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19 março 2009

O 40.º aniversário do The Very Hungry Caterpillar, de Eric Carle


The Very Hungry Caterpillar é um livro de Eric Carle, cuja primeira edição data de 20 de Março de 1969. O livro tem encantado várias gerações e a sua fama estende-se por diversos pontos do globo, estando traduzido em mais de 47 países.

A data assinala-se em várias bibliotecas e com uma edição especial do livro, cujas ilustrações vão agora poder ser vistas em 3D.

O autor, nascido em Syracuse, estado de Nova Iorque, é uma referência no mundo da literatura infantil e tem muitas outras obras publicadas, que podem espreitar aqui.

14 março 2009

10 cêntimos de 1938 correspondem a 317.200 dólares de 2009

Acha que é muito? Então fique a saber que quem pôs a revista à venda esperava chegar aos 500 mil dólares. E porquê? Porque já houve quem oferecesse tal quantia pelo mesmo número da revista.
Dizem os especialistas que restam apenas 50 exemplares em bom estado da Action Comics.
O exemplar agora leiloado pertenceu a um miúdo (quase septuagenário) que a guardou religiosamente durante cerca de seis décadas. Comprada em segunda mão, doze anos depois do aparecimento do primeiro número, o rapaz teve de pedir 25 cêntimos (mais 15) para a adquirir. Um investimento que vai merecer várias teses de doutoramente e muitas mais de mestrado, para nos provar que investir é um acto de carinho e paciência.
(Os investimentos devem ser preferencilamente aplicados em objectos populares e artísticos, pois são esses que mais se valorizam com o passar dos anos).

11 março 2009

Campo das Letras


A agricultura portuguesa há muito se evaporou, a troco de subsídios da Comunidade Europeia que, sabendo da inércia histórica dos tugas, não hesitou em dar uns dinheiritos para sossegar a gula dos ditos agricultores.

Uma editora que se chamasse Campo, sem nenhum autor sonante, mas abundante em títulos publicados, presa a ideários um tanto ou quanto datados e sem uma linha editorial clara, só poderia mesmo ter o destino da Campo das Letras: a falência.

Quem edita lixo e faz da edição de lixo um modo de vida, ganha dinheiro, mas pratica a política da terra queimada: destrói a fonte de onde provêm os seus lucros. Grupos como o Leya, que parecem por ora tão apelativos aos patos bravos da literatura tuga, têm mais uns anos de autores "consagrados", mas assim que eles baterem a bota, que fica?

Nos jornais, o espaço dos livros é residual. O número de leitores (e não de consumidores de material impresso) é demasiado pequeno para alimentar manias e taras lusas. A escola continua a afastar os alunos dos livros e os planos nacionais de leitura revelam-se inúteis, pois enquanto o Estado continuar a querer que a escola produza analfabetos que sabem assinar ou rubricar o seu nome não iremos longe.

Semear está na moda, mas só produtos ecológicos (usando bosta de plástico e compostagens que têm a sua graça para entreter meia dúzia de lunáticos).

O livro enquanto objecto de cultura continua acessível apenas a uma elite. A democracia em arte é muito gira, mas só em países que não tiveram de aturar salazares. Nós saímos do analfabetismo puro e duro para o analfabetismo do baby boom e, pelos vistos, segundo a socrática socialista sapiência, devemos ficar muito contentes por haver magalhães com erros, mas muito portugueses.

26 janeiro 2009

Falta liberdade de voto em Portugal


Paulo Trigo Pereira investigou e concluiu: Portugal é, depois da Holanda e de Israel, o país com menor liberdade de voto.

Chegou a essa conclusão após ter levado a cabo um estudo a 26 países. Paulo Trigo Pereira é economista e pôs o seu trabalho em livro: "O Prisioneiro, o Amante e as Sereias" (Almedina).

Paulo Trigo Pereira serviu-se de determinados modelos para efectuar o seu estudo. Um deles é o índice de liberdade de escolha do cidadão, que foi construído tendo em conta o número de partidos, a dimensão média do círculo eleitoral e os índices de proporcionalidade; mede a liberdade do eleitor, comparativamente com o partido, na escolha dos candidatos. O investigador cita Irlanda e Malta, onde os partidos indicam os nomes dos candidatos, mas os eleitores podem ordená-los por preferência, por exemplo. "Nós só fazemos uma cruz no boletim de voto", diz.


Fonte: Público [papel]

29 dezembro 2008

Será Herman Rosenblat familiar do senhor Antunes?


A Berkley Book, uma marca da editorial britânica Penguin, fez saber que cancelou a edição de Angel at the fence, the true story of a love that survived, depois do escritor Herman Rosenblat ter contado à sua agente, Andrea Hurst, que tinha inventado partes do livro.
Rosenblat, de 79 anos, apareceu duas vezes no programa da Oprah para contar a história de como conheceu a sua mulher quando esta lhe atirou maçãs por cima da cerca dum campo de concentração nazi (Schlieben), na Alemanha.

Mas soube-se que Rosenblat inventara a história há dez anos para um concurso de um jornal.

A editora não só cancelou a edição como exige a devolução do dinheiro gasto. Havia também um filme na calha. E agora? Chamem o Antunes que ele resolve isso tudo duma penada.

05 dezembro 2008

Ingmar Bergman (1918-2007)


Textos e entrevistas do realizador, muitas das quais nunca antes vistas fora da Suécia, bem como imagens exclusivas dos seus filmes estão disponíveis num livro editado pela Taschen.

Antes da sua morte, em Julho de 2007, Ingmar Bergman concedeu à Taschen e à Max Ström acesso completo aos seus arquivos na Fundação Bergman. Ambas as editoras quiseram homenagear uma carreira de 60 anos, tornando públicos os arquivos daquele que é, para muitos, um dos melhores realizadores de sempre.

O livro de 592 páginas contém uma retrospectiva da carreira de Bergman, não só no cinema, como no teatro, onde foi responsável por mais de 170 peças. Como bónus o tomo vem acompanhado de um DVD com quase duas horas de documentários raros.

Segundo Kakutani, os filmes de Ingmar Bergman tratam de desejo, dor, religião e amor. Um mundo onde “a fé é ténue; a comunicação, elusiva; e o conhecimento próprio, na melhor das hipóteses, uma ilusão”.
O próprio realizador confessava: "Eu quero fazer filmes sobre condições, tensões, imagens, ritmos e personagens dentro de mim que, de uma forma ou de outra, me interessam."

29 novembro 2008

Farhad Hakimzadeh, o vândalo iraniano


Ao longo de sete anos, um gentleman e intelectual iraniano consultou livros na British Library e noutras bibliotecas, e, com um bisturi, foi tirando páginas, mapas e ilustrações. As obras ficaram irremediavelmente danificadas.

O bisturi de Farhad Hakimzadeh estragou 150 livros. Livros raros. Esse acto comprometeu uma parte dos mapas que documentam os primeiros contactos entre europeus e as regiões do Médio Oriente e China.

Fê-lo por dinheiro? Não. Hakimzadeh, 60 anos, é um empresário iraniano que vive no Reino Unido (com passaporte americano), formado em Harvard, editor e conhecido intelectual. Na altura dos acontecimentos era director do Iran Heritage Foundation, uma fundação sem fins lucrativos criada em 1995 para promover e preservar a história, a língua e a cultura do Irão.

O primeiro alerta foi dado em Junho de 2006 por um leitor de uma dessas bibliotecas que requisitou um exemplar de A Relation of Some Yeares Travaille Begunne Anno 1626, de Thomas Herbert, e chamou a atenção dos responsáveis para a falta de algumas páginas.

Especialistas examinaram a obra e confirmaram que as páginas tinham sido meticulosamente cortadas. Foi então montada uma complexa operação para encontrar o autor do crime e também para perceber quais as obras que tinham sido amputadas. Através dos registos electrónicos foi possível fazer uma lista com os nomes de todos os leitores da British Library que tinham requisitado o livro em questão e depois foram examinar outras obras consultadas por essas pessoas. Foi assim que descobriram outros livros estragados - todos relativos ao mesmo período histórico e versando sobre a relação da Europa com a região que hoje designada como Síria e Bangladesh.

As páginas foram cortadas mesmo junto à espinha do livro e os mapas (um dos quais avaliado em 32 mil libras - 38 mil euros) foram removidos dos capítulos, quase sem deixar qualquer rasto. Apesar das evidências, a primeira reacção de Hakimzadeh foi negar tudo. Quando a polícia efectuou buscas em sua casa (Knightsbridge, Londres), em Julho passado, encontrou alguns dos mapas, páginas e ilustrações desaparecidas soltos e outras enxertadas em edições menos valiosas das mesmas obras.

No total, Hakimzadeh tinha requisitados 842 livros, dos quais 150 foram mutilados. Algumas das páginas arrancadas foram recuperadas mas outras continuam desaparecidas.

Uma das obras que ele mutilou é portuguesa, A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, uma edição de 1620.

Outras obras danificadas por este estranho intelectual:

Istoria de la China i Cristiana empresa hecha en ella, de Matteo Ricci (1621).
Breue relacion, de la peregrinacionque ha hecho de la mayor parte del mundo, de Sebastian Pedro Cubero (1688).
J. G. W’s Ost-Indian – und Persianische Reisen, de Johann Gottlieb Worm (1745).
Mithridates, de Nathaniel Lee (1693).
Novus orbis regionum ac insularum veteribus incognitarum, de Simon Grynaeus (1537)
Historia della Persia, de Giovanni Pasta (1650).

26 novembro 2008

Prendas de Natal








Para quem gosta de surpreender nas prendas de Natal, sugerimos alguns belos livros, todos de uma editora com tanto de discreta quanto de criteriosa, a Averno. Os pedidos podem ser feitos através dos endereços que encontra na página da editora.
Além destes que escolhemos, outros estão (ainda) disponíveis. As tiragens são reduzidas, os textos do melhor que por cá se edita, os objectos (os livros) preciosos: autênticas peças de coleccção.

De Vítor Nogueira, Comércio Tradicional.
De Manuel de Freitas, Brynt Kobolt.
De Henry James, Colaboração.
De Jorge Roque, Broto Sofro.

11 novembro 2008

Che Guevara e outros ícones pops em livro


«Che foi pouco mais que um aventureiro, um líder egocêntrico que foi elevado à categoria de mito impoluto depois da sua morte.» Quem o afirma é Juan José Sebreli (Buenos Aires, 1930), no livro Comediantes y mártires (Debate), obra em que analisa como quatro destacadas personalidades do século passado foram transformadas em mitos: o cantor de tangos Carlos Gardel, a actriz e política Evita Perón, o futebolista Diego Armando Maradona e Ernesto Che Guevara.

A análise mais contundente é a que dedica a Che, qualificando-o de "idiota político", algo que «não pretende ser um insulto, apenas a descrição objectiva de um determinado comportamento».

«Pode dizer-se que ele foi, à vez, um aventureiro, um santo e um herói, mas não um político».

O ensaio deste «pretigiado intelectual argentino», como o classifica o El País assenta em documentos e na interpretação que deles faz, juntamente com ses. «Se Che não tivesse conhecido Fidel Castro no México, provavelmente teria ido como bolseiro para Paris para estudar medicina, que era o que ele queria.»

Se o livro estiver todo ele assente em argumentos deste tipo, está bom de ver que se dão prémios a livros que só podem ser classificados de idiotas. Mas como os juízos críticos exigem a análise dos documentos, aguardemos para ver realmente do que se trata.

Para já está lançado o isco. Será que a propaganda vai surtir o efeito esperado?

De quem é a culpa?, de Anselm Jappe


Está a chegar às livrarias De quem é a culpa?, de Anselm Jappe, editado pela Antígona.

Anselm Jappe nasceu em 1962 na Alemanha, tendo feito os seus estudos em Itália e em França, onde vive actualmente. É autor de As Aventuras da Mercadoria (2006) e de Guy Debord (2008), ambos editados pela Antígona.

De quem é a culpa? aborda «a crise». E tece considerações sobre os actores dessa crise e sobre os modelos de vida que nos têm ocupado os dias.

Uma amostra: «Desta vez, todos os comentadores estão de acordo: o que se está a passar não é uma mera turbulência passageira dos mercados financeiros. Estamos a viver, sem dúvida, uma crise que é considerada a pior desde a Segunda Guerra Mundial, ou desde 1929. Mas de quem é a culpa, e por onde encontrar a saída? A resposta é quase sempre a mesma: a «economia real» está sã, foram os mecanismos corruptos de uma finança que escapou a todo e qualquer controlo que puseram em risco a economia mundial. Sendo assim, a explicação mais expedita, mas também mais propagada, atribui toda a responsabilidade pela crise à «avidez» de um punhado de especuladores que teriam jogado com o dinheiro de todos como se estivessem num casino. Mas reduzir os arcanos da economia capitalista, quando esta funciona mal, às maquinações de uma conspiração maléfica tem uma longa e perigosa tradição. Arranjar, mais uma vez, bodes expiatórios – a «alta finança judaica» ou outra –, oferecendo-os ao julgamento do «povo honesto», constituído pelos trabalhadores e aforradores, seria a pior das saídas possíveis.

(...) Talvez não venhamos a assistir a uma «sexta-feira negra», como em 1929, a um «Dia do Juízo». Mas há boas razões para crer que estamos a viver o fim de uma longa época histórica. A época em que a actividade produtiva e os produtos não servem para satisfazer necessidades, mas para alimentar o ciclo incessante do trabalho que valoriza o capital e do capital que emprega o trabalho. A mercadoria e o trabalho, o dinheiro e a regulação estatal, a concorrência e o mercado: por trás das crises financeiras que há vinte anos se repetem, cada vez mais graves, perfila-se a crise de todas estas categorias. As quais, é sempre bom lembrá-lo, não fazem parte da existência humana em toda a parte e sempre. Apoderaram-se da existência humana ao longo dos últimos séculos e poderão evoluir para algo diferente – algo melhor ou ainda pior. Contudo, não é o tipo de decisão que se tome numa reunião do G8…»

03 novembro 2008

Contribuições para a fauna dos Açores, de Augusto Nobre


NOBRE (AUGUSTO).— CONTRIBUIÇÕES PARA A FAUNA DOS AÇORES. (Separata dos Anais do Instituto de Zoologia da Universidade do Pôrto, vol. I, 1924)). Porto. Typographia do Instituto dos Surdos-mudos Araújo Pôrto. 1924. 90-II págs. B.
Estudo valioso sobre a fauna nos Açores. Com reproduções de fotografias da pesca à baleia e e panôramicas.

30 outubro 2008

Livros e prisões


Os reclusos do Estabelecimento Prisional de Vila Real podem, a partir de hoje, requisitar livros e revistas através da biblioteca itinerante, um gesto que se vai repetir uma vez por mês. Disponibilizado pela Biblioteca Municipal Júlio Teixeira, o serviço vem juntar-se aos circuitos sénior e júnior, que passam periodicamente por seis lares de idosos e 52 escolas do concelho de Vila Real.

Segundo Vítor Nogueira, director da biblioteca, os reclusos que queiram requisitar um livro apenas têm que se inscrever. Com esta iniciativa, a Biblioteca Júlio Teixeira pretende criar um veículo que funcione como uma extensão das suas instalações.

Apesar de já ter 169 anos de existência, a biblioteca de Vila Real possui um edifício construído de raiz, há apenas dois anos, onde está guardado um acervo com mais de 47 mil livros. O grande objectivo de Vítor Nogueira é atingir os 60 mil volumes até ao final de 2009.


Fonte: Público

06 outubro 2008

O diário secreto que Salazar não conhecia

A velha aliança entre Portugal e Inglaterra tem muitos meandros. Rui Araújo traz a lume alguns do tempo de Salazar. Vem tudo em «O diário secreto que Salazar não conhecia».
Alguns dados são curiosos: Diplomatas, marinheiros e caixeiros-viajantes eram os alvos principais dos recrutadores de espiões. Contudo, revelaram-se muito desajeitados esses portugueses que trabalhavam para os alemães e facilmente davam nas vistas. Os ingleses prendiam-nos, às vezes. Outras vezes, forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada.
Ora havia um radiotelegrafista do navio Gil Eanes, que fornecia informações aos alemães sobre os barcos aliados que avistava, tornando-os presas fáceis para os submarinos de Hitler. A marinha inglesa apresou o Gil Eanes e, simplesmente, raptou o radiotelegrafista, levando-o para Londres.
Outra história é a de um caixeiro-viajante apanhado em África, encarcerado nos arredores de Londres. Confessa tudo. Depois escreve uma carta à mãe e tenta cometer suicídio, espetando a caneta no escroto. Transportado para um hospital militar, fica perto da loucura. Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar.
Os espiões lusos saem um pouco mal no retrato: estavam muito mal preparados, eram medíocres, facilmente se expunham e vendiam-se por muito pouco.

29 setembro 2008

Incendiar por causa de uma história

Quanto maior é o atraso civilizacional de um povo mais recorre à violência. Nós, portugueses, que levamos tudo muito a peito, sobretudo nas pequenas coisas, somos quase irmãos dos fundamentalistas islâmicos. Que por dá cá aquela palha partem logo para a guerra santa: queimam, apedrejam, assassinam (o menu é extenso, mas nós somos muito pudicos e não transcrevemos aqui o rol das atrocidades de que são capazes).
Lembram-se de um livro que por cá foi recusado pela Porto Editora (por questões meramente literárias, claro)?
Por causa desse livro já começou a brincadeira.
A casa do dono da editora independente Gibson Square que se propôs publicar o controverso “The Jewel of Medina”, foi alvo de uma tentativa de fogo posto no sábado de manhã, em Islington, norte de Londres.
Os donos da Porto Editora podem dormir descansados. O livro não presta e eles só publicam livros bons.

22 setembro 2008

Dois livros




E ainda há quem pense que o valor de um livro está na encadernação.


Cesário Verde - O LIVRO DE CESARIO VERDE. 1873-1886. Lisboa. Typographia Elzeviriana. 1887. In-8º de XIX-I-103-I-IV págs. B.Primeira edição, valiosíssima e de extrema rara do «Livro de Cesário Verde», “poeta sincero, verdadeiro e original”, altíssimo nome da literatura portuguesa de todos os tempos. A edição, primorosamente executada sobre papel de linho, foi feita por iniciativa de Silva Pinto, grande amigo do poeta. Dela se fez uma reduzida tiragem única de 200 exemplares numerados. Com um retrato de Cesário Verde por Columbano. Exemplar em excelente estado de conservação. Encadernação inteira de pele gravada com ferros a seco e a ouro na lombada e pastas. Apresenta as capas de brochura zincogravadas a partir das originais. Preço: 3.000,00 €


Vitorino Nemésio - NAVE ETÉREA. (Em memória do descobrimento do caminho celeste para o Brasil.). Imprensa Acadèmica. Coimbra. 1922. 14,5x23 cm. 36-II págs. B.Primeira edição. Rara. Capa da brochura com algumas manchas. Preço: 200,00 €

20 setembro 2008

Melania Mazzucco e a Berluscolândia

Enquanto por cá a literatura se passeia pelo nada, entediada, cordata, fotogénica, reinos há onde olha à sua volta e se diverte a dizer que o rei vai nu.
Assim com o romance Um dia perfeito, de Melania Mazzucco, de que hoje se fala no Babelia. Um romance sobre a Itália de agora. Um retrato sobre a Berluscolândia:
«Berluscolândia: a família como núcleo podre e cenário dos delitos mais abjectos; o machismo e a homofobia como valores supremos; o crescente desespero dos jovens. E, como panos de fundo, a corrupção e o racismo, a opressiva hipocrisia católica, o poder paralisador da política e da televisão.»
Esperemos que o sucesso comercial do livro e o filme que foi realizado a partir dele o traga até Portugal.

Trópico de Câncer, de Henry Miller


Já está nas livrarias uma nova versão de Trópico de Câncer, de Henry Miller, traduzido por Jorge Freire. A reedição pela Bertrand desta narrativa autobiográfica, passada na Paris dos anos 30, inaugura a colecção 'Obras Literárias Escolhidas' lançada por esta editora.
Esse livro tardou em ser publicado nos Estados Unidos. Veio a público em Paris no ano de 1934 e só em 1961 chegaria às estantes americanas.
Jorge Freire considera "a criação, o tempo e a morte, a abolição da diferença entre o mundo das ideias e a experiência vivida e a quebra voluntária dos tabus" temas centrais de Trópico de Câncer.
De acordo com o tradutor, o prazer e o desejo, a que o escritor chama "milagres da personalidade", são "afirmação da verdade, da literatura, da vida e do individualismo".
Relato autobiográfico, Trópico de Câncer leva-nos pela Paris de entre-guerras vista e vivida por um Henry emigrado que deixara para trás Nova Iorque e fora para Paris em busca de um sonho: escrever. A fome, o sexo, o álcool, os biscates, a loucura, o delírio atravessam as páginas desse romance sobre o qual caiu o libelo de pornográfico e obsceno.