma velocidade assustadora. A câmara fica pejada de pedacinhos de pão e carne picada. )

O fim do mundo


Preparem-se!!! (aqui devia haver o rufar de centenas de tambores e um ou outro som estridente) O fim do mundo está próximo. Daqui a quatro anos, plof, plof (nós aqui no pisca temos um telemóvel permanentemente ligado ao concílio dos deuses, onde estas coisas se decidem).

A culpa é dos Maias, esses infiéis do novo mundo, que há muitos séculos fizeram a previsão. Dia 21 de Dezembro de 2012 (21-12-12). Nesse solestício a Terra estará alinhada com o Sol e com o centro da Via Láctea. Tempestades, vulcões, tsunamis e muitas outras tragédias ocorrerão (ouviram-se no telemóvel uns ruídos estranhos, como se a CIA ou o SIS estivessem a escutar tudo).

Não acredita, então veja pelos seus próprios olhos como há quem se entregue piamente a tudo isso (o problema dos telemóveis é que são muito baratos e toda a gente tem um, depois é o que se vê). Até há um pequeno documentário (realizado nesse dia, mês e ano de 2012 por um agente especial cá da casa que se infiltrou no futuro).

Tremam, tremam que o fim do mundo é já hoje: basta dar um passeio pelo world wide web.

O que parece nem sempre é

Já foi dito e nós repetimos: a tendência centralizadora e controleira do Ministério da Educação faz com que medidas avulso (como as que periodicamente anunciam) tenham poucos resultados. Porque sem critério. Porque deixam de fora os que querem e incluem os que desprezam o sistema. Não há nada pior para combater a miséria do que passar a ideia de que o Estado dá. A miséria alastra e o que era mau fica pior. Mas isso que importa, se apenas se tem em vista a propaganda?
Reparem, quando os agentes no terreno (professores, escolas) tentam contornar processos burocráticos para combater o abandono escolar são quase sempre coarctados pelas Direcções Regionais. Porque desconfiam de quem trabalha directamente com os alunos. Há a ideia de que quem está nos gabinetes (quantos para fugirem à leccionação?) é que sabe.
O governo deve disponibilizar verbas, sim. Mas deve deixar às escolas o modus operandi. As medidas agora anunciadas são necessárias. Mas não será por isso que o abandono escolar diminuirá, sobretudo com a crise de emprego que o país atravessa. Será bom não esquecer que crianças e adolescentes que abandonam a escola o fazem sempre com a cumplicidade dos pais. Por necessidade ou por valores que o neo-liberalismo tanto gosta de apregoar.

03 setembro 2008

O povinho é mesmo tosco

Não é que o Sua Exa. o Primeiro-Ministro da República Portuguesa foi ali ao lado de casa ver uma escola, para mostrar ao país como a prioridade das prioridades do seu governo é a educação e deu de caras com uns contentores.
"É ali que os alunos vão ter aulas? Pensei que fossem os contentores das obras" disse, à chegada ao Liceu Pedro Nunes.
Lurdinhas, pressurosa, saiu-se com esta: “São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui."
O povinho é mesmo tosco, gosta é de estar entalado, ser maltratado, diminuído. De facto, só interessa em período eleitoral. De resto tem as lurdinhas que merece. E a Lurdinhas é tão querida, tão querida. Parece mesmo saída do Tal-Canal.
Ela e Sua Exa. podem continuar a dizer que a área "prioritária" do Governo é a educação, porque vão gastar 400 milhões de euros no Plano Tecnológico. Mas que se nota logo a marosca, lá isso…

Durs Grünbein




Que os rituais podem ser mortíferos, mesmo entre cristãos,
Eis o que nos mostra uma triste nova vinda da África do Sul.
Durante um baptismo num rio da Suazilândia,

Um jovem negro afogou-se. Ainda a oração
Do padre não tinha chegado ao fim, já a corrente o arrastava
Rio abaixo, por entre rochas pontiagudas. Os fiéis

Perderam-no de vista em segundos. A cabeça,
Como um melão, foi levada para o centro, afundando-se depois
Num tirbilhão mais forte. Metade cristão,

Metade ainda pagão, desapareceu entre as duas margens,
Nas ondas turvas, até receber agonizante
O sacramento do crocodilo.



(Aos Queridos Mortos, 2004, tradução de Fernando Matos Oliveira)

Carlos Poças Falcão


1.

Não sei adivinhar as tempestades.
No fim de uma estação as borboletas morrem
e o vento quebra nas varandas altas.
É por trás dos vidros que então nos defendemos
de todas as surpresas: morremos de antemão.
E sob a trovoada
assombra-nos o voo dos pássaros à chuva.


2.

Todos sabemos acender um fósforo
a quem nos pede lume.

Talvez fosse uma conversa
possível até ao fim. Mas o mais vulgar
é ficarmos onde estamos
com o fósforo aceso à beira do rosto

– e antes de haver tempo
a chama queima os dedos.


3.

Pequenos negócios, olhares lançados
sem dilatação. Dedos a tocar
mármores tão frios. Sombras sem memória
de mesas de cafés. Tudo apagamentos
– assim como um jornal
embrulha mais um dia.


(Coração Alcantilado, 2007)

Filipa Leal


Afinal, a memória


Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.

(O Problema de Ser Norte, 2008)

Gone, Yet Still, de Terence Koh, dá processo



Arte e cristãos parecem andar de candeias às avessas. Depois de dois casos recentes já aqui referidos, surge agora um processo judicial contra um Museu, por ter exposto uma instalação escultórica onde, entre muitas outras figuras, se pode um Cristo em erecção.
O assunto reporta-se ao Centro Báltico de Arte Contemporânea que, entre Setembro de 2007 e Janeiro de 2008, exibiu a instalação intitulada "Gone, Yet Still", obra do artista chinês Terence Koh, que integrava, além de Cristo, esculturas de outros ícones com uma erecção, como o Mickey e o ET.
Uma mulher de 40 anos viu e não gostou. Apresentou queixa contra o museu. O Centro Legal Cristão (CLC) aceitou assumir as despesas da acção judicial, porque, dizem, "a estátua não serve para outra coisa do que ofender os cristãos e denegrir a imagem de Cristo".

Loucura? Adrenalina? Jazz

Ascensores de Lisboa sobem e descem ao som do jazz. Ai, que perigo. Isso é muita adrenalina para quem usa os ascensores. Então se o ritmo for avassalador, free, vai ser um tal vomitar. O melhor é não subirem nem descerem ao ritmo do, mas fazerem-no tão-só com música de fundo. Os músicos escondem-se nos cantos do elevador e prontos!

Agora a sério, durante quatro sábados, em Setembro, os passageiros dos ascensores da Bica, Lavra, Glória e Santa Justa têm música ao vivo. Já no dia 6, poderão desfrutar dos acordes de Gonçalo Leonardo (contrabaixo), Gonçalves Marques (trompete), Nuno Martinho (guitarra) e Tiago Batista (guitarra), no elevador da Glória.

No dia 13, a cantora Mariana Norton, com o contrabaixista André Carvalho, o guitarrista André Santos, o saxofonista Daniel Vieira, o baterista Miguel Moreira e quem mais couber estarão no elevador de Santa Justa.

A 20, no elevador da Bica estarão André Santos, Bruno Pernadas (guitarra), Daniel Vieira (saxofone) e Pedro Pinto (contrabaixo).

E a 27, no Ascensor da Lavra "picam" bilhete os repetentes André Santos e Bruno Pernadas, além de César Cardoso (saxofone) e Zé Maria (saxofone).

02 setembro 2008

Alvor Flor do Sol, o barco solar


Com 11 metros de comprimento e uma lotação de 14 pessoas, o barco «Alvor Flor do Sol», que não precisa de combustível, navegou durante duas horas na Ria Formosa, junto a Faro.

Equipado com 15 painéis solares e 12 baterias, o barco é obra da empresa «Alvor Boat Trips», detida pelo casal luso-irlandês: Róisín O´Hagan e Luís Lourenço. O autor do projecto foi Jorge Severino.

A embarcação destina-se a passeios turísticos entre Alvor, Portimão e Lagos.


Não é o barco da imagem, um dos modelos da empresa australiana Solarsailor, que chegará aos mares no próximo ano. Poderão vê-lo em águas da China e dos EUA.


1,65 milhões e fazemos as malas


Já aqui falámos de leilões, de fortunas, de misérias, de grilos, de galinhas, de porcos, eu sei lá. Falamos, gostamos de dar ao dedo, de teclar, tch-tch-tch, com fúria e com suavidade. E porque para teclar temos de dar uso aos que a terra há-de comer, demos com isto. Isto é muito milhão por um rapazito.
Por 10% não nos importamos de ir apanhar bolas. Aqui fica a informação para os risonhos magnatas do... do... do Manchester City, carago. De resto, solicitamos um T4 duplex bem equipado e uma bicicleta com impermeável. Coisa pouca para uma transferência tão significativa.
Podem escrever-nos para aqui. Tks.

O kueê? Que dizes José Pinto de Sousa?

Que o Zé da Rua fale do modo como costuma falar, é natural. Faz parte da natureza do Zé. Que o José Pinto de Sousa o diga soa mal. Porque o senhor JPS tem obrigação de definir um programa político. O busílis está precisamente nisso. Não há política educativa em Portugal. O governo limita-se a gerir orçamentos. Sempre com os olhos postos na poupança, sobretudo quando se trata de agentes educativos. Pois em se tratando de cimento ou da soit disant tecnologia, a coisa pia de outra maneira (é socialmente mais rentável).
Disse o senhor José Pinto de Sousa que "O tempo da facilidade acabou". Que facilidade? Deve estar enganado. Que eu me recorde em ano nenhum houve facilidade. Sempre houve problemas. Sempre. E continuam. Quem quer que os filhos aprenda e tem possibilidades económicas escolhe. Quem quer que os filhos aprenda e não tem tantas possibilidades económicas ajuda-os e às vezes aposta em reforços como explicações. A maralha sempre esteve e continuará indiferente. Não teve nem tem outras perspectivas que não seja a de uns trocados. Está-se nas tintas que profissionais cuja formação foi em grande parte paga pelo dinheiro dos contribuintes esteja ou não desempregada.
O senhor JPS, cuja formação profissional, como todos sabem, deixa muito a desejar (em tirando, claro, habilidade partidária para trepar) fala como o Zé porque, no fundo, é como o Zé. Não acredita que o país alguma vez melhore e tudo faz para salvaguardar a sua vidinha.
O Estado não contrata porque o governo define as regras. E as regras são claras: recursos humanos - poupar; obras, espectáculo, propaganda - gastar à grande. O resto, como o Zé e o JPS sabem, é retórica, é para inglês ver.

Fossil Fuels, a cerveja com sabor a cravo


Pelo título somos levados a pensar num novo tipo de combustível. Mas, na verdade, trata-se de uma cerveja.
Cerveja elaborada, diz-se, a partir de uma levedura encontrada num fragmento de âmbar pelo microbiólogo Raúl Cano.
A levedura tem 25 a 45 milhões de anos. E ao ser retirada do âmbar continuou a reproduzir-se. Vai daí o director do Instituto de Biotecnologia Meio-ambiental da Universidade Politécnica da Califórnia, resolveu produzir uma cerveja cujo produto da venda financie as suas pesquisas em biocombustíveis.
A coisa está a correr bem. E há quem aprecie o sabor a cravo da cerveja.

Fonte: El País

Ano lectivo 2008-2009

Começa o ano escolar e lá temos de aturar a retórica dos ministros sobre educação.
A precariedade é geral. Mas isso que importa? Se é geral...
Com a precariedade vem o medo. Educar debaixo de tensão, como se sabe, faz bem à saúde. E contribui para o enriquecimento do país: mais medicamentos, mais consultas médicas pagas, mais análises...
Abençoados professores. Ganham pouco, trabalham que se fartam e uns milhares fazem-no anualmente com a corda na garganta.
Sócrates rejubila. Para ele tudo se resolve com cheques e choques tecnológicos. Afinal, ele deu umas aulas e conhece por dentro a coisa. O que lhe faltou para ter sido bom professor foi tecnologia. Ou então saber inglês.
Para Maria de Lurdes Rodrigues tudo corre sobre rodas. E como o governo se esforça muito, os alunos, coitados, com pena dessa gente, correspondem e os resultados têm sido supersónicos.

01 setembro 2008

A segurança no país de Sócrates

Depois da acção eficaz, célere, limpa, extraordinária, exemplar (e demais adjectivos que entendam por bem acrescentar) do governo de Sócrates, a segurança regressou.
Quem andava com insónias, stressado, desassossegado, borrado de medo, já pode relaxar. Sócrates falou. E porque falou e disse a verdade, os portugueses podem dormir descansados. O governo tudo faz em prol da segurança e do bem-estar de todos.
Eu cá acho que Portugal devia entrar no Guiness como o país com os líderes institucionais mais cómicos do mundo. Sócrates é um ponto. Tão engraçado, tão engraçado que até parece um comentador televisivo.

Quarenta mil

Este ano são 40 mil que ficam a olhar para as estrelas e a ouvir o nosso líder espiritual Sócrates, José, para quem o governo está sempre em cima dos acontecimentos.
Sócrates preside a um governo que fala pouco e age muito. Por isso, andam os portugueses enganados quando falam em crise. Qual crise, qual carapuça? Portugal vive um dos melhores momentos da sua História.
O único senão do discurso de Sócrates é fazer lembrar uma campanha publicitária de adsl: parece gratuito e continua exageradamente caro.

Urgentemente


31 agosto 2008

Vigiar vigiar vigiar

Numa democracia há, supostamente, direitos e garantias. Mas em nome da suposta segurança do cidadão continua-se a diminuir aquilo em que assentam as constituições de vários países: os direitos do homem. E a coisa começa a ficar feia. Vasco Pulido Valente põe o dedo na ferida, no seu artigo do Público. Ora leiam lá:
«O Presidente da República promulgou a Lei de Segurança Interna, que, como já se sabe, cria um "secretário--geral de segurança", nomeado pelo primeiro-ministro e perante ele directamente responsável. Em princípio, o secretário-geral de segurança, com a categoria de secretário de Estado, tem uma autoridade eminente sobre a PJ, a GNR e a PSP e acesso à informação que, por acaso ou desígnio, elas recolherem. Este sistema, em si próprio confuso e manifestamente perigoso, põe o primeiro-ministro na posição ambígua de um superpolícia, que ninguém vigia e a que ninguém pede contas. Mesmo assim, o prof. Cavaco não viu nisto qualquer perigo para a liberdade dos portugueses. Nem - é bom dizer - o dr. Mário Soares, para quem, hoje em dia, Sócrates nunca erra.
Pior do que isso: depois do cartão "1 em 4" (ou "1 em 5", não sei ao certo), uma ingerência inadmissível na privacidade do cidadão, que foi um fiasco prático, mas não deixa de ser um abuso político, o Governo resolveu agora introduzir, obrigatoriamente, um chip em cada automóvel. Não se conhece ainda em pormenor a capacidade do chip e o que se pretende dele. O chip tanto pode servir para um fim inócuo, identificar um carro in situ, por exemplo, como para seguir esse carro por Portugal inteiro, coisa que permitiria ao secretário-geral da segurança e, por consequência, ao primeiro-ministro, averiguar em profundidade e pormenor a nossa suspeitíssima vida. Cavaco acha o assunto "melindroso". E a Comissão Nacional de Protecção de Dados, num gesto de uma futilidade, pede que o "alcance" do chip não passe de um "alcance local". Estará a pensar em Vizela ou na Grande Lisboa e no Grande Porto? »

O regresso de Christiane F.


Era uma vez uma menina. A menina drogava-se. Chutava forte e feio. Era completamente viciada. E tornou-se uma celebridade internacional porque contou num livro a sua vidinha. O livro foi um sucesso. O título original "Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo", deu na nossa língua "Christiane F. - Os Filhos da Droga" (1979). E teve várias edições. A autora correu meio mundo, por causa do livro e do filme que fizeram. E porque se tornou cantora (veja tudo neste sítio, com muita iconografia) e actriz. Christiane F. reforma-se em 1985 e passa a viver de rendimentos. Tinha 23 anos. Tudo parecia correr bem, não fora o vício.
Christiane Vera Felscherinow, iniciada na heroína pelo namorado, e que recorria à prostituição para sustentar o vício, voltou aos escaparates este mês, quando as autoridades lhe retiraram a custódia do filho.

Quase 30 anos depois de os Filhos da Droga, a vida dela daria outro livro: "Christiane F. - Os pais da droga". Tão sórdido como o primeiro.
Em 1996 tornou-se mãe. Tinha 34 anos. Aos 46, após ter falhado múltiplas desintoxicações, não escapou à degradação do vício – tem hepatite C, faz hemodiálise e já nem sequer pode injectar por falta de veias capazes – e retiraram-lhe o filho por "incapacidade".
O novo drama começou este ano, quando ela e o namorado, Joachim S., de 37 anos, decidiram emigrar para a Holanda, levando a criança. Como a Justiça alemã lhe retirou o filho, ela sequestrou-o, fugindo para Amesterdão. Mas, na capital holandesa, regressou à heroína e, após uma zanga com Joachim, voltou à Alemanha em Junho. O Tribunal de Menores retirou-lhe a custódia de Niklas, que só poderá voltar ao convívio com a mãe caso ela recupere da dependência.
É pouco provável. Segundo a imprensa local, Christiane procura as antigas amizades da seringa, pernoita em casa de amigos e frequenta uma praça de Berlim famosa pelo tráfico. E Joachim declarou à "Der Spiegel" que ela snifava heroína regularmente e bebia muito álcool. Fiel, de resto, ao seu princípio. Em entrevista ao semanário holandês "De Limburger", em 2005, afirmou: "Nunca quis ser exemplo para ninguém; acho que cada um deve saber o que faz".

29 agosto 2008

Os achados de Coriscada (Mêda)







Uma campanha arqueológica no Vale do Mouro, Coriscada, revelou um povoamento neolítico com sete mil anos e permitiu descobrir uma aldeia romana que os arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.
Quando se pensava que o local, no concelho da Mêda (distrito da Guarda), teria tido apenas duas ocupações – nos séculos III e IV depois de Cristo (d.C.) –, as escavações de 2008 revelaram novos achados do período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.
Uma equipa coordenada pelos arqueólogos António Sá Coixão e Tony Silvino iniciou as campanhas de investigação no Vale do Mouro em 2003. Sá Coixão acredita que "como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, estas descobertas vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano 'pobretanas' onde não se podia viver bem".
"Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma vila [quinta] e já no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho, prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias", explicou o arqueólogo.
Sá Coixão admite que, numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de operários livres criando um 'Vicus' [aldeia] onde os deuses e festividades passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história conhecida da aldeia romana, defende.
Numa recente visita a este local, o professor catedrático e investigador de Pré-História e Arqueologia Jorge de Alarcão afirmou que "teria que reescrever tudo sobre o Portugal rural romano", conta.
Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em 2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca encontrado em regiões interiores de Portugal. No último dia de campanha de 2007, fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta 'endinheirada' de um tesouro monetário com cerca de cinco mil moedas (4526), provavelmente envoltas num saco, tendo sido encontrado um resto de tecido que surpreendeu os arqueólogos pela sua sobrevivência.
Fonte: Público

Mais uma dor de cabeça para a Igreja?

«O Alentejo será palco, dentro de quatro semanas, do I Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos. A organização é do Rumos Novos, um movimento com sítio na Internet. São esperados membros de, pelo menos, sete grupos espanhóis e a hierarquia da Igreja já foi informada.
A 27 e 28 de Setembro, Évora será ponto de romaria de homossexuais de Portugal e de Espanha que assumem a sua condição de católicos (entre outras correntes cristãs). A hierarquia eclesiástica portuguesa já foi informada da iniciativa e ao arcebispo de Évora foi mesmo pedido o serviço de um sacerdote, para assistência espiritual. Os organizadores enviaram convites aos diversos partidos políticos.»
Fonte: Expresso

A velocidade da mosca


Por que é que é tão difícil acertar numa mosca?

Michael Dickinson, um cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriu porquê. Este especialista na biomecânica do voo dos insectos (uma área importante para desenvolver novas máquinas voadoras, por exemplo) descobriu que o pequeno cérebro das moscas calcula a localização da ameaça iminente (um mata-moscas ou uma mão estendida), determina uma rota de fuga e coloca as pernas na posição óptima para saltar do sítio onde está - tudo nuns meros 100 milissegundos.

A explicação vem na revista científica Current Biology. Um excerto pode ser lido clicando na imagem, ou passando por aqui ou aqui.

A Igreja anda nervosa




As coisas não estão a correr bem. Depois de Itália, chega notícia do Brasil. Tudo por causa de uma foto.

«A fotografia da actriz Carol Castro, seminua e com um rosário nas mãos, publicada na Playboy de Agosto, causou enorme polémica no Brasil: A Igreja recorreu aos tribunais mas a revista continua à venda.
O juiz Oswaldo Henrique Freixinho, através de uma providência cautelar, deu provimento parcial a uma petição do grupo católico Juventude pela Vida e do sacerdote Luiz Carlos Lodi Da Cruz que exigiam que a revista fosse retirada das bancas por conter una fotografia que, na sua opinião, ofende os valores religiosos e os fiéis católicos.
O juiz, todavia, só proibiu a distribuição de "novas revistas" com a foto impugnada sob pena de multa diária de mil reais (cerca de 423 euros).»
Fonte: JN

O Cristo


Fotocomposição de alexandrecelta

28 agosto 2008

Porno para Ricardo é uma banda de Gorki Aguila

Um terrorista cubano cuja arma é... a palavra. A palavra cantada. As canções da banda Porno para Ricardo não são grande espingarda, mas em Cuba a coisa pia doutra maneira e o autor da gracinha já por mais de uma vez viveu em calabouços por causa disso.




O sapo do escândalo


Uma escultura de madeira com um sapo verde crucificado, do artista alemão Martin Kippenberg, exposta no Museion, Museu de Arte Contemporânea em Bolzano, norte de Itália, provocou a ira do Papa Bento XVI.
Pois é, para o papa a iconografia é mais importante do que o resto. Afinal, há imensos fiéis e esses reagirão mal quando souberem da blasfémia. Talibãs, fundamentalistas e esta linha que Bento XVI encarna tão bem preocupam-se mais com arte e semãntica do que com outras coisas. É a vida... actual.

85 cêntimos por dia para sobreviver

«De acordo com o relatório do BM [Banco Mundial] divulgado ontem, cerca de 1400 milhões de pessoas (uma em quatro) no mundo em desenvolvimento vive com menos de 1,25 dólares (cerca de 0,85 euros) por dia. A estimativa reporta--se a 2005 e significa uma revisão em alta da última previsão do banco, que apontava para 985 milhões a viver abaixo do limiar da pobreza.
A diferença de valores explica-se devido a uma revisão do conceito de linha de pobreza. Depois de ter observado que o custo de vida nos países em desenvolvimento é mais elevado do que pensava, o BM ajustou de um dólar para 1,25 o nível para medir a linha de pobreza.
Contudo, as "novas estimativas não reflectem ainda o impacto potencialmente grande nos pobres da escalada dos preços do petróleo e dos alimentos desde 2005", adverte o BM. De acordo com a instituição, mais de 100 milhões de pessoas podem descer abaixo do limiar de pobreza.»
Fonte: Público de hoje

Cavaco inquieto com quê?

O senhor presidente vive no mundo da lua? Não. Vive em Portugal e embora os portugueses sejam dados à fantasia Cavaco Silca sabe onde vive. E sabe que quando o plim escasseia numa sociedade que faz apelo constante ao consumo (de atitudes, de marcas, de produtos) o pequeno crime dispara, pois para arranjar plim recorre-se à violência. Que, por sinal, continua bastante fotogénica. Não há estação televisiva ou jornal que deixe passar a coisa. Mas isso, caros leitores, são trocos.
O grande crime é praticado pelo colarinho branco e não parece inquietar particularmente o senhor Cavaco Silva. Quando o Estado gasta fortunas a pagar obras orçamentadas por metade do custo global real ou quando supostos gestores se fazem pagar petrodolarmente o silêncio é de lei. Isto para não falarmos de outros extrupos e piratarias levadas a cabo pelos cúmplices que estão à frente de ministérios, secretarias de estado e afins.
Se se rouba um camião que transporta valores cai o carmo e a trindade. Mas, reparem, o otário que baleou a mulher com a filha de meses ao colo, apenas queria o dinheirinho do rendimento social de inserção. E aquilo era tão urgente que não hesitou em primir o gatilho. Porquê? Mais polícia, mais video-vigilância ou algo do género vai mudar isso? Não. Mas serve, claro, para assustar a classe média, tornando-a ainda mais amorfa do que é. Amorfa, assustada, parva. Sempre com medo de que lhe roubem o popó ou a carteira. Quando todos os dias a roubam descarada a principescamente uma meia dúzia que ganha mais aqui (no tal país pobre) do que ganham os congéneres nos países vizinhos (ditos mais ricos).

27 agosto 2008

A olhar para onde?


A nós parece-nos que está a olhar para o lado e para longe, quiçá para a Grécia. E vocês que acham?
Referimo-nos, claro, à cabeça gigante do imperador Marco Aurélio quando jovem, que foi desenterrada num local arqueológico na Turquia. Os arqueólogos têm vindo a descobrir várias estátuas numa sala de banhos da cidade antiga de Sagalassos, que foi parcialmente destruída durante um terramoto entre 540 e 620 d. C.

«A cabeça, com quase um metro de altura, mostrava o jovem a olhar para cima. As pupilas estão direccionadas para o céu “como se tivesse numa contemplação profunda, completamente ajustado a um imperador que era mais um filósofo do que um soldado”, explicou o professor Marc Waelkans da Universidade Católica de Leuven, Bélgica.»

Ora a nós parece-nos que o rapaz não olhava para cima mas em frente.

O romance de mercado por João Rodrigues

Via Ladrões de Bicicletas chegámos aqui. Ora leiam lá um excerto:
«Enfim, o retrato da actual configuração do capitalismo português, depois de um longo ciclo, com vinte anos, de constante liberalização, de maciças privatizações e de irresponsável perda de instrumentos de política económica, sem contraponto em novos mecanismos de política pública dignos desse nome à escala da União Europeia, revela que a fractura social e a estagnação económica são os dois principais capítulos do romance de mercado, transformado em guia para a política, na semiperiferia da economia global.
A maioria das nossas elites políticas, económicas e intelectuais comprou este romance a um preço em conta para si, mas muito elevado para o País. Num típico movimento de fuga em frente, essas elites afirmam agora: "falhámos porque o romance não foi aplicado com suficiente afinco; só mais um esforço e tudo correrá pelo melhor no melhor dos mundos". Como afirmou o filósofo liberal Karl Popper, é típico das ideologias puras não serem passíveis de confrontação com a impureza da realidade.»

Organizações dos direitos das crianças contra spot

Um anúncio que criou polémica? Algo de novo? Não. Dizem que é para as crianças beberem sumo de laranja. Sumo, salvo seja, refrigerante. Há a versão francesa, que podem ver a seguir ou a versão inglesa que podem ver adiante.





Apesar de ser uma animação e de contar uma história de amor, o trabalho da agência francesa Max Effect tem também uma forte carga sexual. Escassos segundos depois de começar, é possível assistir a um cena de aproximação física de natureza sexual entre dois animais e esta não é, aliás, única durante o filme publicitário de 60 segundos. Segundo os criativos, o trabalho inspirou-se em filmes como “American Beauty” e “Flash Dance”.

Aquele querido mês de Agosto


Fomos ver o filme de Miguel Gomes. E rimo-nos bastante. Uma vez ou outra passámos pelas brasas. Um filme também serve para isso: para acalmar.

Gostámos (4 estrelas). E fazemos votos para que o realizador explore esse universo português com outro fôlego.

Para quem gosta de críticas, convidamo-lo a visitar as palavras de Hugo Torres. Ou as de Luís Miguel Oliveira.

Hi, George


Deste canto perdido no meio do Atlântico saudámos a chegada do Georginho à bloglândia.

Salut, meu caro e boas postas.

25 agosto 2008

Grunhos? Nã! Coitadunhos...


Coitadunhos dos industriais. Baixar preços é ilegal, causa prejuízos. Os consumidores agradecem… mas que interessam os consumidores?! Os consumidores existem para pagar. Pagam e mai nada. Quem quer saber do que se trata só tem de passear até aqui.


A utilidade da arte


Às vezes a arte é útil. Muito útil. Quase imprescindível. Que o digam dois alfacinhas que encontraram em "Treze a rir uns dos outros", de Juan Muñoz, um bom local para dormir.

As esculturas, que se encontram no jardim da Cordoaria, no Porto, servem de casa provisória a dois jovens, que não são uns sem-abrigo comuns. Foram para o Porto supostamente à procura de emprego e, sem dinheiro para casa ou pensão, vivem agora ao relento. O que faz com que as esculturas sejam olhadas com outros olhos. Há quem fique a mirar a casa provisória que os rapazes construíram sob uma das esculturas. Forrada com cartão e com plásticos, a escultura tem no interior uma pequena divisão e dois espaços que servem de cama.

Bruno P., um dos jovens, trabalhava na capital como pintor. Foi para o Porto à procura de um emprego melhor. Mas quando lá chegou as condições não lhe agradaram. A proposta de trabalho era de assentador de pedra em França, mas o jovem não gostou das condições e acabou por ficar no Porto sem dinheiro para voltar para casa.

Ontem, já passava da hora do almoço e Bruno ainda dormia, enrolado em cobertores. Não quis sair. Mas contou ao JN a sua situação. "Não sou nenhum marginal. Só estou à procura de trabalho. Penso em ir embora todos os dias, mas não tenho dinheiro", desabafa. "A Polícia já esteve aqui e perguntou ao meu colega quanto tempo é que íamos ficar. O meu amigo disse-lhe que seria até Setembro e eles não disseram mais nada. Vêem-nos aqui todos os dias quando passam, mas nada dizem. Fomos ficando", relata.

19 agosto 2008

O "Namoro" de Almada Negreiros




Figura Feminina, um quadro de Almada

Em Maio passado, nas salas repletas da leiloeira Palácio do Correio Velho, Figura Feminina, de 1946, do escritor e artista plástico José Sobral de Almada Negreiros, atingiu os 150 mil euros. Foi o valor mais alto do leilão, transformando a obra numa das mais caras de Almada Negreiros. Hugo Xavier, especialista em leilões, disse ao Público que ainda nos anos 70, um Retrato de Fernando Pessoa, de 1954, do mesmo artista, chegou aos mil contos em leilão (que hoje representariam mais de 250 mil euros).


Fonte: Público

Ler notícia completa: Aqui

Origem da imagem: Palácio do Correio Velho

18 agosto 2008

Almada: uma faceta menos conhecida


José Sobral de Almada Negreiros (1893 - 1970), pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo, ligado ao movimento futurista, fez várias experiências em Banda Desenhada como forma de Arte.
Uma das suas mais famosas experiências no mundo da BD foi “O velho, o rapaz e o burro”, uma adaptação de um conto tradicional, publicado no periódico Ilustração Portuguesa.
No final dos anos 20, Almada foi viver para Espanha. Aí, entre 1927 e 1929, criou BD regularmente para El Sol.
O seu trabalho mais inovador foi publicado no Sempre Fixe, de onde se destacam “Os dois irmãos muito unidos” e “O sonho de Pechalin”.

07 agosto 2008

Big brother is watching you

Cada vez mais a tecnologia permite a invasão da vida privada: satélites, vídeo-vigilância, câmaras nos telemóveis e noutros aparelhos bem mais pequenos.

Agora chegou uma máquina fotográfica que tem um campo de visão muito semelhante ao olho humano. E o que parece muito engraçado para as fotos domésticas, torna-se potencialmente perigoso para a vida privada de cada cidadão, sobretudo se o Estado quiser espiolhar. O big brother é cada vez mais uma realidade.

06 agosto 2008

Que miséria! Só isso?


Bem se vê que o plim é só para atrair a arraia-miúda. Quem é que se incomoda com 500 euros? Para que servem? Para comprar alguma roupa? Para alguns gastos escolares? Para ir jantar fora e à discoteca com a(o) namorada (o)?

Senhora Ministra premiar os melhores, sim. Mas para estimular a plebe o montante é ridículo. 5000 euros já era outra coisa. O ministério punha uma parte e arranjava parcerias com mecenas que pusessem o resto. Cinco mil mocas já dava para pagar propinas numa faculdade e para mais qualquer coisita. Agora quinhentas moedas de euro nã servem pra nada.