15 setembro 2008

Hospedaria Camões


Um lugar onde se pode dar descanso aos olhos.

Arrastão


Era uma vez um blogue chamado Arrastão. Daniel Oliveira fazia de manager e de secretário. Agora conta com Pedro Sales e Pedro Vieira para arrumar a casa e pôr a escrita em dia.

Se o Arrastão já se lia com agrado, espera-se, a partir de agora, que a parada suba e seja ainda mais agradável.

13 setembro 2008

Vera Bettencourt


Nasceu na ilha Graciosa há 30 anos e brevemente (dia 3 de Outubro) mostra trabalhos seus no Museu de Angra do Heroísmo.

O Nobel da literatura para Sócrates. Aquilo é que é um escritor

O primeiro ministro fala de uma maneira esquisita. Enreda-se nos assuntos e aquilo que diz fica tão embrulhado que não se chega a perceber se está a falar ou a chupar alguma pastilha para a azia.
Errata: Onde está primeiro ministro devia estar secretário geral do partido socialista.
Vejamos as frases de JSPS (Sócrates, para abreviar).
Frase 1 - "As mudanças que fizemos na educação foram orientadas por um desejo honesto de um Governo honesto que quis apenas aplicar um programa para servir o interesse geral."
Frase 2 - "Nenhum programa político pode ter sucesso na economia global sem uma aposta na educação".
Frase 3 - "O nosso programa político visa um país mais competitivo, mas também um país mais justo, onde ninguém fique para trás. O nosso país tem desigualdades, que são verdadeiramente causadas por desigualdades na educação".
Frase 4 - "As mudanças introduzidas nos últimos três anos criaram um verdadeiro movimento nas escolas públicas. Quem honestamente e objectivamente olhar para a escola de hoje e a comparar com a realidade de há três anos atrás, não pode deixar de concluir que está melhor".
1 - O que éum desejo honesto? Há desejos que não são honestos?
O que é o interesse geral? O que está na cabeça de Sócrates?
2 - Madames e méssiôres fétes vôs jâ: apostai na educação. Talvez seja um complemento que Sócrates criou para os apostadores portugueses do euromilhões.
3 - Visa, Mastercard, and so one. Com viseira e sem viseira, durante o reinado socrático o fosso entre pobres e ricos cavou-se ainda mais e os pobres vão ficando cada vez mais pobres. Deve ser a isso que se refere quando fala em ninguém ficar para trás. E de quem é a culpa? Ora, da educação, claro. Se não fossem os ranhosos dos professores ia tudo para Medicina, ganhava tudo muito bem e Sócrates estava em casa a fazer tricot ou projectos engenheiros.
4 - As escolas antes de Sócrates estavam coladas ao chão. Com as suas inovadoras técnicas de engenharia, as escolas voam, planam, mergulham. São helicópteros, aviões, submarinos. De facto, as escolas assim são muitos melhores. Palmas para o engenheiro e o Nobel da literatura para quem inventa tanto. Portugal até já parece a Colômbia ou outro país do mágico realismo socialista.

Arte e Francis Bacon


"A arte tenta sempre ser sobre o agora ou não será relevante no futuro. Toda a grande arte tem que ser sobre o mundo hoje."


"[Bacon] tem tomates para foder no inferno. Antes dele a pintura parece morta... completamente morta."


"O processo criativo é um bocadinho como fazer amor. Pode ser tão violento como foder, como um orgasmo ou a ejaculação. O resultado é frequentemente desapontante, mas o processo é altamente excitante."


Damien Hirst, eterno enfant terrible da Young British Art


Fonte: Público [papel]

12 setembro 2008

Baixar as calças aos cientistas ou o cagaço

Sim, hoje é sexta-feira, mas não dia 13. No entanto parece que o dia decidiu abrir manhoso e que as desgraças se juntaram todas para fazer uma grande festarola. Os cientistas do CERN foram apanhados por umas gracinhas e tiveram medo que fosse o dia do Juízo Final. Um castigo não divino, mas informático.
«As primeiras partículas estavam a circular no Grande Acelerador de Hadrões, perto de Genebra, onde nasceu a World Wide Web, quando um grupo de “hackers” grego invadiu o sistema com o único objectivo de mostrar a sua fragilidade. Ao que parece, se o regresso ao “Big Bang” foi um sucesso, os piratas informáticos também foram bem sucedidos no seu objectivo: mostrar aos cientistas que estes não passavam de “um bando de miúdos da escola”, segundo noticia o jornal britânico “Daily Telegraph”. A “Equipa de Segurança Grega”, como se auto-intitularam os intrusos, entrou quarta-feira no sistema informático do LHC (como é conhecido em inglês) simplesmente para deixar a mensagem referida e provar a vulnerabilidade dos técnicos que estavam à frente daquela que foi considerada uma das maiores experiências do mundo. O objectivo foi simplesmente provar que era possível violar o sistema, mas nunca criar problemas, ainda de acordo com o jornal inglês.“Estamos a baixar-vos as calças por não vos querermos ver a correr nus enquanto se tentam esconder quando o pânico chegar”, lê-se também na mensagem que os “piratas” deixaram no sistema informático do acelerador. E, ao que parece, a intrusão foi mais do que suficiente para alertar os cientistas, que impediram entretanto os cibernautas de aceder ao site www.cmsmon.cern.ch.
Os cientistas envolvidos no projecto receberam também, ao longo dos dias, várias mensagens electrónicas e telefonemas do público em geral que se mostrou preocupado com os objectivos das experiências e com as potencialidades da máquina – produzir um buraco negro para engolir a terra, terramotos ou tsunamis foram apenas algumas das hipóteses colocadas.
Os responsáveis explicaram que o acto só teria sido verdadeiramente perigoso se o grupo tivesse conseguido entrar numa outra rede onde, aí sim, teriam conseguido desligar algumas partes do sistema. Felizmente, apenas um ficheiro foi afectado, mas o incidente foi assustador para a comunidade. A grande preocupação dos cientistas da organização europeia era de que os “hackers” entrassem em um dos maiores detectores da máquina, que pesa 12.500 toneladas e mede 21 metros de comprimento e 15 de altura. Entretanto, a área atacada pelos invasores foi o "Compact Muon Solenoid Experiment", um dos quatro detectores que analisam o choque das partículas.»
Afinal, a sexta-feira foi um dia normal. Como tantas outras sextas-feiras.

A polícia do gosto poético (PGP) em Portugal

Há pessoas curiosas. Quiçá por defeito profissional, acreditam que mais do que os factos ou a natureza dos objectos, importam as opiniões. O modo como as redacções dos jornais funcionam, as centrais noticiosas e de propaganda tem esse efeito nas cândidas almas dos jornalistas. Veja-se o que diz um deles, Luís Miguel Queirós, autor da piada mais interessante da rentrée, publicada num suplemento do jornal onde trabalha, o Público. Diz ele: «Olhando para trás, ocorre mesmo perguntar se a discutível imagem que hoje se tem dos anos 80 como a de uma década um tanto falhada, ou incaracterística, na poesia portuguesa, não ficará a dever-se bastante ao facto de os seus poetas não terem tido críticos que separassem águas e fossem verdadeiros formadores de gosto.»

Depois, diz o douto LMQ que as recensões críticas a livros de poesia são cada vez mais raras, mesmo em se tratando de «poetas francamente importantes». Curiosa asserção a dele que trabalhando no Público e podendo dar notícia desses importantes poetas não o faz.

LMQ, que parece gostar muito de ambientes claustrofóbicos e de descrições cruas do horror e da bestialidade, tem o condão, tão recorrente em Portugal (e noutros países) de precisar de alguém que lhe oriente o gosto, mostrando-se por isso mais uma caixinha de eco de Joaquim Manuel Magalhães, crítico aguerrido, que deixou sulcos fundos em muitos dos que cresceram para a poesia lendo as suas recensões.

O problema de LMQ, como de resto o de tantos da sua idade e até mais novos, é que se ficaram pelo JMM e se esqueceram de ler outros autores que não apenas os lusos. Porque a poesia portuguesa sempre foi aberta ao mundo, mesmo em momentos de crise como a da Santa Inquisição ou a da PIDE. O fulgor de JMM vem de ter sabido ler sinais que lhe chegavam em inglês e em espanhol. Ainda que, com o tempo, pareça ter cristalizado e as últimas opiniões publicadas revelem um arrazoado exegético que só almas cândidas como LMQ deglutem como se fosse um pastel de nata. Afinal, a crítica em Portugal sempre foi assunto de igrejas, dando-se sentidas cabeçadas de amem à opinião dos que sabem dissertar.

E se a candura de LMQ não se assemelha à de outros, para quem poesia é tudo o que editam ou tudo o que aparece impresso ou publicado na net, não anda muito longe, confundindo literatura com marketing e relações sociais e dando mostras de certa afectação com isso de «não perder nenhum novo autor relevante», como se lhe marcassem falta de mau comportamento ou como fosse castigado pelo futuro – Tu aí, que deixaste passar o livro X de um autor relevante. Se as editoras fossem o garante de alguma coisa, as ironias do seu tão amado Herberto Hélder ou o sarcasmo de Joaquim Manuel Magalhães não fariam o mínimo sentido ou seriam puro ressentimento.

Nota: o título deste post pede emprestado a Andrés Trapiello (mormente ao autor do Salón de Pasos Perdidos) o gosto pelas siglas.

César. As preocupações de CC


Carlos César está muito preocupado com... o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.
Podia preocupar-se com o custo das passagens aéreas, com o isolamento, a inflação ou o custo de vida na região. Mas isso são trocos. Dinheiro a sério, está visto, só com o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma.
Doze anos no governo faz mal às pessoas, não faz?
Quem puder que veja o que preocupava César há 12 ou 8 anos e o que o preocupa agora. Mais uns anos e ainda o víamos nas marchas populares de S. João (ou nas do S. João da Vila, que essas sim são dos Açores, as outras são das ilhas de baixo e as ilhas de baixo estão mortas) a fazer de conta que já chegamos à Madeira.

Viagens aéreas 2


A TAP faz o que fazem as congéneres europeias: enfrenta a concorrência. Na guerra dos preços, os grandes vencedores são os clientes. Apesar de muitos voos estarem dependentes da disponibilidade de lugares e terem restrições, como a impossibilidade de reembolso, vêem os preços reduzir-se.
A massificação do acto de viajar de avião deu às empresas duas opções: subir ao segmento premium, fornecendo dispendiosos serviços de luxo, ou reduzir custos para baixar o preço dos bilhetes. Em altura de crise, poucas parecem decididas a seguir a primeira via.
A TAP como tem concorrência nos outros voos baixa preços. MAS PARA OS AÇORES NÃO BAIXA, POIS NÃO TEM CONCORRÊNCIA.
A TAP, como a Cabo TV Açoriana, como a PT e outras empresas alimentam-se dos monopólios enquanto podem: desprezando os clientes, prestando maus serviços e tomando-os por idiotas. Às vezes acordam, mas quase sempre a incúria faz demasiado parte da rotina e nem se lembram de fidelizar clientes. E eles fogem para onde pagam menos e são melhor servidos.
Mas quem pode fugir da TAP? (A SATA é a irmã gémea anã da TAP nas ligações para o continente, não é? Se não é, parece.)

A TAP despreza mais uma vez os açorianos

A TAP despreza os açorianos. A campanha dos 64 euros para vários destinos exclui os Açores. Quem é açoriano não paga impostos? Paga. E paga a dobrar, porque a suposta benesse do preço de residente é paga por todos. A TAP além dos preços exorbitantes que cobra pelas ligações aéreas com Lisboa e Porto, ainda recebe subvenções estatais e não tem concorrência.
Carlos César quando chegou ao poder usou como bandeira as ligações aéreas que, dizia, o incomodavam, pois eram uma injustiça. Doze anos volvidos está calado. O silêncio deve ter algum significado. Mas como são poucos os que viajam de borla (leia-se, à custa do erário público), não se percebe donde vem esse silêncio. Como estamos em pré-campanha deveria dizer aos açorianos porque é que temos de desembolsar o triplo do que pagam continentais e outros europeus por viagens com as mesmas milhas.
O governo da República também devia explicar porque é que a TAP tem de continuar a receber as ajudas que recebe e pode fazer campanhas como a que anunciou ontem, com ligações para vários destinos europeus a 64 euros. Pode e fá-lo porque espera com isso encaixar 12 milhões de euros. Ou seja, fá-lo por LUCRO.
«Ao contrário de campanhas realizadas anteriormente pela TAP como por companhias low cost, esta promoção caracteriza-se pelo facto de garantir, no essencial, o mesmo serviço dos voos regulares, disse ao DN o director de comunicação, António Monteiro. Ou seja, há sempre direito a bagagem de porão até 20 quilos, uma refeição que será de pequeno-almoço, almoço ou jantar em função do horário do voo, e sem que seja necessário pagar uma taxa para reserva de lugar. Por outro lado, a promoção "TAP Discount" permite viajar ao longo de um período anormalmente longo, de oito meses, ou seja, entre 1 de Outubro e 31 de Maio, o que não é frequente neste tipo de promoções.
Por último, a companhia garante o acesso a aeroportos centrais e não aos secundários, situados a largas dezenas de quilómetros das cidades, como acontece frequentemente em algumas das companhias low cost mais agressivas.
»
A TAP pode fazer isso para outros mas não pode para os açorianos porquê? Porque os açorianos não contam? Ou porque a coutada e o monopólio são sempre sinónimo de abusos?
Gostávamos de ouvir o governo regional pronunciar-se sobre o assunto.


11 setembro 2008

Atirei-me para o chão às gargalhadas

Dá vontade de rir. «A TAP promete apresentar uma campanha com "preços imbatíveis".» Claro que sim. Quem voa daqui desta ilha para Lisboa ou Porto desembolsa "pequenas fortunas" (o segredo das campanhas deve estar nas aspas, por isso fazemos uso delas). Viajar de avião, mesmo sendo uma necessidade continua a ser um luxo. Sobretudo para quem vive nos Açores.
E ironia das ironias, vejam como andam os preços noutras companhias. A companhia aérea low cost irlandesa Ryanair anunciou, no Porto, o lançamento de uma megapromoção para a venda de três milhões de lugares a um euro, com todas as taxas incluídas.
Um euro? Um euro!
A culpa das fortunas que a TAP cobra aos açorianos é - vejam se o chão é confortável - «suportar despesas com transfers, porque as tripulações dormem em hotéis».

Doze quadros

"La Femme en Rouge", de Soutine


O que é que têm em comum "Les Paysans" (de Marc Chagall) "Mexican Peasant" (de Diego Rivera), "Cubist still life"(de Arshile Gorky), "Sem título" (de Hans Hofmann), "La Vieille Dame au Chien" e "La Femme en Rouge"(de Chaim Soutine ), "Figur mit Hund"(de Emil Nolde), "Fin de Séance"(de Lyonel Feininger) e "Alicia Alanova"(de Kess Van Dongen)?


São quadros, sim. E...?


Está bem, nós desvendamos o segredo: pertenciam a um casal milionário de Los Angeles. Pertenciam e pertencem, se conseguirem descobrir quem lhes entrou casa dentro, com eles lá, e os roubou.


Fontes policiais descreveram o roubo como um dos maiores já ocorridos na história de LA. Ainda vamos ver o inenarrável inspector chefe CSI a pôr os seus óculos de sol manhosos, depois de ter capturado o ladrão, um gato que gostava muito de pintura do século XX.


Não acham que está na hora de voltar a escrever um livro com o título de A Arte de Furtar?

A pátria é madrasta

A pátria está cheia de passadeiras. Mas os peões que nelas passam nunca sabem se passam para o outro lado da estrada se para o outro lado da vida. Que o diga o senhor Salgado, que aos 72 anos foi atropelado na mesma passadeira onde, dois anos antes, a sua mulher encontrara a morte. Tudo na Rua Heróis da Pátria.
Ah, pátria maldita, cujos heróis não passam de um corja: atropelam e fogem.

Salazar nem pintado, diz Jesus, Maria de Jesus

Chama-se Maria de Jesus e tem 115 anos. E ainda não perdoou a Salazar o sofrimento que ele causou ao povo.
Quando se diz que o povo gosta de Salazar mente-se. O povo é muito indivíduo. E à meia dúzia que diz ter saudades dele respondem as centenas que o detestam. Maria de Jesus é uma dessas pessoas que não pode com o estadista português nem pintado.
(Nota para a redacção do DN: o século XVIII começa em 1700 e acaba em 1800. Maria de Jesus nasceu no fim do século XIX e viveu todo o século XX, encontrando-se agora no início do vigésimo primeiro.)

A ver vamos, João. Vamos ver se vamos à Corte do Norte


Há artistas e autores que, ou por clubismo ou por outra irracionalidade qualquer, desbaratam o capital de simpatia acumulado com obras anteriores. João Botelho é um desses autores. Admiravamo-lo pelo seu trabalho gráfico (Cotovia, Regra do Jogo) e sobretudo pela cinematografia, «Tempos Difíceis» (1988), «Tráfico» (1998) ou «O Fatalista» (2005), entre outros. Mas, um dia deixou-se levar pelo SLB e fez «Corrupção», um desses dejectos cinematográficos que, a pretexto de querer comentar a realidade, nem um esgar consegue, tal a trapalhada e o cúmulo de clichés.

Por isso, é com apreensão que pensamos no novo filme de Botelho, «Corte do Norte» (2008). O romance é excelente - mérito de Agustina Bessa-Luís. E o filme, como será? Teremos alguma caricatura, algum boneco deslavado como em «Corrupção»?

O filme, apresentado como "a história de uma paixão incumprida e de uma energia emocional transmitida de geração para geração de mulheres", estreia em Portugal no dia 13 de Novembro, no âmbito de uma homenagem a Agustina. E está por ora a caminho do Festival de Cinema de Nova Iorque, onde será exibido no fim deste mês.

«A Corte do Norte» conta a história, passada na Madeira, de cinco gerações de mulheres. Tem como figura central Emília de Sousa, inspirada na actriz Emília das Neves, a primeira vedeta feminina da representação dramática em Portugal. A actriz Ana Moreira protagoniza o filme, interpretando sete personagens diferentes em épocas distintas, entre 1860 e 1960.
No elenco estão também os actores Ricardo Aibéo, Rogério Samora, Laura Soveral, João Ricardo Custódia Gallego, Margarida Vila-Nova, Rita Blanco e Virgílio Castelo.
Produzido por António da Cunha Telles, Pandora da Cunha Telles e FF Filmes Fundo, com o apoio do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e da RTP, e inteiramente rodado em digital, «A Corte do Norte» será o primeiro filme português a ser projectado em 2k no circuito comercial.
A estreia nas salas de cinema portuguesas está prevista para a primeira quinzena de Novembro, com o apoio da Guimarães Editora, que reeditará o romance «Corte do Norte», publicado em 1987, e lançará ainda um álbum com fotografias e diálogos do filme.

Dez mil já espreitaram e você?

Dez mil já se sentaram a ver "Aquele querido mês de Agosto", a segunda longa-metragem do realizador português Miguel Gomes. E você?

Boas notícias vêm da Alemanha

Um xamã compondo as suas previsões astrológicas

Quando pensamos em cerveja, pensamos em alemães. Pançudos e a enfrascar copos de litro. A coisa bate tanto que um biólogo e historiador natural alemão de nome Josef H. Reichholf acaba de defender a tese de que a agricultura foi inventada para... fazer cerveja. Olha, olha. Se a coisa pega, os franceses vão dizer que era para fazer cognac, os russos dirão que era vodka e os japoneses saké.

Josef H. Reichholf parte do pressuposto que “quando os caçadores recolectores abandonaram a sua forma de vida e alimentação tradicional teria que ter uma vantagem inicial”. No princípio, sublinha, “o cultivo de plantas não trouxe nenhuma vantagem visível para a sobrevivência”. Por esse motivo, o cientista alemão considera que a teoria até hoje defendida, a de que a humanidade começou a cultivar plantas, abandonou a vida nómada e se estabeleceu de maneira permanente num sítio para se alimentar melhor, está totalmente errada.

Segundo o seu livro “Por que é que os homens se tornaram sedentários?”, as colheitas iniciais eram demasiado reduzidas e o cultivo da terra muito trabalhoso, o que implica que a sobrevivência não podia ser garantida em exclusivo através da agricultura. Reichholf defende que o homem do período neolítico continuou a caçar e a ser recolector para subsistir.

Diz ele que “a agricultura surgiu de uma situação de abundância” e assegura que “a humanidade experimentou o cultivo dos cereais e usou os grãos como complemento alimentar. A intenção incial não era fazer pão, mas antes fabricar cerveja através da fermentação”. Até porque a humanidade sempre sentiu necessidade de alcançar estados de embriaguez com drogas naturais que lhe “transmitem a sensação de transcendência, de abandono do próprio corpo”.

Na teoria agora apresentada, os xamãs, espécie de líderes espirituais que entram em transe e manifestam poderes sobrenaturais e invocam espíritos da natureza, teriam tido um papel de destaque na revolução neolítica. Seriam eles que conheceriam os feitos e as dosagens das drogas, ou seja, do álcool, cogumelos e plantas, tomados durante as cerimónias de carácter religioso.

O cientista destaca a importância que a cerveja e o vinho terão tido no fomento do sentido de unidade de um povo ou de uma tribo. Da mesma maneira, defende que o pão só começou a produzir-se quando se conseguiu cultivar cereais em abundância. O cientista sublinhou que a fermentação é um processo mais antigo, “a capacidade de fermentar cerveja não foi algo espontâneo. A humanidade já conhecia antes o processo fermentação da fruta”.
Fonte: Público

Que sono

Nada mais estimulante que a rentrée editorial. Eu não penso noutra coisa. Passo o mês e Agosto a suspirar pela rentrée. E chega a rentrée e é o que se vê: livros de Saramago e Lobo Antunes. Extraordinário! Saramago já não publica há anos. Lobo Antunes idem. Por isso, um livro novo deles é do mais estimulante que se possa imaginar.
Resta, Maria Velho da Costa e Herberto Helder. Os títulos são pouco interessantes, respectivamente, "Myra" e "A Faca não Corta o Fogo - súmula & inédita" . Talvez os livros não o sejam.
Ou Ana Teresa Pereira, com o romance "O Verão Selvagem dos Teus Olhos".