06 setembro 2008

The Gaslight Anthem - The '59 Sound

The Gaslight Anthem - Drive

Se uma mosca incomoda muita gente...

Os filmes para crianças, quais defensores e amigos da natureza, vendem a ideia de que ratos, formigas, abelhas e outros animais são nossos amigos. Mas não são. São até uns verdadeiros estupores.
Senão veja-se o raio da mosca. Zumbe. Pousa e dejecta onde não deve. Embaraça. Estraga a fruta. No Algarve foram 6 mil (uau!) toneladas de citrinos prò galheiro. Tudo por causa da mosca. Assim, quando alguém te perguntar. Estás com a mosca? O melhor é dizer que não. Evita o recurso ao insecticida ou desparasitante e não se sente culpado pelo preço a que chegarão laranjas, clementinas e limões ao mercado.
O presidente da União de Produtores Hortofrutícolas do Algarve (Uniprofrutal) nem dorme sossegado por causa da mosca. Diz ele que «Se não conseguirmos conter a mosca da fruta, as populações destas pragas vão crescer de forma geométrica e matar as culturas frutícolas de todo o país». Estão a ver como é? A mosca chateia-nos em casa e a gente, para exigir um subsídio, um apoio, solidariedade, enche logo a boca com Portugal inteiro.
Arre, mosca, vai chatear outro.

05 setembro 2008

Mais polícias pra quê?

Os Ladrões de Bicicletas dão algumas pistas. Os Zero de Conduta também. Nem toda a gente pensa que mais polícias é sinónimo de mais segurança. Há quem tema que seja precisamente o contrário.
São duas amostras muito significativas. Transcrevesmos algumas linhas de ambos, para poupar o trabalho aos mais cansados.
In Zero de Conduta:
«Não é aceitável suspender a presunção de inocência de todos os moradores de um bairro pelo simples facto de que, vivendo num bairro social, encaixam na percepção pública sobre a origem da criminalidade e marginalidade. Mas foi isso que aconteceu. Para sossegar a consciência de quem está a ver o noticiário da noite, milhares de pessoas têm sido impedidas de entrar ou sair do seu bairro, são revistadas, interrogadas, casas são reviradas do avesso e temos helicópteros a rasar os tectos ia a madrugada bem alta. Bairros inteiros foram conotados, perante o país, como sendo os responsáveis pelo crime violento que tem assaltados as televisões nos últimos dias. A PSP diz que escolhe os locais das suas acções com “base cientifica”. Estranha ciência que começa e acaba nos bairros sociais, onde as pessoas não têm acesso privilegiado à comunicação social, a advogados ou aos meios de defesa que abundam em qualquer condomínio ou bairro da classe média. Mas, no que é que tem dado esta ímpar mobilização dos recursos do Estado e a convocação científica da polícia? De acordo com os números fornecidos pela própria PSP, a mobilização de mais de 1100 agentes, durante vários dias na zona de Lisboa e Porto, conduziu à apreensão de 8 armas e fogo e 3 armas brancas...»
In Ladrões de Bicicletas:
«Portugal tem um polícia para cada 227 habitantes, quando a média europeia é de um para 350. E o governo, num contexto de suposta contenção orçamental, prometeu formar mais dois mil polícias nos próximos tempos, assinalando assim a sua aposta num reforço muito selectivo da provisão pública. A segurança privada, por sua vez, é um dos poucos sectores económicos a registar um crescimento assinalável nos últimos anos de estagnação económica, expandindo-se com apoio do Estado, já que o sector público tem um peso de 30% na facturação do sector.»

O amanhã será sempre verde. Hoje está um pouco cinza

Há palavras cujo valor simbólico é muito forte. Embora aquilo que designam seja extenso e, portanto, ambíguo. Livro e árvore são dois exemplos de palavras fortes. Diz-se livro e toda a gente dá uma cabeçada religiosa, como se livro fosse o nome de algum deus. Diz-se árvore e a cabeçada é do mesmo quilate.
A iniciativa de que agora tomamos conhecimento é simbolicamente poderosa: que ideia feliz, pensamos. Mesmo sem saber a que tipo de árvores nos referimos. Algumas há, como os eucaliptos, que são nocivas para os solos.
Ranhosos, chatos serão alguns dos adjectivos pouco abonatórios que nos atirarão. E nós só podemos dizer, parafraseando o mentor dos avantes: Olhem que não, olhem que não. A alegria é muita: plantar 100 milhões de árvores até 2030 é fantástico. E até 2050, quantas?
O melhor de tudo é a internacionalização da ideia: Chile, Espanha, Itália, Grécia e Moçambique. Fantástico!
Tudo ideia de um português que pretende plantar 400 milhões de árvores em todo o mundo. Daqui a 22 anos, teremos o mundo cheio de árvores plantadas segundo uma ideia portuguesa. Caso para o livro de recordes com nome de cerveja.
A notícia, de si tão apelativa, revela-se pouco esclarecedora. O plantio destina-se a quê? Árvores de abate? Pasta de papel? Faltam dados, meninas e meninos. Faltam dados.
Quanto ao nome, soa bem: "Floresta Unida". Parece um partido político que mistura interesses de centro-direita com centro-esquerda.
Bem, agora a sério, os números também são simbolicamente poderosos. Não seria melhor proporem 500 milhões até 2050? Estão a ver, 500 - 50? Ficava mais bonito, do que 400 -30. É apenas uma sugestão.

O asteróide 2008 KV42


Os astrónomos detectaram um asteróide curioso, que anda à volta do Sol no sentido inverso aos dos restantes corpos do Sistema Solar. A descoberta pode ajudar a explicar a origem da família de cometas como o Halley e ser o elo perdido que há muito se procurava.O ‘novo’ asteróide, baptizado com a designação de 2008 KV42, encontra-se na cintura de Kuiper, um anel de corpos gelados além de Neptuno, a descrever uma órbita que é quase perpendicular às órbitas dos planetas, com uma inclinação de 104 graus. A descoberta data de 31 Maio, dia em que os investigadores do grupo de Investigação Franco-Canadiana do Plano Eliptíco (IFPE) detectaram, pela primeira vez, o corpo ‘rebelde’, enquanto procuravam corpos trans-neptunianos em órbita com inclinação elevada, usando, para o efeito, o telescópio Canadá-França-Havai.
As primeiras observações permitiram concluir que possuía 50 quilómetros de diâmetro e que descrevia uma órbita invulgar, mas será necessário recorrer a outros telescópios para confirmar se é ou não o elo que faltava entre a Nuvem de Oort e os cometas do tipo do Halley.
Continua a não ser claro de onde vêm os cometas desse tipo. Os modelos de computador sugerem que há duas hipóteses para os locais de origem: a cintura de Kuiper (onde o 2008 KV42 foi agora descoberto) ou a distante Nuvem de Oort, uma região de corpos gelados a uma distância entre 20 mil UA e 200 mil UA do Sol (uma UA - Unidade Astronómica equivalente à distância média entre a Terra e o Sol).
A órbita do 2008 KV 42 parece estar estável há centenas de milhares de anos, mas os astrónomos acreditam que as suas características particulares podem indicar que foi trazido para o Sistema Solar a partir da Nuvem de Oort. Caso fosse esta realmente a origem do 2008 KV42, seria finalmente possível mostrar como ocorre a transição de corpos celestes até que se tornem em cometas como os do tipo do Halley.
Para Brett Gladman, um dos investigadores do IFPE o ‘novo’ corpo apresenta grandes semelhanças com este tipo de cometas, que também viajam “ao contrário” e apresentam órbitas de inclinação acentuada.
Até agora as órbitas dos asteróides na região para lá da órbita de Neptuno têm fornecido importantes pistas sobre como o exterior do Sistema Solar tomou forma e evoluiu. Os corpos celestes descobertos são novas pistas para traçar a história do início do Sistema Solar e desafiam até algumas teorias já aceites.
O 2008 KV42 promete fazer isso mesmo. Um dos investigadores do projecto, JJ Kavelars, reforça a importância deste achado “apesar de estarmos especificamente à procura de corpos trans-neptunianos já há algum tempo, nunca esperámos encontrar um que descrevesse uma órbita ao contrário.” Até agora este é o primeiro corpo celeste na região para lá de Neptuno a ‘seguir naquela direcção’. A equipa que o descobriu já o apelidou de Drac, diminutivo de Drácula, pois a órbita ‘lateral’ deste corpo celeste dá a impressão que pode andar pelas paredes e que, além de um carácter ‘rebelde’, tem poderes mágicos tal como os vampiros.
Fonte: Público

“Slacker Uprising”, de Michael Moore

“Slacker Uprising” é o nome do documentário de Michael Moore. Aborda o tema da abstenção dos jovens nas eleições presidenciais nos EUA, em 2004.
Dia 23 estará disponível na Internet para download, antes de chegar ao mercado dos DVD. Mas pode fazer o dito cujo quem estiver a residir nos EUA ou no Canadá. O people dos outros países terá de se contentar com o trailer no youtube.

Um negócio de milhões com produtos de fraca qualidade

A generalidade dos manuais do ensino básico é má. Excesso de imagem, estruturação confusa das páginas, numa linguagem nem sempre clara. São, além disso, livros pesados, caros, muito coloridos. Que constituem, indubitavelmente, um dos maiores negócios editoriais do país. O número é significativo (80 milhões), mas deixa de fora cadernos e livros auxiliares que o fariam crescer ainda mais. É muito dinheiro, para tão fracos resultados (a qualidade das sebentas que milhares de alunoscarregam diariamente nas mochilas).
Com excepção de uma ou outra editora entretanto desaparecida, os professores limitam-se a optar (no momento da selecção) pelos manuais das editoras do costume. E apesar de se falar de material electrónico, o que há é ainda incipiente. Os cd-rom que algumas editoras oferecem são bem o espelho do atraso.
Os alunos e os professores dispõem hoje de uma preciosa fonte de informação: a net. Mas, para os conteúdos específicos das diferentes disciplinas, a net revela-se pobre em material redigido em português de Portugal. Além de que a garantia científica da informação que a net disponibiliza deixa muito a desejar.
No entanto, uma ou outra escola, tem entre o corpo docente quem esteja a dar cartas na elaboração de materiais didácticos atractivos e eficientes. Material que aindanão foi aproveitado pelas velhas editoras. Espera-se que apareça quem veja aí um negócio e avance. Todos teriam a ganhar: alunos, professores, pais.

04 setembro 2008

O casamento de Maomé com uma rapariga de 6 anos


O romance da escritora Sherry Jones sobre o casamento do profeta Maomé com uma menina de seis anos sairá no Reino Unido em Outubro por uma nova editora (a Gibson Square), depois de a publicação ter sido adiada por receio de represálias.
A Random House recusou-se em Agosto a editar "The Jewel of Medina", romance de estreia da jornalista e escritora norte-americana Sherry Jones, alegando que podia incitar à violência entre grupos radicais islâmicos.
A escritora, de 46 anos, disse que o livro será publicado ainda em Espanha, Alemanha, Itália, Brasil e Hungria.
"The Jewel of Medina" conta a história de Aisha, desde o seu casamento com Maomé – quando tinha apenas seis anos – até à morte do profeta.
O editor Martin Rynja, da Gibson Square, afirmou em comunicado que a obra de Sherry Jones se tornou num "importante barómetro do nosso tempo". "Esta história de amor é conhecida no mundo muçulmano, mas completamente desconhecida entre os leitores do Ocidente", disse.
Sherry Jones também já concluiu uma sequela do romance, relatando a vida da sua personagem após a morte do marido.
Gibson Square é conhecida por ter publicado, por exemplo, o livro "Blowing up Russia", do agente russo Alexander Litvinenko, assassinado por envenenamento, e prepara-se para lançar "Hard Call", do senador republicano e veterano de guerra John McCain, candidato às presidenciais nos Estados Unidos.

The Verve - Drugs Don't Work

The Verve - Bittersweet Symphony

The Verve- Lucky Man

The Verve - Love Is Noise

O marasmo da Terceira espelhado nos candidatos do PS

A História, os livros, os filmes mostram como é: a troco de uns centavos, milhares vendem a alma ao diabo. A subsidio-dependência é um dos lados da coisa. E aqui, nesta ilha de Jesus Cristo, devem ser muitos os que dependem do governo regional. Senão, veja-se: Carlos César esteve ontem aos gritos na Praia da Vitória, a demonstrar o quanto o seu governo tem feito pela Terceira. Eu, que vivo cá, mas também vou a S. Miguel, vejo como a Terceira é uma pálida amostra do que foi. Vejo como as obras do governo cegaram o maralhal. Vejo. E ou sou completamente cego ou a Terceira está agonizante. E durante a próxima legislatura assim deve continuar. O mínimo que se pode dizer da lista de candidatos que o PS apresentou é que dá logo vontade de bocejar. Que miséria. Ou a prova provada do marasmo que se vive na ilha.

O fim do mundo, parte 2

O mundo, oh!...oh!... O mundo está a desfazer-se aos bocados. Vejam, incrédulos, vejam como é. E preparem-se! A minha fúria é devastadora. (O actor, com as suas barbas ensopadas em ketchup, cospe perdigotos a uma velocidade assustadora. A câmara fica pejada de pedacinhos de pão e carne picada. )

O fim do mundo


Preparem-se!!! (aqui devia haver o rufar de centenas de tambores e um ou outro som estridente) O fim do mundo está próximo. Daqui a quatro anos, plof, plof (nós aqui no pisca temos um telemóvel permanentemente ligado ao concílio dos deuses, onde estas coisas se decidem).

A culpa é dos Maias, esses infiéis do novo mundo, que há muitos séculos fizeram a previsão. Dia 21 de Dezembro de 2012 (21-12-12). Nesse solestício a Terra estará alinhada com o Sol e com o centro da Via Láctea. Tempestades, vulcões, tsunamis e muitas outras tragédias ocorrerão (ouviram-se no telemóvel uns ruídos estranhos, como se a CIA ou o SIS estivessem a escutar tudo).

Não acredita, então veja pelos seus próprios olhos como há quem se entregue piamente a tudo isso (o problema dos telemóveis é que são muito baratos e toda a gente tem um, depois é o que se vê). Até há um pequeno documentário (realizado nesse dia, mês e ano de 2012 por um agente especial cá da casa que se infiltrou no futuro).

Tremam, tremam que o fim do mundo é já hoje: basta dar um passeio pelo world wide web.

O que parece nem sempre é

Já foi dito e nós repetimos: a tendência centralizadora e controleira do Ministério da Educação faz com que medidas avulso (como as que periodicamente anunciam) tenham poucos resultados. Porque sem critério. Porque deixam de fora os que querem e incluem os que desprezam o sistema. Não há nada pior para combater a miséria do que passar a ideia de que o Estado dá. A miséria alastra e o que era mau fica pior. Mas isso que importa, se apenas se tem em vista a propaganda?
Reparem, quando os agentes no terreno (professores, escolas) tentam contornar processos burocráticos para combater o abandono escolar são quase sempre coarctados pelas Direcções Regionais. Porque desconfiam de quem trabalha directamente com os alunos. Há a ideia de que quem está nos gabinetes (quantos para fugirem à leccionação?) é que sabe.
O governo deve disponibilizar verbas, sim. Mas deve deixar às escolas o modus operandi. As medidas agora anunciadas são necessárias. Mas não será por isso que o abandono escolar diminuirá, sobretudo com a crise de emprego que o país atravessa. Será bom não esquecer que crianças e adolescentes que abandonam a escola o fazem sempre com a cumplicidade dos pais. Por necessidade ou por valores que o neo-liberalismo tanto gosta de apregoar.

03 setembro 2008

O povinho é mesmo tosco

Não é que o Sua Exa. o Primeiro-Ministro da República Portuguesa foi ali ao lado de casa ver uma escola, para mostrar ao país como a prioridade das prioridades do seu governo é a educação e deu de caras com uns contentores.
"É ali que os alunos vão ter aulas? Pensei que fossem os contentores das obras" disse, à chegada ao Liceu Pedro Nunes.
Lurdinhas, pressurosa, saiu-se com esta: “São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui."
O povinho é mesmo tosco, gosta é de estar entalado, ser maltratado, diminuído. De facto, só interessa em período eleitoral. De resto tem as lurdinhas que merece. E a Lurdinhas é tão querida, tão querida. Parece mesmo saída do Tal-Canal.
Ela e Sua Exa. podem continuar a dizer que a área "prioritária" do Governo é a educação, porque vão gastar 400 milhões de euros no Plano Tecnológico. Mas que se nota logo a marosca, lá isso…

Durs Grünbein




Que os rituais podem ser mortíferos, mesmo entre cristãos,
Eis o que nos mostra uma triste nova vinda da África do Sul.
Durante um baptismo num rio da Suazilândia,

Um jovem negro afogou-se. Ainda a oração
Do padre não tinha chegado ao fim, já a corrente o arrastava
Rio abaixo, por entre rochas pontiagudas. Os fiéis

Perderam-no de vista em segundos. A cabeça,
Como um melão, foi levada para o centro, afundando-se depois
Num tirbilhão mais forte. Metade cristão,

Metade ainda pagão, desapareceu entre as duas margens,
Nas ondas turvas, até receber agonizante
O sacramento do crocodilo.



(Aos Queridos Mortos, 2004, tradução de Fernando Matos Oliveira)

Carlos Poças Falcão


1.

Não sei adivinhar as tempestades.
No fim de uma estação as borboletas morrem
e o vento quebra nas varandas altas.
É por trás dos vidros que então nos defendemos
de todas as surpresas: morremos de antemão.
E sob a trovoada
assombra-nos o voo dos pássaros à chuva.


2.

Todos sabemos acender um fósforo
a quem nos pede lume.

Talvez fosse uma conversa
possível até ao fim. Mas o mais vulgar
é ficarmos onde estamos
com o fósforo aceso à beira do rosto

– e antes de haver tempo
a chama queima os dedos.


3.

Pequenos negócios, olhares lançados
sem dilatação. Dedos a tocar
mármores tão frios. Sombras sem memória
de mesas de cafés. Tudo apagamentos
– assim como um jornal
embrulha mais um dia.


(Coração Alcantilado, 2007)

Filipa Leal


Afinal, a memória


Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.

(O Problema de Ser Norte, 2008)

Gone, Yet Still, de Terence Koh, dá processo



Arte e cristãos parecem andar de candeias às avessas. Depois de dois casos recentes já aqui referidos, surge agora um processo judicial contra um Museu, por ter exposto uma instalação escultórica onde, entre muitas outras figuras, se pode um Cristo em erecção.
O assunto reporta-se ao Centro Báltico de Arte Contemporânea que, entre Setembro de 2007 e Janeiro de 2008, exibiu a instalação intitulada "Gone, Yet Still", obra do artista chinês Terence Koh, que integrava, além de Cristo, esculturas de outros ícones com uma erecção, como o Mickey e o ET.
Uma mulher de 40 anos viu e não gostou. Apresentou queixa contra o museu. O Centro Legal Cristão (CLC) aceitou assumir as despesas da acção judicial, porque, dizem, "a estátua não serve para outra coisa do que ofender os cristãos e denegrir a imagem de Cristo".

Loucura? Adrenalina? Jazz

Ascensores de Lisboa sobem e descem ao som do jazz. Ai, que perigo. Isso é muita adrenalina para quem usa os ascensores. Então se o ritmo for avassalador, free, vai ser um tal vomitar. O melhor é não subirem nem descerem ao ritmo do, mas fazerem-no tão-só com música de fundo. Os músicos escondem-se nos cantos do elevador e prontos!

Agora a sério, durante quatro sábados, em Setembro, os passageiros dos ascensores da Bica, Lavra, Glória e Santa Justa têm música ao vivo. Já no dia 6, poderão desfrutar dos acordes de Gonçalo Leonardo (contrabaixo), Gonçalves Marques (trompete), Nuno Martinho (guitarra) e Tiago Batista (guitarra), no elevador da Glória.

No dia 13, a cantora Mariana Norton, com o contrabaixista André Carvalho, o guitarrista André Santos, o saxofonista Daniel Vieira, o baterista Miguel Moreira e quem mais couber estarão no elevador de Santa Justa.

A 20, no elevador da Bica estarão André Santos, Bruno Pernadas (guitarra), Daniel Vieira (saxofone) e Pedro Pinto (contrabaixo).

E a 27, no Ascensor da Lavra "picam" bilhete os repetentes André Santos e Bruno Pernadas, além de César Cardoso (saxofone) e Zé Maria (saxofone).

02 setembro 2008

Alvor Flor do Sol, o barco solar


Com 11 metros de comprimento e uma lotação de 14 pessoas, o barco «Alvor Flor do Sol», que não precisa de combustível, navegou durante duas horas na Ria Formosa, junto a Faro.

Equipado com 15 painéis solares e 12 baterias, o barco é obra da empresa «Alvor Boat Trips», detida pelo casal luso-irlandês: Róisín O´Hagan e Luís Lourenço. O autor do projecto foi Jorge Severino.

A embarcação destina-se a passeios turísticos entre Alvor, Portimão e Lagos.


Não é o barco da imagem, um dos modelos da empresa australiana Solarsailor, que chegará aos mares no próximo ano. Poderão vê-lo em águas da China e dos EUA.


1,65 milhões e fazemos as malas


Já aqui falámos de leilões, de fortunas, de misérias, de grilos, de galinhas, de porcos, eu sei lá. Falamos, gostamos de dar ao dedo, de teclar, tch-tch-tch, com fúria e com suavidade. E porque para teclar temos de dar uso aos que a terra há-de comer, demos com isto. Isto é muito milhão por um rapazito.
Por 10% não nos importamos de ir apanhar bolas. Aqui fica a informação para os risonhos magnatas do... do... do Manchester City, carago. De resto, solicitamos um T4 duplex bem equipado e uma bicicleta com impermeável. Coisa pouca para uma transferência tão significativa.
Podem escrever-nos para aqui. Tks.

O kueê? Que dizes José Pinto de Sousa?

Que o Zé da Rua fale do modo como costuma falar, é natural. Faz parte da natureza do Zé. Que o José Pinto de Sousa o diga soa mal. Porque o senhor JPS tem obrigação de definir um programa político. O busílis está precisamente nisso. Não há política educativa em Portugal. O governo limita-se a gerir orçamentos. Sempre com os olhos postos na poupança, sobretudo quando se trata de agentes educativos. Pois em se tratando de cimento ou da soit disant tecnologia, a coisa pia de outra maneira (é socialmente mais rentável).
Disse o senhor José Pinto de Sousa que "O tempo da facilidade acabou". Que facilidade? Deve estar enganado. Que eu me recorde em ano nenhum houve facilidade. Sempre houve problemas. Sempre. E continuam. Quem quer que os filhos aprenda e tem possibilidades económicas escolhe. Quem quer que os filhos aprenda e não tem tantas possibilidades económicas ajuda-os e às vezes aposta em reforços como explicações. A maralha sempre esteve e continuará indiferente. Não teve nem tem outras perspectivas que não seja a de uns trocados. Está-se nas tintas que profissionais cuja formação foi em grande parte paga pelo dinheiro dos contribuintes esteja ou não desempregada.
O senhor JPS, cuja formação profissional, como todos sabem, deixa muito a desejar (em tirando, claro, habilidade partidária para trepar) fala como o Zé porque, no fundo, é como o Zé. Não acredita que o país alguma vez melhore e tudo faz para salvaguardar a sua vidinha.
O Estado não contrata porque o governo define as regras. E as regras são claras: recursos humanos - poupar; obras, espectáculo, propaganda - gastar à grande. O resto, como o Zé e o JPS sabem, é retórica, é para inglês ver.

Fossil Fuels, a cerveja com sabor a cravo


Pelo título somos levados a pensar num novo tipo de combustível. Mas, na verdade, trata-se de uma cerveja.
Cerveja elaborada, diz-se, a partir de uma levedura encontrada num fragmento de âmbar pelo microbiólogo Raúl Cano.
A levedura tem 25 a 45 milhões de anos. E ao ser retirada do âmbar continuou a reproduzir-se. Vai daí o director do Instituto de Biotecnologia Meio-ambiental da Universidade Politécnica da Califórnia, resolveu produzir uma cerveja cujo produto da venda financie as suas pesquisas em biocombustíveis.
A coisa está a correr bem. E há quem aprecie o sabor a cravo da cerveja.

Fonte: El País

Ano lectivo 2008-2009

Começa o ano escolar e lá temos de aturar a retórica dos ministros sobre educação.
A precariedade é geral. Mas isso que importa? Se é geral...
Com a precariedade vem o medo. Educar debaixo de tensão, como se sabe, faz bem à saúde. E contribui para o enriquecimento do país: mais medicamentos, mais consultas médicas pagas, mais análises...
Abençoados professores. Ganham pouco, trabalham que se fartam e uns milhares fazem-no anualmente com a corda na garganta.
Sócrates rejubila. Para ele tudo se resolve com cheques e choques tecnológicos. Afinal, ele deu umas aulas e conhece por dentro a coisa. O que lhe faltou para ter sido bom professor foi tecnologia. Ou então saber inglês.
Para Maria de Lurdes Rodrigues tudo corre sobre rodas. E como o governo se esforça muito, os alunos, coitados, com pena dessa gente, correspondem e os resultados têm sido supersónicos.

01 setembro 2008

A segurança no país de Sócrates

Depois da acção eficaz, célere, limpa, extraordinária, exemplar (e demais adjectivos que entendam por bem acrescentar) do governo de Sócrates, a segurança regressou.
Quem andava com insónias, stressado, desassossegado, borrado de medo, já pode relaxar. Sócrates falou. E porque falou e disse a verdade, os portugueses podem dormir descansados. O governo tudo faz em prol da segurança e do bem-estar de todos.
Eu cá acho que Portugal devia entrar no Guiness como o país com os líderes institucionais mais cómicos do mundo. Sócrates é um ponto. Tão engraçado, tão engraçado que até parece um comentador televisivo.

Quarenta mil

Este ano são 40 mil que ficam a olhar para as estrelas e a ouvir o nosso líder espiritual Sócrates, José, para quem o governo está sempre em cima dos acontecimentos.
Sócrates preside a um governo que fala pouco e age muito. Por isso, andam os portugueses enganados quando falam em crise. Qual crise, qual carapuça? Portugal vive um dos melhores momentos da sua História.
O único senão do discurso de Sócrates é fazer lembrar uma campanha publicitária de adsl: parece gratuito e continua exageradamente caro.

Urgentemente


31 agosto 2008

Vigiar vigiar vigiar

Numa democracia há, supostamente, direitos e garantias. Mas em nome da suposta segurança do cidadão continua-se a diminuir aquilo em que assentam as constituições de vários países: os direitos do homem. E a coisa começa a ficar feia. Vasco Pulido Valente põe o dedo na ferida, no seu artigo do Público. Ora leiam lá:
«O Presidente da República promulgou a Lei de Segurança Interna, que, como já se sabe, cria um "secretário--geral de segurança", nomeado pelo primeiro-ministro e perante ele directamente responsável. Em princípio, o secretário-geral de segurança, com a categoria de secretário de Estado, tem uma autoridade eminente sobre a PJ, a GNR e a PSP e acesso à informação que, por acaso ou desígnio, elas recolherem. Este sistema, em si próprio confuso e manifestamente perigoso, põe o primeiro-ministro na posição ambígua de um superpolícia, que ninguém vigia e a que ninguém pede contas. Mesmo assim, o prof. Cavaco não viu nisto qualquer perigo para a liberdade dos portugueses. Nem - é bom dizer - o dr. Mário Soares, para quem, hoje em dia, Sócrates nunca erra.
Pior do que isso: depois do cartão "1 em 4" (ou "1 em 5", não sei ao certo), uma ingerência inadmissível na privacidade do cidadão, que foi um fiasco prático, mas não deixa de ser um abuso político, o Governo resolveu agora introduzir, obrigatoriamente, um chip em cada automóvel. Não se conhece ainda em pormenor a capacidade do chip e o que se pretende dele. O chip tanto pode servir para um fim inócuo, identificar um carro in situ, por exemplo, como para seguir esse carro por Portugal inteiro, coisa que permitiria ao secretário-geral da segurança e, por consequência, ao primeiro-ministro, averiguar em profundidade e pormenor a nossa suspeitíssima vida. Cavaco acha o assunto "melindroso". E a Comissão Nacional de Protecção de Dados, num gesto de uma futilidade, pede que o "alcance" do chip não passe de um "alcance local". Estará a pensar em Vizela ou na Grande Lisboa e no Grande Porto? »

O regresso de Christiane F.


Era uma vez uma menina. A menina drogava-se. Chutava forte e feio. Era completamente viciada. E tornou-se uma celebridade internacional porque contou num livro a sua vidinha. O livro foi um sucesso. O título original "Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo", deu na nossa língua "Christiane F. - Os Filhos da Droga" (1979). E teve várias edições. A autora correu meio mundo, por causa do livro e do filme que fizeram. E porque se tornou cantora (veja tudo neste sítio, com muita iconografia) e actriz. Christiane F. reforma-se em 1985 e passa a viver de rendimentos. Tinha 23 anos. Tudo parecia correr bem, não fora o vício.
Christiane Vera Felscherinow, iniciada na heroína pelo namorado, e que recorria à prostituição para sustentar o vício, voltou aos escaparates este mês, quando as autoridades lhe retiraram a custódia do filho.

Quase 30 anos depois de os Filhos da Droga, a vida dela daria outro livro: "Christiane F. - Os pais da droga". Tão sórdido como o primeiro.
Em 1996 tornou-se mãe. Tinha 34 anos. Aos 46, após ter falhado múltiplas desintoxicações, não escapou à degradação do vício – tem hepatite C, faz hemodiálise e já nem sequer pode injectar por falta de veias capazes – e retiraram-lhe o filho por "incapacidade".
O novo drama começou este ano, quando ela e o namorado, Joachim S., de 37 anos, decidiram emigrar para a Holanda, levando a criança. Como a Justiça alemã lhe retirou o filho, ela sequestrou-o, fugindo para Amesterdão. Mas, na capital holandesa, regressou à heroína e, após uma zanga com Joachim, voltou à Alemanha em Junho. O Tribunal de Menores retirou-lhe a custódia de Niklas, que só poderá voltar ao convívio com a mãe caso ela recupere da dependência.
É pouco provável. Segundo a imprensa local, Christiane procura as antigas amizades da seringa, pernoita em casa de amigos e frequenta uma praça de Berlim famosa pelo tráfico. E Joachim declarou à "Der Spiegel" que ela snifava heroína regularmente e bebia muito álcool. Fiel, de resto, ao seu princípio. Em entrevista ao semanário holandês "De Limburger", em 2005, afirmou: "Nunca quis ser exemplo para ninguém; acho que cada um deve saber o que faz".

29 agosto 2008

Os achados de Coriscada (Mêda)







Uma campanha arqueológica no Vale do Mouro, Coriscada, revelou um povoamento neolítico com sete mil anos e permitiu descobrir uma aldeia romana que os arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.
Quando se pensava que o local, no concelho da Mêda (distrito da Guarda), teria tido apenas duas ocupações – nos séculos III e IV depois de Cristo (d.C.) –, as escavações de 2008 revelaram novos achados do período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.
Uma equipa coordenada pelos arqueólogos António Sá Coixão e Tony Silvino iniciou as campanhas de investigação no Vale do Mouro em 2003. Sá Coixão acredita que "como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, estas descobertas vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano 'pobretanas' onde não se podia viver bem".
"Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma vila [quinta] e já no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho, prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias", explicou o arqueólogo.
Sá Coixão admite que, numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de operários livres criando um 'Vicus' [aldeia] onde os deuses e festividades passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história conhecida da aldeia romana, defende.
Numa recente visita a este local, o professor catedrático e investigador de Pré-História e Arqueologia Jorge de Alarcão afirmou que "teria que reescrever tudo sobre o Portugal rural romano", conta.
Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em 2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca encontrado em regiões interiores de Portugal. No último dia de campanha de 2007, fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta 'endinheirada' de um tesouro monetário com cerca de cinco mil moedas (4526), provavelmente envoltas num saco, tendo sido encontrado um resto de tecido que surpreendeu os arqueólogos pela sua sobrevivência.
Fonte: Público

Mais uma dor de cabeça para a Igreja?

«O Alentejo será palco, dentro de quatro semanas, do I Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos. A organização é do Rumos Novos, um movimento com sítio na Internet. São esperados membros de, pelo menos, sete grupos espanhóis e a hierarquia da Igreja já foi informada.
A 27 e 28 de Setembro, Évora será ponto de romaria de homossexuais de Portugal e de Espanha que assumem a sua condição de católicos (entre outras correntes cristãs). A hierarquia eclesiástica portuguesa já foi informada da iniciativa e ao arcebispo de Évora foi mesmo pedido o serviço de um sacerdote, para assistência espiritual. Os organizadores enviaram convites aos diversos partidos políticos.»
Fonte: Expresso

A velocidade da mosca


Por que é que é tão difícil acertar numa mosca?

Michael Dickinson, um cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriu porquê. Este especialista na biomecânica do voo dos insectos (uma área importante para desenvolver novas máquinas voadoras, por exemplo) descobriu que o pequeno cérebro das moscas calcula a localização da ameaça iminente (um mata-moscas ou uma mão estendida), determina uma rota de fuga e coloca as pernas na posição óptima para saltar do sítio onde está - tudo nuns meros 100 milissegundos.

A explicação vem na revista científica Current Biology. Um excerto pode ser lido clicando na imagem, ou passando por aqui ou aqui.

A Igreja anda nervosa




As coisas não estão a correr bem. Depois de Itália, chega notícia do Brasil. Tudo por causa de uma foto.

«A fotografia da actriz Carol Castro, seminua e com um rosário nas mãos, publicada na Playboy de Agosto, causou enorme polémica no Brasil: A Igreja recorreu aos tribunais mas a revista continua à venda.
O juiz Oswaldo Henrique Freixinho, através de uma providência cautelar, deu provimento parcial a uma petição do grupo católico Juventude pela Vida e do sacerdote Luiz Carlos Lodi Da Cruz que exigiam que a revista fosse retirada das bancas por conter una fotografia que, na sua opinião, ofende os valores religiosos e os fiéis católicos.
O juiz, todavia, só proibiu a distribuição de "novas revistas" com a foto impugnada sob pena de multa diária de mil reais (cerca de 423 euros).»
Fonte: JN

O Cristo


Fotocomposição de alexandrecelta

28 agosto 2008

Porno para Ricardo é uma banda de Gorki Aguila

Um terrorista cubano cuja arma é... a palavra. A palavra cantada. As canções da banda Porno para Ricardo não são grande espingarda, mas em Cuba a coisa pia doutra maneira e o autor da gracinha já por mais de uma vez viveu em calabouços por causa disso.




O sapo do escândalo


Uma escultura de madeira com um sapo verde crucificado, do artista alemão Martin Kippenberg, exposta no Museion, Museu de Arte Contemporânea em Bolzano, norte de Itália, provocou a ira do Papa Bento XVI.
Pois é, para o papa a iconografia é mais importante do que o resto. Afinal, há imensos fiéis e esses reagirão mal quando souberem da blasfémia. Talibãs, fundamentalistas e esta linha que Bento XVI encarna tão bem preocupam-se mais com arte e semãntica do que com outras coisas. É a vida... actual.

85 cêntimos por dia para sobreviver

«De acordo com o relatório do BM [Banco Mundial] divulgado ontem, cerca de 1400 milhões de pessoas (uma em quatro) no mundo em desenvolvimento vive com menos de 1,25 dólares (cerca de 0,85 euros) por dia. A estimativa reporta--se a 2005 e significa uma revisão em alta da última previsão do banco, que apontava para 985 milhões a viver abaixo do limiar da pobreza.
A diferença de valores explica-se devido a uma revisão do conceito de linha de pobreza. Depois de ter observado que o custo de vida nos países em desenvolvimento é mais elevado do que pensava, o BM ajustou de um dólar para 1,25 o nível para medir a linha de pobreza.
Contudo, as "novas estimativas não reflectem ainda o impacto potencialmente grande nos pobres da escalada dos preços do petróleo e dos alimentos desde 2005", adverte o BM. De acordo com a instituição, mais de 100 milhões de pessoas podem descer abaixo do limiar de pobreza.»
Fonte: Público de hoje

Cavaco inquieto com quê?

O senhor presidente vive no mundo da lua? Não. Vive em Portugal e embora os portugueses sejam dados à fantasia Cavaco Silca sabe onde vive. E sabe que quando o plim escasseia numa sociedade que faz apelo constante ao consumo (de atitudes, de marcas, de produtos) o pequeno crime dispara, pois para arranjar plim recorre-se à violência. Que, por sinal, continua bastante fotogénica. Não há estação televisiva ou jornal que deixe passar a coisa. Mas isso, caros leitores, são trocos.
O grande crime é praticado pelo colarinho branco e não parece inquietar particularmente o senhor Cavaco Silva. Quando o Estado gasta fortunas a pagar obras orçamentadas por metade do custo global real ou quando supostos gestores se fazem pagar petrodolarmente o silêncio é de lei. Isto para não falarmos de outros extrupos e piratarias levadas a cabo pelos cúmplices que estão à frente de ministérios, secretarias de estado e afins.
Se se rouba um camião que transporta valores cai o carmo e a trindade. Mas, reparem, o otário que baleou a mulher com a filha de meses ao colo, apenas queria o dinheirinho do rendimento social de inserção. E aquilo era tão urgente que não hesitou em primir o gatilho. Porquê? Mais polícia, mais video-vigilância ou algo do género vai mudar isso? Não. Mas serve, claro, para assustar a classe média, tornando-a ainda mais amorfa do que é. Amorfa, assustada, parva. Sempre com medo de que lhe roubem o popó ou a carteira. Quando todos os dias a roubam descarada a principescamente uma meia dúzia que ganha mais aqui (no tal país pobre) do que ganham os congéneres nos países vizinhos (ditos mais ricos).

27 agosto 2008

A olhar para onde?


A nós parece-nos que está a olhar para o lado e para longe, quiçá para a Grécia. E vocês que acham?
Referimo-nos, claro, à cabeça gigante do imperador Marco Aurélio quando jovem, que foi desenterrada num local arqueológico na Turquia. Os arqueólogos têm vindo a descobrir várias estátuas numa sala de banhos da cidade antiga de Sagalassos, que foi parcialmente destruída durante um terramoto entre 540 e 620 d. C.

«A cabeça, com quase um metro de altura, mostrava o jovem a olhar para cima. As pupilas estão direccionadas para o céu “como se tivesse numa contemplação profunda, completamente ajustado a um imperador que era mais um filósofo do que um soldado”, explicou o professor Marc Waelkans da Universidade Católica de Leuven, Bélgica.»

Ora a nós parece-nos que o rapaz não olhava para cima mas em frente.

O romance de mercado por João Rodrigues

Via Ladrões de Bicicletas chegámos aqui. Ora leiam lá um excerto:
«Enfim, o retrato da actual configuração do capitalismo português, depois de um longo ciclo, com vinte anos, de constante liberalização, de maciças privatizações e de irresponsável perda de instrumentos de política económica, sem contraponto em novos mecanismos de política pública dignos desse nome à escala da União Europeia, revela que a fractura social e a estagnação económica são os dois principais capítulos do romance de mercado, transformado em guia para a política, na semiperiferia da economia global.
A maioria das nossas elites políticas, económicas e intelectuais comprou este romance a um preço em conta para si, mas muito elevado para o País. Num típico movimento de fuga em frente, essas elites afirmam agora: "falhámos porque o romance não foi aplicado com suficiente afinco; só mais um esforço e tudo correrá pelo melhor no melhor dos mundos". Como afirmou o filósofo liberal Karl Popper, é típico das ideologias puras não serem passíveis de confrontação com a impureza da realidade.»

Organizações dos direitos das crianças contra spot

Um anúncio que criou polémica? Algo de novo? Não. Dizem que é para as crianças beberem sumo de laranja. Sumo, salvo seja, refrigerante. Há a versão francesa, que podem ver a seguir ou a versão inglesa que podem ver adiante.





Apesar de ser uma animação e de contar uma história de amor, o trabalho da agência francesa Max Effect tem também uma forte carga sexual. Escassos segundos depois de começar, é possível assistir a um cena de aproximação física de natureza sexual entre dois animais e esta não é, aliás, única durante o filme publicitário de 60 segundos. Segundo os criativos, o trabalho inspirou-se em filmes como “American Beauty” e “Flash Dance”.

Aquele querido mês de Agosto


Fomos ver o filme de Miguel Gomes. E rimo-nos bastante. Uma vez ou outra passámos pelas brasas. Um filme também serve para isso: para acalmar.

Gostámos (4 estrelas). E fazemos votos para que o realizador explore esse universo português com outro fôlego.

Para quem gosta de críticas, convidamo-lo a visitar as palavras de Hugo Torres. Ou as de Luís Miguel Oliveira.

Hi, George


Deste canto perdido no meio do Atlântico saudámos a chegada do Georginho à bloglândia.

Salut, meu caro e boas postas.

25 agosto 2008

Grunhos? Nã! Coitadunhos...


Coitadunhos dos industriais. Baixar preços é ilegal, causa prejuízos. Os consumidores agradecem… mas que interessam os consumidores?! Os consumidores existem para pagar. Pagam e mai nada. Quem quer saber do que se trata só tem de passear até aqui.


A utilidade da arte


Às vezes a arte é útil. Muito útil. Quase imprescindível. Que o digam dois alfacinhas que encontraram em "Treze a rir uns dos outros", de Juan Muñoz, um bom local para dormir.

As esculturas, que se encontram no jardim da Cordoaria, no Porto, servem de casa provisória a dois jovens, que não são uns sem-abrigo comuns. Foram para o Porto supostamente à procura de emprego e, sem dinheiro para casa ou pensão, vivem agora ao relento. O que faz com que as esculturas sejam olhadas com outros olhos. Há quem fique a mirar a casa provisória que os rapazes construíram sob uma das esculturas. Forrada com cartão e com plásticos, a escultura tem no interior uma pequena divisão e dois espaços que servem de cama.

Bruno P., um dos jovens, trabalhava na capital como pintor. Foi para o Porto à procura de um emprego melhor. Mas quando lá chegou as condições não lhe agradaram. A proposta de trabalho era de assentador de pedra em França, mas o jovem não gostou das condições e acabou por ficar no Porto sem dinheiro para voltar para casa.

Ontem, já passava da hora do almoço e Bruno ainda dormia, enrolado em cobertores. Não quis sair. Mas contou ao JN a sua situação. "Não sou nenhum marginal. Só estou à procura de trabalho. Penso em ir embora todos os dias, mas não tenho dinheiro", desabafa. "A Polícia já esteve aqui e perguntou ao meu colega quanto tempo é que íamos ficar. O meu amigo disse-lhe que seria até Setembro e eles não disseram mais nada. Vêem-nos aqui todos os dias quando passam, mas nada dizem. Fomos ficando", relata.

19 agosto 2008

O "Namoro" de Almada Negreiros




Figura Feminina, um quadro de Almada

Em Maio passado, nas salas repletas da leiloeira Palácio do Correio Velho, Figura Feminina, de 1946, do escritor e artista plástico José Sobral de Almada Negreiros, atingiu os 150 mil euros. Foi o valor mais alto do leilão, transformando a obra numa das mais caras de Almada Negreiros. Hugo Xavier, especialista em leilões, disse ao Público que ainda nos anos 70, um Retrato de Fernando Pessoa, de 1954, do mesmo artista, chegou aos mil contos em leilão (que hoje representariam mais de 250 mil euros).


Fonte: Público

Ler notícia completa: Aqui

Origem da imagem: Palácio do Correio Velho

18 agosto 2008

Almada: uma faceta menos conhecida


José Sobral de Almada Negreiros (1893 - 1970), pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo, ligado ao movimento futurista, fez várias experiências em Banda Desenhada como forma de Arte.
Uma das suas mais famosas experiências no mundo da BD foi “O velho, o rapaz e o burro”, uma adaptação de um conto tradicional, publicado no periódico Ilustração Portuguesa.
No final dos anos 20, Almada foi viver para Espanha. Aí, entre 1927 e 1929, criou BD regularmente para El Sol.
O seu trabalho mais inovador foi publicado no Sempre Fixe, de onde se destacam “Os dois irmãos muito unidos” e “O sonho de Pechalin”.

07 agosto 2008

Big brother is watching you

Cada vez mais a tecnologia permite a invasão da vida privada: satélites, vídeo-vigilância, câmaras nos telemóveis e noutros aparelhos bem mais pequenos.

Agora chegou uma máquina fotográfica que tem um campo de visão muito semelhante ao olho humano. E o que parece muito engraçado para as fotos domésticas, torna-se potencialmente perigoso para a vida privada de cada cidadão, sobretudo se o Estado quiser espiolhar. O big brother é cada vez mais uma realidade.

06 agosto 2008

Que miséria! Só isso?


Bem se vê que o plim é só para atrair a arraia-miúda. Quem é que se incomoda com 500 euros? Para que servem? Para comprar alguma roupa? Para alguns gastos escolares? Para ir jantar fora e à discoteca com a(o) namorada (o)?

Senhora Ministra premiar os melhores, sim. Mas para estimular a plebe o montante é ridículo. 5000 euros já era outra coisa. O ministério punha uma parte e arranjava parcerias com mecenas que pusessem o resto. Cinco mil mocas já dava para pagar propinas numa faculdade e para mais qualquer coisita. Agora quinhentas moedas de euro nã servem pra nada.

04 agosto 2008

Cavaco vs. Açores


O que incomoda o senhor Presidente da República? Nervosamente dirigiu-se ao país numa linguagem de burocrata.

O povo seguiu-o atentamente. O país parou para ver que anúncio urgente tinha Cavaco Silva de fazer à nação.

E mal se percebeu que era uma questão de lana-caprina, imprópria para o horário nobre, o povo mudou de canal. A nação virou costas ao homem que já nos tirou da cauda da Europa (onde continuamos) e que fez campanha presidencial a prometer um futuro melhor (que afinal piorou tremendamente).

Agora ficámos a saber que do que disse ao país, o Tribunal Constitucional nada sabia. Terá Cavaco Silva sido atacado pelo bicho da estação (sealy season)?

A minúscula Leptotyphlops carlae


Descoberta em 2006, pelo biólogo Blair Hedges, a Leptotyphlops carlae é considerada a cobra mais pequena do mundo. Tem, em média, dez centímetros de comprimento, vive na ilha de Barbados (Caraíbas) e pode ficar extinta dentro de poucos meses.

Hedges deu-lhe o nome de Leptotyphlops carlae em homengaem à sua mulher, Carla Ann Hass, cientista especialista em répteis que estava com o marido na altura da descoberta.

Embora houvesse já espécimes recolhidos, não estavam correctamente classificados. O investigador acredita que esta espécie é endémica da ilha. Existem no Museu de História Natural de Londres três espécimes muito antigos que na altura foram identificados como sendo de outra espécie.

“As diferenças entre animais pequenos são muito mais subtis e por isso passam despercebidas”, explicou Blair Hedges. A identificação genética é a única forma de se distinguir as espécies. “A grande vantagem do ADN é que é tão diferente entre cobras pequenas como entre cobras grandes, permitindo-nos observar as diferenças que não veríamos a olho nu”, continua.

A espécie alimenta-se de térmitas e tem particularidades físicas graças ao seu tamanho. Ao contrário das cobras grandes que chegam a pôr 100 ovos de uma vez, a fêmea de Leptotyphlops carlae só põe um ovo enorme. Quando a cobra nasce tem cerca de metade do tamanho de um adulto, o que é uma proporção anormal, já que a maioria tem juvenis muito pequenos.

Segundo o biólogo é provável que este seja o limite físico para a cobra, não podendo tornar-se mais pequena. “Se uma cobra pequenina tivesse mais do que um filho, cada ovo teria que partilhar o mesmo espaço ocupado por um só ovo, por isso os dois juvenis teriam metade do tamanho normal”, explica Blair Hedges. E não haveria nada suficientemente pequeno para comerem. Por isso, a cobra da Barbados tem um tamanho mais pequeno possível.

03 agosto 2008

Portas e portadas: Forças, Armada


Herói da pátria, homem que só não anda todos os dias fardado (um dia para cada ramo das forças armadas) porque preza demasiado os seus fatinhos de andar pelas feiras, PP está sempre atento às F.A. Zela pelos interesses da corporação. Pena é que quando foi ministro da coisa tenha metido água. Mas isso, que interessa? Importa é dar nas vistas…

30 julho 2008

Betty Carter - Tight

Betty Carter - Once Upon A Summer Time

Betty Carter

nox tar kom mtx xaudadx do putugx


No telemóvel há quem escreva romances e há quem abastarde tudo, numa de imitar os ingleses, cuja fonética lhes permite uma grande poupança de caracteres. No nosso caso, a língua torna-se estranha, pois até o que não tem correspondência é mudado. Uma amostra:

«Oi xtora!!! ta td ben knsg? nox tamx kom mtx xaudadx xuax poix ja ñ temx akela xtora kida à k nux habituamx bjtx, nunka nux vamx exkexer d xi! Ass: xara».

Traduzindo: «Olá professora, Está tudo bem consigo? Nós estamos com muitas saudades suas, pois já não temos aquela setora querida a que nos habituámos. Beijos. Nunca nos vamos esquecer de si. Assinado: Sara».

Como diz, e bem, Rosário Antunes, professora de Português, «Esta nova linguagem não tem regras, pois os adolescentes tanto usam o 'x' para substituir 'ss', 'ch' e 'os' como no lugar do 'ç', havendo palavras que ficam bastante diferentes das originais, como 'tamx' (estamos) ou 'kuraxao' (coração)». Para Rosário Antunes, que diz ter encontrado este cenário em todas as escolas por onde passou «e abrangendo alunos dos 10 aos 17 anos», é possível encontrar exemplos desta nova escrita «até nos testes».

Quando se aprende a escrever, aprende-se a ortografia de forma mecânica, intuitiva e memoriza-se uma imagem gráfica das palavras. Se os alunos manifestam dúvidas quanto à grafia correcta de um vocábulo é porque, de tanto o escreverem alterado, a confusão já se instalou na sua memória. As consequências poderão ser desastrosas.

A juntar à manifesta dificuldade de leitura de textos literários, teremos não tarda a incapacidade em perceber instruções simples, do género, Vota X e eles põem a cruzinha no S. Ou vice-versa.

28 julho 2008

Cuil: um novo motor de busca que pretende destronar o Google

O Cuil – um novo motor de busca – já está online. Fundado por ex-funcionários da Google, como Anna Patterson, Russell Power e Louis Monier, especialistas de pesquisa na Internet, e por Tom Costello, antigo funcionário da IBM, o Cuil aposta forte na privacidade.
Este motor de pesquisa, segundo afirmam os criadores, indexa 120 milhões de páginas, um número superior ao do Google, que há muito tempo não revela o número de páginas que indexa. A técnica de análise do conteúdo das páginas permitirá, segundo os fundadores, obter resultados muito relevantes, que são apresentados sob a forma de resumo e não sob forma de lista.
Outra vantagem do Cuil – nome que deriva da palavra irlandesa conhecimento – é o maior respeito pela privacidade dos seus utilizadores, uma vez que não é guardado o historial das pesquisas efectuadas através do endereço IP.
Vários motores de busca tentaram, em vão, nos últimos anos, rivalizar com o Google: o gigante Microsoft com o Live Search, e também companhias mais jovens como a Teoma, Vivisimo, Snap, Mahalo e Powerset.
Mas o Google ganhou, a cada ano que passava, quotas de mercado, centralizando, actualmente, mais de 62% das pesquisas do mundo. Muito à frente, portanto, do seu mais directo rival, o Yahoo!, que conseguiu 14% do mercado e do Live Search da Microsoft, que se ficou pelos 3%.

Dieta mediterrânica ajuda a controlar a asma


Investigadores da Universidade do Porto concluíram que a dieta mediterrânica, caracterizada pelo elevado consumo de hortofrutícolas, leguminosas, cereais inteiros, frutos secos, azeite e peixe é «um cocktail» de componentes potencialmente protectores na asma e ajuda a controlar a doença.
A este tipo de alimentos junta-se também o consumo moderado de lacticínios e álcool e o consumo reduzido de carnes vermelhas e processadas.
«Sabe-se que este tipo de dieta previne a asma e a rinite alérgica nas crianças, mas desconhecia-se até agora o impacto deste padrão alimentar nos adultos», diz o estudo, realizado pelas faculdades de Medicina e de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto.

[Fonte: Diário Digital]

O óbvio ou será que não?


The Eternally Obvious, 1948, de Magritte

O óbvio é cada vez menos óbvio. Porque o politicamente correcto activa zonas sombrias e conduz as pessoas a níveis perigosos de encenação, similares ao da esquizofrenia. Mas isso pouco importa, pois a pretexto de civilização e de valores humanistas o que está em causa é sempre a habilidade com que determinadas minorias conseguem levar a água ao seu moinho e crescerem económica e socialmente.

Assim, questões como a dos resultados em provas ou as de comportamentos e orientações sexuais são a ponta de um iceberg ainda pouco estudado.

22 julho 2008

Férias


A partir de hoje e mais ou menos durante um mês, o Pisca de Gente será um blogue intermitente. Motivo: férias.
Roam-se de inveja, os que ainda têm muitos dias de trabalho pela frente.
Dancem, descansem, divirtam-se, aborreçam-se, comam muito, façam dieta - qualquer coisa serve - os que já se podem dedicar ao dolce fare niente.

Para os que gostam de fotografia, um repto: mandem algumas das vossas fotos de férias para o nosso email. Serão publicadas logo que possível.

Primeira Guerra Púnica - Simão Bessa

21 julho 2008

Bistro - Simão Bessa

Acordo ortográfico

Já está. Cavaco Silva promulgou. O Acordo é lei. Agora podemos rir, podemos chorar, podemos continuar fiéis à velha grafia que de nada servirá. Daqui a 20 anos escreveremos "ótimo" sem engulho, por enquanto far-nos-á aflição.

20 julho 2008

Gémeos de cores diferentes

Um é branco, o outro é negro. O pai é branco. A mãe, negra.

Ryan sai ao pai, um alemão de olhos e cabelo claro. Já Leo é parecido com a mãe, uma cidadã do Gana.

Os médicos estão incrédulos e dizem que é muito raro, tão raro que não há sequer estudos sobre o assunto.



The Doors - When The Music's Over

The Doors - Touch Me

The Doors - People are Strange

Leituras de uma ministra... espanhola


Já aqui falámos dela várias vezes. E reincidimos, porque é bem o símbolo da diferença tão grande entre dois países vizinhos.

A ministra da defesa, Carmé Chacón, num artigo publicado no diário espanhol ABC fala da sua licença de maternidade. Não como uma tia, mas referindo as suas leituras. E que leituras. Virginia Woolf, Doris Lessing, Margaret Atwood, Tony Morrison, Elizabeth Smart e Joana Bonet.

Agora ponham-se lá a fazer contas e digam-me, quantos dos nossos ministros falam alguma vez de livros?

A evolução de um país também se mede por gestos tão simples como o de ler. Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és.

19 julho 2008

Prostituição


Há coisas que todos sabem, mas de que poucos falam. Rapazes e raparigas com baixa escolaridade, que um dia saíram de casa ao cheiro de um vida melhor e que acabam seropositivos, dependentes de diversos tipos de drogas, que alimentam com o próprio corpo.
A reportagem é de uma jornalista do Jornal de Notícias e conta a história de um rapaz de 21 anos. Um rapaz que a troco de 20 euros satisfaz caprichos de homens de meia-idade, casados ou não, de casais e de uma ou outra mulher. Tudo para poder consumir a sua dose diária. E para poder viver.
Depois da construção civil e de um percurso que o fez entrar em contacto com o mundo da prostituição ainda adolescente, percorre a noite portuense à espera de clientes.
Leia tudo aqui, numa reportagem de Helena Teixeira da Silva.

The Clash - Lost In The SuperMarket

The Clash - Rudie Can't Fail

The Clash - Know Your Rights

Racismo em Portugal

Transcrevemos parte do artigo de São José Almeida (Público de hoje), «Quando o racismo disfarçado leva ao racismo ao quadrado», pela pertinência das questões que coloca.

«O tiroteio no Bairro da Quinta da Fonte, em Loures, agitou o país (…)

As televisões mostraram imagens de um grupo de pessoas a avançar de pistolas e caçadeiras nas mãos, a virar uma esquina e depois a recuar. Tudo isto pontuado de gritos e sons de disparos que se destinavam a um outro grupo de pessoas, que estariam também armadas, mas que não surgem nos filmes. As pessoas que se vêem são ciganos e o outro grupo de pessoas envolvidas no tiroteio são pretos. O Bairro da Quinta da Fonte é, aliás, povoado por pretos e ciganos, que para ali foram deslocados há mais de dez anos, depois de terem sido despejados das barracas que ocupavam no Prior Velho, deixando esta zona livre para a remodelação urbana trazida pela construção da Expo'98.
Assim, foi depositado um conjunto de pessoas - maioritariamente ciganas e pretas e também alguns brancos hoje idosos - no novo bairro, que foi adaptado a bairro social depois de ter sido começado a construir como cooperativa de habitação, estatuto que têm ainda alguns blocos de prédios. Estes deslocados da Quinta da Fonte são, dez anos depois, a mesma comunidade pobre, ou melhor, cada vez mais pobre, que vive em noventa por cento do rendimento mínimo garantindo. Estamos perante o fim da linha social, perante os mais pobres dos mais pobres, o lumpen social. Estamos perante pessoas que estão destinadas a viver em condições sub-humanas. E que para sobreviver, no meio social a que estão condicionadas, recorrem às parcas ajudas do Estado e à criminalidade. Até porque perante a ausência de emprego, o crime é a alternativa profissional. (…)

O que está em causa no Bairro da Quinta da Fonte parece ser em última instância um problema de pobreza e exclusão extremas, que potencia as tensões próprias às ideias preconcebidas que cada etnia tem em relação a outra.

Os ciganos são portugueses, não são imigrantes. Os pretos nascidos em Portugal, mesmo quando filhos de imigrantes, são portugueses. Os ciganos resistem à aculturação, mas são perfeitamente integráveis e não são potenciais criminosos. Assim como os pretos que vivem em bairros pobres não são potenciais criminosos. Nem andam aos tiros uns aos outros. Basta olhar outras comunidades compostas por pretos e ciganos.

E é esse cuidado com o preconceito que deve estar bem presente no enfrentar desta questão. Para que não se caia em problemas de racismo ao quadrado e não nos tornemos ainda mais racistas ao querermos não o ser. A este propósito ficam duas questões: por que razão foram retirados ciganos do bairro e se aceitou como vítimas um dos lados do conflito, deixando os pretos num local agora mais guetizado? E se os deslocados fossem brancos e não ciganos estariam num pavilhão sem condições ou alojados em pensões?»


Blá blá

Blá blá: generalidades. Blá blá: esperança.

Pergunta: Que ideia política para o país?

Resposta: Blá blá.

Pergunta: Que projectos para o país?

Resposta: Blá blá.

Comentário de um português distraído: Este homem tem garra. Assim é que é falar.

Diferença de fundo entre PC e MFL? Zero.

Manuela Ferreira Leite tem a postura. Passos Coelho tem que abrir terreno a uma provável liderança. Mas o que diz de concreto para resolver os problemas de Portugal? Não diz nada.

Aretha Franklin : I Say A Little Prayer - Rare Live Version

História de Portugal (Simão Bessa)