
16 novembro 2008
O livro que fazia falta

31 outubro 2008
03 outubro 2008
IgNobel

30 setembro 2008
Uma aspirina, please

07 julho 2008
Cota... cota é velho; cota é medida; cotA é enzima
Em 2009, a CotA vai andar pelo país e pode entrar em nossa casa pela caixa do correio. Tudo por culpa dos CTT.
O que é a CotA? É uma enzima, a CotA-lacase, produzida originalmente pela bactéria Bacillus subtilis e que pode vir a ter várias aplicações, pois é capaz de degradar compostos chamados fenólicos que são altamente poluentes. A indústria de papel e do têxtil costumam produzir estes compostos.
O potencial da CotA-lacase vai para além da bioremediação, ou decomposição de compostos resultantes dos processos industriais. A enzima pode ser aplicada na produção de biopolímeros, no tratamento de sumos de fruta, como bio-sensores e na produção de compostos a partir de uma fibra vegetal chamada lenhina, que podem vir a ter um valor elevado.
02 julho 2008
08 abril 2008
Da ilha, da Praia

Não sei se as praias sempre foram lugares de encontros e de paixões. Sei que algumas deram o nome ao lugar e acabaram por se tornar cidade. Assim a Praia da Vitória, terra de segredos que se podem encontrar ao virar de uma esquina, na fachada de uma casa, no rendilhado desta ou daquela varanda, no tipo de janelas, numa ou noutra placa comemorativa. Segredos que devemos a quantos a habitaram ao longo dos anos, determinando as ruas, a arquitectura, as cores, os cheiros.
Há quase seis séculos, entre o mar e duas serras, a do Facho e a do Cume, num vale fértil a que chamaram do Ramo Grande, nascia a Praia. Lugar que, como todos os fundados de raiz, cresceu com um traçado urbanístico de ruas direitas e perpendiculares por onde se foram distribuindo agricultores, pescadores, artesãos, pequenos comerciantes, religiosos. Gente sedentária, ciosa dos seus pertences, temente a Deus e capaz de enfrentar a instabilidade e a fúria do mundo. E o mundo sempre aqui pareceu furioso: tremores de terra, tempestades e outros desassossegos, que arruinaram sonhos e as manifestações do fraco poder dos homens. Que defesas havia contra tanto? O trabalho e a crença. O clero era determinante. O clero conduzia o rebanho e determinava o lugar, os topónimos, a localização de igrejas, conventos e ermidas. As ruas da Praia são a prova disso mesmo. A rua principal era e é a Rua de Jesus, axialmente cortada pela Rua da Graça. De igreja a igreja, de convento a convento. Porque era aí, à volta de igrejas e santuários, que as pessoas se sentiam seguras. E a segurança, num lugar sísmico e novo, era fundamental. A data da fundação da Matriz, bem como o seu estilo arquitectónico mostram-nos que os primeiros povoadores preferiram a Praia em detrimento de Angra. Esta, no entanto, por lugar mais abrigado e de mais fácil defesa, cedo suplantou a Praia, vindo a tornar-se sede do bispado dos Açores. A Terceira é um hino à segurança. Mas em terra de tanta segurança, o interior fervilha. E assim a voz se torna cantada e arrastada. E assim a música passeia pela melancolia.

