03 setembro 2008

Filipa Leal


Afinal, a memória


Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.

(O Problema de Ser Norte, 2008)

Gone, Yet Still, de Terence Koh, dá processo



Arte e cristãos parecem andar de candeias às avessas. Depois de dois casos recentes já aqui referidos, surge agora um processo judicial contra um Museu, por ter exposto uma instalação escultórica onde, entre muitas outras figuras, se pode um Cristo em erecção.
O assunto reporta-se ao Centro Báltico de Arte Contemporânea que, entre Setembro de 2007 e Janeiro de 2008, exibiu a instalação intitulada "Gone, Yet Still", obra do artista chinês Terence Koh, que integrava, além de Cristo, esculturas de outros ícones com uma erecção, como o Mickey e o ET.
Uma mulher de 40 anos viu e não gostou. Apresentou queixa contra o museu. O Centro Legal Cristão (CLC) aceitou assumir as despesas da acção judicial, porque, dizem, "a estátua não serve para outra coisa do que ofender os cristãos e denegrir a imagem de Cristo".

Loucura? Adrenalina? Jazz

Ascensores de Lisboa sobem e descem ao som do jazz. Ai, que perigo. Isso é muita adrenalina para quem usa os ascensores. Então se o ritmo for avassalador, free, vai ser um tal vomitar. O melhor é não subirem nem descerem ao ritmo do, mas fazerem-no tão-só com música de fundo. Os músicos escondem-se nos cantos do elevador e prontos!

Agora a sério, durante quatro sábados, em Setembro, os passageiros dos ascensores da Bica, Lavra, Glória e Santa Justa têm música ao vivo. Já no dia 6, poderão desfrutar dos acordes de Gonçalo Leonardo (contrabaixo), Gonçalves Marques (trompete), Nuno Martinho (guitarra) e Tiago Batista (guitarra), no elevador da Glória.

No dia 13, a cantora Mariana Norton, com o contrabaixista André Carvalho, o guitarrista André Santos, o saxofonista Daniel Vieira, o baterista Miguel Moreira e quem mais couber estarão no elevador de Santa Justa.

A 20, no elevador da Bica estarão André Santos, Bruno Pernadas (guitarra), Daniel Vieira (saxofone) e Pedro Pinto (contrabaixo).

E a 27, no Ascensor da Lavra "picam" bilhete os repetentes André Santos e Bruno Pernadas, além de César Cardoso (saxofone) e Zé Maria (saxofone).

02 setembro 2008

Alvor Flor do Sol, o barco solar


Com 11 metros de comprimento e uma lotação de 14 pessoas, o barco «Alvor Flor do Sol», que não precisa de combustível, navegou durante duas horas na Ria Formosa, junto a Faro.

Equipado com 15 painéis solares e 12 baterias, o barco é obra da empresa «Alvor Boat Trips», detida pelo casal luso-irlandês: Róisín O´Hagan e Luís Lourenço. O autor do projecto foi Jorge Severino.

A embarcação destina-se a passeios turísticos entre Alvor, Portimão e Lagos.


Não é o barco da imagem, um dos modelos da empresa australiana Solarsailor, que chegará aos mares no próximo ano. Poderão vê-lo em águas da China e dos EUA.


1,65 milhões e fazemos as malas


Já aqui falámos de leilões, de fortunas, de misérias, de grilos, de galinhas, de porcos, eu sei lá. Falamos, gostamos de dar ao dedo, de teclar, tch-tch-tch, com fúria e com suavidade. E porque para teclar temos de dar uso aos que a terra há-de comer, demos com isto. Isto é muito milhão por um rapazito.
Por 10% não nos importamos de ir apanhar bolas. Aqui fica a informação para os risonhos magnatas do... do... do Manchester City, carago. De resto, solicitamos um T4 duplex bem equipado e uma bicicleta com impermeável. Coisa pouca para uma transferência tão significativa.
Podem escrever-nos para aqui. Tks.

O kueê? Que dizes José Pinto de Sousa?

Que o Zé da Rua fale do modo como costuma falar, é natural. Faz parte da natureza do Zé. Que o José Pinto de Sousa o diga soa mal. Porque o senhor JPS tem obrigação de definir um programa político. O busílis está precisamente nisso. Não há política educativa em Portugal. O governo limita-se a gerir orçamentos. Sempre com os olhos postos na poupança, sobretudo quando se trata de agentes educativos. Pois em se tratando de cimento ou da soit disant tecnologia, a coisa pia de outra maneira (é socialmente mais rentável).
Disse o senhor José Pinto de Sousa que "O tempo da facilidade acabou". Que facilidade? Deve estar enganado. Que eu me recorde em ano nenhum houve facilidade. Sempre houve problemas. Sempre. E continuam. Quem quer que os filhos aprenda e tem possibilidades económicas escolhe. Quem quer que os filhos aprenda e não tem tantas possibilidades económicas ajuda-os e às vezes aposta em reforços como explicações. A maralha sempre esteve e continuará indiferente. Não teve nem tem outras perspectivas que não seja a de uns trocados. Está-se nas tintas que profissionais cuja formação foi em grande parte paga pelo dinheiro dos contribuintes esteja ou não desempregada.
O senhor JPS, cuja formação profissional, como todos sabem, deixa muito a desejar (em tirando, claro, habilidade partidária para trepar) fala como o Zé porque, no fundo, é como o Zé. Não acredita que o país alguma vez melhore e tudo faz para salvaguardar a sua vidinha.
O Estado não contrata porque o governo define as regras. E as regras são claras: recursos humanos - poupar; obras, espectáculo, propaganda - gastar à grande. O resto, como o Zé e o JPS sabem, é retórica, é para inglês ver.

Fossil Fuels, a cerveja com sabor a cravo


Pelo título somos levados a pensar num novo tipo de combustível. Mas, na verdade, trata-se de uma cerveja.
Cerveja elaborada, diz-se, a partir de uma levedura encontrada num fragmento de âmbar pelo microbiólogo Raúl Cano.
A levedura tem 25 a 45 milhões de anos. E ao ser retirada do âmbar continuou a reproduzir-se. Vai daí o director do Instituto de Biotecnologia Meio-ambiental da Universidade Politécnica da Califórnia, resolveu produzir uma cerveja cujo produto da venda financie as suas pesquisas em biocombustíveis.
A coisa está a correr bem. E há quem aprecie o sabor a cravo da cerveja.

Fonte: El País

Ano lectivo 2008-2009

Começa o ano escolar e lá temos de aturar a retórica dos ministros sobre educação.
A precariedade é geral. Mas isso que importa? Se é geral...
Com a precariedade vem o medo. Educar debaixo de tensão, como se sabe, faz bem à saúde. E contribui para o enriquecimento do país: mais medicamentos, mais consultas médicas pagas, mais análises...
Abençoados professores. Ganham pouco, trabalham que se fartam e uns milhares fazem-no anualmente com a corda na garganta.
Sócrates rejubila. Para ele tudo se resolve com cheques e choques tecnológicos. Afinal, ele deu umas aulas e conhece por dentro a coisa. O que lhe faltou para ter sido bom professor foi tecnologia. Ou então saber inglês.
Para Maria de Lurdes Rodrigues tudo corre sobre rodas. E como o governo se esforça muito, os alunos, coitados, com pena dessa gente, correspondem e os resultados têm sido supersónicos.

01 setembro 2008

A segurança no país de Sócrates

Depois da acção eficaz, célere, limpa, extraordinária, exemplar (e demais adjectivos que entendam por bem acrescentar) do governo de Sócrates, a segurança regressou.
Quem andava com insónias, stressado, desassossegado, borrado de medo, já pode relaxar. Sócrates falou. E porque falou e disse a verdade, os portugueses podem dormir descansados. O governo tudo faz em prol da segurança e do bem-estar de todos.
Eu cá acho que Portugal devia entrar no Guiness como o país com os líderes institucionais mais cómicos do mundo. Sócrates é um ponto. Tão engraçado, tão engraçado que até parece um comentador televisivo.

Quarenta mil

Este ano são 40 mil que ficam a olhar para as estrelas e a ouvir o nosso líder espiritual Sócrates, José, para quem o governo está sempre em cima dos acontecimentos.
Sócrates preside a um governo que fala pouco e age muito. Por isso, andam os portugueses enganados quando falam em crise. Qual crise, qual carapuça? Portugal vive um dos melhores momentos da sua História.
O único senão do discurso de Sócrates é fazer lembrar uma campanha publicitária de adsl: parece gratuito e continua exageradamente caro.

Urgentemente


31 agosto 2008

Vigiar vigiar vigiar

Numa democracia há, supostamente, direitos e garantias. Mas em nome da suposta segurança do cidadão continua-se a diminuir aquilo em que assentam as constituições de vários países: os direitos do homem. E a coisa começa a ficar feia. Vasco Pulido Valente põe o dedo na ferida, no seu artigo do Público. Ora leiam lá:
«O Presidente da República promulgou a Lei de Segurança Interna, que, como já se sabe, cria um "secretário--geral de segurança", nomeado pelo primeiro-ministro e perante ele directamente responsável. Em princípio, o secretário-geral de segurança, com a categoria de secretário de Estado, tem uma autoridade eminente sobre a PJ, a GNR e a PSP e acesso à informação que, por acaso ou desígnio, elas recolherem. Este sistema, em si próprio confuso e manifestamente perigoso, põe o primeiro-ministro na posição ambígua de um superpolícia, que ninguém vigia e a que ninguém pede contas. Mesmo assim, o prof. Cavaco não viu nisto qualquer perigo para a liberdade dos portugueses. Nem - é bom dizer - o dr. Mário Soares, para quem, hoje em dia, Sócrates nunca erra.
Pior do que isso: depois do cartão "1 em 4" (ou "1 em 5", não sei ao certo), uma ingerência inadmissível na privacidade do cidadão, que foi um fiasco prático, mas não deixa de ser um abuso político, o Governo resolveu agora introduzir, obrigatoriamente, um chip em cada automóvel. Não se conhece ainda em pormenor a capacidade do chip e o que se pretende dele. O chip tanto pode servir para um fim inócuo, identificar um carro in situ, por exemplo, como para seguir esse carro por Portugal inteiro, coisa que permitiria ao secretário-geral da segurança e, por consequência, ao primeiro-ministro, averiguar em profundidade e pormenor a nossa suspeitíssima vida. Cavaco acha o assunto "melindroso". E a Comissão Nacional de Protecção de Dados, num gesto de uma futilidade, pede que o "alcance" do chip não passe de um "alcance local". Estará a pensar em Vizela ou na Grande Lisboa e no Grande Porto? »

O regresso de Christiane F.


Era uma vez uma menina. A menina drogava-se. Chutava forte e feio. Era completamente viciada. E tornou-se uma celebridade internacional porque contou num livro a sua vidinha. O livro foi um sucesso. O título original "Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo", deu na nossa língua "Christiane F. - Os Filhos da Droga" (1979). E teve várias edições. A autora correu meio mundo, por causa do livro e do filme que fizeram. E porque se tornou cantora (veja tudo neste sítio, com muita iconografia) e actriz. Christiane F. reforma-se em 1985 e passa a viver de rendimentos. Tinha 23 anos. Tudo parecia correr bem, não fora o vício.
Christiane Vera Felscherinow, iniciada na heroína pelo namorado, e que recorria à prostituição para sustentar o vício, voltou aos escaparates este mês, quando as autoridades lhe retiraram a custódia do filho.

Quase 30 anos depois de os Filhos da Droga, a vida dela daria outro livro: "Christiane F. - Os pais da droga". Tão sórdido como o primeiro.
Em 1996 tornou-se mãe. Tinha 34 anos. Aos 46, após ter falhado múltiplas desintoxicações, não escapou à degradação do vício – tem hepatite C, faz hemodiálise e já nem sequer pode injectar por falta de veias capazes – e retiraram-lhe o filho por "incapacidade".
O novo drama começou este ano, quando ela e o namorado, Joachim S., de 37 anos, decidiram emigrar para a Holanda, levando a criança. Como a Justiça alemã lhe retirou o filho, ela sequestrou-o, fugindo para Amesterdão. Mas, na capital holandesa, regressou à heroína e, após uma zanga com Joachim, voltou à Alemanha em Junho. O Tribunal de Menores retirou-lhe a custódia de Niklas, que só poderá voltar ao convívio com a mãe caso ela recupere da dependência.
É pouco provável. Segundo a imprensa local, Christiane procura as antigas amizades da seringa, pernoita em casa de amigos e frequenta uma praça de Berlim famosa pelo tráfico. E Joachim declarou à "Der Spiegel" que ela snifava heroína regularmente e bebia muito álcool. Fiel, de resto, ao seu princípio. Em entrevista ao semanário holandês "De Limburger", em 2005, afirmou: "Nunca quis ser exemplo para ninguém; acho que cada um deve saber o que faz".

29 agosto 2008

Os achados de Coriscada (Mêda)







Uma campanha arqueológica no Vale do Mouro, Coriscada, revelou um povoamento neolítico com sete mil anos e permitiu descobrir uma aldeia romana que os arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.
Quando se pensava que o local, no concelho da Mêda (distrito da Guarda), teria tido apenas duas ocupações – nos séculos III e IV depois de Cristo (d.C.) –, as escavações de 2008 revelaram novos achados do período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.
Uma equipa coordenada pelos arqueólogos António Sá Coixão e Tony Silvino iniciou as campanhas de investigação no Vale do Mouro em 2003. Sá Coixão acredita que "como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, estas descobertas vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano 'pobretanas' onde não se podia viver bem".
"Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma vila [quinta] e já no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho, prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias", explicou o arqueólogo.
Sá Coixão admite que, numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de operários livres criando um 'Vicus' [aldeia] onde os deuses e festividades passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história conhecida da aldeia romana, defende.
Numa recente visita a este local, o professor catedrático e investigador de Pré-História e Arqueologia Jorge de Alarcão afirmou que "teria que reescrever tudo sobre o Portugal rural romano", conta.
Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em 2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca encontrado em regiões interiores de Portugal. No último dia de campanha de 2007, fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta 'endinheirada' de um tesouro monetário com cerca de cinco mil moedas (4526), provavelmente envoltas num saco, tendo sido encontrado um resto de tecido que surpreendeu os arqueólogos pela sua sobrevivência.
Fonte: Público

Mais uma dor de cabeça para a Igreja?

«O Alentejo será palco, dentro de quatro semanas, do I Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos. A organização é do Rumos Novos, um movimento com sítio na Internet. São esperados membros de, pelo menos, sete grupos espanhóis e a hierarquia da Igreja já foi informada.
A 27 e 28 de Setembro, Évora será ponto de romaria de homossexuais de Portugal e de Espanha que assumem a sua condição de católicos (entre outras correntes cristãs). A hierarquia eclesiástica portuguesa já foi informada da iniciativa e ao arcebispo de Évora foi mesmo pedido o serviço de um sacerdote, para assistência espiritual. Os organizadores enviaram convites aos diversos partidos políticos.»
Fonte: Expresso

A velocidade da mosca


Por que é que é tão difícil acertar numa mosca?

Michael Dickinson, um cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriu porquê. Este especialista na biomecânica do voo dos insectos (uma área importante para desenvolver novas máquinas voadoras, por exemplo) descobriu que o pequeno cérebro das moscas calcula a localização da ameaça iminente (um mata-moscas ou uma mão estendida), determina uma rota de fuga e coloca as pernas na posição óptima para saltar do sítio onde está - tudo nuns meros 100 milissegundos.

A explicação vem na revista científica Current Biology. Um excerto pode ser lido clicando na imagem, ou passando por aqui ou aqui.

A Igreja anda nervosa




As coisas não estão a correr bem. Depois de Itália, chega notícia do Brasil. Tudo por causa de uma foto.

«A fotografia da actriz Carol Castro, seminua e com um rosário nas mãos, publicada na Playboy de Agosto, causou enorme polémica no Brasil: A Igreja recorreu aos tribunais mas a revista continua à venda.
O juiz Oswaldo Henrique Freixinho, através de uma providência cautelar, deu provimento parcial a uma petição do grupo católico Juventude pela Vida e do sacerdote Luiz Carlos Lodi Da Cruz que exigiam que a revista fosse retirada das bancas por conter una fotografia que, na sua opinião, ofende os valores religiosos e os fiéis católicos.
O juiz, todavia, só proibiu a distribuição de "novas revistas" com a foto impugnada sob pena de multa diária de mil reais (cerca de 423 euros).»
Fonte: JN

O Cristo


Fotocomposição de alexandrecelta

28 agosto 2008

Porno para Ricardo é uma banda de Gorki Aguila

Um terrorista cubano cuja arma é... a palavra. A palavra cantada. As canções da banda Porno para Ricardo não são grande espingarda, mas em Cuba a coisa pia doutra maneira e o autor da gracinha já por mais de uma vez viveu em calabouços por causa disso.