25 junho 2008

Mais um quadro (“Le Bassin aux Nymphéas”), mais uma fortuna


A crise é só para alguns. Em tempos de crise fazem-se bons negócios. E nada como um pouco de adrenalina para estimular o mercado. Seja o mercado da arte. Depois dos pintores da segunda metade do século XX, chegou o tempo de voltar um pouco atrás, aos do último quartel do século XIX. Assim, “Le Bassin aux Nymphéas”, de Claude Monet (da série de nenúfares brancos), bateu o recorde mundial para uma obra deste pintor impressionista francês: foi vendido em leilão por 40,9 milhões de libras (51,6 milhões de euros). A tela, de um metro por dois, datada de 1919, foi comprada por uma mulher cuja identidade não foi revelada (será a namorada do dono do Chelsea?).

O quadro “Le Bassin aux Nymphéas” foi pintado em Giverny (Normandia), quando Monet já estava quase cego. No jardim dessa casa, onde morreu, existiam os tais nenúfares que ele reproduziu em vários dos seus quadros.

Com o montante agora desembolsado, ultrapassou-se o último recorde para uma obra de Claude Monet, que tinha sido atingido em Maio, quando se vendeu em Nova Iorque, também em leilão, o quadro "Le Pont du chemin de fer à Argenteuil", por 41,5 milhões de dólares (cerca de 27 milhões de euros).

Para que serve um Ministério da Igualdade?


Para dar sainete e … para enriçar. A ministra espanhola Bibiana Aído (na foto) tem vindo a insistir com o seu colega da Cultura para serem criadas bibliotecas de mulheres. Se a ideia pega, vão surgir bibliotecas só para homossexuais masculinos e só para homossexuais femininos; só para negros; só para portadores da deficiência X, Y Z; só para muçulmanos; só para judeus; só para hindus; só para… Enfim. O ministério da Igualdade não serve para nada. A ministra tem que dar nas vistas e não havendo mais nada, tirou da cartola essa coisa brilhante que mostra:


Que nunca entrou numa biblioteca;

Que não sabe para que servem as bibliotecas;

Que ela é Ministra da Igualdade, não da Discriminação Negativa.

Margaret Atwood: Prémio Príncipe de Astúrias das Letras 2008


Margaret Atwood (Ottawa, Canadá, 1939) ganhou hoje o Prémio Príncipe de Astúrias das Letras. Ecologista, feminista, autora de novelas e poeta, Atwood era uma das finalistas, juntamente com o escritor albanês Ismail Kadaré, o britânico Ian McEwan e o espanhol Juan Goytisolo, eleitos entre as 32 propostas recebidas, procedentes de 24 países. O júri justificou a atribuição do prémio à autora canadiana pela "esplêndida obra literária que tem explorado diferentes géneros com agudeza e ironia, e porque assume inteligentemente a tradição clássica, defende a dignidade das mulheres e denuncia situações de injustiça social".

"A Súplica de D. Inês de Castro" vem para Portugal

O quadro neo-clássico português "A Súplica de D. Inês de Castro", de Francisco Vieira, foi adquirido pelo Estado português por 210 mil euros.

O Estado contou com o apoio de um particular e o quadro vai para o Museu de Arte Antiga, em Lisboa.

[Público]

24 junho 2008

Súplica de D. Inês de Castro, de Vieira Portuense


Há cinco meses foi identificado em França por René Millet, perito da leiloeira Pierre Bergé & Associés, o quadro Súplica de D. Inês de Castro do pintor português Francisco Vieira, o Portuense (1765-1805), que amanhã vai a leilão. Curiosamente, a obra vai a leilão, em Paris, quando Portugal e o Brasil comemoram os 200 anos da chegada da família real do Rio de Janeiro.

A reprodução apresentada no catálogo da leiloeira francesa mostra-nos pela primeira vez um quadro cuja existência era conhecida, mas do qual se tinha perdido o rasto. A Súplica de D. Inês de Castro foi uma das pinturas levadas por D. João VI quando, na sequência das invasões francesas, a família real portuguesa partiu para o Brasil.

O quadro: uma tela de grandes dimensões, com 196 centímetros por 150, executada para o Palácio da Ajuda na sequência da nomeação de Vieira Portuense como pintor régio, a 28 de Junho de 1802. Trata-se de uma obra de que se tinha perdido o rasto desde que fora levada para o Brasil, com a Corte Portuguesa, em 1807.

A partir daí, só se pode especular sobre qual terá sido o seu destino. Depois de ser deposto, em 1889, D. Pedro II partiu para o exílio, tendo morrido em Paris. O casamento da sua filha Isabel com Luís Filipe Gastão de Orleães criou o ramo Orleães e Bragança e é muito provável que a família tenha levado para França quadros que tinha no Brasil.

O director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Paulo Henriques, diz que "seria bom poder comemorar a chegada da família real ao Brasil com uma peça que já foi património português". Tanto mais que prenuncia uma atitude romântica na pintura, ainda rara naquele tempo. Vieira - que morreu cedo, com apenas 39 anos, na Madeira - terá sido o primeiro a abordar em pintura o episódio de Inês de Castro.

A tela é considerada por Paulo Henriques uma "peça absolutamente essencial" para as colecções do Estado português. O Ministério da Cultura está a "desenhar uma solução" que permita a compra do quadro, com uma base de licitação entre os 120 mil e os 150 mil euros.

José Alberto Seabra, perito do MNAA, recorda que no Porto [em 2001 houve uma retrospectiva da obra de Vieira Portuense no Museu Nacional de Soares dos Reis] foram expostos os dez esboços a óleo que Vieira Portuense tinha realizado para o que pretendia que viesse a ser uma edição ilustrada de Os Lusíadas. Um dos temas escolhidos foi precisamente o do Canto IV: Inês de Castro suplicando ao rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro I, que lhe poupasse a vida. O óleo (que pertence a uma colecção privada) é já bastante semelhante à pintura definitiva.

[Fonte: Público]

Pessimistas ou realistas?


«Os portugueses são os cidadãos da União Europeia mais pessimistas quanto ao seu futuro próximo, com apenas 15 por cento a acreditarem que a sua vida vai melhorar nos próximos 12 meses, revela um inquérito divulgado hoje pela Comissão Europeia.»

Olhe que não, olhe que não. São tremendamente realistas. Podem sonhar quando se trata da selecção. Afinal, o sonho faz parte da vida. Mas quando se trata da vidinha são muito realistas. Tão realistas que até faz aflição. Não por acaso, somos o país da EU que mais gasta com a casa. Que mais paga quer pelos bens essenciais quer por todos os outros. E somos um dos países com salários mais baixos. Acreditar em milagres, sim, há quem acredite. Mas o inquérito não tinha origem religiosa, por isso, os inquiridos foram sinceros. Sabem de experiência vivida que isto é um pântano, uma choldra, o que se quiser. De resto, nem todos podem ir presidir à comissão europeia ou passar de deputados a ministros e daí para consultores ou funcionários principescamente pagos.

S. João

Dos santos populares de Junho o dia 24 de Junho foi consagrado a São João Baptista por ser a data do seu nascimento sendo que é também o que mais se festeja na Europa – João, Joan, Jean, John, Iván, Sean, consoante o país onde a festa aconteça.


João Baptista (Judeia, 2 a. C. - 30 d. C.) foi um pregador judeu, do início do século I, citado por inúmeros historiadores, entre os quais os autores dos quatro Evangelhos da Bíblia.

Segundo a narração do Evangelho de São Lucas, João Baptista era filho do sacerdote Zacarias e Isabel (ou Elisabete), prima de Maria, mãe de Jesus. Foi profeta e considerado pelos cristãos como o precursor do prometido Messias, Jesus Cristo. Baptizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão, e introduziu o baptismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adoptados pelo cristianismo.

Mais Pessoa online


Amanhã temos mais Pessoa online. A Biblioteca Nacional vai colocar em linha uma importante colecção de 29 cadernos de Fernando Pessoa: manuscritos de poemas (em português e inglês), bem como vários textos e apontamentos de natureza diversa, listagens de livros, notas de leitura, projectos de obras e horóscopos.

Esta digitalização incluiu já um último caderno recentemente adquirido pela BN aos herdeiros do poeta, especialmente relevante para o conhecimento dos anos de formação de Pessoa, na África do Sul, e que ajuda a esclarecer a génese do heterónimo Alexander Search.
Os cadernos de Pessoa vêm assim juntar-se, no site da BN, aos manuscritos da obra de Alberto Caeiro, cuja versão digital foi também agora reformulada.

23 junho 2008

Desdém

O modo como as pessoas valorizam o que fazem e desdenham do que os outros fazem é muito comum entre os portugueses. Porque será?

Hipótese a) Porque todos são trinetos bastardos de nobres decadentes e têm pavor de que ao reconhecer o mérito do outro estejam a ameaçar o núcleo familiar;

Hipótese b) Reconhecer o outro é sentido como uma diminuição do próprio ego;

Hipótese c) Apreciar o que os outros fazem implica perceber e como não percebem patavina não podem apreciar senão aquilo que já vem com o rótulo MUITO BOM.

21 junho 2008

Dodo-Goldilokcs: no pólo norte marciano


A vontade de que haja vida noutro planeta do sistema solar é tanta que qualquer análise é realizada num misto de crença e de razão. A Phoenix escavou e fotografou. O reflexo e a tonalidade do que ficou à mostra estimulam os cientistas. Se for gelo há água. Se há água poderá haver microrganismos, ou seja, vida. E alguns vão mesmo mais longe, interrogando-se se há condições para a sobrevivência do ser humano.

«Eram umas pedrinhas de um material brilhante, aproximadamente do tamanho de um dado, que a sonda da NASA Phoenix tinha posto a nu na quinta-feira da semana passada ao escavar um local denominado Dodo-Goldilokcs, no pólo norte marciano. A Phoenix fotografara logo o achado mas não mexeu nele. E, quatro dias mais tarde, no domingo, quando voltou a fotografar o mesmo sítio – surpresa! As pedrinhas tinham desaparecido das imagens. Para os responsáveis da NASA, o que aconteceu é óbvio: o material brilhante era gelo, que se evaporou em quatro dias porque foi exposto à atmosfera de Marte.»

A missão da Phoenix é determinar se Marte teve condições para a existência de vida – por exemplo, nos últimos dez milhões de anos. E quem diz condições para a vida, mesmo microscópica (ninguém está à espera de encontrar homenzinhos verdes), diz água. Ou mais precisamente gelo, preso no imenso campo de permafrost que parece cobrir esta região polar do planeta vermelho. Muitos indícios têm feito os cientistas suspeitarem da presença de gelo em Marte, mas ainda ninguém o segurou na mão (ou num braço mecânico). Todas as esperanças estão agora depositadas na nova sonda. Será que, de tempos a tempos, o gelo derrete e permite que a vida microscópica floresça no subsolo?

20 junho 2008

A batalha pela excelência

O governo diz que trabalha para a excelência. E a gente percebe. A excelência em que o governo pensa tem outro nome: mediocridade. Ou deveríamos dizer mentira?

É por esta e por outras que vimos clamando por política. A falta de política dá nisto: trabalhar para a estatística. Ou para agradar a directores de jornais e outros ressabiados que olham para os profissionais da educação com o cotovelo a doer. Talvez porque não gostem que as pessoas lutem pelos seus direitos e façam uso de direitos constitucionais. Mas isso são outras histórias. Por agora, basta transcrever a notícia:

«A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou o reduzido grau de dificuldade do exame, sublinhando que "a nivelação por baixo" poderá ter custos futuros "muito graves".

"No seu conjunto, o nível desta prova é certamente dos mais elementares - se não o mais elementar - produzidos nos últimos anos nas provas nacionais de Matemática. Se é verdade que muitos alunos e alguns pais podem ficar satisfeitos com o facto, e se é verdade que seja positivo que os jovens vejam as questões matemáticas como alcançáveis, os custos futuros podem ser muito graves", defende a sociedade em comunicado.»

Carlos Bica & Azul - Azul é o mar

Carlos Bica & Azul - Canção n.º 2




O contrabaixista Carlos Bica apresenta

hoje na Casa da Música (Porto)

e amanhã na Culturgest (Lisboa)

o seu mais recente CD, intitulado «Matéria Prima».

O Incrível Hulk

The Incredible Hulk (2008)

Sinopse: Bruce Banner (Edward Norton), agora a viver nas sombras - afastado da vida que levava e da mulher que ama, Betty (Liv Tyler) - luta a todo o custo para fugir à perseguição obsessiva do General Thunderbol Ross (William Hurt), e da artilharia militar que o tenta capturar e explorar. À medida que os três enfrentam os segredos de Hulk, são confrontados com um novo e monstruoso adversário - A Abominação (Tim Roth).

Intérpretes: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Robert Downey Jr.

Realização: Louis Leterrier

País: EUA
Género: Acção, Fantástico, Ficção Científica
Duração: 114 Mins

19 junho 2008

Astronomia


Para quem gosta de astronomia impõe-se uma visita ao sítio do Observatório Astronómico de Lisboa.
E, já agora, passe também por aqui.

Linfócitos T4

Há notícias que trazem um rasto de esperança. Há nelas algo de mágico. Quem as lê sente-se, por momentos, outra pessoa.

A história vem contada num sítio a que muito recorremos. E reza assim: «O doente, um homem de 52 anos, tinha um melanoma renitente à cirurgia e aos tratamentos, que já se tinha espalhado para a virilha e os pulmões. Ia morrer em breve. Os médicos colheram o seu sangue, extraíram daí certas células do sistema imunitário, multiplicaram-nas no laboratório e injectaram-lhas de volta. Dois meses mais tarde, as metástases tinham totalmente desaparecido, E hoje, quase três anos mais tarde, o homem continua ao que tudo indica, de boa saúde.

Não foi fácil cultivar in vitro e clonar o tipo de células que foram aqui utilizadas – os linfócitos T CD4, ou T4 para abreviar, cruciais nas respostas imunitárias do organismo. Para mais, como os cancros são feitos das próprias células do doente, o organismo não se defende bem contra eles.

O que a equipa de Cassian Yee, do Centro de Estudos do Cancro Fred Hutchinson de Seattle, fez agora foi clonar um tipo de linfócitos T4 potencialmente letais para o tumor. Após uma análise molecular das características do melanoma do doente, os investigadores constataram que uma boa parte das células tumorais tinha à sua superfície, como uma antena, uma molécula chamada NY-ESO-1. Por isso, clonaram só os T4 capazes de reconhecer essa molécula, esperando que eles atacassem o tumor mas não as células sãs.

O doente recebeu uma única injecção de cinco mil milhões destas células T4. Teve um pouco de febre, dores musculares e uma queda dos seus linfócitos. Mas uns dias depois, contam os cientistas no último "New England Journal of Medicine", esses efeitos desapareceram. Dois meses depois, submeteram o doente a uma tomografia PET e não viram vestígios das metástases. E no seu último exame até à data, dois anos mais tarde, o homem continuava “limpo”.

O mais surpreendente foi talvez que os tumores regredissem completamente. “Apesar de apenas 50 a 75 por cento das células tumorais expressarem NY-ESO-1, a totalidade do tumor regrediu”, escrevem. “Esta discrepância [leva-nos] a especular que os linfócitos injectados provocaram uma reacção imunitária mais ampla do que previsto”, incitando outros linfócitos a matar as restantes células cancerosas.

Num artigo que acompanha este caso clínico, Louis Weiner, da Universidade de Georgetown, pergunta: “serão estes resultados uma miragem, um oásis, ou um prenúncio da meta? (...) Penso que, embora ainda não tenhamos lá chegado, a meta está à vista.”»

Lubliana: Capital Mundial do Livro em 2010


A cidade eslovena Lubliana vai ser a Capital Mundial do Livro em 2010, uma iniciativa cultural que a UNESCO lançou em 2001.

Lubliana irá assim juntar-se a cidades como Madrid (2001), Alexandria (2002), Nova Deli (2003), Antuérpia (2004), Montreal (2005), Turim (2006), Bogotá (2007), Amesterdão (2008) e Beirute (2009).

As cidades que acolhem o evento a partir do dia 23 de Abril de cada ano - Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor - são escolhidas pela UNESCO, pela União Internacional de Editores, pela Federação Internacional de Livreiros e pela Federação Internacional das Associações de Bibliotecários e Bibliotecas.

O milagre de Maria de Lurdes Rodrigues

«(…) surpreende é que se celebre, como a ministra fez, um salto inverosímil na qualidade das aprendizagens - de repente as negativas a Matemática passam para metade nos 4.º e 6.º anos - quando as indicações vindas da evolução do sistema ainda o ano passado iam em direcção contrária, pois o famoso plano de recuperação que já estava em marcha não tivera qualquer efeito nos exames do 9.º ano, onde os resultados haviam piorado. Será que tal plano só teve efeito nos primeiros ciclos? Ou será que, como defende uma sociedade científica dirigida por um matemático [Nuno Crato] cujas qualidades como divulgador foram este anos premiadas a nível europeu, os exames eram demasiado elementares?» José Manuel Fernandes, Editorial, in Público, 19 JUN 08

A realidade estatística

«O exame nacional de Português do 9.º ano, realizado ontem, incluía perguntas de gramática com muitos tópicos aprendidos em níveis anteriores, incluindo do 2.º ciclo (5.º e 6.º anos). Além disso, a avaliação da capacidade de leitura de um texto informativo foi feita através de respostas de verdadeiro/falso, em vez de escolha múltipla, havendo "uma maior probabilidade de quem não sabe a resposta conseguir acertar".» in Público de 19JUN08

Caminhos da Memória


Caminhos da Memória é um blogue que pretende dar voz a diferentes formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória. A redacção é constituída maioritariamente por membros da Associação «Não Apaguem a Memória!», ainda que não possua um vínculo formal com a mesma: Diana Andringa, Irene Pimentel, Joana Lopes, Maria Manuela Cruzeiro, Miguel Cardina, Raimundo Narciso e Rui Bebiano. Conta ainda com as colaborações de José Luís Saldanha Sanches, José Medeiros Ferreira, José Vera Jardim, Nuno Brederode Santos.

Máquina de lavar para biólogos

O filme já tem dois anitos. Nessa altura ainda o Pisca não andava em andanças bloguísticas. Vão lá e deliciem-se.

O sonho torna-se realidade


Já vimos disso em filmes. Agora a ficção torna-se real. Cientistas alemães da Universidade de Braunschweig, no norte da Alemanha, desenvolveram um capacete que permite conduzir veículos a motor com sinais cerebrais e sem contacto eléctrico directo.

Segundo os cientistas, o aparelho pode também ajudar à condução de cadeiras de rodas, assim como à movimentação de próteses.

“Com este aparelho torna-se real o sonho de ligar o cérebro à máquina”, disse o professor Meinhard Schilling, do Instituto Técnico de Medições Eléctricas e Princípios de Electrotécnica da Universidade de Braunschweig.

O capacete tem um sensor que capta os sinais das actividades cerebrais, funcionando com base no encefalograma clássico, utilizado na medicina, e sem contacto directo eléctrico com o aparelho que se pretende conduzir ou manipular.

“Cada sensor no capacete concentra-se nos sinais do centro de visão do cérebro e tem o tamanho de uma moeda de dois euros - praticamente o tamanho de um eléctrodo convencional de encefalograma”, explicou Meinhard Schilling.

A Universidade de Braunschweig trabalhou no projecto em conjunto com a Clínica Universitária Charité e com o Instituto Fraunhofer de Arquitectura de Cálculo e Tecnologias de Software, ambos sediados em Berlim.

Craig Willey e Katherine Raw

Katherine Raw

Craig Wylie ganhou o BP Portrait Award (da National Portrait Gallery, em Londres) com o retrato da namorada, Katherine Raw. Há seis anos que Craig anda a pintar a namorada e não é a primeira vez que concorre a esse prémio com um retrato dela. Mas foi desta vez que a sua obra intitulada K, um retrato a óleo em grande formato, se distinguiu entre as 1726 candidatas ao prémio. Craig Wylie não tem dúvidas: "Ela é muito mais bonita ao natural do que como eu a pintei." O seu quadro a óleo tem dois metros de altura e ele gosta da "tensão" que conseguiu transmitir na obra. "É um olhar quase fulminante e no entanto vulnerável", disse ao jornal The Guardian. Antes de chegar a este retrato final Craig Wylie fez duas tentativas de pintar a namorada em 2006. Só começou a pintar esta versão final o ano passado.

Há dois anos Katherine Raw ficou triste quando o namorado mandou para este concurso patrocinado pela BP para artistas com menos de 40 anos um retrato que ela sentia não mostrar "os seus melhores atributos". As palavras não são dela, claro. Quem disse isto ao jornal britânico Independent foi o artista plástico: a versão da retratada é diferente.

O retrato de Craig "era baseado numa fotografia que ele me tirou quando cheguei a casa depois do trabalho. Estava com fome e com frio. Era inacreditavelmente austero", contrapôs Katherine Raw. O quadro vencedor é para Katherine "honesto". A retratada confessou ao mesmo jornal que se tem sentido particularmente exposta nos trabalhos do seu namorado. "Principalmente neste", acrescentou mas apesar disso gosta do quadro. "Não me favorece mas ele conseguiu captar algo que eu não costumo mostrar às pessoas. E isso é fantástico." Craig Wylie está a pintar um outro retrato da namorada Prometeu-lhe uma imagem com menos rugas.

O artista, 35 anos, nasceu no Zimbabwe e formou-se em Belas Artes numa universidade da África do Sul.

[Fonte: Público]

18 junho 2008

O corpo humano visto à lupa


(Basta saber inglês e clicar na imagem)

O facilistismo

Sou pai. E professor. Dói-me ver o estado comatoso do ensino público. A culpa é do país, não do governo A, B ou C. Mas nem por isso deixa de ser grave que a ministra queira apresentar serviço e garantir que estamos no melhor dos caminhos (quer ela dizer «por causa do que eu faço»). Porque isso é mentira e a sra. ministra sabe-o. E para mim, como creio que para outros, quando a ministra diz “Estamos todos de parabéns” há como que uma reacção cutânea de aversão. Se ela tivesse começado com este discurso, sabíamos que era assim mesmo. Mas usá-lo agora não só não lhe fica bem como soa totalmente a falso.

Herdámos um país analfabeto (fruto das políticas de Salazar, que nos fechou a Europa e o Mundo). Os filhos desses analfabetos puderam alfabetizar-se assim que a escola se democratizou. Só que o embate foi de tal ordem que a escola deu-se mal com a geração do baby boom. E desde então somos confrontados com o dilema democrático da «escola para todos» (gratuita e obrigatória). O Estado consome fortunas com isso e os resultados são fracos (senão por que caminhariam gradualmente as provas para o infantilismo?).

Há muita gente que se dá mal com a interpretação, com a leitura, com o raciocínio, com a ordem, com a geometria… Mas não se pense, como fazem tantos, que isso se deve apenas à escola. Porque não deve. Os pais contribuem (e de que maneira) para a calamidade. E aquilo que miúdos e crescidos observam também tem a sua quota de responsabilidade na indolência generalizada.

A sanha estatística deste governo, que continua a política da terra queimada, orientando a escola para os alunos mais fracos, em detrimento dos bons alunos, prejudicando os que se podem desenvolver em nome dos que detestam a disciplina, é sinal de que algo está muito mal. E de que é necessário acabar com o “eduquês” e outros mitos do politicamente correcto. Enquanto a bitola for a estatística não vamos longe. Assim que a bitola for a realidade nua e crua, ou seja, o dinheiro, a coisa muda de figura. Começa a ser tempo de quem desbarata recursos deixar de beneficiar da gratuitidade do ensino. Onerando, por exemplo, os impostos dos encarregados de educação desses alunos. Começa a ser tempo, também, de definir objectivos para o país. O que é que o Estado pretende da escola? O discurso que ornamenta a lei de bases do sistema educativo não tem dado bons resultados. Mas quem fala disso?

Quiche de espinafres e frango


Refoga-se a cebola picada com o frango, previamente cortado em cubos. Quando estiver quase cozinhado polvilha-se com um pouco de caril. Cozem-se os espinafres e depois escorrem-se bem com um passador, para ficarem migados. Ralam-se as cenouras e mistura-se tudo. Batem-se os ovos e juntam-se ao preparado anterior, adicionando as natas e o queijo cortado em cubos.

Forra-se o fundo de uma tarteira com massa folhada e recheia-se com o preparado anterior. Vai ao forno cerca de 30 min. Et voilá...

INGREDIENTES
1 base massa folhada
1/2 cebola
1 peito de frango
espinafres
2 cenouras
queijo
3 ovos
1 pacote de natas

Caril rápido de gambas


Numa tigelinha, mexa 2 colheres de sopa de caril, meia colher de café de piripiri e uma colher de sobremesa de farinha. Reserve.

Corte uma cebola, pique dois dentes de alho e regue com azeite, numa sertã ou num tacho. Refogue até a cebola ficar alouradinha.

Deite, depois, as gambas previamente cozidas e deixe-as refogar, mexendo sempre. Quando já estão bem refogadinhas, junta-se a mistura em pó e continua-se a mexer. O refogado e as gambas começam a ficar da cor do caril. Continuando a mexer, deita-se meio frasco de leite de coco. A seguir deita-se um bocado de leite normal (o meu foi mesmo a “olhómetro”). Deixe cozinhar uns 10 minutinhos para o molho engrossar e apurar bem. Se achar o molho muito grosso, pode deitar um pouco mais de leite. E pronto.

Acompanhe com arroz branco.

Mais palavras para quê?

Com o título de A gargalhada Helena Matos põe o dedo na ferida. No vazio.


«Quase dois mil assistentes lançaram uma sonora gargalhada, quando ouviram um secretário de Estado anunciar mais um estupendo desígnio para daí a poucos anos. O governante em questão ocupa-se das matérias da educação e no caso concreto proclamou aos técnicos presentes naquele encontro que, em 2013, a escola será totalmente inclusiva. Esta gargalhada é a mais dura resposta e o mais terrível sinal dado até agora a qualquer governante em Portugal.

Ninguém se levantou, ninguém pediu a palavra para dizer ao secretário de Estado que os presentes, ou pelo menos alguns deles, não consideram que a integração nas escolas comuns seja benéfica para todas as crianças deficientes. Não aconteceu nada daquilo que seria previsível numa democracia. Simplesmente os presentes desataram a rir. Este riso é o mais claro sintoma do descrédito que se instalou na sociedade portuguesa.

Há algum tempo, as palavras do secretário de Estado Valter Lemos teriam sido glosadas por alguns dos presentes que teceriam loas à escola inclusiva. Aliás, boa parte do encontro teria sido passado com os mil e setecentos presentes acenando as cabecinhas diante duns esquemas em que setas diligentes antecipavam os maravilhosos resultados que decorreriam da implementação daquela proposta. Todas as perguntas provenientes da assistência seriam uma espécie de mote para que os senhores do ministério produzissem ditirâmbica prosa poética sobre a inclusão. (…)

Qualquer vaia ou apupo é uma manifestação de afecto ao lado da gargalhada com que foram recebidas as suas palavras.

O secretário de Estado não percebe ou não quer perceber que aquilo que se desfez à sua frente foi o cenário da enorme representação em que se transformou o poder político. O discurso político começou por se desfazer da ideologia e acabou reduzido a uma espécie de livro de auto-ajuda. Daqueles que garantem que se acreditarmos muito numa coisa ela acontecerá.»

Helena Matos in Público de 17.06.2008

17 junho 2008

Recordar Eratóstenes


O solstício ocorre duas vezes por ano: a 21 de Dezembro e a 21 de Junho. O dia 21 de Dezembro (solstício de Inverno) é o que tem a noite mais longa do ano. 21 de Junho é o dia mais longo (solstício de Verão). Isto se estivermos no Hemisfério Norte. Já que no Hemisfério Sul é ao contrário.

Quando o solstício ocorre no Inverno, significa que esse dia é o menor do ano e a noite é a mais longa. Quando ocorre no Verão, significa que é o maior dia e a menor noite do ano.

Em astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior afastamento em latitude, da linha do equador.

Há mais de 2000 anos, no solstício de Verão, Eratóstenes (matemático, geógrafo e astrónomo grego), utilizando as sombras projectadas pelo Sol em dois locais do actual Egipto e cálculos geométricos muito simples, foi capaz de determinar o raio da Terra com precisão.

Para comemorar o feito "notável", os centros Ciência Viva de Estremoz e de Constância e a Câmara Municipal de Estremoz associaram-se num conjunto de actividades que vão permitir que jovens em todo o país recriem a experiência de Eratóstenes.

O coordenador do Centro Ciência Viva de Estremoz, Rui Dias, disse hoje que, além da recriação da experiência do sábio grego, a iniciativa pretende também permitir que os jovens percebam como resultaram muitos dos avanços da ciência.

"É preciso que os jovens percebam que muitos dos avanços científicos, que permitiram o desenvolvimento tecnológico actual, resultaram mais da intuição genial de alguns cientistas do que de complicadas experiências ou do recurso a cálculos e equipamentos muito sofisticados", salientou o responsável, também professor da Universidade de Évora.

No sábado, em vários locais públicos de todo o país, entre as 10h00 e as 15h00, vão ser realizadas medições relacionadas com a trajectória solar, que serão disponibilizadas em tempo real na Internet.

Depois, entre as 15h00 e as 17h00, todos os locais que participam na actividade vão utilizar os dados recolhidos para determinar algumas das principais dimensões da Terra.

16 junho 2008

Três super-Terras no horizonte de um telescópio


Investigadores europeus anunciaram hoje ter descoberto um conjunto de três «super-Terras» a orbitar perto de uma estrela, e outros dois sistemas solares com pequenos planetas. Usaram um telescópio HARPS, em La Silla, observatório no Chile que alcança grandes distâncias para os encontrar. A descoberta indicia que planetas como a Terra podem ser bastante comuns.

«Será que todas as estrelas isoladas abrigam planetas, e se sim, quantos?», questionou Michel Mayor do Observatório de Genebra na Suíça. «Podemos ainda não saber a resposta mas estamos a fazer grandes progressos em direcção à resposta», sublinhou.

Os três planetas agora descobertos orbitam em torno de uma estrela ligeiramente mais pequena do que o Sol, a 42 anos de luz sul da constelação de Doradus e Pictor, mas são maiores do que a Terra. Um tem 4,2 vezes mais massa do nosso planeta. Outro 6,7 vezes mais. O terceiro cerca de 9,4 vezes mais.

Outro dado curioso é que um desses planetas completa o movimento de translação em apenas quatro dias, o segundo demora dez dias e o mais lento demora 20 dias.

[Fonte: Diário Digital]

A descoberta


Da Jordânia vem a notícia de que encontraram o primeiro local de culto cristão, datado do século I. Os arqueólogos estão eufóricos, mas outros especialistas advogam cautela, até que as análises sejam mais conclusivas.

Um grupo de arqueólogos jordanos afirma ter descoberto o mais antigo local de culto cristão do mundo, em Rihab, a 40 quilómetros de Amã. "Deve ter sido construído entre os anos 33 e 70 da nossa era", explicou Abdul Qader Hassan, chefe do Centro de Estudos Arqueológicos, especificando que, por cima do local se construiu outra igreja, em pedra, em honra a São Jorge.

O templo subterrâneo agora descoberto, de estrutura circular, possui vários escalões e assentos de pedra para os sacerdotes. A tese dos arqueólogos sustenta que o local acolheu os primeiros cristãos, os 70 discípulos de Jesus Cristo, até à data em que os romanos abraçaram a religião católica, tendo então sido construída a igreja de São Jorge. Nesta existe um mosaico onde se mencionam "os 70 amados por Deus".

As primeiras reacções não se fizeram, esperar. O historiador Thomas Parker da Universidade da Carolina do Norte Raleigh, que conduziu a descoberta da igreja de Aqaba, considera que enquanto não visitar o local as interpretações devem ser cautelosas. "Uma descoberta extraordinária como esta exige provas extraordinárias", comentou o especialista, que defende que "precisamos de ver os artefactos encontrados, datá-los para saber se a sua ocupação data do século I".

[Fonte: DN]

Esbjörn Svensson Trio - Behind The Yashmak (ao vivo)

Esbjörn Svensson (1964-2008)


O sueco Esbjörn Svensson, músico de jazz, faleceu no fim-de-semana, enquanto mergulhava em Estocolmo. Tinha 44 anos.

O Esbjörn Svensson Trio era composto por Svensson - pianista e compositor -, pelo baterista Magnus Oström e pelo baixista Dan Berglund. A banda gravou mais de 10 álbuns e foi muito aplaudida pela crítica e pelo público, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Esbjorn Svensson Trio - Dodge The Dodo

Esbjörn Svensson Trio

400 milhões para computadores, videovigilância e cartões


Continua a confundir-se maquinaria com tecnologia. A simples presença de computadores na escola não muda nada. É necessário reorientar a forma de pensar, de formar ou de recrutar professores nas áreas do design informático, da programação, da interactividade.

Quem consulta sítios educativos portugueses já verificou a pobreza e a falta de criatividade da coisa. O que está em linha é o que está no papel. Ora um computador não é uma simples máquina de escrever. Falta criatividade. A criatividade exige preparação, formação, dinheiro.

Que o governo dote o parque escolar com maquinaria é da mais elementar justiça social. Embora gastar dinheiro em câmaras de videovigilância seja próprio de novo-rico (as escolas precisam é de mais e melhores auxiliares). Passar disso para a «linha da frente tecnológica» é propaganda rafeira. Para isso é necessário que as escolas tenham liberdade de gerir meios e fundos e que as empresas e organismos estatais cooperem com as escolas. Só assim se poderão traçar algumas metas que, a pouco e pouco, permitam dar um salto para uma outra maneira de pensar a escola.

Tugas


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14 junho 2008

Meteoritos podem ter estado na origem da vida terrestre


Não é a primeira vez, nem será a última que vem à liça a tese de que somos todos extra-terrestres. Segundo uma equipa de cientistas, elementos essenciais à emergência da vida na Terra terão vindo do espaço. Baseiam-se em quê? Na estrutura de um meteorito caído na Austrália.

Os cientistas (europeus e norte-americanos) garantem ter provado que as bases azotadas (ou bases nucleicas) dos meteoritos, presentes no ADN das células vivas, vieram certamente do espaço incrustadas em meteoritos que caíram na Terra. Mais aqui.

Há 22 anos Borges despedia-se do mundo


Jorge Luís Borges, um escritor intemporal. Poeta, contista e ensaísta de primeira água. Morreu há 22 anos no país onde se joga o Euro 2008.
Aqui fica um poema dele: Sábados.

Sábados

Afuera hay un ocaso, alhaja oscura
engastada en el tiempo,
y una honda ciudad ciega
de hombres que no te vieron.
La tarde calla o canta.
Alguien descrucifica los anhelos
clavados en el piano.
Siempre, la multitud de tu hermosura.
A despecho de tu desamor
tu hermosura
prodiga su milagro por el tiempo.
Esta en ti la ventura
como la primavera en la hoja nueva.
Ya casi no soy nadie,
soy tan solo ese anhelo
que se pierde en la tarde.
En ti esta la delicia
como esta la crueldad en las espadas.

Agravando la reja esta la noche.
En la sala severa
se buscan como ciegos nuestras dos soledades.
Sobrevive a la tarde
la blancura gloriosa de tu carne.
En nuestro amor hay una pena
que se parece al alma.


que ayer solo eras toda hermosura
eres tambien todo amor, ahora.


John Coltrane

13 junho 2008

Portugal visto por quem não é português


Aqui fechados, num canto onde tudo parece resumir-se a faltas, crises, desastres, má gestão da coisa pública, nem nos lembramos que para lá das nossas fronteiras também olham para o que se passa em Portugal. Os de fora não nos vêem com os nossos olhos, pois não é este o quotidiano deles. Admiram coisas que são nossas, que fazem parte da nossa cultura, da nossa história. Admiram e gostam que elas estejam cá. Como se percebe por esta notícia.

Deolinda - Não sei falar de amor

Deolinda - Fado Toninho

O pianista que se dedicou ao bacalhau



A música só é profissão para alguns.

Outros têm que arrumar pautas e

instrumento e dedicarem-se…

não à pesca, mas à transformação do pescado.

Vem aí mais Pessoa


Brevemente poderemos ler Pessoa online. Não só o que escreveu, como aquilo que leu e comentou. Ou os poemas ou amostras de poemas que deixou nas margens de livros. Juntamente com outro material que tem estado a ser digitalizado. Mas como não há bela sem senão, ainda não se sabe o sítio onde vai ser descarregado todo esse material. Apenas que isso vai acontecer.

12 junho 2008

Medicina?


Em Itália foi posta a nu uma marosca organizada por uma clínica. A coisa é mais ou menos assim: os médicos ganhavam fortunas porque faziam muitas operações… a tumores inexistentes. Noutros casos, extraíam mesmo órgãos desnecessariamente. Agora, alguns deles estão presos e começa a descobrir-se um pouco mais do que já se chama a «Clínica dos Horrores».

Os médicos, pese embora o seu juramento, estão cada vez mais orientados para o negócio. E às vezes passam a fronteira do que é razoável. Mas enquanto desempenharem o papel de feiticeiros nas barbas de um Estado que abre mão dos seus deveres, assistiremos a casos semelhantes.

Tão grave como isso é o número de pessoas idosas e semi-analfabetas que se entregam de corpo e alma nas mãos de médicos que, à boa maneira negociante, nunca explicam às pessoas o que elas têm. E não é só porque às vezes não sabem. É muito como estratégia de defesa.

Janela contra plasma



Segundo um estudo financiado pela Nacional Science Foundation e ontem publicado no Journal of Enviromental Psychology, o homem não está preparado para viver sem a natureza.

Para comprovar como reage o ser humano à natureza e à representação tecnológica, os investigadores recrutaram 90 estudantes e submeteram-nos individualmente a quatro tarefas mentais (provas de leitura e outras similares) enquanto monitorizavam o ritmo cardíaco. Trinta estavam sentados em frente a uma janela através da qual viam o campo, uma fonte e árvores. Um segundo grupo tinha como horizonte uma televisão de plasma que mostrava a mesma paisagem em tempo real. Finalmente, um último grupo apenas tinha a parede para ver. Ao mesmo tempo, uma câmara sincronizada com o monitor cardíaco registava os movimentos dos olhos dos participantes.

Os resultados são curiosos. O nível de stress dos que tinham plasma e a parede era substancialmente superior aos que entre cada tarefa podiam olhar pela janela. O ritmo cardíaco destes era inferior ao dos outros alunos. Algo que surpreendeu os investigadores, pois pensavam que o ecrã ficaria num ponto intermédio entre a janela e a parede. Afinal, a natureza é muito mais relaxante do que qualquer simulacro dela.

11 junho 2008

Coldplay - Viva la Vida (Live)

Coldplay - Talk

Mais uma piada do governo

O governo de Portugal tem graça. Muita graça mesmo. Não é que acredita (ou faz de conta que acredita) que é a ferramenta que faz a coisa? A ferramenta tem assim novo estatuto filosófico. É o absoluto.

A isto temos de juntar esta coisa fabulosa que é acreditar que os seres humanos são indiferentes ao que os rodeia. Se à sua volta se desdenha do esforço, do empenho, do trabalho, é quase certo que também desdenharão de tudo isso.

E devemos ainda falar do tédio que é, para gente assim, a curiosidade, o interesse, o gosto, a vontade de aprender.

Mas não há problema. Com computadores e internet tudo se resolve. Acaba-se o tédio e vem (donde? donde?) a vontade de aprender, a curiosidade, o empenho, o esforço. Será que vale a pena lembrar que já há muito computador e que para pouco mais serve do que para brincar? Ou que os conteúdos científicos (quantos de origem duvidosa?) estão ou em inglês ou em brasileiro? E que este governo ainda não deu sinais de ter nem política da educação, nem política da cultura, nem política científica?

O busílis não está em apetrechar as escolas com as ferramentas necessárias. Está na propaganda, no modo como se justificam actos. As pessoas aprendem que fingir, mentir, fazer de conta é o que mais importa. A lição é quase sempre esta. Ou será que o governo toma os portugueses por idiotas?

Torre de Dubai: a mais alta do mundo


A Burj Dubai já vai nos 629 metros e é, por isso, a construção mais alta do mundo. Em Setembro de 2009 chegará aos 800 metros.
A Torre de Dubai (Emiratos Árabes Unidos) supera por 20 centímetros os 628,8 metros da torre de comunicações KVLY (Dakota del Norte) que foi até ontem a construção número 1 em altura.

10 junho 2008

Josephoartigasia monesi



Josephoartigasia monesi é o maior roedor de que há conhecimento. Viveu há cerca de 4 milhões de anos, pesava mais de uma tonelada e era da família dos hamsters. Um crânio fóssil redescoberto há anos no Uruguai, pelos paleontólogos Andrés Rinderkneckt e Ernesto Blanco, acaba de ser mostrado em Montevideu.

O achado deve-se ao paleontólogo Sergio Viera e ocorreu há duas décadas naquele país. Permaneceu "arquivado" no Museu Nacional de História Natural e Antropologia, até que esses dois jovens cientistas começaram a estudá-lo em 2005, dando depois conta da real importância do crânio.

Luís de Camões - Soneto


O dia em que nasci moura e pereça,

Não o queira jamais o tempo dar;

Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,

Eclipse nesse passo o Sol padeça.


A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,

Mostre o Mundo sinais de se acabar,

Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,

A mãe ao próprio filho não conheça.


As pessoas pasmadas, de ignorantes,

As lágrimas no rosto, a cor perdida,

Cuidem que o mundo já se destruiu.


Ó gente temerosa, não te espantes,

Que este dia deitou ao Mundo a vida

Mais desgraçada que jamais se viu!

09 junho 2008

Teste

Vamos lá a ver como anda essa cultura geral.

Toca a reconhecer aos personagens do quadro.
São 100 e o razoável é ficar acima dos 50.

(carregar com o cursor em cima da imagem para ampliar)

Lésbica? Ah, habitante da ilha de Lesbos


Lésbica o que é? Uma mulher homossexual ou uma habitante da ilha de Lesbos?

Não pensem que é uma piada de mau gosto.

Um habitante dessa ilha grega – Dimitris Lambrou – pôs o assunto em tribunal, porque não quer que a sua irmã (heterossexual) só por dizer que é lésbica tenha umas quantas senhoras a piscarem-lhe o olho ou o mundo inteiro a pensar que ela só gosta de pessoas do mesmo sexo.

O caso vai à barra de Atenas a 10 de Junho.

Despesa militar em 2007: cerca de 900 mil milhões de euros


Jovem: se procuras emprego e não sabes o que hás-de fazer à tua vida, inscreve-te numa fábrica de armamento. É um emprego rentável, altamente lucrativo e sempre necessário. Se não acreditas repara nos números públicos (podes sempre juntar-lhes os do tráfico ilegal de armas, números que não se sabe se são superiores ou inferiores aos números públicos): em 2007, atingiu-se o recorde de 1,339 biliões de dólares. O que, em euros, dá qualquer coisa como 849 000 000 000. Nem mais: 849 mil milhões €. Não percas tempo. Se conseguires o emprego tens um futuro risonho, pelo menos do ponto de vista financeiro.

Educação em tons rosa

Claro que não é só o senhor Valter Lemos o responsável do descalabro que se vive na política de educação. Hierárquica e politicamente não passa de um subalterno da senhora ministra e do senhor primeiro-ministro. Trio que não parece ter uma ideia que seja para a educação do país. Se tem, ainda não a tornou pública. O que falta em ideias, em política, sobra em retórica e mediocridade.

Neste governo há, nitidamente, um propósito: diminuir a profissão e o estatuto do professor junto da opinião pública; contribuir para o sucesso fictício, passando para o país a ideia peregrina de que se pode ser jogador da selecção nacional fazendo um teste de recuperação quando se ultrapassa o limite de faltas.

O ridículo só não o é porque isso vai ter custos pesados. Mas quando as consequências do desastre chegarem há muito Sócrates e Maria de Lurdes e Valter Lemos estarão longe.

O País do Nunca e o senhor Valter Lemos

Valter Lemos é, de longe, um dos melhores secretários de estado de todos os tempos. E tanto é assim que sempre que o homem abre a boca ou entra mosca ou sai asneira. A mais recente pérola ministerial de tal figura saiu-lhe a propósito da diminuição brutal de alunos que aprendem Latim: menos 80 por cento, só nos últimos dois anos lectivos. Diz ele do alto da sua douta sabedoria: o problema não está nas políticas educativas, mas nos estudantes, que simplesmente "não estão interessados".

"Temos professores para ensinar Latim, mas não há procura. O problema existe nas línguas clássicas no geral e até em algumas línguas modernas. Tem a ver com as expectativas e os interesses das famílias", explica.

Perante os números, professores e investigadores temem o desaparecimento de uma disciplina que desenvolve o raciocínio e facilita a aprendizagem de todas as línguas e que é, por isso, considerada a Matemáticas das Letras.

"O ensino das Humanidades está cada vez mais desvalorizado e o caso do Latim, em vias de desaparecimento, reflecte esse problema. O discurso político passa a ideia de que 'letras são tretas' e o que é preciso são as tecnologias e as ciências exactas", lamenta Paula Dias, investigadora do Instituto de Estudos Clássicos, da Universidade de Coimbra. O problema, assegura, é quase exclusivamente português. Em Espanha e França, por exemplo, não tem havido redução do número de estudantes a aprender os clássicos e em países como a Inglaterra e a Alemanha, cujos idiomas nem sequer têm origem latina, o ensino "tem sido muito divulgado e incentivado pelo Estado".

Os dados do Reino Unido não deixam dúvidas: entre 2004 e 2007 mais do que duplicou o número de secundárias a leccionar a disciplina e há mesmo 2500 escolas do primeiro ciclo que dão às crianças introdução ao Latim para as ajudar na aprendizagem da gramática inglesa.

"Nós andamos sempre ao contrário dos outros. Lá fora percebem a importância do ensino da cultura clássica. Cá, os nossos governantes acham que só as tecnologias são importantes", corrobora Isaltina Martins, presidente da Associação de Professores de Latim e Grego (APLG).

Agora digam-me: que faz S. Exa. Sapientíssima, o senhor Valter Lemos no Ministério da Educação? Nada. Rigorosamente nada. O homem não faz ideia do que é a Educação. Para ele trata-se de números, estatísticas e salários. Política não é para ele. Ideias muito menos. Fala como se estivesse num café e, qual Pilatos, assim lava as mãos. Ah, grande Valter!

08 junho 2008

Contra a Itália xenófoba e racista de Berlusconi


Milhares de ciganos invadiram hoje as ruas de Roma para protestar contra a xenofobia que caracteriza a política de imigração do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. "Somos todos filhos do mesmo pai", dizia o cartaz que abria a marcha, em que os manifestantes levavam, como os judeus aquando da dominação nazi, distintivos com um 'Z' de zingari, (cigano, em italiano).

A marcha decorreu em ambiente lúdico e bastante colorido, com os manifestantes a cantar e a bailar durante o percurso.

O governo de Portugal visto por António Barreto

«Prosseguem as greves e as manifestações. Funcionários públicos, professores, enfermeiros, pescadores, automobilistas, camionistas... O mal-estar social é evidente. A grande manifestação de Lisboa atingiu uma dimensão surpreendente. Mas o governo despreza manifestações e números. Diz o primeiro-ministro que só os argumentos lhe interessam, não os números. Coitado! Não sabe que as manifestações e os números são argumentos.
A evolução económica não dá sinais de melhoria. Nem agora, nem a prazo. Sócrates e Pinho continuam a divulgar, todos os dias, as dezenas e centenas e milhares de milhões de euros de investimentos estrangeiros, nacionais e do Estado. Parece que nunca mais acabam. Mas a verdade é que a alegada cornucópia é muito inferior ao necessário. E as obras públicas, necessárias ou inúteis, continuam a ser o principal recurso desta economia frágil e destas políticas económicas de curto prazo.

Ao mesmo tempo que se ouvem declarações messiânicas sobre as novas fontes de energia e a poupança de combustíveis, anunciam-se mais auto-estradas, pontes e viadutos. A mão esquerda castiga o automóvel, a mão direita protege e incentiva o automóvel. Prepara-se o fecho definitivo da linha de comboio do Tua, assim como o do troço do Pinhão ao Pocinho, na linha do Douro. Mas anuncia-se a construção de um túnel luxuoso e pouco útil sob o Marão, ao preço de perto de 400 milhões de euros. Será, dizem o Governo e os construtores concessionários, o maior de Portugal!»

A revista LER


Em Portugal lê-se muito. Demasiado. Não só pelo número de títulos publicado, como pela variedade e multiplicidade de material impresso (não se lêem apenas livros, há que pensar em jornais, revistas, rótulos) e outro (blogues, TV, Net).

A relevância literária do que se lê não será, do ponto de vista da arte, significativo. Poderá mesmo dizer-se que a maior parte dos que lêem estão, ao nível da formação e do gosto, desfasados do tempo. Qual é o espanto? O mesmo se passa com a música, com as artes do palco ou com as artes plásticas.

O que não deixa de ser caricato é ver o que lêem quantos a si mesmos se consideram esclarecidos, informados, cultos, cosmopolitas. Mesmo quando não dizem que livros lêem, fazem sugestões de leitura ou propagandeiam revistas soit disant literárias.

Veja-se a LER. Aquilo tresanda a bafio. Não há ali nada que mostre ousadia, rasgo, vida. Literatice há q.b.. Mas vida, incomodidade, medo, anseios, raivas, estoicismo, conquistas – zero, nicles, népia.

Por que razão os supostos adoradores da arte ou da arquitectura contemporânea correm a aplaudir a dita cuja? Será pela mesma razão que o vulgo venera marcas? Será pela confusão entre arte e religião? Será porque ler exige reflexão, confronto, inquietação e, a partir de certa idade (senão sempre), deixa de se ter estômago para isso?

O director da LER diz que é «uma revista independente sobre livros e sobre a vida que anda nos livros». Não se percebe onde está a independência se aquilo é editado pelo Círculo de Leitores (que pertence a um grupo editorial concreto e forte). A revista conserva a estrutura que tinha quando Francisco José Viegas era director, embora com outro aspecto gráfico. Continua a não haver secções para as ciências humanas e sociais (Antropologia, Filosofia, História, Psicologia, Sociologia, …) pese embora o número de títulos editados. Não há (ainda não) secções reservadas à literatura dos outros países de língua portuguesa. Não há secções dedicadas às literaturas dos países que compõem a União Europeia. Fala-se dos pequenos (editores, livreiros) mas não há uma secção que lhes seja exclusivamente dedicada. E o rol de nãos poderia continuar.

O que é, então, a LER? Por enquanto um imenso bocejo. Muito papel para nada.

Barack Obama - Portfolio






Algumas fotos do homem que pode vir a tornar-se o primeiro presidente negro dos E.U.A.
Nasceu a 4 de Agosto de 1961 e tem um percurso político fulgurante. Para muitos simboliza a esperança. Sobretudo para quantos se reivindicam da "esquerda".
Entre a esperança, o sonho e aquilo que ele fizer, se for eleito, há espaço para milhares de opiniões e de teses.