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16 novembro 2008

O livro que fazia falta


Carolina Salgado é uma escritora pop mas ocasional. Margarida Rebelo Pinto é uma escritora pop e profissional. Ela escreve muito bem. Ela diz coisas muito diferentes. Ela tem piada. Ela é um must. Já não vende tanto como vendia. Mas explora novas oportunidades de negócio.

A nova história de MRP é para ajudar a Acreditar. Acreditar é o que faz falta. Se acreditássemos mais éramos mais obedientes, logo mais felizes. Margarida explica isso muito bem: «Era uma vez um dragão que não sabia que era dragão e uma princesa que não gostava de ser princesa». Acreditar é não saber quem somos. É pensarmos que somos outrem.

A Princesa Carlota e o seu amigo Dragão Guigui vão mostrar-nos como é importante Acreditar. Carlota é uma princesa moderna que quer viajar e conhecer o mundo antes de se casar, e Guigui é um dragão afastado da sua família que aprende a ser forte graças à sua melhor amiga. Acreditemos, irmãos.

03 outubro 2008

IgNobel


Se é ciência ou se apenas é divertida pouco importa. Interessa sim que o campo de estudo é vasto e tudo pode servir para testar hipóteses. Algumas particularmente sugestivas, como a das pulgas de cães e gatos. Ficamos assim a saber que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos. O que seria a nossa vida sem essa descoberta, hã?

Já agora, fique a saber que os chineses são muito trabalhadores mas pouco aproveitadores, pois diz um estudo que os remédios falsificados mais caros produzem mais efeito do que os remédios falsificados mais baratos.

De resto, o apetite sexual tem algo de natural e parece estar relacionado com o período de ovulação das fêmeas. Pelo menos nos bares de strip é assim. Já que à fase de ovulação das dançarinas em bares de strip, corresponde uma maior quantidade de gorjetas.

30 setembro 2008

Uma aspirina, please


-Daqui Hubble. Não me 'tou a senti' lá muito bem... bzz... bzz...

-Daqui Terra. Já vamos mandar um cardiologista aí Hubble. E de febre como estamos?

-Bzz... Bzz...



O problema agora detectado impossibilita o Hubble de formatar ou armazenar dados dos seus instrumentos e transmitir informação para a Terra.

07 julho 2008

Cota... cota é velho; cota é medida; cotA é enzima


Selo de Nuno Micaêlo

Em 2009, a CotA vai andar pelo país e pode entrar em nossa casa pela caixa do correio. Tudo por culpa dos CTT.

O que é a CotA? É uma enzima, a CotA-lacase, produzida originalmente pela bactéria Bacillus subtilis e que pode vir a ter várias aplicações, pois é capaz de degradar compostos chamados fenólicos que são altamente poluentes. A indústria de papel e do têxtil costumam produzir estes compostos.

O potencial da CotA-lacase vai para além da bioremediação, ou decomposição de compostos resultantes dos processos industriais. A enzima pode ser aplicada na produção de biopolímeros, no tratamento de sumos de fruta, como bio-sensores e na produção de compostos a partir de uma fibra vegetal chamada lenhina, que podem vir a ter um valor elevado.

08 abril 2008

Da ilha, da Praia


Não sei se as praias sempre foram lugares de encontros e de paixões. Sei que algumas deram o nome ao lugar e acabaram por se tornar cidade. Assim a Praia da Vitória, terra de segredos que se podem encontrar ao virar de uma esquina, na fachada de uma casa, no rendilhado desta ou daquela varanda, no tipo de janelas, numa ou noutra placa comemorativa. Segredos que devemos a quantos a habitaram ao longo dos anos, determinando as ruas, a arquitectura, as cores, os cheiros.

Há quase seis séculos, entre o mar e duas serras, a do Facho e a do Cume, num vale fértil a que chamaram do Ramo Grande, nascia a Praia. Lugar que, como todos os fundados de raiz, cresceu com um traçado urbanístico de ruas direitas e perpendiculares por onde se foram distribuindo agricultores, pescadores, artesãos, pequenos comerciantes, religiosos. Gente sedentária, ciosa dos seus pertences, temente a Deus e capaz de enfrentar a instabilidade e a fúria do mundo. E o mundo sempre aqui pareceu furioso: tremores de terra, tempestades e outros desassossegos, que arruinaram sonhos e as manifestações do fraco poder dos homens. Que defesas havia contra tanto? O trabalho e a crença. O clero era determinante. O clero conduzia o rebanho e determinava o lugar, os topónimos, a localização de igrejas, conventos e ermidas. As ruas da Praia são a prova disso mesmo. A rua principal era e é a Rua de Jesus, axialmente cortada pela Rua da Graça. De igreja a igreja, de convento a convento. Porque era aí, à volta de igrejas e santuários, que as pessoas se sentiam seguras. E a segurança, num lugar sísmico e novo, era fundamental. A data da fundação da Matriz, bem como o seu estilo arquitectónico mostram-nos que os primeiros povoadores preferiram a Praia em detrimento de Angra. Esta, no entanto, por lugar mais abrigado e de mais fácil defesa, cedo suplantou a Praia, vindo a tornar-se sede do bispado dos Açores. A Terceira é um hino à segurança. Mas em terra de tanta segurança, o interior fervilha. E assim a voz se torna cantada e arrastada. E assim a música passeia pela melancolia.